Meu peso atual está por aí.
Me pesei ontem, depois que Ice, meu treinador de musculação, me olhou e disse que estou sumindo.
Quando falei o número, ele disse o mesmo que pensei: "Mas como você é pesada!" Sou a legítima falsa magra, hahaha.
Bem, são os outros que me acham magra atualmente. Eu me acho normal. O que noto é que meus braços estão fininhos, e creio que é isso que dá essa impressão (falsa) de magreza.
Ou será que antes eu estava na fófis-season, que nem diz o Newton, fisiculturista, quando está na temporada de aumentar a massa antes de iniciar a dieta pra competir? Hehehe, não creio.
Bem, bem, bem, creio é que meus devaneios de pesar entre 54kg e no máximo 56kg vão ficar só em devaneios mesmo.
Porque toda essa diferença visual de agora refere-se a apenas 2kg. No ano passado, perto da maratona, eu estava na faixa dos 59kg. Gostaria de baixar mais, o máximo possível, porque meus joelhos e tornozelos agradecem. É uma enorme diferença em termos de conforto ao correr. Mas não sei se consigo baixar mais. Ainda mais comendo brigadeiro na sobremesa, que nem fiz hoje, na casa da minha mãe. Affff...
terça-feira, 18 de novembro de 2008
domingo, 16 de novembro de 2008
Cebb
Enfim, mesmo com minha limitadíssima capacidade, tive vislumbres que me fizeram sorrir e brilhar.
Forma é vazio. Vazio é forma. Mas forma é forma. E vazio é vazio. É e não é. Nada para afirmar, nada para negar, porque é tudo conceitualização dual. É igual, é diferente, não é igual, não é diferente. É inexprimível e inescrutável.
Minha primeira percepção disso foi no retiro com monge Gabriel. A teoria, o conhecimento cognitivo, começa a adquirir um outro sabor.
E cada vez mais Samantabhadra me atrai.
Em resumo, sou uma vergonha no básico.
Mas é falar em Samantabhadra/Vajradhara, Prajnaparamita, Dzogchen, Mahamudra, sabedoria da vacuidade, verdade absoluta e relativa, e eu me assanho toda. Não é por acaso que me conectei ao lama Padma Samten, que se concentra no estudo do Prajnaparamita e do Vajracchedika.
Mas vou tratar de estudar mais os fundamentos. E recitar mantras. E meditar.
Essa é minha idéia de aproveitar a vida.
:)
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Kashmir
Adoro essa música, cuja letra foi escrita no Sahara, embora refira-se a Kashmir, que fica na Índia. E adoro ainda mais o deserto.
Não há paisagem terrena que me fascine como o deserto. Deve ser em função de minhas inúmeras vidas em regiões áridas. Percorri centenas de quilômetros de carro através do Atacama chileno. E jamais me senti tão em casa quanto lá.
Minhas paisagens preferidas são amplas e áridas: deserto, mar aberto com extensa praia de areia, geleiras. Gosto de vastidão. Gosto de paisagens que se estendem desobstruídas e desnudas a perder de vista, com o céu escancarado acima delas.
The Sheltering Sky. Outra obra ligada ao deserto.
Oh let the sun beat down upon my face, stars to fill my dream
I am a traveler of both time and space, to be where I have been
To sit with elders of the gentle race, this world has seldom seen
They talk of days for which they sit and wait and all will be revealed
Talk and song from tongues of lilting grace, whose sounds caress my ear
But not a word I heard could I relate, the story was quite clear
Oh, oh.
Oh, I've been flying... mama, there aint no denyin
I've been flying, aint no denyin, no denyin
All I see turns to brown, as the sun burns the ground
And my eyes fill with sand, as I scan this wasted land
Trying to find, trying to find where I've been.
Oh, pilot of the storm who leaves no trace, like thoughts inside a dream
Heed the path that led me to that place, yellow desert stream
My Shangri-La beneath the summer moon, I will return again
Sure as the dust that floats high and true, when movin through Kashmir.
Oh, father of the four winds, fill my sails, across the sea of years
With no provision but an open face, along the straits of fear
Ohh.
When I'm on, when I'm on my way, yeah
When I see, when I see the way, you stay-yeah
Ooh, yeah-yeah, ooh, yeah-yeah, when I'm down...
Ooh, yeah-yeah, ooh, yeah-yeah, well I'm down, so down
Ooh, my baby, oooh, my baby, let me take you there
Let me take you there, let me take you there
Não há paisagem terrena que me fascine como o deserto. Deve ser em função de minhas inúmeras vidas em regiões áridas. Percorri centenas de quilômetros de carro através do Atacama chileno. E jamais me senti tão em casa quanto lá.
Minhas paisagens preferidas são amplas e áridas: deserto, mar aberto com extensa praia de areia, geleiras. Gosto de vastidão. Gosto de paisagens que se estendem desobstruídas e desnudas a perder de vista, com o céu escancarado acima delas.
The Sheltering Sky. Outra obra ligada ao deserto.
Oh let the sun beat down upon my face, stars to fill my dream
I am a traveler of both time and space, to be where I have been
To sit with elders of the gentle race, this world has seldom seen
They talk of days for which they sit and wait and all will be revealed
Talk and song from tongues of lilting grace, whose sounds caress my ear
But not a word I heard could I relate, the story was quite clear
Oh, oh.
Oh, I've been flying... mama, there aint no denyin
I've been flying, aint no denyin, no denyin
All I see turns to brown, as the sun burns the ground
And my eyes fill with sand, as I scan this wasted land
Trying to find, trying to find where I've been.
Oh, pilot of the storm who leaves no trace, like thoughts inside a dream
Heed the path that led me to that place, yellow desert stream
My Shangri-La beneath the summer moon, I will return again
Sure as the dust that floats high and true, when movin through Kashmir.
