terça-feira, 31 de março de 2015

Demorou, mas já é

Tudo começa na mente.
Minha mente foi extremamente beneficiada pelos retiros de janeiro e fevereiro, com Alan Wallace e Lama Padma Samten.
E é a isso que atribuo todas as mudanças que fiz desde então.
Os retiros propiciaram clareza. E geraram mérito para a remoção de obstáculos.
E bota remoção de obstáculos nisso: tudo que estava emperrado e estagnado andou (o movimento foi bastante doloroso em alguns momentos), tudo que era tóxico se dissipou.
Movimento.
Abertura.
Luz.
Ar fresco.

Mas teve algo ainda mais essencial que os retiros. A base interna.
Um pouco antes dos retiros, eu havia consolidado a prática da meditação diária.
E é isso que está mudando tudo pra mim. A meditação desencadeou uma onda luminosa que se expande por tudo.
O efeito mais notável é o foco, a organização.
Minha vida estava frenética e caótica. Muita correria e pouca rapidez. Dispersão geral.
A modesta prática meditativa está ajudando a diminuir o tumulto. É uma coisa tão pequena, mas tão espetacular.
Os efeitos são mais visíveis no trabalho e nos treinos.

A relação com o trabalho mudou. Toda ela.
Voltei a ser produtiva. Depois de anos da mais completa desorganização, acabaram-se os atrasos.
Não foi fácil. E tive dois grandes revezes antes de conseguir chegar ao ponto em que estou hoje, agora, no último dia de março.
As duas últimas semanas foram extremamente difíceis. Me vi sem perspectivas. Tive um momento de pânico. O que vou fazer agora? Regina, minha tutora, me tranquilizou: "Você tem muito mérito. Encare como férias, tire férias. Logo vai surgir algo".
Nem cheguei a ter férias. Mas desacelerei, descansei.
Me dediquei à finalização de um trabalho e fui buscar novos. Continuo buscando. E o primeiro já apareceu. E não poderia ser melhor.
Uma tradução budista. Um livro maravilhoso, de uma grande personalidade do Dharma, para uma editora com a qual tenho uma conexão de dakini. É uma nova modalidade de parceria.

Na corrida:
91km em janeiro
108km em fevereiro
226km em março

Em um mês, mais do que a soma dos dois anteriores.
Motivação é tudo.
Finalmente recuperei o prazer e o foco perdidos lááááá na sensacional maratona de 2013, que só não foi melhor porque o processo descendente começou um mês antes.
O que aconteceu comigo pra parar de correr direito não sei.
Mas sei o que aconteceu pra eu voltar: decidi resolutamente que voltaria. (Já havia decidido várias vezes, mas sempre fracassava, sucumbindo à confusão samsárica e me desorganizando. Simplesmente a vontade não resistia às pressões.)
No dia em que fui conversar com Leo Ribas na Sogipa, cheguei lá com o propósito de retomar o treino, de seguir a planilha. De fazer a coisa direito. E sem cobrar de mim mesma nada além disso: treinar direito, seguir a planilha. Abandonei as expectativas de voltar a correr como antes. E não estou pensando em competir.
Antes eu tinha ideias semelhantes, mas elas não eram claras o bastante. Eram inconsistentes. Desfocadas.
A mente clareou, o corpo começa a reagir. E está sendo 

E tem mais.
A interação social.
Um amigo muito querido morreu aos 44 anos, e isso me fez lembrar da importância de manter contato com as pessoas de quem se gosta.
Fui em busca de velhos e novos amigos.

Desintoxicada. Purificada. Leve. Focada.
Muito mais está por vir.

sábado, 28 de março de 2015

Acareação

Ele disse, ela disse...
Para acabar com o disse-me-disse, nada mais fácil do que perguntar diretamente.
Nada como exercitar o saudável e cada vez mais incomum hábito de falar a verdade francamente: "Eu fiz, eu disse, não fiz, não disse". E perguntar sem rodeios: "O que você falou? Você disse isso e isso? Você fez ou não fez?".
No fim de uma sessão de sinceridade, constata-se que a mentira tem pernas minúsculas quando se decide falar e ouvir a verdade. E se descobre quem falseou onde.
Aí é fazer a faxina e botar a vida em ordem.

Os estágios da putice

Primeiro, um puta choque.
Depois, uma puta raiva.
A seguir, uma puta tristeza.
Para resumir: uma puta decepção.

No fim, um puta alívio.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Bom dia!


