sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Eu no meu pior

Minha pessoa e minha prática espiritual melhorariam muito se eu não dirigisse. Meu comportamento no trânsito é uma vergonha. Não tanto nas ações de corpo (deve ser porque não ando armada...), mas nas de fala e mente... que desastre! Os ventos tornam-se um furacão de impaciência e ódio.
Estou há anos tentando melhorar, mas que dificuldade. Zero paciência. Tento recitar mantras pra ficar mais centrada, e um dia desses interrompi a recitação pra xingar um motorista. Francamente... Mas essa foi tão de última que desde então estou mais pacífica. Ou seja, dois dias.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Lunática

Agora meu blog está equipado com um link para as fases da Lua.
Vi isso de manhã no site do Instituto Caminho do Meio, do meu lama. Aí fui atrás pra colocar aqui também, porque sou ligada na Lua e sinto nitidamente sua influência em minha vida.
Ontem de noite saí rapidamente pro pátio e dei de cara com uma Lua enorme, branca e brilhante acima de minha cabeça. Foi um momento de pureza, eu havia acabado de lavar a cabeça e me senti inundar de luar.
As últimas semanas foram tão tumultuadas que eu havia esquecido da Lua - sem falar do tempo encoberto, que acaba desviando meu olhar do céu. E ontem, depois de uma manhã ensolarada e radiante, topei com a Lua a cintilar por cima do meu telhado.
Fase de expansão, de colheita.

domingo, 14 de setembro de 2008

De cabeça feita

Acordei às 6h30 espontaneamente. Se estivesse cansada, não iria correr. Mas percebi que estava desperta e disposta. Cobri a cabeça e fui. Afinal, tudo que fiz nas últimas três semanas é exatamente para isso: para me agilizar e me soltar. Para me governar.
Fiz a coisa certa. E corri bem num lindo dia de sol.
Minha filha foi comigo, e isso só aumentou a sensação de plenitude.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Rainha das Dakinis

Essa é Vajrayogini, ou Vajravarahi, consorte de Heruka Chakrasamvara e a mais importante das dakinis tântricas. Ela é Sarva-buddha-dakini, a dakini que é a essência de todos os Budas.
Vajrayogini é de cor vermelha radiante, seu corpo arde com o calor da chama yogue e está cercado pelas labaredas da sabedoria. Seu cabelo revolto cai solto pelo pescoço e costas; seu rosto tem uma expressão semi-irada. Ela está nua, adornada com ossos humanos. Seu colar de crânios corresponde às 16 vogais e 34 consoantes do alfabeto sânscrito, simbolizando a purificação da fala.
Na mão direita ela segura uma faca de tosquiar com um punho de vajra - um cutelo vajra - que usa para cortar os apegos. Na mão esquerda ela traz uma taça de crânio cheia de sangue ou mahasukha (a grande bem-aventurança), que serve como vinho a seus devotos. Sobre o ombro esquerdo ela apóia um khatvanga ou cajado mágico. Ela dança em cima de dois cadáveres, o que representa seu domínio sobre o ego e a ignorância.
Vajrayogini com freqüência é associada ao triunfo sobre a ignorância e sobre os excessos. Sua prática é considerada muito adequada para aqueles com forte apego desejoso.
Vajrayogini é uma deidade de meditação tântrica. Ela simboliza:
- o aspecto feminino plenamente iluminado, indômito, ardente e energético de um Buda (shakti/kundalini);
- o aspecto de sabedoria que conduz ao estado de Buda;
- como dakini, é a guia compassiva e apaixonada e o aspecto inspiracional que conduz o praticante à iluminação.

Dakinis são a representação feminina da energia iluminada. Em tibetano, o termo é khandroma, que significa aquela que atravessa o céu, ou aquela que se move no espaço. A tradução poética é dançarina dos céus, ou andarilha dos céus. As dakinis dançam no céu azul e límpido de shunyata, a vacuidade.
Dakini é a energia em movimento na vacuidade, que é a base de onde brotam e onde se dissolvem todos os fenômenos.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Uma coisa só

