Hohoho, que curioso. Estou há dias pensando em meu blog abandonado, hoje vim aqui. Aí olhei os dois últimos posts e... - ai caramba! - dois meses depois, a situação voltou exatamente ao mesmo ponto. Ou seja, fiquei andando em círculos. Ou nem andei.
Acho que não andei mesmo. Estive empacada. Em tudo. A começar pela corrida, que estava melhorando e logo piorou de novo. Aí ontem fez-se a luz. De novo! :)
Vamos ver se agora vai.
Há uns anos, aprendi que não se pode querer mudar o outro.
Agora, estou aprendendo que não posso permitir que os outros queiram me mudar, que venham pontificar o que é melhor pra mim. Uma coisa é ouvir sugestões - e isso sempre me agrada. Outra coisa é ser intimada, cobrada, coagida. Isso era o que eu fazia antes na vida, afff. Com resultados francamente desastrosos.
Se eu posso aceitar as pessoas como elas são, naturalmente elas podem me aceitar como eu sou.
Credito esse giro da roda do dharma ao meu professor perfeito, meu lama. Assisti uma palestra dele na terça passada, no Cebb, com Regina, minha melhor amiga espiritual. Fui pra lá às 18h, eu e ela jantamos e conversamos até a hora do ensinamento do lama - sobre relacionamentos dentro da visão budista.
Opa! Comecei dizendo que estava empacada, aí engatei um giro da roda da vida. Mas tudo se explica: há dois meses eu estava nessa linha de raciocínio, já tinha a lucidez, mas não evoluí. Agora, no efeito pós-lama, a lucidez aumentou muito e está se transformando em ações mais hábeis.
É o efeito do ensinamento do lama, que coloquei em prática recitando diariamente o que ele sugeriu:
Que eu seja feliz.
Que eu obtenha as causas da felicidade.
Que eu não sofra.
Que eu evite as causas do sofrimento.
Que eu realize a lucidez instantânea.
Que eu desenvolva os meios hábeis para beneficiar todos os seres e que essa prática me sustente.
O lama inicialmente disse para se pedir isso para uma outra pessoa, depois disse que se podia começar por si mesmo. Como a coisa aqui estava embaçadíssima, concluí que ainda não seria muito benéfico pedir por outros. Mas costumo acrescentar:
"Que todos os seres possam obter as mesmas coisas."
sábado, 24 de julho de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Voltando

Não me senti bem na corrida de domingo, mas sinto-me cada vez melhor ao perceber que estou enfim me recuperando. A dor e o cansaço extremos desapareceram. Ainda faço muito esforço, ainda é pesado, mas logo que acaba as sensações de desgaste dissipam-se.Desde março, quando voltei a treinar, uma das sensações que mais me perturba é a percepção de "take it for granted" que eu tinha em relação ao desempenho na corrida. Eu rodava a 4'50'' ou 5' e achava muito natural. Hoje em dia esse é meu tempo run em 10km... Na meia de domingo, comecei em 4'50'' e fechei em 5'30'', acabada. Fiz os 21km em 1h47min. Antes fazia em 1h37min.
Agora, mais do que voltar aos ritmos e tempos que me parecem "naturais", quero voltar à naturalidade com que eu corria.
No começo desta quarta-feira tive um vislumbre desse estado natural. Participei da corrida de 5km do Dia do Desafio, à 0h01min. Foi a primeira corrida em que me senti realmente tranquila e à vontade. Fechei em 22'57'', consegui fazer tudo abaixo de 5'. Muito melhor que o tempo foi a sensação de segurança de que dava para forçar um pouco mais. Correr sem ficar angustiada com a fraqueza e o medo de sofrer.
domingo, 23 de maio de 2010
Fim de semana perfeito
No sábado, dois eventos lindos. O filho do meu primo nasceu, e fomos ao hospital ver o novo membro de nossa minúscula família. Um amigo casou-se, e fomos à igreja assistir a cerimônia. Dois acontecimentos ligados à família e ao amor. :)
Hoje, a Maratona de Porto Alegre. Revezei com Lisiane, nenhuma das duas poderia fazer a prova completa.