Sexta-feira, sua linda!
O céu amanheceu cor de rato, esfriou, tem um ventinho. Friorenta que sou, já me puxei numa manga longa pra treinar daqui a pouco mais.
Antes, o tradicional balde de café com leite e achocolatado.
Semana cheia chegando ao fim. Conclusão de um trabalho. Encerramento de uma outra parceria profissional que desde o início tinha uma qualidade de instabilidade. Troca de treino de musculação, reajustado para a retomada da corrida, que, aliás, segue lindamente.
A transição do verão para o outono, a virada de ano astrológico trouxeram enormes mudanças.
Até no guarda-roupa, já que essa combinação de vermelho e branco nunca foi a favorita, hehehe. Gremistas entenderão.
A reviravolta no trabalho causa insegurança, mas ao mesmo tempo alívio. E a certeza de que, como tudo, é para melhor.

quinta-feira, 26 de março de 2015

O mural das lamentações - e das farpas

Sabe aquela vontade de bisbilhotar o Facebook e Instagram alheios? Pois é, nunca tive.
E fico pasma com a quantidade de tempo que as pessoas se dispõem a gastar nisso.
No ano passado, minha filha foi assediada por uma stalker que adicionou a mim e mais um monte de amigos dela no FB. Depois postou fotos da minha filha como se fosse ela. Vai saber por quê. Ignoramos solenemente, aí passou.
As criaturas ficam vasculhando a vida de pessoas que mal lembram que elas existem, postam indiretas que os alvos não leem, expõem seus ressentimentos e rancores sem o menor senso de autopreservação. É bem a história aquela de tomar veneno e esperar que o inimigo morra, ou segurar carvão incandescente pra jogar no outro.
Tem muitos, muitos casos de pessoas que se envolvem nesses relacionamentos neuróticos via rede social. É um jogo de provocações mútuas. Tem quem goste. Aí é todo mundo tomando veneno e jogando carvão. Eita!
Meu Facebook e meu Instagram são públicos (assim como o blog aqui), me recuso a impor restrições pra evitar a bisbilhotice. O que eu faço quase todo dia é tirar do feed as pessoas que não me interessam e/ou postam coisas que prefiro ignorar. Funciona lindamente. Não tomo conhecimento de gente que pode me perturbar.
Para mim, ainda mais espantosos que os catadores da vida alheia são os que destilam veneno em comentários em notícias, posts nas redes sociais e até no YouTube!
Tenho ouvido muita música via YouTube. Música clássica. E fico totalmente perplexa ao deparar com comentários detonando o artista, ou dizendo que fulano toca aquilo melhor. WTF?
Nas notícias é pior ainda. As pessoas vomitam todo tipo de desaforo, brigam entre si, uma fúria e uma troca de ofensas generalizadas.
Tô evitando totalmente esse tipo de comportamento. Meu Facebook está cada vez mais budista. Como eu. Só que a budista aqui ainda não é lá um primor de equanimidade e compaixão, por isso evito tomar contato com as perturbações. Pra não me enganchar.
Porque esse festival de gente ressentida, bisbilhoteira e raivosa às vezes cansa, ah, cansa!



segunda-feira, 16 de março de 2015

PerCorrer o Caminho do Meio


Depois de um janeiro e fevereiro turbulentos, março está engrenando bem.
Uma sensaçãozinha que eu sentia nos joelhos desde outubro, talvez um pouco antes, acabou se transformando em desconforto após os dois retiros budistas, com horas sentada no chão de pernas cruzadas. E, na última semana de fevereiro, o joelho direito realmente doeu.
Feita a ressonância, consultado um especialista, e eis que descubro que tenho condromalácia de grau 2 para 3 nos dois joelhos. O que fazer? Tomar medicação de uso contínuo, cuidar o amortecimento dos tênis, correr em piso macio sempre que possível, caprichar no reforço muscular e no ALONGAMENTO. O médico afirmou que minha lesão é da corrida, falou que não iria me dizer para parar de correr, mas é claro que tem a possibilidade de isso se tornar obrigatório. O que pode acontecer é a dor se tornar crônica e intensa. Aí deu.
Espero que não aconteça no futuro imediato. Aos 51 anos, não preciso pensar na carreira de corredora a longo prazo. Na real, da forma como cada vez mais vejo a existência, não há motivo para pensar em nada a longo prazo. O que evidentemente não significa viver como se o mundo fosse acabar amanhã. É uma sintonia fina para ficar no presente, no agora. No presente, no agora, vou cuidar pra não destroçar meus joelhos, pra me manter saudável. E, de momento presente em momento presente, o tempo avança.
No momento presente, no agora, estou bem. A dor passou, as sensações nos joelhos são muito leves.
Estou treinando bem desde o início do mês. Curtindo muito o trabalho do Leonardo Ribas, do PerCorrer. A primeira metade do mês foi com planilhas semanais. Cheguei lá, expliquei a situação toda, e ele propôs um trabalho de base. Começar muito de leve, pra ver como meus joelhos reagiriam - e o resto de mim, que estava totalmente fora de forma. Os joelhos, os trabalhos, os retiros, o cansaço e, acima de tudo, a falta de vontade e o desinteresse (alimentados pelos anteriormente citados) haviam transformado meus treinos num tédio, uma atitividade burocrática e exaustiva que eu executava sem prazer.
O primeiro treino de pista, no dia 4, foi memorável. 4x 800m. Totalmente insegura, desacostumada. E já no primeiro tiro começou uma chuva que se transformou num aguaceiro furioso. E eu lá correndo (tentando), encharcando o corpo e lavando a alma. Que estreia! O quinto tiro foi suspenso porque a água já estava bem acima do tornozelo numa curva da pista. Sorte minha, eu já estava morta.
Aquela chuvarada foi um banho de descarga. Voltei pra casa leve, animada. Cada treino depois daquele está sendo um pouquinho melhor, um pouquinho mais fácil. E, com os joelhos bem e os trabalhos encaminhados. menos cansada, com vontade e interesse, os treinos tornam-se estimulantes e prazerosos. O de hoje foi especialmente bom.
Para manter a coisa andando sem solavancos, por enquanto é só treinar por treinar. Leo perguntou quais eram meus objetivos. Eu disse que não tinha nenhum, que queria apenas treinar e ver o que acontecia. E que esperava dele o que sempre espero do treinador: que pense e planeje por mim, Vejo o treinador como um especialista que pode me orientar e preparar para um desafio dentro da minha capacidade (ou seja, a voz do bom senso). Mas - hehehe, sempre tem um "mas" - vi a movimentação do PerCorrer pra maratona, e perguntei se ele achava que eu poderia fazer. Claro que não. Não que eu não soubesse, mas a ideia de jerico brotou assim mesmo - e já foi extirpada.
Pra voltar a fazer uma maratona, tenho que estar bem não só de corpo, mas de cabeça. E Leo acha que, se eu inventasse uma maratona agora, o que ia dar mais problema era a cabeça. Concordo. Essa periga levar mais tempo pra entrar em forma. Daí a imprtância de ficar no treino "sem compromisso". Sem forçar. Pra terminar o treino feliz e satisfeita como terminei hoje, com vontade de fazer o próximo.