Oh, father of the four winds, fill my sails, across the sea of years
With no provision but an open face, along the straits of fear
Ohh.
When I'm on, when I'm on my way, yeah
When I see, when I see the way, you stay-yeah
Ooh, yeah-yeah, ooh, yeah-yeah, when I'm down...
Ooh, yeah-yeah, ooh, yeah-yeah, well I'm down, so down
Ooh, my baby, oooh, my baby, let me take you there
Let me take you there, let me take you there
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Lilibel
O traje rendeu ainda um tremendo perrengue, porque Lízia, como várias colegas, queria fazer uma roupa em estilo grego. Aqui em casa não. Fui pesquisar na internet e fiz uma roupa mais assemelhada às originais - e muito diferente daqueles trajinhos que se via nos filmes sobre Roma.
Minha pré-adolescente de momento quer o melhor de dois mundos. É mocinha pra sair de noite, usar salto alto, maquiar-se, escolher as roupas, ter celular sofisticado e sonhar com um notebook (o desktop é tosco). Mas é criança para levar a roupa suja pra área de serviço, guardar a roupa limpa, manter o quarto minimamente em ordem, lembrar de fazer o tema (e lembrar de qualquer coisa em geral) e aquecer uma comida no microondas (que eu comprei porque antes o problema era usar o fogão). Afffff. E tem as venetas, uns ataques súbitos de mau humor, ou de impaciência, ou de pura chatice, que vêm do nada e em seguida cessam.
Como ela tem 12 anos, estou tratando de manter a paciência. Ainda tem muito pela frente, hehehe. Além do mais, seria absurdo eu achar que Lízia dá muita incomodação apenas por ser relaxada e negligente com coisas que evidentemente eu também um acho porre de fazer. Entendo perfeitamente que ela ache melhor fazer qualquer coisa (inclusive não fazer nada) do que arrumar, guardar, limpar. Mas quero que ela perceba a importância dessas atividades na organização não só da casa, do espaço externo, mas da própria vida, do espaço interior. Uma coisa reflete a outra. Ambas se influenciam.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Coisa bem boa

Ontem corri uma maratona de revezamento num quarteto.Foi a primeira competição desde que mi amor de treinador iniciou um trabalho voltado à minha educação para tolerar melhor o esforço e não afrouxar o ritmo quando bate o cansaço. E foi a primeira vez em que me senti melhor na volta que na ida.
As competições haviam se tornado um enorme sofrimento pra mim. Já no primeiro quilômetro eu começava a odiar estar lá, me indagando por que afinal me submetia a uma experiência tão desagradável. Pensava em parar, em caminhar, em nunca mais competir, em trotar - e seguia correndo nesse (mau) humor contraproducente, de má vontade - como se eu corresse por obrigação e não por prazer. Claro que terminava as provas mal. Os nervos tão retesados quanto meus músculos e articulações.
Desde a maratona de maio, que foi um turning point na minha relação com a corrida (e com a vida em geral), eu voltei a ter muito prazer em treinar, basicalmente na pista. Mas as rodagens na rua não me animavam tanto (e eu andei falhando os treinos), e as competições eram um total desgaste.
Conversei com Edu sobre isso depois da meia-maratona no mês passado, que foi um verdadeiro suplício. E desde então estou treinando a resistência - física e emocional - na pista, em tiros médios e curtos combinados, com intervalos curtos, e em fartleks. Nos primeiros treinos eu achei que jamais fosse conseguir agüentar aquilo - e sequer aprender a fazer. Claro que agüentei. Errei todos os ritmos no início, mas depois fui encaixando. Na semana passada, a terceira disso, fiz tudo direitinho. E o cansaço físico e o sofrimento mental diminuíram muito. O corpo e a mente se ajustaram. Prática. Disciplina. Concentração. Como sentar para meditar.
E ontem foi a mesma coisa. Foi curioso observar the workings of my mind. And body.
Antes de largar eu estava ultranervosa. Mas assim que comecei a correr dei a primeira encaixada: não havia por que estar nervosa, estava treinada e tinha total condição de fazer aquilo.
Pra variar, saí feito uma doida, e logo senti os antebraços formigando, sinal de que estava num ritmo insustentável. Aí encaixei de novo.
Ali pelo km 2, tive um surto das idéias fracas de sempre, de que não ia agüentar, de que era pesado demais e tal, mas o corpo não acompanhou a mente, eu percebi claramente que estava numa ótima, e encaixei outra vez.
Antes da virada nos 5,25km, lembrei do que Edu me disse, de que eu precisava aprender a segurar o ritmo na volta, não afrouxar na virada - pelo contrário, pensar que a partir dali era o fim e que tinha que dar tudo e até tentar negativar. Não negativei, mas não afrouxei.
Fiz minha corrida mais constante. E nos metros finais consegui abrir um pouco a passada, ao contrário do que sempre acontecia; quando avistava a chegada eu muitas vezes afrouxava.
Cheguei inteira, bem. Corri no tempo que estou treinada pra fazer. E não senti o calor que castigou muita gente. (Eu gosto de calor, tenho uma boa resistência a altas temperaturas, passo mais trabalho no frio.) Dei duro, me puxei, não estava lá passeando, não teve nada de moleza. Mas estava confortável porque estava preparada para e disposta a passar por aquele esforço. E uma coisa é esforço, outra é sofrimento. Havia uma motivação e um foco. E não havia motivo para sofrer. Nunca houve. Simplesmente criei uma paisagem mental de sofrimento nas corridas e me meti lá dentro.
Não consegui sustentar a paisagem mental de conforto o tempo todo. Houve vários momentos de sofrimento, a mente oscilou bastante. Mas foi como uma prática de shamatha: a mente se desviava do objeto de concentração e era trazida de volta.
Quando Paulão massageou minhas pernas, notei que elas estavam soltas, relaxadas. Como minha mente.
