quarta-feira, 19 de junho de 2013

Transpirando




Fotos do Guto Oliveira. Adorei. Acho que são das mais bonitas que já fizeram enquanto eu corro. Claro que eu vi o Guto e sorri ao passar por ele. Mas eu sempre sorrio. Só que não vejo a mesma alegria nas outras. Talvez eu tenha gostado tanto porque estou me vendo com outros olhos, porque estou me percebendo diferente. Porque estou diferente. Correndo feliz. Leve.
Cada vez me sinto mais feliz com essa maratona.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Como eu não seria feliz?

Meu treinador Átila Viero de Conti, que me reabilitou e me colocou a correr de novo, que corrige minha técnica, me tranquiliza e incentiva. Mais que isso, que esteve por perto quando nem era meu treinador e depois, quando nem se sabia se eu poderia treinar de novo. Que apoia meus sonhos possíveis e descarta os que não podem ser. :)

Pronta pra largada. Pela primeira vez em cinco maratonas, confiante, feliz e tranquila, certa de estar bem preparada. Confiante. Com o corpo e cabeça saudáveis.

Com minha companheira de maratona da Winners, Maria Ines Martinez. Não treinamos juntas, não corremos juntas, mas estamos juntas no que interessa: na superação de obstáculos pra chegar até a linha de largada sorridentes. E cruzar a linha de chegada realizadas, felizes, alegres, exultantes porque toda a dedicação valeu a pena.

Comemorando no núcleo-base, sem banho, hehehe. Com a filha (que fez a foto), o tio (que acordou cedo pra ver a maratona passar pela primeira vez e fez umas fotos minhas maravilhosas - ele, que reclamava da interrupção do trânsito, mas agora está conseguindo olhar por outro ângulo), a mãe e a irmã (que cansa só de pensar em maratona, hahaha).

Lembranças selecionadas.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

3:26:21

Há um ano eu ainda não podia correr. Havia recomeçado os treinos com caminhadas. Meu primeiro trote, de 30 segundos, foi no dia 19 de junho de 2012.
Ontem fiz a minha quinta maratona. A melhor de todas. Pela primeira vez não houve sofrimento mental. Todas as outras foram muito difíceis em termos mentais. Eu sentia medo, passava a corrida inteira me atormentando com pensamentos negativos. Um porre.
Ontem não senti medo. Cheguei para a largada feliz e animada. Com um nervosismo saudável. Larguei feliz da vida. Me mantive tranquila ao longo de todo o trajeto. Mesmo quando comecei a pagar a conta da falta de musculação neste ano e da interrupção dos treinos durante a viagem às vésperas da prova. Senti as pernas ficarem pesadas, sem força pra manter o ritmo em 4:45-4:50 depois dos 30km. Não deu pra fazer nas 3h23min planejadas pelo treinador. E daí? Daí nada. Depois de tudo que passei pra chegar até essa maratona, bem capaz que fosse me incomodar com mixaria. Se fizesse uma prova horrível, se tivesse cãibra, se sentisse a coluna, aí sim eu ficaria mal.
Não posso dizer que sofri ontem. Fiquei cansada. Muito cansada. Ficou bem difícil depois dos 35km. Mas nada insuportável. Sofrimento pra mim é outra coisa. Por isso, aliás, eu corro sempre sorrindo. Porque, por pior que a coisa esteja, por mais exausta que eu me sinta, por mais dor que eu possa estar aguentando, EU ESTOU CORRENDO. E estou correndo porque quero e porque posso. Não é uma obrigação, é uma escolha.
E ontem, quando a coisa ficou realmente difícil, Átila chegou de bike. Pedalou ao meu lado nos 3km finais, me ajudando a manter o ritmo possível naquele momento, em torno de 5:15. Mais do que o ritmo, a presença do treinador me ajudou a manter o ânimo, o foco e a autoconfiança que estavam indo pras cucuias. Ajudou a me fazer pensar menos no cansaço e mais na linha de chegada. Sozinha eu chegaria mais devagar.
Além de cuidar de mim, Átila foi incentivando todos os outros corredores pelos quais passamos, homens que estavam se arrastando naqueles quilômetros finais, sentindo muita dor e muito cansaço, que haviam chegado ao limite. Eles sim estavam sofrendo de verdade. Eu não. Eu estava acabada, exausta, mas não tinha dor. Então nada de pânico e nada de chorumela. Naquele sufoco pessoal, me alegrei por ver meu treinador se preocupando em dar uma força pra pessoas que ele nem conhece. Porque eu adoro isso na corrida. Todo mundo se incentivando até a linha de chegada. Eu empurrei um monte de gente, fui empurrada por muitas, muitas pessoas. Pra mim faz uma diferença enorme.
Meu companheiro de pista Amauri Celuppi cruzou a linha de chegada comigo, me acompanhou nos 500m finais, aquela eternidade sem fim. E me abraçou e me ergueu no ar depois do tapete - e foi um dos momentos mais plenos e alegres de minha vida. Maratona de novo!
E o carinho das pessoas antes da prova? E durante? Amigos, conhecidos, desconhecidos. Corredores e espectadores. E na linha de chegada? E depois? E o pódio com duas amigas? E o troféu recebido das mãos do Vanderlei Cordeiro de Lima, que ainda teve uma coisa simpática a dizer para mim e para todos os outros fãs dele?
Ontem mesmo, depois da premiação, já fui conversar com Átila sobre uma maratona para o segundo semestre. Quero festejar intensamente os 50 anos que estão chegando. Quero repetir a experiência de ontem. Porque a corrida, como todas as demais coisas de minha vida, está mais leve.