domingo, 1 de março de 2015

A moeda é mérito

Retomei a atividade de preparação de textos do Lama Padma Samten após o retiro de verão. Lá conversei com Stela Santin, a gestora do Cebb, sobre meu desejo de contribuir para a divulgação dos ensinamentos do lama. E entrei para a força-tarefa que posta os ensinamentos no site do Cebb e nas páginas do Cebb no Facebook.
O primeiro fruto desta atividade está aqui:

http://www.cebb.org.br/a-moeda-e-merito/

E agora, ao postar aqui, caiu a ficha: que incrível "coincidência" o primeiro texto referir-se a trabalho e geração de recursos.
Cá está ele:

Os méritos movem o mundo
A questão do sustento do praticante é um tema muito importante, que de modo geral surge como um obstáculo. O meditador começa a praticar, a energia dele começa a se mover, e aí, no trabalho, ele se vê dedicando toda a sua energia para construir coisas que nem quer que sejam construídas. Como escapar disso? Afinal, é preciso pagar as contas.
Existe uma sensação de que temos um mundo regido por leis econômicas e por funcionamentos lógicos, que temos que pagar um preço para poder viver dentro dele e assim conseguir praticar o Dharma como uma coisa acessória, lateral. O praticante gostaria que o Dharma fosse o principal, mas não consegue fazer isso porque, afinal, é obrigado a fazer coisas para pagar as contas.
Mas existe um jeito de mudar isso. O processo é o seguinte: é essencial aprender a gerar méritos. Não precisamos gerar reais, nem dólares, nem euros, precisamos gerar méritos. A moeda é mérito. Esse é o ponto. O funcionamento do mundo se dá por méritos. Podemos ver o funcionamento econômico, mas isto é uma pequena parte do todo. Não nos damos conta de que a moeda é mérito.
Geração de méritos significa o quê? Que estamos fazendo alguma coisa positiva e aquilo está melhorando a vida dos seres em alguma direção. Se fizermos o contrário, pode perdurar por um tempo, mas tem uma hora em que afunda. A forma como vivemos gera impacto sobre nós mesmos. Melhor gerar méritos em vez de gerar carmas.
Vamos supor que estamos empregados em uma organização e aí pensamos: “Estou trabalhando só para ganhar dinheiro”. É melhor que estejamos beneficiando todos ao redor e que nossa função também seja benéfica para as pessoas de fora. Se não for, que seja ao menos neutra, mas que não seja uma função negativa, que vá causar problemas. Porque neste último caso, mesmo que você tenha sustentação econômica, haverá um momento em que aquilo ali vai ser derrubado. Por quê? Porque começamos a fazer ações cármicas, os seres atingidos começam a gerar “anticorpos” para essa ação. Haverá um momento que eles irão ter sucesso e nos derrubar. Então é melhor termos uma atividade econômica ligada à geração de méritos.
Com as empresas é a mesma coisa. Não é uma questão econômica simplesmente. Se uma empresa está gerando obstáculos, gerando dificuldades para as pessoas, ela vai ser atingida por estar gerando carmas e não méritos. Não importa o tamanho da empresa, se não gerar méritos, um dia vai quebrar, ou vai ser fechada, ou vai surgir algum problema. Isso é certo, é matemático. Se o McDonald’s quiser sobreviver, vai ter que melhorar a qualidade dos lanches, vai ter que produzir uma coisa cada vez mais natural, com certeza.
Para gerar mérito é preciso exercitar a sabedoria: entender os seres no lugar onde eles estão (pelo ponto de vista deles, não do nosso), se alegrar com as coisas positivas que os outros vivem e ser um instrumento para isso, entender as limitações inevitáveis da vida e das coisas, evitar as ações causais que vão produzir problemas, promover as ações causais que vão produzir coisas boas, ter estabilidade de não se perturbar diante dos problemas, ter a capacidade de pacificar as situações aflitivas que os seres experimentam, ter a capacidade de promover as qualidades positivas que eles têm, ter a capacidade de interromper a negatividade aflitiva sobre os outros e entender que a nossa natureza é o aspecto secreto e se move assim. Aí está tudo resolvido. É só fluir. Esse é o bodhisattva, ele anda pelo mundo sem problema.
Com essa sabedoria, fazemos uma lenta migração para o modo de vida do bodhisattva. Podemos dizer: “Bom, é assim, sou um bodhisattva operando como caixa no Banco do Brasil”, “sou um bodhisattva atuando como promotor público”, “sou um bodhisattva atuando como oficial de justiça” — como policial, como carcereiro, como médico, como psicólogo, como psiquiatra.
Não é preciso uma atitude radical do tipo: “Vou pedir demissão e aparecer lá pelo Cebb”, melhor não. Não peça demissão, continue no lugar em que está, mas treine a geração de méritos. Você fica no mesmo lugar, só que a atividade agora é outra, não é a geração de recursos, agora é geração de méritos, você está ajudando, está verdadeiramente melhorando o ambiente ao redor e produzindo os benefícios possíveis. Com o tempo, você vai se sentir hábil ao andar em qualquer lugar porque vai gerar méritos.
Minha sugestão é esta: não peça demissão de coisa alguma, aproveite o lugar em que está para testar isso, comece a gerar méritos nesse lugar. Melhore tudo que você está fazendo, melhore as relações em todas as direções. A vida vai ficar muito mais feliz. Essa felicidade já é a manifestação de bodhichitta.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