:)
Tudo em minha vida serve pra praticar aquilo em que acredito.
:)
domingo, 9 de novembro de 2008
Família
Domingo, 9 de novembro de 2008.
Hoje participei de uma corrida de revezamento. E minha irmã levou nossa mãe e minha filha pra conferirem o agito. Foi um tremendo programa de índio no fim das contas, estava uma megamuvuca e quente pra caramba. Então elas ficaram lá por um tempo e depois foram embora - meu ex-marido fez a mão e foi buscá-las.
Minha irmã passou trabalho pra fazer a mãe sair. Ela está cada vez menos disposta a fazer coisas, quer apenas ficar em casa. E fica muito quieta, com o olhar fixo no vazio. Onde está a mente dela?
Olhar para esse processo de desintegração é muito doloroso e perturbador. Estou perdendo a pessoa que cuidou de mim, e isso gera medo, e sensação de desamparo e solidão extrema. E uma perda de referencial, de identidade, porque os papéis de mãe e filha se inverteram. Mas ao mesmo tempo estou desenvolvendo uma enorme aceitação, e isso me pacifica. Ao aceitar tudo que está acontecendo, liberto-me das sensações negativas. E de apegos a identidades e paisagens.
Meu olhar para o passar do tempo está mudando. Vivo o hoje, o agora. Um dia de cada vez. Valorizo cada momento, cada experiência. E me abro para miríades de possibilidades.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Espelho, espelho meu
Todo mundo tem me dito que estou mais magra.Mi amor de treinador (Edu), meu ex-treinador (Clóvis querido, que eu agora só chamo de "gordáquilo", porque ele surtou com esse apelido, que originalmente é do meu gatânlio Ted Boy Marino), amigos. Hoje encontrei um corredor que não me via desde a maratona, e ele comentou a mesma coisa.
Como não faço mais musculação regularmente por falta de tempo, acredito que estou menor por ter perdido massa magra. Gordura eu não tenho muita, e a que tenho é daquele tipo insuportável que só sairia com dieta de fome (coisa que nunca fiz, nem farei) ou com alguma cirurgia mirabolante (que nenhum médico decente faria).
O que tenho agora, me parece, é um distúrbio visual (pra não dizer mental), porque me olho e sempre me acho meio grandona, hehehe. Lógico que não me acho gorda, mas acho que a buzanfa e as pernas deveriam ter vários centímetros a menos. Gosto de osso, pele e músculo. Nada a ver com corpo esquálido de modelo, mas não gosto de volume. Aí sempre acho que eu poderia ser menor, ter menos enchimento entre o osso e a pele. Mas é um achismo que não se traduz em nenhuma ação, porque sempre concluo que está tudo bem do jeito que está. É mais aquela coisa de ficar vendo pêlo em ovo, mosquito na lua... Ou talvez a permanente insatisfação do samsara.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
OBA!!!
Que bom estar viva para assistir a eleição de Barak Obama.
Como é emocionante ver gente no mundo inteiro feliz e esperançosa por causa de um homem e tudo que ele simboliza. Ver uma pessoa criar uma onda gigante de mobilização e união. Ver uma pessoa realizar um sonho e ir além de tudo que a visão limitada convencional considerava possível.
Vida humana preciosa.
Como é emocionante ver gente no mundo inteiro feliz e esperançosa por causa de um homem e tudo que ele simboliza. Ver uma pessoa criar uma onda gigante de mobilização e união. Ver uma pessoa realizar um sonho e ir além de tudo que a visão limitada convencional considerava possível.
Vida humana preciosa.
domingo, 2 de novembro de 2008
No Dharma
Cheguei há pouco do Cebb - Centro de Estudos Budistas Bodisatva. Passei o fim de semana lá, em retiro, ouvindo ensinamentos sobre bodhicitta, a mente que busca a iluminação para o benefício de todos os seres. O professor foi monge Gabriel, que estuda na universidade monástica Dzongsar Shedra, na Índia, perto de Dharamsala, sede do governo tibetano no exílio e residência oficial de Sua Santidade o Dalai Lama.
Freqüento o Cebb há dez anos, e esse foi apenas o segundo retiro que fiz. O primeiro foi no ano passado, com o lama Padma Samten. Sou uma praticante budista muito relapsa, mas estou tentando melhorar. E já vi que para isso é fundamental manter contato com a Sangha. Essa coisa de praticar apenas no dia-a-dia fica muito solta. O simples fato de estar freqüentando pelo menos um evento do Cebb por semana já me deixou muito mais conectada.
Tenho a bênção de traduzir obras budistas com freqüência, e isso mantém minha conexão. Mas está na hora de praticar mais. Especialmente o sentar. Acalmar o corpo e a mente. No retiro, meu corpo pareceu causar mais agitação do que a mente. Não consigo ficar muito tempo sentada em meio-lótus, meus joelhos doem, parece que minha consciência transfere-se pra eles. Afffff.. Sem falar que os joelhos ficam tão altos que tenho que sentar em cima de duas almofadas para mantê-los baixos como devem ficar. Eta dureza!
O caminho para a iluminação assenta-se sobre o binômio sabedoria e compaixão. Preciso estudar mais, mas preciso especialmente praticar mais. Ou vou acabar sendo uma budista teórica. E todo mundo sabe que, na prática, a teoria é outra...
Esse é monge Gabriel. Tenho enorme carinho e admiração por ele. Monge Gabriel tem grande interesse pela tradução de textos. Temos em comum o desejo de aprimorar a linguagem do Dharma em português. Monge Gabriel está trabalhando para concretizar meu sonho de tradutora e estudante budista: a criação de um dicionário em português que ofereça sinônimos para termos tibetanos e sânscritos e, mais que isso, verbetes com a explicação aprofundada dos termos originais. Porque simplesmente não há como traduzir termos do tibetano e do sânscrito para palavras dos idiomas ocidentais. Os termos originais exprimem conceitos profundos, sofisticados, complexos e extremamente sutis. Então, nos idiomas ocidentais, o que se pode fazer é usar uma palavra a grosso modo, como uma sigla ou abreviatura, ou uma sinalização. Se ao menos usarmos essas palavras de forma padronizada já será muito bom. Hoje em dia, cada um traduz como acha melhor.