Vajradhara é a palavra budista de que mais gosto. Ou a que mais gosto de dizer, aquela que mais ocupa minha mente, isso em termos de surgir do nada, de brotar espontaneamente. Quando vi o termo vajradhara pela primeira vez tive o clic. Naquela ocasião, vajradhara não referia-se ao Buda Vajradhara, mas era o título honorífico de um guru de grande realização.
O mais notável é que antes de conhecer a palavra eu já conhecia uma representação de Vajradhara e sua consorte Vajradhatvishvari - essa ali de cima, aqui em detalhe:E essa imagem me tantaliza na mesma medida que as representações de Samantabhadra e sua consorte Samantabhadri. Para mim o budismo é essencialmente Samantabhadra e Vajradhara.
Eu só uni a palavra vajradhara à deidade Vajradhara um dia em que estava com meu lama e mostrei a imagem a ele e perguntei se poderia ser Samantabhadra, como dizia no site de onde a capturei. O lama disse que não, pois Samantabhadra (ou Kuntuzangpo) é sempre representado nu e sem adornos. Ele disse que provavelmente tratava-se de Vajradhara, mas não entramos em muitos detalhes. Ele apenas disse que no fundo Samantabhadra e Vajradhara são a mesma coisa, o Buda Primordial.
O assunto ficou por isso até hoje, quando, por ter resolvido postar algo sobre Heruka Chakrasamvara, acabei me entretendo a olhar imagens e aí fui ler mais sobre Vajradhara (também mencionado no livro de Lama Yeshe que estou traduzindo).
E então pela primeira vez caiu a ficha: a palavra que vivo repetindo e as imagens que mais admiro e volta e meia estou olhando são tudo a mesma coisa!!! Extraordinário, como diz meu amado lama.

Devaneio crepuscular

Ao entardecer é comum me bater uma melancolia, uma nostalgia, uma languidez, uma saudade... É a sensação mais difusa que conheço, porque não se refere a nada nem ninguém especificamente. A sensação manifesta-se espontaneamente, às vezes associada a alguma pessoa com quem eu esteja envolvida de momento, mas é muito mais profunda. Talvez seja melhor dizer que é muito mais antiga do que qualquer coisa ou pessoa de que eu me lembre. Parece uma sensação ancestral.
Esse devaneio é a essência do intangível em mim.
Vontade de estar em casa. Mas que casa?
Bem, em termos materiais tenho o bom karma de morar em um lugar de que gosto muito. Hoje, quando veio a sensação, fui pro terraço e fiquei esparramada numa cadeira, cercada por meus gatos e minhas plantas. É a minha casa nesse momento dessa vida. E é uma casa onde me sinto confortável, tranqüila. É a primeira casa de que gosto nessa vida. A primeira casa onde me sinto em casa. Mas ainda não é "a" casa, creio.
Tenho a sensação de que "a minha casa" ficará perto d'água. Não sei de rio ou mar. O que sei é que, sempre que me sinto desanimada ou superficialmente infeliz, tenho vontade de ir pra perto d'água. Em geral tenho vontade de pegar o carro e ir pra Ipanema pela avenida à beira-lago. Já fiz isso algumas vezes. Simplesmente vou até lá, fico uns minutos e volto. Preciso olhar a água, uma grande massa líquida.
Outras vezes sinto um desejo imenso de ir olhar o mar. Nunca fui porque aí é muita mão, muito gasto, muito tempo... Além disso, o mar ideal está ainda mais longe que o de Pinhal ou Tramandaí. É o mar da Massambaba, perto de Cabo Frio. Praia aberta, mar grosso, revolto, gelado. E azul. Nesse vídeo a Massambaba está bem mais dócil do que no dia em que a vi.

Heruka Chakrasamvara

Estou traduzindo um livro de Lama Yeshe sobre práticas tântricas. Heruka Chakrasamvara era a deidade principal de Lama Yeshe. Embora eu tenha um conhecimento extremamente limitado, ADORO as imagens tântricas.
Nessa, Heruka Crakrasamvara, deidade irada, de cor azul, com doze braços e três rostos, está abraçado e em união sexual com sua consorte Vajravarahi, de cor vermelha. Ele veste uma pele de tigre, de pé em meio a chamas de sabedoria, e pisoteia dois cadáveres.
Heruka segura vários atributos nas mãos, simbolizando suas perfeições mágicas. Os dois braços principais seguram o vajra e o gantha (cetro e sino), demonstrando que ele superou a dualidade.
Como uma emanação do Buda Akshobhya (elemento água), a deidade transforma a energia do ódio em sabedoria iluminada.
Acima de Heruka Chakrasamvara estão os bodhisattvas Manjushri, Chenrezig e Vajrapani; abaixo, Paldem Lhamo, a Deidade Protetora de Heruka e os esqueletos dançarinos Citipati.
Que possa ser de benefício!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Papo cabeça