É a isso que me refiro


Faz uns dois meses que venho sentindo coisinhas nos joelhos. Comecei a tomar um composto de glucosamina e condroitina. E estava ok. Treinando quase nada também.
Nesta quarta-feira, acordei com o joelho direito doendo. Doendo mesmo. Difícil movimentar, subir e descer escadas é a treva.
Ontem à noite parti pra solução agressiva. 500mg de naproxeno. Acordei melhor, mas não 100%. E acho que terei que ir ao médico em breve. De momento muito complicado, trabalho pra concluir.
Não sei o que causou essa lesão. Suponho que a combinação de desgaste, exercícios eventuais e... ficar sentada no chão com as pernas cruzadas sem sessões de meditação e ensinamentos. Acho que em algum momento sentei mal e dei uma forçada maior no joelho.
Aí, ontem comecei a ler este livro, que era da Lízia, mas ganhei na terça à noite. E, na introdução e no Capítulo 1, já me identifiquei com o autor. A visão dele da corrida - a preferência pelas longas distâncias, o que busca, o que o motiva, como ele se insere no universo dos corredores -, do envelhecimento, da prática de outros esportes, da vida cotidiana.
De momento minha leitura fora do trabalho será esta.
A leitura budista é o texto do Lama Padma Samten em que estou trabalhando para postarmos no site do Cebb. Transcrição de um comentário durante o retiro de verão.
E agora, enquanto ouço Arthur Rubinstein no Concerto para Piano e Orquestra de Grieg, vou começar a jornada convencional.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A vacuidade do quindim


É muita felicidade ter um professor que explica os conceitos de vacuidade e coemergência a partir da vacuidade do quindim. É muito mérito.
Ouvindo os ensinamentos de meu lama neste retiro - o primeiro retiro longo que faço em 16 anos desde a tomada de refúgio (e longo é modo de dizer, pois são apenas dez dias) -, lembrei das primeiras vezes que ouvi e li sobre os 12 elos do surgimento dependente e vacuidade. Foi quase como ouvir ou ler em sânscrito. Que estranhamento! Agora é tão mais fácil em termos cognitivos. E, com a vacuidade do quindim, a profundidade e a complexidade adquirem leveza, clareza e simplicidade.
Calma. Paciência. Duas palavras que o lama citou várias vezes como essenciais para seguir no estudo e na prática. No meu caso, a calma para avançar mais parece ter sido inércia, procrastinação, má vontade e preguiça. Mesmo assim, as sementes brotaram.
Lama Padma Samten tem a mente de Chenrezig. É o epíteto de mestre compassivo e pacífico. Iogue do cotidiano. Chenrezig em pé, com mil braços e onze cabeças, atento e ativo, ouvindo todos os seres, indo até eles para ajudar, falando na linguagem deles. Acessível. Circulando pelo mundo, espalhando compaixão e sabedoria.
Que todas as suas aspirações sejam rapidamente alcançadas.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tradição



Ocasião para vestir a tchuba.
Com minha tutora Regina Dresler. Em clima de celebração, gratidão e desejos auspiciosos.