O hábito não faz o monge. E eu não quero ser monja - por enquanto. Mas sinto que elementos da tradição podem sim ajudar muito a gerar e manter a motivação. Por isso, peguei uma tchuba e uma meia-tchuba emprestadas de minha amiga Regina, e levei para minha querida costureira Teka. Um dos resultados é essa tchuba da foto. Teka fez mais uma assim, em azul, e uma meia-tchuba, que é apenas a saia, na cor denominada de "beringela" pela funcionária simpática que me atendeu no Empório das Sedas. Pra mim é roxo, outra cor que eu muito aprecio (minhas unhas, aliás, estão pintadas de roxo essa semana).
De tchuba, de axó ou de saree não me sinto fantasiada. Tenho identidades ligadas a essas culturas. Identidades ligadas basicamente à espiritualidade.
Freqüento o Cebb há dez anos, e esse foi apenas o segundo retiro que fiz. O primeiro foi no ano passado, com o lama Padma Samten. Sou uma praticante budista muito relapsa, mas estou tentando melhorar. E já vi que para isso é fundamental manter contato com a Sangha. Essa coisa de praticar apenas no dia-a-dia fica muito solta. O simples fato de estar freqüentando pelo menos um evento do Cebb por semana já me deixou muito mais conectada.
Tenho a bênção de traduzir obras budistas com freqüência, e isso mantém minha conexão. Mas está na hora de praticar mais. Especialmente o sentar. Acalmar o corpo e a mente. No retiro, meu corpo pareceu causar mais agitação do que a mente. Não consigo ficar muito tempo sentada em meio-lótus, meus joelhos doem, parece que minha consciência transfere-se pra eles. Afffff.. Sem falar que os joelhos ficam tão altos que tenho que sentar em cima de duas almofadas para mantê-los baixos como devem ficar. Eta dureza!
O caminho para a iluminação assenta-se sobre o binômio sabedoria e compaixão. Preciso estudar mais, mas preciso especialmente praticar mais. Ou vou acabar sendo uma budista teórica. E todo mundo sabe que, na prática, a teoria é outra...
O hábito não faz o monge. E eu não quero ser monja - por enquanto. Mas sinto que elementos da tradição podem sim ajudar muito a gerar e manter a motivação. Por isso, peguei uma tchuba e uma meia-tchuba emprestadas de minha amiga Regina, e levei para minha querida costureira Teka. Um dos resultados é essa tchuba da foto. Teka fez mais uma assim, em azul, e uma meia-tchuba, que é apenas a saia, na cor denominada de "beringela" pela funcionária simpática que me atendeu no Empório das Sedas. Pra mim é roxo, outra cor que eu muito aprecio (minhas unhas, aliás, estão pintadas de roxo essa semana).De tchuba, de axó ou de saree não me sinto fantasiada. Tenho identidades ligadas a essas culturas. Identidades ligadas basicamente à espiritualidade.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Krishna controla
Fiz essa foto (e outras) ontem à noite, ao voltar do centro budista.Eu havia prometido isso há meses para um amigo indiano do orkut, e decidi honrar minha palavra. Não poderia ter escolhido momento mais apropriado, as fotos acabaram sendo um presente de Diwali para ele, que rezou uma prece para minha mãe durante o festival. Uma coisa tão simples causou grande (e singela) felicidade para outra pessoa.
Fazia anos que eu não vestia um saree. Tenho vários, dos tempos em que freqüentei o templo do movimento Hare Krishna.
Krishna é outra deidade com a qual tenho uma linda conexão. E tenho esse recanto dedicado a ele na minha sala. E tenho quadros de Krishna, Shiva e Vishnu espalhados. E ainda na minha sala tenho um recanto budista em cima da TV. E um outro recanto com deidades variadas, indianas e cristãs. Sou uma adepta do Rime por natureza. Respeito e reverencio todas as manifestações de fé, embora não tenha conexão com tradições monoteístas.
Dois episódios mágicos de minha vida aconteceram na conexão com Krishna.
Fui pra Miami e fiquei num flat em Coconut Groove. Mal cheguei já fui passear. Entrei num mall, vi uma loja com camisetas e fui comprar uma pra minha filha. A atendente estava conversando com um devoto de Krishna. Aí já aproveitei pra engatar um assunto com ele. Saí falando em inglês, disse que era amiga de Krishna, perguntei onde ficava o templo de Miami, se tinha restaurante Govinda. Tinha, e era pertíssimo de onde eu estava. Aí o devoto me perguntou de onde eu era. "Brasil". E ele começou a falar em espanhol, era argentino. E o mais notável é que havia morado em Porto Alegre e Caxias, e conhecia vários de meus amigos devotos. Foi demais! Fui ao templo, almocei no restaurante, e foi tudo bem bom.
Em outra ocasião fui pra Buenos Aires. Como sempre, larguei as coisas no hotel e fui pra rua. Eu estava no centro, aí fui pra La Florida. Caminhei toda a rua até a praça San Martin. Estava morta de fome, e só via lugares altamente carnívoros. Aí na galeria diante da praça vi uma loja que vendia mel e própolis. Entrei e perguntei pra senhora atendente se ela conhecia algum restaurante vegetariano. Ela disse que sim, que tinha um logo ali. Mas eu não conseguia atinar a direção, porque não entendia o que ela falava (sou um fiasco em espanhol - consigo entender se falam devagar, e consigo ler, mas falar... em Buenos Aires cheguei a ter que falar em inglês, que vergonha...). A senhora cansou de tentar explicar, me pegou pelo braço, saiu da loja, andou uns metros comigo e me largou na porta do restaurante, na mesma galeria. E era o restaurante de um devoto de Krishna! Fui lá todos os dias da estada em BsAs, fiquei amiga do dono e da mãe dele.