sábado, 15 de junho de 2013

É com essa que eu vou

Faltam 11 horas para a largada. Estou bastante ansiosa neste momento.
Sentada aqui na Embody, ouvindo Chopin por Arthur Rubinstein, traduzindo o Maracanã, sinto meu corpo vibrar. Tenho uma sensação peculiar no espaço entre o nariz e o lábio superior, parece meio fria, meio inchada, meio dormente.É uma coisa muito sutil, mas eu percebo. Percebo uma certa tensão por todo o corpo, especialmente na nuca e diafragma. Estou tensa, claro. Mas não é uma tensão negativa, perversa. É mais uma excitação contida, ou melhor, uma excitação que cresce, se expande dentro de mim, retesando todo meu corpo antes de irromper e provocar uma onda de prazer e afrouxamento. São as preliminares. O prazer e o afrouxamento só sentirei depois dos 42,195km de corrida. Mas antes disso, ao largar e começar a correr, essa excitação e retesamento irão se tornar um fluxo muito mais intenso a circular por todo meu corpo.
Pois é, no fim das contas, hoje a corrida está me parecendo muito com o amor. Ótimo. Toda a minha libido, toda a minha energia vital se concentram no ato de correr. A mente ajusta o foco. E guia o corpo pelos estágios do caminho. Porque é a mente que percebe todas essas sensações do corpo. Meditação ativa. Com uma pitada de tantra talvez.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Indócil no partidor

Queria que fosse hoje. Daqui a pouco.
Desde a espetacular, inesquecível e fenomenal viagem pra NY eu tinha desencanado da maratona. Lá me atirei na vida louca, que treino que nada. Primeiro uma friaca e um chuvisco maléficos. Depois o tempo melhorou e ficou perfeito, mas eu piorei, hohoho. Com tanta coisa pra fazer e ver, a pessoa ia dormir lá pelas tantas e acordava já cansada. O treino ficou prejudicado.
Óbvio que treinei. Um pouco. O Central Park que me pareceu tão enorme em 1994 dessa vez pareceu pequeno. Corri toda a volta por fora, dá quase 10km apenas. É tudo questão de ponto de vista, de paisagem mental. Em 1994 eu não corria como hoje. Naquela viagem nem corri.
Voltei pra Porto Alegre com um Garmin novo, dois pares de tênis e um Oakley. E sem entusiasmo. (Também, voltar pra Porto Alegre é pra acabar com o entusiasmo da pessoa aqui... Mais um tema para refletir, a minha falta de ligação com Porto Alegre, com o Brasil, com esse lance de "nacionalidade", eu não tenho conexão desse tipo, nessa vida sou um ser senciente terráqueo, espécie humana, sexo feminino.) Estava lenta, fora de ritmo - e fora da casinha.
Hoje fiz o último trote pré-maratona. 6km no Parcão. De manhã.
E ainda muito sem vontade.
Mas de tarde tudo mudou.
Agora estou só por essa maratona. A quinta. Com gosto de primeira vez.
É a primeira vez que estou bem treinada, em que o planejamento do treinador foi seguido praticamente à risca por mim e sem maiores percalços.
É a primeira vez desde a cirurgia.
Até as 13h, eu estava desanimada e insegura. Aliás, estava desanimada porque estava insegura. Aí veio o insight: insegura por quê? Porque fiquei uns dias treinando menos do que deveria? Porque estava cansada? Porque a maratona sempre me dá um nervosão? Agora é tarde! Agora já é. Estou bem treinada, minha saúde está ótima, minha vida está cada vez melhor. Tudo certo.
Fiquei elétrica. Foi-se a insegurança. E se foi o desânimo. Fiquei tão empolgada que tive que me movimentar um pouco, não conseguia ficar sentada. Separei roupas pra domingo, comecei a arrumar a mochila.
Participar dessa maratona já é uma vitória. É muito mais do que parecia possível há um ano.
Domingo vou abalar, badalar e me esbaldar. Vou curtir intensa e apaixonadamente por 42,195km. Vou celebrar. Motivos tenho aos montes.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Teclas aqui, teclas acolá