O céu do Cebb




Contemplando o ir e vir das aparências na vastidão.

Losar bzang!

Feliz ano novo! 
Ano da ovelhha/cabra de madeira.
O meu começou maravilhosamente. No Cebb. Em retiro com meu lama, meu professor perfeito. Com tsog.
É muito mérito!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A Prece da Aspiração de Samantabhadra

Já em clima de Losar, eis aqui uma nova tradução da Prece da Aspiração de Samantabhadra, diretamente do tibetano para o português, pelo monge Satya Indra.
Que seja de imenso benefício para todos os seres!



Prece de Samantabhadra
do Terma do Norte[1]
da Transparente Intenção Iluminada



Traduzida diretamente do tibetano


TCHITTA AH


Esta extraordinária prece de aspiração, pela qual os seres sencientes samsáricos estão isentos do poder de não se tornarem Buddhas, foi proferida pelo Buddha Primordial Samantabhadra.

HÔ

A totalidade de toda a aparência e existência, samsara e nirvana,
é a manifestação ilusória do ver e não-ver[2]
de uma base, de dois caminhos e de duas fruições.
Por meio da Prece da Aspiração de Samantabhadra,
que todos se manifestem completamente no palácio do dharmadatu
e se tornem Buddhas.

O alaya[3] não é composto,
é autossurgido, uma vasta extensão inexprimível
e ausente de ambos os nomes samsara e nirvana.
Se tal for visto, isso é o Buddha;
se não for visto, os seres sencientes vagueiam no samsara.
Que todos os seres sencientes dos três reinos
vejam a inexprimível base factual.

Eu mesmo também, Samantabhadra,
sou a base factual ausente de causas e condições.
De tal base, rigpa é autossurgida,
não designada pelas faltas de exagero e depreciação externos e internos,
não coberta pelas obscuridades da escuridão da inconsciência.
Por isso, as aparências autossurgidas não são cobertas por faltas.

Rigpa que vê a si mesma e que reside no frescor,
mesmo que as três existências[4] sejam destruídas, é ausente de medo
e não possui apego pelos cinco prazeres dos sentidos.
A mente não conceitual autossurgida
é ausente de existência de forma e dos cinco venenos[5].
Os fatores de claridade de rigpa são ininterruptos,
de uma [única] essência com as cinco sabedorias primordiais[6].

Da maturação dessas cinco sabedorias primordiais,
as cinco famílias do Buddha Primordial surgem.
Delas, os limites das sabedorias se expandem,
os quarenta e dois Buddhas surgem,
e, pelo surgir da expressividade das cinco sabedorias primordiais,
os sessenta Herukas[7] surgem.
Devido a isso, a confusão não é experienciada na base que é rigpa.
Por eu ser o Buddha Primordial,
por meio de minhas preces de aspiração,
que os seres sencientes dos três reinos do samsara,
após reconhecerem rigpa autossurgida,
expandam os limites da grande sabedoria primordial.

Minhas manifestações são incessantes,
emanadas em milhões e bilhões,
mostrando-se de variadas maneiras
onde quer que seja e para quem quer que [precise] ser domado.
Por meio de minha compassiva prece de aspiração,
que todos os seres sencientes dos três reinos do samsara
sejam expelidos das seis classes do samsara.

Primeiramente, devido à rigpa não ter surgido na base,
os seres sencientes confusos
estão inconscientes de absolutamente tudo, em oblívio!
O não-ver disso é a causa de estar confuso.

Nisso, devido ao súbito entrar em um estado de inconsciência,
em pânico, a mente move-se indistintamente.
Disso surge a fixação ao eu, outros e inimigos,
e, por meio do gradual desenvolvimento das impressões mentais,
a ordem gradual do samsara é causada.
Disso desenvolvem-se os kleshas[8] dos cinco venenos
e as ações ininterruptas dos cinco venenos.
Por isso, esta é a base da confusão dos seres sencientes,
e, por estar em um estado de inconsciência, isto é o não-ver.
Por meio das preces de aspiração feitas por mim, o Buddha,
que cada um entre todos os seres sencientes dos três reinos
autorreconheça rigpa.