Na época em que essas coisas aconteceram eu era lacto-vegetariana, não comia nem peixe, nem frango, ao contrário de agora. Os devotos dizem: "Krishna controla." E realmente ele controlou e cuidou de mim nitidamente nessas duas ocasiões.
Fui vegetariana de 82 a 98. O fato de ter incluído animais em minha dieta outra vez obscureceu minha conexão com Krishna, e isso me entristece. Sinto vontade de parar, mas me habituei com a praticidade de ingerir esse tipo de proteína. É prático inclusive em termos sociais, ser vegetariana causa um transtorno pras outras pessoas, que nunca sabem bem o que oferecer. E meu corpo se habituou com a proteína animal de novo. E, com meu volume de treino, se cortar a proteína animal terei que caprichar na dieta e na suplementação - e eu não tenho a menor disposição pra fazer isso, não sou de ficar matutando cardápios mirabolantes. Minha alimentação, aliás, é cada vez mais simples.
Mérito
Saí pra correr 20km hoje, porque não tinha feito no fíndi, porque choveu sem parar, e quando parou eu estava com minha mãe e minha filha e afim de ficar em casa com elas. No domingo eu estava cansada, tinha ido deitar às 7h30, hora em que costumo levantar, depois de passar a noite dançando.
Fiz os 20km em 1:40. Na boa, sem cansaço e sem baixo astral. Cheguei e fui tomar um banho (correndo), queria levar a mãe ao dentista. Enquanto me preparava para entrar no chuveiro, me veio (de novo) a percepção do quanto sou afortunada por ter um corpo tão funcional. Quantas pessoas no mundo têm condições de sair pra correr 20km assim, tão casualmente? Me alegro imensamente por ser capaz de fazer isso, por ter saúde e disposição. Vejo isso como um mérito e transbordo de alegria. Porque me faz bem, me faz feliz, e posso dedicar essa alegria e felicidade a todos os seres.
Fiz os 20km em 1:40. Na boa, sem cansaço e sem baixo astral. Cheguei e fui tomar um banho (correndo), queria levar a mãe ao dentista. Enquanto me preparava para entrar no chuveiro, me veio (de novo) a percepção do quanto sou afortunada por ter um corpo tão funcional. Quantas pessoas no mundo têm condições de sair pra correr 20km assim, tão casualmente? Me alegro imensamente por ser capaz de fazer isso, por ter saúde e disposição. Vejo isso como um mérito e transbordo de alegria. Porque me faz bem, me faz feliz, e posso dedicar essa alegria e felicidade a todos os seres.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Meu altar
Essa é uma parte muito especial de minha casa.Meu altar reúne imagens budistas de grande significado para mim - Samantabhadra, Vajradhara, Prajnaparamita, Sua Santidade o Dalai Lama, Padmapani e meu lama Padma Samten, além do Buda Shakyamuni - e é enfeitado com cristais e rochas. Faço prostrações diariamente, ao acordar e antes de deitar, e recito as preces de refúgio e de bodhicitta. Às vezes faço de má vontade, que vergonha, mas faço.
Houve períodos em que não fiz, em que deixava o altar fechado, às moscas. Mas espero que essa fase de relaxamento espiritual não volte a acontecer - até porque ela sempre acarreta oscilações em todo o resto de minha vida. Me sinto muito mais estável em meu estado natural de felicidade e alegria quando estou bem conectada à atividade espiritual. Tudo flui melhor - mesmo quando dá tudo errado, hehehe.
Mudei meu altar de lugar há cerca de dois meses. Antes ele ficava espremido em uma prateleira de uma estante de metal. Aí tive a brilhante idéia de espalhar tudo em cima da lareira.
No recuo da lateral esquerda, há duas estátuas de gatos, e um armarinho com pequenas estátuas de egípcios. Não fazem parte do altar, mas estão por ali, e me parece natural, tendo em vista o quanto gosto de gatos e o quanto fui egípcia (e ainda sou).
À direita, tenho o que um amigo denominou de "Reino da Mãe Oxum". Porque sou uma budista batuqueira, tenho uma forte conexão com a Nação e com os orixás, especialmente com Oxum, senhora minha mãe. No recanto dedicado à Senhora Mãe coloquei uma fonte. Adoro fontes, gosto do som e do movimento da água. Ver a água correr, até no chuveiro, me conecta instantaneamente ao presente e à impermanência do samsara, à impossibilidade de se agarrar a qualquer experiência. A fonte tem tudo a ver com Oxum, dona da água doce, das cachoeiras. O som dessa fonte me faz lembrar do riso de Oxum numa cachoeira e do tilintar de suas muitas pulseiras enquanto ela dança, se penteia e se olha no espelho.Meu altar fica no ambiente onde estão minha cama e meu escritório. Durmo e trabalho com essa energia.
sábado, 25 de outubro de 2008
Chove chuva
E eu estava mais ou menos no mesmo mood preguiçoso, marcha-lenta.
Mas aconteceram montes de coisinhas desde então.
Uma delas foi a geral médica a que me submeti depois de uns dias me muito mal-estar, iniciados exatamente na semana do post anterior. Fiquei ultra-indisposta, não corri durante uma semana inteira, trabalhei pouco, estava me arrastando. Os exames mostraram que meu corpo estava apenas refletindo um surto de instabilidade emocional/espiritual.