Mergulhada no Maracanã e no mundo do futebol. Honing my translation skills. Dedilhando loucamente - bem, nem tanto, porque estou estreando como tradutora de português-inglês. Claro que não poderia ser com uma obra fácil. Um livro sobre futebol, assunto que não está assim entre os que mais domino. Mas estou curtindo. Cada vez mais. Minha primeira tradução para o inglês foi punk - em sentido literal e figurado. "Please Kill Me", that almost killed me, indeed. Gírias e termos variados para drogas aos montes - num tempo em que a internet estava engatinhando, 1996-97.
Quem está dedilhando loucamente por aqui desde ontem é o estupendo Arthur Rubinstein. Finalmente dei início ao festival Rubinstein, 82 CDs (na verdade mais, porque alguns são duplos), Rubinstein Collection, joia cintilante da RCA Red Seal (a louca tinha grafado Red Label, mas esse é o Johnnie, hahaha). E tive que vir escrever aqui porque o CD 15 que ouço neste momento me fez decolar. Oh deleite, um álbum russo. Primeiro o Concerto para Piano Nº 2 de Rachmaninoff, agora o Concerto para Piano Nº 1 de Tchaikovsky.
Nenhuma das composições é nova aos meus ouvidos. Mas me apaixonei por elas dessa vez. Anteontem pelo concerto de Tchaikovsky (na gravação do CD 1). E hoje pelo Rach Nº 2. E foi mágico, como o surgir de qualquer paixão. Ao me apaixonar, foi como se ouvisse esses concertos pela primeira vez. Me apaixonei sobretudo pelos motifs de ambos.
Agora Rubinstein está nos acordes finais de Tchaikovsky. A próxima atração do meu programa são os Prelúdios de Chopin. E é com eles que vou voltar a campo para mais um tempo no Maracanã.
Quando estiver menos abarrotada de trabalho, preciso ler os booklets desses CDs. É tanta música, tanta informação. Tanto amor e paixão em mim, entrando por meus ouvidos, inundando meu fluxo mental, transbordando por meus dedos.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Tem que ser fã

O cara se dá ao trabalho de editar horas e horas e horas. Claro que as imagens não correspondem ao áudio, mas é curioso anyway.
Como isso veio parar aqui? O dia cinzento me deu vontade de ouvir essa música que muito amo. Aí fui catar no Youtube e vi que tinha a versão ao vivo do lendário show no Madison Square Garden em 1973. Putz, nas duas vezes em que passei pelo MSG na visita a NY, só lembrei que o Led tinha tocado lá nas priscas eras, e que foi por causa do filme The Song Remains the Same, a partir desses shows, que conheci a banda e tomei um rumo na vida.
Sei lá se esse áudio é mesmo do show. Nem me importa. Fiz as sinapses, curti o lance e adorei essa versão.
E agora vou voltar pro trabalho, sobre outro estádio, igualmente lendário: o Maracanã.

sábado, 8 de junho de 2013

Mais da outra máquina

Cheguei chegando
É que eu sou muito fina
Yellow cab, white Galaxy S4
Lucy with pearls and the skyline
Esse café rendeu, me pinguei toda
Bethesda Fountain, Central Park, onde também corri, claro
Minha linda camiseta da Winners
A falsa corredora só no turismo e nas fotos
Highline, o hype

Por mim ficava dormindo, estava exausta de tanta função


É que eu sou despachada
Bacana seria ter sentado no colo do faraó pra fazer a foto

Dando o ar em Park Avenue
Village, por onde queria ter circulado mais. Fica pra próxima

I in NY

A melhor semana de 2013, uma das melhores de minha vida.
A ideia era escrever, mas estou sem tempo e sem vontade.
E o que dizer de NY? Simplesmente adorável.
A sensação básica foi: quero ficar aqui. Aqui é o lugar. Se pudesse, ficaria mesmo.
NY faz meu coração bater.
Sephora, um paraíso para dar aquele up na mulher
Vista do Hudson
Skyline ao anoitecer
Ela e o efeito da chuva no vidro
Ela e eu
Times Square, café do Starbucks
Ventania em Flatiron District
Grand Central, de metrô pra cima e pra baixo
Times Square by night, feérica
Muita foto e pouca corrida
Winners on the top
Arabian eyes pós-Sephora
O bar do hotel moderninho e baladeiro
Buddy, que me levou pra passear no Central Park
Dark eyes, Sephora, oh, Sephora
No Top of the Rock, Central Park
Empire State, que lindo vê-lo do Top of the Rock
Yankees vs Boston Red Sox, deu o time azul, oh yesss