O não-ver coemergente
é a mente inconsciente e distraída.
O não-ver totalmente conceitual
é a fixação dual ao eu e outros.
O não-ver coemergente e o totalmente conceitual – os dois –
são a base confusa de todos os seres sencientes.
Por meio das preces de aspiração feitas por mim, o Buddha,
que a densa escuridão da inconsciência seja clareada
e que todos os seres sencientes do samsara
purifiquem a mente de fixação dualista
e que rigpa reconheça a si mesma.
A mente de fixação dual é dúvida.
Do surgir da fixação sutil,
gradualmente desenvolvem-se as densas impressões mentais,
e, devido ao apego à comida, roupa, morada, amigos,
aos cinco sentidos do desejo, ao querer bem aos familiares
e ao desejo pelo que é agradável, aflição é [experienciada]:
essas são as confusões do mundo.

Inexauríveis e ilimitadas são as ações de apreensor e apreendido.
Quando o fruto da fixação amadurecer,
após nascer como um fantasma faminto atormentado pelo forte desejo e apego,
que terríveis serão a sede e a fome!
Por meio das preces de aspiração feitas por mim, o Buddha,
que todos os seres sencientes apegados ao desejo,
sem abandonar as aflições do desejo
e sem adotar para si o apego ao desejo,
mas, pelo relaxar da mente em seu próprio lugar,
tendo rigpa se estabelecido em seu próprio estado,
alcancem a sabedoria primordial que tudo discrimina.

Da aparência dos objetos internos,
move-se a mente sutil de temor e medo;
do desenvolver das impressões mentais da agressão,
surge a potência de fixação, violência e assassinato em relação ao inimigo.
Quando o fruto da agressão amadurecer,
que sofrimento enorme cozido e queimado nos infernos!
Por meio das preces de aspiração feitas por mim, o Buddha,
quando surgir a agressão intensa
em todos os seres sencientes das seis transmigrações,
que, sem atividade de rejeição e adoção, descansem no seu próprio estado
e, após rigpa reter seu próprio estado,
que a sabedoria primordial da luminosidade seja alcançada.

Quando a sua mente torna-se inchada de orgulho,
[surge] a mente competitiva e a mente de rebaixar os outros.
Devido ao surgir da mente de orgulho contaminado,
o sofrimento do confronto e disputa do eu e outros é experienciado.
Quando o fruto desse carma amadurece,
nascem os deuses que experienciam transferência e queda.
Por meio das preces de aspiração feitas por mim, o Buddha,
quando a mente inchada de orgulho surgir nos seres sencientes,
que suas mentes relaxem no seu próprio lugar
e, após rigpa reter o seu próprio estado,
que o significado da equanimidade seja realizado.

Devido ao desenvolvimento das impressões mentais de fixação dualista,
[surge] a atividade de dor do elogio para si e do criticismo aos outros,
e, do desenvolvimento da mente competitiva de conflito e disputa,
nasce-se no reino dos semideuses assassinos;
o seu fruto é a queda nos reinos dos infernos.
Por meio das preces de aspiração feitas por mim, o Buddha,
que todos aqueles em que surge a mente competitiva de conflito e disputa
não ajam na fixação ao inimigo, descansem no seu próprio lugar
e, após a mente reter o seu próprio estado,
que a sabedoria primordial de atividade não obstruída seja [alcançada].

Devido à falta de consciência, imparcialidade e distração;
devido à densidão, embotamento, esquecimento,
inconsciência, preguiça e delusão,
o fruto é vaguear como animais sem proteção.
Por meio das preces de aspiração feitas por mim, o Buddha,
que, na escuridão afundada na ignorância,
surja claramente a compleição da consciência luminosa
e a sabedoria primordial não conceitual seja alcançada.

Todos os seres sencientes dos três reinos também,
em seus alayas, são Buddhas iguais a mim,
[mas], devido aos seus estados de inconsciência, o [alaya] tornou-se a base das confusões.
Agora, eles engajam-se em atividades insignificantes
e suas seis ações são como sonhos confusos.

Eu sou o Buddha Primordial
e me manifesto nas seis transmigrações para treiná-los e domá-los.
Por meio da Prece de Samantabhadra,
que todos os seres sencientes, sem exceção,
despertem no dharmadatu.

A HÔ

Daqui em diante, quando um yôgui possuidor de realização,
no estado ausente de confusão de rigpa autoluminosa,
fizer esta poderosa prece de aspiração,
cada um entre todos os seres sencientes que a ouvir
irá manifestar a budeidade dentro [do período] de três vidas.

Em tempos de eclipse solar, lunar,
ou no surgimento de sismos, tremores de terra,
solstícios e mudança de ano,
se você gerar a si mesmo como Samantabhadra
e recitar esta [prece] de modo que possa ser ouvido por todos,
cada um entre todos os seres sencientes dos três reinos,
por meio dessa prece do yôgui,
irá gradualmente ser liberado do sofrimento e, então,
finalmente alcançará a budeidade.

Assim foi proferido.

Do tantra da Grande Perfeição que revela a transparente intenção iluminada de Samantabhadra. Extraído do capítulo nove, que revela que, por meio desta poderosa prece de aspiração, todos os seres sencientes não têm o poder de não se tornarem Buddhas.