No emocional, a doença de minha mãe estava taxando meus nervos severamente. Desde abril/maio eu estive tão ocupada tratando de questões práticas que nunca me permiti sentir a dor e o medo que a situação me causa. A pessoa que cuidou de mim nessa vida não vai mais cuidar, agora eu cuido dela. Houve a inversão de papéis, me tornei a mãe de minha mãe. Isso desencadeou uma espécie de síndrome de pânico. Mas o medo de morte não era do ego em si, era o medo da morte de minha mãe. Medo infantil de ficar sozinha, desamparada. Além do medo adulto de ter que dar conta de cada vez mais coisas. Em uma única sessão com minha ex-terapeuta consegui integrar tudo isso e dissipar a enorme pressão interna. Foi olhar pra dentro de mim e tudo clareou.
No espiritual foi a mesma coisa. Olhar pra dentro. Ouvir meu coração e minha intuição.
sábado, 11 de outubro de 2008
O original
Uma coisa leva a outra.
De Chris Isaak, me atirei nos posts de Roy Orbison no youtube. Isso sim é cantar.
Sim, sim, eu gosto de coisas muito duvidosas, umas cantorias que estão mais pra miado, mugido, latido, cacarejo, grasnado. Mas tenho noção pra discernir uma coisa da outra. :)
De Chris Isaak, me atirei nos posts de Roy Orbison no youtube. Isso sim é cantar.
Sim, sim, eu gosto de coisas muito duvidosas, umas cantorias que estão mais pra miado, mugido, latido, cacarejo, grasnado. Mas tenho noção pra discernir uma coisa da outra. :)
The devastatingly handsome
Saí da cama nesse sábado chuvoso em que tenho 18km para fazer sem a presença de mi amor de treinador, que foi pro Rio de Janeiro acompanhar parte de sua equipe na meia-maratona, e fiz minhas prostrações com "Piece of Me", de Britney Spears, ao fundo (estou num surto com essa música). Estava no i-Tunes, na minha coleção de pop, e logo depois veio "Primeiro Instante", de Jimi Joe, que ouvi duas vezes direto, amo, amo. Enquanto esquentava o leite em minha nova e fabulosa aquisição - um microondas!!!, coisa que nunca havia tido até segunda-feira passada - ouvi "The Only One I Know", dos Charlants", e "Would I Lie to You Baby", de Charles & Eddie.
E aí veio ele, um de meus favoritos ever. "Ladies and gentlemen, the devastatingly handsome Chris Isaak!" Foi como ele foi anunciado num show em homenagem a Smokey Robinson, onde cantou "My Girl". Devastadoramente bonito, de fato. E devastadoramente adorável. "My Girl" eu vi no youtube há pouco, no i-tunes ouvi a preciosa "One Day", do álbum "Always Got Tonight", que só tenho no computador, e que fiquei ouvindo até entrar no youtube pra pegar um vídeo pra postar aqui.
Meu ex-marido sempre diz que não tenho o direito de gostar de Chris Isaak e Roy Orbison porque de modo geral abomino o rock, o folk e whatever dos anos 60/70, com exceção de Led Zeppelin e Jimi Hendrix, e sou muito mais ligada em música negra e eletrônica. Mas a questão é que sou apaixonada pela música americana dos anos 50 pra trás. E Chris Isaak é muito anos 50.
Gosto de Chris Isaak e Roy Orbison pelos mesmos motivos: a simplicidade, a suavidade com que cantam, parece uma coisa tão natural pra eles. Eles têm um jeito singelo, meigo, doce, cantam suas músicas de corações partidos e amores perdidos com uma voz que vem da alma. Soam sinceros, verdadeiros.
Essas duas canções de Roy Orbison cantadas por Chris Isaak ilustram exatamente o que eu admiro em ambos.
E aí veio ele, um de meus favoritos ever. "Ladies and gentlemen, the devastatingly handsome Chris Isaak!" Foi como ele foi anunciado num show em homenagem a Smokey Robinson, onde cantou "My Girl". Devastadoramente bonito, de fato. E devastadoramente adorável. "My Girl" eu vi no youtube há pouco, no i-tunes ouvi a preciosa "One Day", do álbum "Always Got Tonight", que só tenho no computador, e que fiquei ouvindo até entrar no youtube pra pegar um vídeo pra postar aqui.
Meu ex-marido sempre diz que não tenho o direito de gostar de Chris Isaak e Roy Orbison porque de modo geral abomino o rock, o folk e whatever dos anos 60/70, com exceção de Led Zeppelin e Jimi Hendrix, e sou muito mais ligada em música negra e eletrônica. Mas a questão é que sou apaixonada pela música americana dos anos 50 pra trás. E Chris Isaak é muito anos 50.
Gosto de Chris Isaak e Roy Orbison pelos mesmos motivos: a simplicidade, a suavidade com que cantam, parece uma coisa tão natural pra eles. Eles têm um jeito singelo, meigo, doce, cantam suas músicas de corações partidos e amores perdidos com uma voz que vem da alma. Soam sinceros, verdadeiros.
Essas duas canções de Roy Orbison cantadas por Chris Isaak ilustram exatamente o que eu admiro em ambos.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Macaco louco
Fiz o post sobre shamata hoje de manhã, após ter sentado (em tentativa de meditação) por uns 15 minutos. A tradução do texto de Kalu Rinpoche eu havia feito ontem à noite.
Depois fui treinar. E lá na pista o macaco começou a saltitar loucamente, carregando o elefante. O treino foi pesadíssimo - o mais pesado que fiz até hoje, 10 x 600m + 200m. E ali pela metade a mente começou a surtar. Ficava achando que não ia dar, pensava: "Bem, vou fazer mais lento." Mas fiz tudo dentro, não quebrei nenhum tiro, apesar das micagens mentais. A mente elaborava uma paisagem, mas o corpo estava noutra. E o corpo não ficaria tão exausto se a mente não se agitasse tanto e não desperdiçasse tanta energia jogando contra.