A corrida foi um grande sofrimento pra mim, porque fiz exatamente o contrário do que o treinador disse: fiquei me atormentando e me cobrando por não correr como corria antes da sucessão de doenças e infortúnios que se manifestaram desde o início de 2009. Mas, passado o sufoco da corrida, as coisas que ele disse começaram a ser assimiladas: eu não fui pra competir, fui só pra fazer, eu nem treinei pra fazer a prova. E o resultado foi bem bom dada minha atual condição. Ok. Mas continuo não gostando de ralar tanto pra correr tão pouco.
Entretanto, gostei de várias coisas. Do lindo dia de sol, apesar do vento e da umidade. Adorei rever dezenas de rostos queridos, de desejar força e sucesso pra montes de maratonistas em meu trajeto até o posto de revezamento. De ver os amigos completando a maratona!!!
E amei, amei ficar sentada na grama com minhas amigas, aguardando a premiação. Voltei pro meu mundo, do qual estive afastada por muito tempo.
Para encerrar, almoço comemorativo com o pessoal do União, mais pessoas que me são muito queridas e que fazem parte do meu pequeno mundo social.

Hoje, a Maratona de Porto Alegre. Revezei com Lisiane, nenhuma das duas poderia fazer a prova completa.
A corrida foi um grande sofrimento pra mim, porque fiz exatamente o contrário do que o treinador disse: fiquei me atormentando e me cobrando por não correr como corria antes da sucessão de doenças e infortúnios que se manifestaram desde o início de 2009. Mas, passado o sufoco da corrida, as coisas que ele disse começaram a ser assimiladas: eu não fui pra competir, fui só pra fazer, eu nem treinei pra fazer a prova. E o resultado foi bem bom dada minha atual condição. Ok. Mas continuo não gostando de ralar tanto pra correr tão pouco.
Entretanto, gostei de várias coisas. Do lindo dia de sol, apesar do vento e da umidade. Adorei rever dezenas de rostos queridos, de desejar força e sucesso pra montes de maratonistas em meu trajeto até o posto de revezamento. De ver os amigos completando a maratona!!!
Para encerrar, almoço comemorativo com o pessoal do União, mais pessoas que me são muito queridas e que fazem parte do meu pequeno mundo social.
Faz-me rir, Juvenal
Se você acha que uma pessoa não tem o perfil que você procura, se você conclui que ela não é o que você achava que fosse, não é mais fácil simplesmente fazer a fila andar do que ficar pontificando: "Sabe qual é o seu problema? Blá-blá-blá...", e dizendo que os problemas que VOCÊ vê são dela?
Essa mania de cobrar do outro, de querer que o outro mude para satisfazer expectativas pessoais é um porre. Especialmente porque costuma vir acompanhada de autoindulgência e intransigência. Afinal, os meus defeitos não são assim tãããão graves (isso quando eu tenho algum defeito, é claro...) e, como eu os reconheço, tá ótimo, não preciso mudar, quem tem que mudar é o outro. O outro tem que mudar. O outro tem que entender meu ponto de vista e concordar com ele e reconhecer que ele é que faz tudo errado. O outro tem que ser outra... pessoa.
Quando se sabe tão bem o que se quer, quando se tem exigências muito específicas de perfil, me parece bem mais lógico ir atrás de alguém que preencha os requisitos do que tentar socar à força um ser defeituoso dentro desse perfil.
Se bem que é claro que pode ser um pouco difícil encontrar a pessoa perfeita, hahaha!