domingo, 19 de maio de 2013

32km

A cabeça manda no corpo, mas os hormônios... ah, os hormônios às vezes dão uma bagunçada.
Passei a última semana com as mamas extremamente sensíveis, cheguei a comentar com os treinadores que, embora não menstruasse desde janeiro (mês em que menstruei em duas ocasiões) e esteja na pré-menopausa (conforme atestaram os exames), ainda tenho alguns sintomas de tpm. E essa sensibilidade das mamas é um deles.
Na sexta-feira tive dor de cabeça o dia inteiro, coisa totalmente incomum. Não tomei remédio, deixei que passasse por si. Também percebi que meu peso tinha aumentado em 2kg - retenção de  líquido, o que me deixa inchada e pesada. À noite, depois de comemorar os cinco anos do Templo do Oriente Kebaberia, o meu belly-habitat, fui pra festa de aniversário da Tati Suarez na Madam. Oh, what a night. Não sei há quantos anos não tinha uma noite dançante tão boa. Onde eu estive todo esse tempo? Fazendo o quê? Como eu gosto de e-music, de clubes, nossa... Minha vida de corredora (e muitas outras identidades) inviabiliza essa faceta noturna, que exercitei intensamente do final dos anos 1980 até meados dos 1990, me esbaldando no Ocidente, Fim de Século e Taj Mahal. A real wild party animal.
A festa me remeteu direto pras melhores noites de minha vida. Real Double e Beto DJ, que muito animaram minha vida clubber pregressa, fizeram sets emocionantes. Ouvir Plastic Dreams na pista once again, OMG. Muitíssimo em forma, dancei sem parar até as cinco da manhã em cima do salto 15cm. Mas cometi o erro master de beber espumante. Bebi pouquíssimo, e mesmo assim fiquei bêbada, chumbadona - o que só percebi quando saí da boate.
Me extriquei penosamente da cama às 10h de sábado, toda errada. Ressacada. Inacreditável ficar tão sequelada com tão pouca bebida. Logo percebi o motivo pra todo esse estrago: menstruei. Com a combinação bombástica de muito trabalho, muito treino, hormônios instáveis, álcool e noitada, adiei o longão. Sábia decisão, Lúcia Brito. Se tivesse ido, não creio que conseguisse terminar.
Fui hoje, depois de uma bellynight mais light na Sociedade Libanesa. Desinchei e estava no peso normal, apesar do jantarzão árabe. Só que a sensação de estar pesada persistia. Fiz os 32km, o penúltimo longão, em 2:39:07, média de 4:58. Perdi a velocidade, mas não perdi a força. Consegui fazer a quilometragem em um ritmo confortável. Poderia forçar mais? Talvez. Mas aí o treino me faria sofrer. Optei por não sofrer, por terminar bem, inteira. Não quis me arriscar em um treino que me causasse sofrimento físico e mental. Fiz um treino conservador, para terminar. Se forçasse, correria risco de quebrar, de não conseguir fechar o volume. Aí seria uma merda total.
Minha corrida está diferente depois que voltei a treinar sério. Livre da dor, voltei a correr solta, voltei a gostar de correr. Na verdade, voltei a me sentir correndo, antes parecia que eu me arrastava, era muito difícil e sofrido, não tinha mais a menor graça. Nem sempre é um prazer, vários treinos são feitos por pura obrigação - como hoje. Eu não teria ido correr hoje, não fossem a disciplina e o foco. Fui, e foi bom. 32km numa boa, sem nervosismo, sem exaustão. Fui focada, me mantive focada o tempo todo.
Estou em ótima forma, terminei esses 32km muitíssimo melhor do que umas corridinhas de 8km, 10km, 12km na primavera passada, em ritmo muito mais lento, que me deixaram acabada, caindo aos pedaços, estrebuchada. Alguns treinos provocam uma sensação de esgotamento, de exaustão que eu odeio - os treinos chinfrins, que não são motivo pra tamanho sofrimento. Eu não tenho essa reação negativa quando fico esgualepada e quase morta depois de um treino que justifica o esgotamento. E agora percebo por quê: porque a percepção da exaustão é neutralizada pelo prazer de ter feito uma coisa bem feita, por ter atingido um objetivo ou ido além.
Hoje, se eu me estrebuchasse, talvez conseguisse rodar os 32km a uns 4:50, 4:55. E daí? Daí seria uma bosta, porque eu acabaria com aquela sensação de ter me matado pra chegar a um resultado mixuruca. Me sentiria cansada, frustrada, decepcionada. Nos 4:58 de média, terminei tranquila e fui curtir o almoço em ótima companhia.
Que venham os 34km no sábado que vem.