Depois dessa performance mental, entendi por que minha atenção havia se voltado para o diagrama de shamata há uns dias. É exatamente do que estou precisando.
Depois fui treinar. E lá na pista o macaco começou a saltitar loucamente, carregando o elefante. O treino foi pesadíssimo - o mais pesado que fiz até hoje, 10 x 600m + 200m. E ali pela metade a mente começou a surtar. Ficava achando que não ia dar, pensava: "Bem, vou fazer mais lento." Mas fiz tudo dentro, não quebrei nenhum tiro, apesar das micagens mentais. A mente elaborava uma paisagem, mas o corpo estava noutra. E o corpo não ficaria tão exausto se a mente não se agitasse tanto e não desperdiçasse tanta energia jogando contra.
Depois dessa performance mental, entendi por que minha atenção havia se voltado para o diagrama de shamata há uns dias. É exatamente do que estou precisando.
Shamatha
As imagens e o texto abaixo descrevem a meditação shamatha, ou permanência serena, que consiste basicamente em liberar a mente da agitação e da obtusidade, trazendo-a para um estado de repouso pacífico e alerta. O texto é do livro de Kalu Rinpoche.
Estou numa fase de domar a mente, seja ela um elefante ou um cavalo. :)

Essa ilustração é a reprodução de um desenho tibetano que representa nove cenas, os nove estágios do caminho de shamatha.
Há dois personagens: o homem, ou sujeito meditante, o observador; e o elefante, que representa sua mente. Para desenvolver shamatha, a mente usa duas ferramentas: a atenção e a recordação. A machadinha afiada representa a acuidade da atenção vigilante, e a corda com um gancho é a lembrança da prática. Visto que muitas distrações interrompem seu estado alerta e vigilante, o meditante deve retornar a ele por meio de lembranças constantes. A vigilância é a acuidade na base da meditação, e a recordação assegura sua continuidade. O estado de shamatha tem dois obstáculos principais: o primeiro é a agitação ou dispersão criada pela fixação em pensamentos e emoções passageiros; o segundo é o torpor ou moleza, a obtusidade mental. O torpor é representado pela cor preta do elefante, e a agitação pelo macaco. O fogo que diminui ao longo do caminho representa a energia da meditação. Conforme avançamos, a prática requer menos e menos esforço. As seis curvas ou voltas no caminho marcam seis platôs sucessivamente dominados pelas seis forças da prática: ouvir as instruções, assimilá-las, lembrar-se delas, vigilância, perseverança e hábito perfeito. Ao lado da estrada há diferentes objetos: um lenço, algumas frutas, uma concha cheia de água perfumada, pequenos címbalos e um espelho, representado os objetos dos sentidos: objetos tangíveis, sabores, odores, sons e formas visuais que distraem o meditante, que se desvia do caminho de shamata ao ir atrás deles.
(1) Na base da ilustração, no primeiro estágio, há uma distância bem grande entre o meditante e sua mente. O elefante da mente é guiado pelo macaco, ou sua agitação. O grande fogo mostra que a meditação requer um monte de energia. Os obstáculos são os piores possíveis; tudo está preto.
(2) No segundo estágio, o meditante chega mais próximo do elefante devido à atenção. O macaco — a agitação — ainda conduz a mente, mas o ritmo diminui. A obtusidade e a agitação diminuem; algum branco infiltra-se no preto do elefante e do macaco.
(3) No terceiro estágio, o meditante não mais caça a sua mente: agora estão cara a cara. O macaco ainda está à frente, mas não conduz mais o elefante. O contato entre o meditante e a mente é estabelecido pela corda da recordação. Ocorre uma forma sutil de obtusidade, representada pelo coelhinho. A escuridão da obtusidade e da agitação diminui.
(4) No quarto estágio, o progresso torna-se mais claro, e o meditante chega ainda mais perto do elefante. A brancura do macaco, do elefante e do coelho aumenta. A cena torna-se mais calma.
(5) No quinto estágio, a situação inverte-se. O meditante conduz o elefante da mente com a atenção e recordação contínuas. O macaco não conduz mais, porém o coelho ainda está lá. A cena adquire ainda mais clareza. Em uma árvore próxima, um macaco branco pega uma fruta branca. Isso representa a atividade da mente de se engajar em ações positivas. Apesar de essas ações normalmente precisarem ser cultivadas, ainda há distrações no contexto da prática de shamata; é por isso que a árvore é preta e está fora do caminho.
(6) No sexto estágio, o progresso está mais definido. O meditante conduz, e a recordação é constante; ele não tem mais que colocar sua atenção na mente. O coelho se foi, e a situação torna-se cada vez mais clara.
(7) No sétimo estágio, a cena torna-se muito pacífica. A caminhada não mais requer direção. A cena torna-se quase que completamente transparente. Umas poucas manchas pretas indicam pontos de dificuldade.
(8) No oitavo estágio, o elefante anda domado com o meditante. Não há virtualmente mais nenhum preto, e a chama do esforço desapareceu. A meditação tornou-se natural e contínua.
(9) No nono estágio, mente e meditante estão completamente em repouso. São como velhos amigos acostumados a estar juntos calmamente. Os obstáculos desapareceram, e shamatha é perfeita.
As cenas seguintes, sustentadas pelo raio de luz que emana do coração do meditante, representam a evolução da prática no coração desse estágio de shamatha. A realização de shamatha é caracterizada pela experiência de alegria e radiância, ilustrada pelo meditante voando ou cavalgando sobre as costas do elefante.
A última cena refere-se às práticas combinadas de shamatha e vipashyana. A direção é invertida. Mente e meditação estão unidas; o meditante senta-se escarranchado na mente. O fogo revela uma nova energia, a da sabedoria, representada pela espada flamejante da sabedoria transcendente, que corta os dois raios negros das aflições mentais e da dualidade.