Reconquistei minha cabeça, que está como deveria ter estado sempre: sem mão sobre ela. A sensação de liberdade, leveza e alegria que isso me proporciona é imensa. Enfim corrigi uma distorção surgida entre os 18 e 21 anos, quando fiz minha primeira obrigação-de-santo sem ter a menor idéia do que se tratava.
Depois de tantos anos e de três mãos encontrei uma forma de me relacionar saudavelmente com forças divinas nas quais acredito intensamente, que me proporcionam uma enorme vitalidade e alegria, que associo à magia e ao milagre da vida em um corpo físico. Não vou mais seguir a tradição, não vou mais realizar práticas que não combinam comigo. Mas tenho certeza de que aqueles a quem respeito e amo e em quem confio, aqueles que me acolhem, amparam e protegem estão felizes e satisfeitos, plenamente de acordo com o Caminho do Meio que pretendo seguir. Até porque é evidente que eles não fazem questão de ser honrados da forma tradicional. Porque, se fizessem e quisessem, eu teria abaixado a cabeça para isso sem nenhum problema. E minha prática teria sido constante ao longo dos anos, e não totalmente errática e esporádica, como sempre foi.
Vou me dedicar de modo consistente à prática budista, que é o meu caminho, que é como eu vejo a realidade (ou tento ver). Mas meus orixás e todo o povo da rua continuam onde sempre estiveram: em meu coração. E vou continuar a honrá-los. Do mesmo modo, só tenho coisas boas para lembrar e falar das três mãos que passaram por minha cabeça, de pessoas com grande fundamento religioso, que me acolheram em suas casas. Continuo me vendo como filha de cada uma delas, tenho um carinho, respeito e admiração imensos. Tenho certeza de que minha cabeça jamais foi tocada por uma mão errada ou pesada, a única coisa é que eu realmente não posso seguir a tradição.
Jamais me envergonhei de freqüentar ilês. Deve ser porque nunca fui pedir o que não era meu, nem fazer mal para ninguém. Aliás, o principal motivo para eu não ter seguido a prática formal, além da matança, foi ver o quanto essa energia é usada de modo errado, por motivos errados. Especialmente por gente que só vai no terreiro "comprar" serviços.
Agora, desvinculada dos sacrifícios e livre de compromissos mundanos, poderei cultivar minha devoção por essas deidades pacíficas e iradas com mais empenho e sossego. E poderei experienciar a tremenda vibração que brota quando me conecto a essas energias da natureza, quando realizo que elas estão em mim e que eu sou elas, e que tudo é um.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

À procura

Não sei o que é mais chato:
- gente que se acha quando não é procurada,
ou
- gente que procura onde não vai achar nada que seja da sua conta.
Affffff.
Claro que me ocorrem uns chavões bem apropriados:
- vai procurar a tua turma;
- tem gente que procura pêlo em ovo;
- tem gente que vê mosquito na lua;
- eu não me acho, você que me procura;
- quem procura acha;
- tá procurando sarna pra se coçar.
E como tento ser compassiva, vou evitar esses outros:
- vai pentear macacos;
- vai catar coquinhos;
- vai tratar da vida;
- late que eu tou passando.
O refrão funk me remete sempre ao glorioso Ibrahim Sued: "Os cães ladram e a caravana passa."

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Guaraná??? Só se fosse com gim

Se não me enganei redondamente quando ouvi a propaganda há uns mil anos, "Since I've Been Loving You" foi usada num comercial de guaraná. Hahaha, francamente...
Bem, bem, eu agora estou tomando chimarrão e ouvindo várias versões dessa música. E estava traduzindo quando lembrei da tal propaganda, e fiquei pensando que "Since I've Been Loving You" combina com destilados e com um porre daqueles. Ainda mais se a pessoa entrar numas com a letra, um clássico da corno-music, affffff.
Gim e vodca me parecem os mais a calhar, um bourbon também, já que é um blues pesadíssimo. Mas, como a banda é inglesa, quem sabe um scotch. Na dúvida, muito de tudo. Com cigarros, é lógico.
Eu se fosse entrar na garrafa optaria por absinto, pra uma bebedeira genial e portentosa. Até porque o verde do absinto ia combinar com o tom de azul que domina a filmagem de "Since I've Been Loving You" no filme "The Song Remains the Same". E quanto à fumaça trocaria os cigarros por uns incensos de masala ultra-adocicada.
Não me lembro de ter tomado porre ouvindo Led Zeppelin. O que fiz foi ouvir Led I à exaustão durante uma viagem com chá de cogumelo nas priscas eras. I got really dazed and confused, and about to lose my worried mind indeed. Fiquei deitada viajando na música e nos padrões de cores que se formavam diante de meus olhos fechados. E depois fui pro centro de ônibus com a minha irmã!!! E lembro nitidamente de como vi a rodoviária de Porto Alegre ao passar por lá, da sensação.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Meu Gandharva