Essa mania de cobrar do outro, de querer que o outro mude para satisfazer expectativas pessoais é um porre. Especialmente porque costuma vir acompanhada de autoindulgência e intransigência. Afinal, os meus defeitos não são assim tãããão graves (isso quando eu tenho algum defeito, é claro...) e, como eu os reconheço, tá ótimo, não preciso mudar, quem tem que mudar é o outro. O outro tem que mudar. O outro tem que entender meu ponto de vista e concordar com ele e reconhecer que ele é que faz tudo errado. O outro tem que ser outra... pessoa.
Quando se sabe tão bem o que se quer, quando se tem exigências muito específicas de perfil, me parece bem mais lógico ir atrás de alguém que preencha os requisitos do que tentar socar à força um ser defeituoso dentro desse perfil.
Se bem que é claro que pode ser um pouco difícil encontrar a pessoa perfeita, hahaha!
terça-feira, 13 de abril de 2010
Monge Gabriel
Conheci Gabriel no Cebb, ele era um garoto lindo, com uma coisa especial que despertava a vontade de estar perto dele. Já tive o privilégio de ouvir ensinamentos dele, e de fazer um retiro conduzido por ele.
Monge Gabriel ensina de modo muito semelhante ao lama Padma Samten, e isso me encanta.
Monge Gabriel ensina de modo muito semelhante ao lama Padma Samten, e isso me encanta.
sábado, 10 de abril de 2010
Aprendizado
Com certeza é do que eu preciso. E é o que eu mereço. Neste momento.
Mas definitivamente não é o que eu quero, tampouco o que eu acho que preciso. Há anos.
Como eu acredito no karma, fico pensando: bem, tenho que aprender logo o que essa experiência tem a ensinar pra não ficar tempo demais na mesma ou, pior ainda, ter que repetir mais adiante.
A dúvida é: o que eu tenho que aprender?
Quando eu olho pra isso muito de perto, no alcance do umbigo, existem várias possibilidades: paciência, aceitação, amor incondicional ou desapego, no sentido de desapegar não porque seja complicado, mas porque simplesmente não é viável. E aprender de uma vez por todas a buscar o que eu quero e o que eu acho necessário, já que, fazendo isso, com certeza será também o que eu mereço.
Mas, quando olho como agora, com uma mente menos tumultuada, parece que o aprendizado é sempre o mesmo: no fundo nada faz a menor diferença, porque tudo é vacuidade. É um tanto-faz, mas não de disciplicência, é um tanto-faz de equanimidade. Aí eu consigo respirar fundo, cheia de espaço interno, e expirar num longo suspiro gostoso. Porque, no fim das contas, tudo está perfeito neste momento.
Mas definitivamente não é o que eu quero, tampouco o que eu acho que preciso. Há anos.
Como eu acredito no karma, fico pensando: bem, tenho que aprender logo o que essa experiência tem a ensinar pra não ficar tempo demais na mesma ou, pior ainda, ter que repetir mais adiante.
A dúvida é: o que eu tenho que aprender?
Quando eu olho pra isso muito de perto, no alcance do umbigo, existem várias possibilidades: paciência, aceitação, amor incondicional ou desapego, no sentido de desapegar não porque seja complicado, mas porque simplesmente não é viável. E aprender de uma vez por todas a buscar o que eu quero e o que eu acho necessário, já que, fazendo isso, com certeza será também o que eu mereço.
Mas, quando olho como agora, com uma mente menos tumultuada, parece que o aprendizado é sempre o mesmo: no fundo nada faz a menor diferença, porque tudo é vacuidade. É um tanto-faz, mas não de disciplicência, é um tanto-faz de equanimidade. Aí eu consigo respirar fundo, cheia de espaço interno, e expirar num longo suspiro gostoso. Porque, no fim das contas, tudo está perfeito neste momento.
sábado, 27 de março de 2010
A for Absolute
Saí pra correr hoje. Meu iPod só tem música árabe. Lá pelas tantas, toca Zay El Hawa, na versão de Sami Nossair Orchestra. Uau! Estava me estrebuchando na Redenção, e fiquei mais sem fôlego ainda cantarolando: "Zay el hawa ya habibi, zay el hawa, We ah mel hawa, ya habibi, ah mel hawa."