Kalu Rinpoche, Luminous Mind: The Way of the Buddha (Mente Luminosa: O Caminho do Buda)
Estou numa fase de domar a mente, seja ela um elefante ou um cavalo. :)

Essa ilustração é a reprodução de um desenho tibetano que representa nove cenas, os nove estágios do caminho de shamatha.
Há dois personagens: o homem, ou sujeito meditante, o observador; e o elefante, que representa sua mente. Para desenvolver shamatha, a mente usa duas ferramentas: a atenção e a recordação. A machadinha afiada representa a acuidade da atenção vigilante, e a corda com um gancho é a lembrança da prática. Visto que muitas distrações interrompem seu estado alerta e vigilante, o meditante deve retornar a ele por meio de lembranças constantes. A vigilância é a acuidade na base da meditação, e a recordação assegura sua continuidade. O estado de shamatha tem dois obstáculos principais: o primeiro é a agitação ou dispersão criada pela fixação em pensamentos e emoções passageiros; o segundo é o torpor ou moleza, a obtusidade mental. O torpor é representado pela cor preta do elefante, e a agitação pelo macaco. O fogo que diminui ao longo do caminho representa a energia da meditação. Conforme avançamos, a prática requer menos e menos esforço. As seis curvas ou voltas no caminho marcam seis platôs sucessivamente dominados pelas seis forças da prática: ouvir as instruções, assimilá-las, lembrar-se delas, vigilância, perseverança e hábito perfeito. Ao lado da estrada há diferentes objetos: um lenço, algumas frutas, uma concha cheia de água perfumada, pequenos címbalos e um espelho, representado os objetos dos sentidos: objetos tangíveis, sabores, odores, sons e formas visuais que distraem o meditante, que se desvia do caminho de shamata ao ir atrás deles.
(1) Na base da ilustração, no primeiro estágio, há uma distância bem grande entre o meditante e sua mente. O elefante da mente é guiado pelo macaco, ou sua agitação. O grande fogo mostra que a meditação requer um monte de energia. Os obstáculos são os piores possíveis; tudo está preto.
(2) No segundo estágio, o meditante chega mais próximo do elefante devido à atenção. O macaco — a agitação — ainda conduz a mente, mas o ritmo diminui. A obtusidade e a agitação diminuem; algum branco infiltra-se no preto do elefante e do macaco.
(3) No terceiro estágio, o meditante não mais caça a sua mente: agora estão cara a cara. O macaco ainda está à frente, mas não conduz mais o elefante. O contato entre o meditante e a mente é estabelecido pela corda da recordação. Ocorre uma forma sutil de obtusidade, representada pelo coelhinho. A escuridão da obtusidade e da agitação diminui.
(4) No quarto estágio, o progresso torna-se mais claro, e o meditante chega ainda mais perto do elefante. A brancura do macaco, do elefante e do coelho aumenta. A cena torna-se mais calma.
(5) No quinto estágio, a situação inverte-se. O meditante conduz o elefante da mente com a atenção e recordação contínuas. O macaco não conduz mais, porém o coelho ainda está lá. A cena adquire ainda mais clareza. Em uma árvore próxima, um macaco branco pega uma fruta branca. Isso representa a atividade da mente de se engajar em ações positivas. Apesar de essas ações normalmente precisarem ser cultivadas, ainda há distrações no contexto da prática de shamata; é por isso que a árvore é preta e está fora do caminho.
(6) No sexto estágio, o progresso está mais definido. O meditante conduz, e a recordação é constante; ele não tem mais que colocar sua atenção na mente. O coelho se foi, e a situação torna-se cada vez mais clara.
(7) No sétimo estágio, a cena torna-se muito pacífica. A caminhada não mais requer direção. A cena torna-se quase que completamente transparente. Umas poucas manchas pretas indicam pontos de dificuldade.(8) No oitavo estágio, o elefante anda domado com o meditante. Não há virtualmente mais nenhum preto, e a chama do esforço desapareceu. A meditação tornou-se natural e contínua.
(9) No nono estágio, mente e meditante estão completamente em repouso. São como velhos amigos acostumados a estar juntos calmamente. Os obstáculos desapareceram, e shamatha é perfeita.
As cenas seguintes, sustentadas pelo raio de luz que emana do coração do meditante, representam a evolução da prática no coração desse estágio de shamatha. A realização de shamatha é caracterizada pela experiência de alegria e radiância, ilustrada pelo meditante voando ou cavalgando sobre as costas do elefante.
A última cena refere-se às práticas combinadas de shamatha e vipashyana. A direção é invertida. Mente e meditação estão unidas; o meditante senta-se escarranchado na mente. O fogo revela uma nova energia, a da sabedoria, representada pela espada flamejante da sabedoria transcendente, que corta os dois raios negros das aflições mentais e da dualidade.
Kalu Rinpoche, Luminous Mind: The Way of the Buddha (Mente Luminosa: O Caminho do Buda)
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
30 de Setembro - Dia do Tradutor
Foi ontem, mas eu estava ocupadíssima - concluindo uma tradução.Eu nem sabia dessa data, mas um amigo mandou e-mail me cumprimentando.
Como tradutora, quero ser como Marpa!!!
Marpa Lotsawa, ou Marpa o Tradutor (1012-1097), foi um dos grandes lamas budistas tibetanos. Visitou a índia várias vezes, e lá recebeu transmissões de ensinamentos de Naropa e Maitripa, entre outros. Foi o sucessor de Naropa, e teve o grande Milarepa como discípulo.Marpa era de uma família abastada, e não seguiu a vida monástica; manteve-se casado e cuidando dos negócios.
Marpa foi fundamental na transmissão do Buddhadharma no Tibete, dedicando-se por muitos anos a traduzir as escrituras budistas do sânscrito para o tibetano.
Assinar:
Postagens (Atom)