Na minha terra pura, os gandharvas cantariam como Robert Plant, que hoje completou 60 anos.
Meu gandharva pessoal não tem nada de pássaro ou cavalo, ele é um Leão.
Meu gandharva fez 60 anos, e seu rugido me encanta há 30.
Se sou fã de alguém nessa vida, é dele.

domingo, 17 de agosto de 2008

Dias e dias

Fiquei sem treinar, completamente parada, de 25 de julho a 10 de agosto. Aproveitei as férias da filha e da empregada. Precisava terminar um trabalho, precisava aumentar o horário do expediente. E as atividades com minha mãe estão exigindo mais de mim. E eu andava sentindo várias dores, e algumas delas estavam ficando fortes. Então parei. Para garantir a pausa tão necessária por tantos motivos, arranjei mais um outro que realmente impediu os treinos nesse período.
Voltei a treinar na segunda-feira passada, 11 de julho. Saí pra um trote no Parcão. O Polar chegou a marcar FC de 192, achei que estivesse doido, porque minha cinta está meio detonada, e eu não estava bufando. Enfim, fiz 35min em vez 45min, porque não quis forçar. Na terça choveu, fiz só musculação. Quarta rodei 10km com o Garmin, e a FC média foi de 180!!! Affff. Não chego a isso na pista, nem em provas. Na quinta, mais 10km, FC média de 174. Na sexta outros 10km, com FC média de 172. Ontem fiz 15km, e a média foi de 170. Era pra fazer 18km, mas não deu. Fiquei cansada, pesada e lenta.
Como estou em recuperação, estou atenta e cuidadosa. E respeitando o ritmo que meu corpo está apresentando. Eu e meu treinador concluímos que o baque no rendimento tem a ver não tanto com o tempo da pausa, mas com o desgaste provocado pelo procedimento a que me submeti.
Além disso, estou me adaptando a uma nova rotina que inclui os cuidados com minha mãe. Estou me tornando o HD externo dela, sua placa de memória.
Minha vida parece ter mudado muito nessas três semanas. Minhas prioridades estão mudando. Meus dias, minha rotina... O processo iniciou-se em 22 de abril, na primeira consulta de minha mãe com o neurologista. Mas eu notei mesmo as alterações durante as semanas sem treinar e nessa primeira semana de retomada. E tenho pensado muito na frase "Some days are better than others".
A velocidade do avanço da doença de minha mãe me pegou de surpresa. Achei que seria mais lento. Eu estava preparada para o que pode acontecer, mas não estava preparada para o ritmo.
Tempo. Ritmo. Velocidade. As grandes questões do momento. Em tudo.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Pavios

Desde a semana passada estou me distraindo com a confecção de velas de parafina. Começou com a compra de uma lamparina. Para abastecê-la, disseram que eu deveria usar parafina líquida. Fui numa loja de artesanato e comprei parafina gel achando que servia. Derreti a tal parafina e verti para a lamparina. Eta trapalhada! A parafina secou e voltou a ser gel, passei o maior trabalho pra derretê-la dentro da lamparina, que era a única forma de removê-la de lá.
A lamparina acabou rachando, affff - mas estou usando-a mesmo assim, depois que descobri o eco solvente, ou isoparafina, um tipo de querosene chique pra lampião, que achei numa ferragem. Por via das dúvidas, comprei outra lamparina igualzinha, azul transparente, de vidro. Existe um fluido pra parafina, mas custa os olhos da cara, vou manter o tal solvente, que não fede ao queimar. Só faltava transformar minha casa num galpão crioulo...
Enfim, como tinha 1kg de parafina gel, resolvi fazer velas. Comecei colocando dentro de vidros que eu já possuía. Um deles era um pote de sobremesa, que rachou todo quando a vela chegou ao fim. Mas depois fui atrás de mais vidros (hoje achei uns maravilhosos, que alegria!), mandei uma garrafa de cerveja e uns potes de geléia pra serrar numa vidraçaria (uns já com velas dentro...) e resolvi usar também a parafina comum (que é muuuuito mais barata) e corantes e essências aromáticas.
Agora darei velas de presente pra todos os próximos aniversariantes, porque preciso dar vazão à produção.
Tenho paixão por fogo. Desde criança me encantava vendo as chamas e brasas na lareira ou churrasqueira. Velas me fascinam, gosto de dormir à luz de velas, de tomar banho à luz de velas, especialmente quando encho a banheira. E as velas combinam com outra de minhas paixões: os vidros. Gosto de velas embutidas em vidros, mais do que expostas em castiçais.
Em minha casa, cultivo a presença dos quatro elementos intensamente: o fogo das velas, a água de minhas duas fontes (que viraram bebedores dos três gatáquilos mal-educados), o ar dos incensos (que também têm fogo) e dos aromatizadores (rechauds com vela e água) e da música também (creio eu), a terra das pedras que coleciono (e que são as bases de minhas fontes). São elementos indispensáveis na minha noção de lar.
E para mim parece muito natural fazer velas nesse momento de minha vida. A mulher de pavio curto descobriu em si, subitamente, uma paciência inesgotável. Bem, bem, talvez eu tenha economizado meu estoque de paciência todos esses anos pra poder esbanjar agora. :) Brincadeirinha boba... Mas me alegro quando consigo ter esses rasgos de bobagens.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