Virtude! Virtude! Virtude!
Prece traduzida do tibetano para o português por Satya Indra.

Revisão do português por Rigdzin Choying e Lúcia Brito.
Fevereiro de 2015.



[1] “Terma do Norte”, ou “Tesouro do Norte”, é o nome de uma coleção completa de termas descobertas por Rigdzin Godem. Após a descoberta, também tornou-se o nome da escola que segue o sistema. O nome “do Norte” foi dado porque os tesouros foram encontrados na parte norte do Tibete, em comparação com as primeiras revelações de tesouros, realizadas no sul do Tibete por Nyangral Nyima Ozer (nyang ral nyi ma’i ‘od zer) e Guru Chowang (gu ru chos kyi dbang phyug). Dizem que os tesouros do Norte são os ensinamentos essenciais de Padmasambhava. Antes de Padmasambhava deixar o Tibete, ele depositou uma variedade de textos e diversos objetos sagrados em um baú de couro marrom e o escondeu em uma caverna chamada Zang Zang Lhadrak. Estes eram os tesouros do Norte. Em 1366, Vidyadhara Godem — considerado uma emanação da mente de Padmasambhava e a encarnação do Nanam Dorje Dudjom, um dos cinco discípulos mais próximos de Padmasambhava — tirou o baú da caverna. O baú continha cinco recipientes, todos de materiais preciosos, e cada um de uma cor diferente. Esses cinco recipientes com seus conteúdos mais tarde tornaram-se conhecidos dentro da linhagem como os cinco depósitos (mdzod lnga). O depósito central era vermelho-escuro e feito de couro. O depósito oriental era branco e feito de concha. O depósito meridional era dourado e feito de ouro. O depósito ocidental era vermelho e feito de cobre. O depósito setentrional era preto e feito de ferro. Vidyadhara Godem decodificou os textos, transcreveu-os e transmitiu os ensinamentos para discípulos selecionados. Uma série de textos dos Tesouros do Norte é muito conhecida. Por exemplo, o nível interno da prática de guru chamado Lama Rigdzin Dung Drup, a Prece em Sete Capítulos, geralmente conhecida como Sampa Lhundrup, a prática de Vajrakilaya do sistema e a prática de Oito Logos do sistema (byang gter bka' brgyad). Os três volumes de textos sobre a Grande Perfeição, chamados Kunzang Gongpa Zangthal, são considerados uma das três mais altas transmissões dos ensinamentos da Grande Perfeição dentro do Tibete (os outros dois são o Longchen Nyingthig o Nyingthig Yazhi). A terceira encarnação de Vidyadhara Godem, chamado Ngagi Wangpo, fundou o mosteiro de Dorje Drak, que se tornou a base principal da linhagem dos Tesouros do Norte, sendo assim até o momento da redação desse texto.
[2] O termo “rigpa” (sâns. vidya) tem uma vasta quantidade de diferentes usos, tanto dentro quanto fora do contexto budista. A forma verbal de rigpa é traduzida do sânscrito “vid”, significando “saber”, tendo uma forte conotação de “ver”. O substantivo é traduzido do sânscrito “vidya”, significando “conhecimento ou saber”, mas com um forte sentido de visão mental, visão ou insight; alguma coisa conhecida/vista pela mente. Palavras em português como “ver”, “vídeo” e “visão” vêm do sânscrito “vidya” através do latim “vide”, “vedere”. Mestres como Jetsun Khandro Rinpoche e outros comentam que o termo inglês “awareness” (consciência, percepção) é inadequado, e Jetsun Khandro corrige para um simples “ver”. Portanto, “ver”, ou “rigpa”, serão utilizados aqui. O termo traduzido aqui como “não-ver” (sâns. avidya) é comumente traduzido como “ignorância”. Nesse contexto será traduzido como “não-ver” para salientar o contraste com o seu oposto citado acima, “ver”, “visão”.
[3] A consciência de alaya ou alayavijnana é a oitava e principal consciência dentro das oito consciências categorizadas no sistema da Escola Mente Apenas, no Yogacara e nos tantras. Esta consciência é a base subjacente a todas as outras consciências e todas as experiências. É também a “cadeia global” sobre a qual são plantadas todas as sementes cármicas e outras coisas que amadurecem nas experiências dos seres sencientes. Alayavijnana também é chamado de “consciência que é a base de tudo” e “consciência armazém” devido ao fato de que todas as impressões mentais e sementes cármicas estão armazenadas nela.
[4] Nesse contexto significa os três reinos: reino do desejo, reino da forma e reino sem forma.
[5] Paixão, agressão, delusão, orgulho e inveja.
[6] Sabedoria primordial similar a um espelho, sabedoria primordial da equanimidade, sabedoria primordial que discrimnina individualmente, sabedoria primordial que realiza a atividade e sabedoria primordial do dharmadatu.
[7] Heruka é usado geralmente para se referir a uma das classes de deidades iradas.
[8] O termo “aflições” (tib. nyon mongs pa) ou “kleshas” em sânscrito, refere-se a emoções de desejo, aversão, delusão, inveja, orgulho, visão errônea e assim por diante. O Buddha falava de “kleshas”, os movimentos mentais de paixão, agressão, delusão e seus muitos derivados, como os fatores que tornam o continuum mental agitado e desconfortável. “Emoções perturbadoras”, “emoções negativas”, “distúrbios mentais”, “emoções obsessoras” e outras formas de tradução do termo não capturam o significado explicado pelo Buddha. “Emoções aflitivas”, embora próximo do significado, pode não ser exato por haver a possibilidade de se fazer distinções entre “emoções aflitivas” e “emoções não aflitivas”. Emoções tidas como positivas — amor, fé e compaixão, por exemplo —, quando experienciadas por seres samsáricos, por serem maculadas pelos venenos da mente, também são consideradas kleshas. Fé e devoção às três joias e ao guru, sentidas por seres ordinários, também são formas de kleshas.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Bodhicitta