"A" de apaixonada por Abdel Halim Hafez.
"A" de apaixonada por Abdel Halim Hafez.
quarta-feira, 24 de março de 2010
De novo!
Quanto mais ouço, mais gosto.
E hoje enfim descolei a letra.
أنا كل ما اقول التوبه
Ana kol ma agol Eltoba
أنا كل ما قول التوبه يا بوي ترميني المقادير يا عين
Ana kol ma agol Eltoba ya boia / Terminy El magader ya'een
Every time I say never again, oh my father
Fate throws me back, oh my eyes
وحشاني عيونه السودة يابوي ومدوبني الحنين يا عين
Washany oiono Elsoda ya boia / we medawebny El anin ya'een
I miss his black eyes, oh my father
I'm melting for longing, oh my eyes
متغرب والليالي يا بوي مش سايباني في حالي يا عين
Metgarab we El laialy ya boia / mosh saibany fi aly ya'een
Being away, the nights, oh my father
don't leave me alone, oh my eyes
والرمش اللي مجرحني يا بوي ضيعني وأنا كان مالي يا عين
we Elremsh Elly megarany ya boia / daiany we ana kan maly ya'een
يا رموش قتاله وجارحه يا بوي وعيون نيمانة وسارحة ياعين
Ya romosh atala we gara ya boia / we oion naimana we sara ya'een
Her eyelashes kill and hurt, oh my father
and my eyes are lost in dreaming, oh my eyes
أديكي عمري بحاله يا بوي واديني انتي الفرحة ياعين
Adeky omry bealo ya boia , we ediny enty Elfara ya'een
I give you all my life, oh my father
and you give me happiness, oh my eyes
القلب الأخضراني يا بوي
El alb Alakhdarany ya boia
دبلت فيه الأماني يا عين
Deblet feh Elamany ya'een
ولا قادر طول غيبتكوا يا بوي
Wa la ader tol gebetko ya boia
And as long as you are away, oh my father
يشرب من بحر تاني يا عين
Yeshrab men bar tany ya'een
I can't drink from another sea, oh my eyes
E hoje enfim descolei a letra.
أنا كل ما اقول التوبه
Ana kol ma agol Eltoba
أنا كل ما قول التوبه يا بوي ترميني المقادير يا عين
Ana kol ma agol Eltoba ya boia / Terminy El magader ya'een
Every time I say never again, oh my father
Fate throws me back, oh my eyes
وحشاني عيونه السودة يابوي ومدوبني الحنين يا عين
Washany oiono Elsoda ya boia / we medawebny El anin ya'een
I miss his black eyes, oh my father
I'm melting for longing, oh my eyes
متغرب والليالي يا بوي مش سايباني في حالي يا عين
Metgarab we El laialy ya boia / mosh saibany fi aly ya'een
Being away, the nights, oh my father
don't leave me alone, oh my eyes
والرمش اللي مجرحني يا بوي ضيعني وأنا كان مالي يا عين
we Elremsh Elly megarany ya boia / daiany we ana kan maly ya'een
يا رموش قتاله وجارحه يا بوي وعيون نيمانة وسارحة ياعين
Ya romosh atala we gara ya boia / we oion naimana we sara ya'een
Her eyelashes kill and hurt, oh my father
and my eyes are lost in dreaming, oh my eyes
أديكي عمري بحاله يا بوي واديني انتي الفرحة ياعين
Adeky omry bealo ya boia , we ediny enty Elfara ya'een
I give you all my life, oh my father
and you give me happiness, oh my eyes
القلب الأخضراني يا بوي
El alb Alakhdarany ya boia
دبلت فيه الأماني يا عين
Deblet feh Elamany ya'een
ولا قادر طول غيبتكوا يا بوي
Wa la ader tol gebetko ya boia
And as long as you are away, oh my father
يشرب من بحر تاني يا عين
Yeshrab men bar tany ya'een
I can't drink from another sea, oh my eyes
domingo, 14 de março de 2010
Perfil de corredora
Isso aqui faz parte de um questionário que respondi para uma pesquisa sobre um produto ligado a corrida.