What is and what should never be

Difícil amar uma pessoa e não poder conviver com ela.
Minha motivação é cultivar o amor fraterno e incondicional – a camaradagem, o vínculo, a intimidade de irmãos espirituais, uma sintonia que se manifestou desde o início e que foi a base de um breve envolvimento amoroso. O amor fraterno é a essência e me permite a expressão do amor incondicional, a aceitação do outro como ele é, sem expectativas.
Mas o amor fraterno emaranhou-se com paixão e desejo, e por isso o afastamento que gera ventos de tristeza e solidão. Como pode uma coisa menor e de curta duração causar tanta turbulência? Simples indisciplina mental. Sassarico samsárico.
Olhando com clareza é tudo tão simples... O complicado é manter a clareza. Afffff.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Abra seus olhos


Taí uma tradução rápida, Lucas. :)
Foi bom começar o dia fazendo isso como aquecimento para o trabalho, ainda mais que acordei pensando nessa música, que agora estou ouvindo no You Tube, porque não sei onde ela está nos meus podcasts.
Lembrei do Livro Egípcio dos Mortos, conhecido por esse nome quando na verdade chama-se Livro para Sair à Luz. Abrir os olhos e ver a luminosidade de onde brotam e onde cessam todos os fenômenos. No fim tudo sempre me leva à vacuidade. Do olho de Hórus aos olhos do Buda.

Tudo isso parece estranho e falso
E eu não vou perder um minuto sem você
Meus ossos doem, minha pele parece gelada
E estou ficando muito velha e muito cansada

A raiva sobe pela minhas entranhas
E não vou sentir essas estocadas e cortes
Quero tanto abrir os seus olhos
Porque preciso que você olhe dentro dos meus

Me diga que você vai abrir seus olhos
Me diga que você vai abrir seus olhos

Levante, saia, afaste-se desses mentirosos
Porque eles não sacam sua alma nem seu fogo
Pegue minha mão, enlace seus dedos entre os meus
E vamos sair dessa sala escura pela última vez

A cada minuto a partir desse minuto
Podemos fazer o quisermos em qualquer lugar
Quero tanto abrir os seus olhos
Porque preciso que você olhe dentro dos meus

Me diga que você vai abrir seus olhos
Me diga que você vai abrir seus olhos

Tudo isso parece estranho e falso
E eu não vou perder um minuto sem você

terça-feira, 22 de julho de 2008

Eyes wide open

Continuo na minha trip Led Zeppelin, mas há pouco fui curtir um podcast de Gareth Emery. E eis que rolou o remix de "Open Your Eyes", do Snow Patrol. Adoro essa música por causa da guitarra. A sonoridade da guitarra nessa música me lembra a guitarra de The Edge, guitarras plangentes, fluidas, que me projetam no espaço solta a voar.
Quando ouvi "Open Your Eyes" pela primeira vez, acabei abrindo também os ouvidos para a letra, que achei linda. Aí agora fui catá-la no google para colocar aqui, porque... porque... porque coisas nela têm a ver com coisas em mim. Não estou na freqüência de abrir os olhos de ninguém, mas fico observando o olhar dos outros em mim, o que vêem. E o meu olhar.
Desde maio meu olhar está focado em minha vida familiar basicamente, e isso está ótimo. Em junho andei olhando para o passado e tentando mostrar o que eu vejo para outros. Apenas vi o que já tinha visto antes, para o bem e para o mal.
Ao longo desses meses consegui ajustar a visão no trabalho, no treino, na vida espiritual e, bem recentemente, em mim mesma de novo. Como ajeitei a família, o trabalho, o treino e a vida espiritual, agora vou dar uma ajeitada em mim mesma, em vários âmbitos. Tipo uma preparação para a primavera e o verão, o período de expansão.