O caminho compreende visão, meditação e ação.
Bodhicitta, a mente do Buda, é o que une visão, meditação e ação. É a motivação para se seguir no caminho.
Bodhicitta é a energia que nos move para o caminho da iluminação e através dele. Depois da iluminação, bodhicitta é a energia que move os budas no mundo.
Lama Padma Samten, retiro de verão

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O poço e a corda


"Não sei o que é mais extraordinário: o ensinamento para cima ou o ensinamento para baixo."
"Você está no fundo do poço, e alguém lá em cima, do lado de fora, joga uma corda - essa corda é o ensinamento para baixo."
Lama Padma Samten, retiro de verão

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Chegaram!!!!!!


Chegaram ontem, para minha imensa alegria.
Dois títulos da Lúcida Letra, editora voltada para obras budistas.
Eu continuo lendo A gata do Dalai Lama, do mesmo selo.
Um dia desses, uma pessoa me perguntou se sou uma atleta budista ou uma budista atleta. Não me vejo como nenhuma das duas. Sou a Dakini Espertinha, hahaha!
É evidente que o budismo e a atividade física são muito importantes para mim nesta vida. Mas realmente não me vejo assim, com essas identidades. Não me vejo com identidade nenhuma. Inúmeras vezes me olho no espelho e me espanto: essa sou eu? Quem é esse eu? Não é de hoje. É anterior à reconexão com o budismo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Momentos de pura alegria

Quero deixar aqui também algumas imagens do retiro sobre Ioga dos Sonhos com Alan Wallace em janeiro. Um momento tão especial para mim, de tanta consciência, aprendizado.
E o Cebb... ah, o Cebb é incrível por si só. Como disse o Lama Lhawang, o templo já está impregnado da energia de muitas práticas. De muitas preces e de muitas aspirações.
Mal posso esperar para estar de volta. Uma brecha em meio ao tumulto frenético do samsara.

Minha tutora Regina Dresler
e Lama Padma Samten,
meu professor perfeito.
Com a Prajnaparamita,
a Mãe de Todos os Vitoriosos.
Taís Fonseca, uma dakini incansável, una pessoa adorável.










sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Gatos no Dharma


Entre os novos hábitos para favorecer a prática budista está a leitura diária de algum texto do Dharma. O horário de que disponho é ao deitar. Como estou numa fase de trabalho muito puxado - e eu trabalho lendo o dia todo (e boa parte da noite) -, dei um tempo na leitura de Aquietando a mente e estou lendo este, A gata do Dalai Lama. E curtindo muito. Gostei da ideia e estou gostando da forma como o autor desenvolveu a trama, narrando o livro em primeira pessoa felina e apresentando as noções básicas do budismo. Leitura agradável e leve, e ao mesmo tempo rica.
Penso neste livro como especialmente adequado para pré-adolescentes



E agora Ludox adquiriu o hábito de beber água nas tigelinhas do altar todos os dias. Hoje eu me atrasei para fazer as prostrações e preces, e foi engraçado, porque ele subiu e deu de cara com as tigelinhas emborcadas. Voltou assim que percebeu que estavam cheias.
Que seja benéfico para ele!

May it be!



O retiro com Alan Wallace foi tão precioso, tão lindo. Inesquecível.
Durante o retiro, ganhei do Vítor Barreto, da 2AB Editora - Lúcida Letra, uma cópia de Aquietando a mente, livro maravilhoso de Alan Wallace que eu deveria ter traduzido. Mas, como me atrasei horrores, quem traduziu foi a Jeanne Pilli, que é a intérprete de Alan Wallace em português. Foi melhor assim. Eu fiz apenas iuma revisão técnica que não seria nem necessária. A tradução está impecável.
Alan Wallace autografou pra mim, e tudo que eu desejo é que o desejo dele torne-se realidade. Que eu chegue ao caminho em breve.
Tashi delek!