All this feels strange and untrue
And I won't waste a minute without you
My bones ache, my skin feels cold
And I'm getting so tired and so old

The anger swells in my guts
And I won't feel these slices and cuts
I want so much to open your eyes
'Cause I need you to look into mine

Tell me that you'll open your eyes
Tell me that you'll open your eyes

Get up, get out, get away from these liars
'Cause they don't get your soul or your fire
Take my hand, knot your fingers through mine
And we'll walk from this dark room for the last time

Every minute from this minute now
We can do what we like anywhere
I want so much to open your eyes
'Cause I need you to look into mine

Tell me that you'll open your eyes
Tell me that you'll open your eyes

All this feels strange and untrue
And I won't waste a minute without you

domingo, 6 de julho de 2008

The Song Remains The Same

Minha vida mudou na tarde de sábado em que fui ao cine Astor assistir The Song Remains the Same. Foi em 1977 ou 78, eu tinha 13 ou 14 anos, tinha começado a ir ao cinema assiduamente, e fui ver esse filme sem ter a menor idéia do que era Led Zeppelin. Foi a legítima primeira vez inesquecível - uma experiência penetrante, abrangente e complexa. O antes e o depois.
Acordei do marasmo. Descobri uma outra realidade totalmente diferente de tudo que eu conhecia - e tive certeza de que queria ir por aqueles lados. O impacto do Led Zeppelin me abriu para o alternativo. Na música, na alimentação, na religião, no comportamento. Uma coisa levou a outra. E continua levando. The song remains the same, but me myself and I...
Além do som, o que arregaçou meus horizontes foi a presença de Robert Plant. O Leão e seu rugido. Nunca tinha visto um homem como ele cantar como ele. Robert Plant que fará 60 anos no dia 20 de agosto, que vi ao vivo com Jimmy Page, o único guitarrista que eu amo ouvir além de Jimi Hendrix. No primeiro show, tive um dos melhores momentos de minha vida com Ramble On. No  segundo, Kashmir com o acompanhamento de um combo egípcio e orquestra de câmara.
Adoro o som do Led Zeppelin até hoje. É minha paixão mais antiga, meu amor mais constante. Não há coisa de que eu goste tanto há tanto tempo.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Lucidez

"Não sei se estou ficando doida de vez ou se estou agindo certo, mas resolvi não me preocupar. Vou viver da melhor forma possível pelo tempo que for possível." Minha mãe me disse isso num entardecer de sábado, quando voltávamos de Belém Novo. Fomos lá pra ela ver o que poderia restar da casa de sua avó, onde ela ia na infância. Não restava nada, ela mal conseguiu identificar o terreno, hoje ocupado por casinhas tristonhas.
Ela foi e voltou dirigindo. Foi a primeira vez que pegou o carro em mais de um mês, o médico havia proibido. Mas agora ela está liberada para dirigir, basicamente trajetos curtos e conhecidos. E de preferência com algum acompanhante. Também pode continuar morando sozinha e tratando de sua vida.
Minha mãe tem 71 anos, e provavelmente está desenvolvendo o Mal de Alzheimer, doença degenerativa do sistema neurológico, sem cura. Ela está ciente do diagnóstico, está em tratamento com a medicação paliativa. Sua memória recente está severamente afetada. É uma situação muito difícil. Tudo que exige memória está sujeito a falhas. Inclusive o uso dos medicamentos que podem conter os sintomas da doença.
A memória recente de minha mãe está se desvanecendo, mas ela está utilizando mecanismos para driblar o esquecimento. Anota tudo, deixa coisas em cima da mesa como lembrete, procura manter tudo em lugares certos.
Mais importante que esses truques é a sabedoria que minha mãe está manifestando. É a prática do ensinamento budista: "Se tem solução, não há por que se preocupar. Se não tem solução, não há por que se preocupar." A doença de minha mãe é chamada de demência senil. Mas ela nunca esteve tão lúcida.