O que significa correr pra você?
Corrida pra mim uma atividade física e uma atitude mental. É bem mais que um passatempo, eu dedico tempo, energia e empenho. Eu me dedico, levo a sério. E ao mesmo tempo é lúdico, é uma brincadeira. Eu corro basicamente porque gosto. Adoro me esbaldar!
Correr faz bem pro meu corpo e pra minha mente.
Na sua opinião, correr é individual ou coletivo?
Ambos. Corro sozinha na maioria das vezes, e é um momento de introspecção. Ouço música, fico atenta ao trânsito, mas fico voltada pra mim, observando o desempenho do meu corpo. E pensando muito, em todo tipo de coisa.
Mas adoro correr com amigos também. Às vezes nem corremos juntos no mesmo pace, mas corremos no mesmo local, cada um no seu tempo. Aí passamos uns pelos outros e é bom também.
Até nas competições rola uma aproximação, um contato visual, ou um aceno, ou mesmo uma saudação ou grito de incentivo, tanto entre amigos quanto com estranhos. Isso acontece direto na maratona, as pessoas se ajudam. É maravilhoso quando acontece.
Quais suas maiores referências dentro deste esporte em Porto Alegre e no Brasil?
Só tenho referências muito, muito pessoais, de meus amigos corredores. Conheço corredores de todos os tipos: atletas, homens, mulheres, jovens, meia-idade que nem eu, idosos. Admiro vários deles pela forma como treinam, me espelho na garra deles. Tem uns que correm muito, outros correm pouquinho, mas todos esses que eu admiro me encantam pela forma como encaram a corrida. Como eu, eles correm porque gostam, porque acham bom correr. Eles dão o melhor de si.
Você acha que existem diferentes tipos de praticantes do esporte? Qual perfil você seria?
Lógico que existem vários grupos de corredores. Creio que dá pra separar basicamente entre atletas, o pessoal que treina pra competir; e amadores, como eu, que treinam porque gostam de correr. Entre os amadores, muitos, como eu, também competem regularmente. Eu sou uma amadora, mas com condicionamento de atleta. Sou um híbrido, hahaha! Somos muitos dessa espécie, aliás. Somos corredores disfarçados de tradutores (eu!), dentistas, advogados, professores, juízes, empresários, militares, médicos, secretárias, bancários, motoristas, carteiros, somos de tudo, estamos por toda parte. Não vivemos da corrida, não é a nossa profissão, mas somos corredores de alma, de coração e mente.
Tem também aquele pessoal que só dá uma corridinha pra manter a saúde e/ou tentar manter o peso, que corre meio que na marra. Mas imagino que esses não se vejam como corredores.
Corredor é qualquer um que corre porque gosta de correr. Mesmo que em termos de desempenho seja uma lesma. Isso é irrelevante. A pessoa coloca o tênis e se puxa, faz o seu máximo e curte isso.
Há quanto tempo você corre? E por que começou a correr?
Comecei a correr com uns 18 anos de idade por motivos estéticos, pra manter a forma. Simplesmente me deu vontade e fui.
Como foi o início da prática? Quem lhe motivou a correr? E como você se informou?
Coloquei o tênis (que certamente não era de corrida naquelas priscas eras) e fui dar voltinhas no Parcão. Não me informei com ninguém, não conhecia ninguém que corresse. Não tinha quase ninguém correndo em Porto Alegre naquele tempo. Ficava todo mundo olhando eu passar, como se fosse coisa muito inusitada correr.
Desde que comecei a correr, nunca abandonei. Desde os 18 anos eu pratico corrida e musculação de forma constante. Eu amo atividade física.
Mas nunca corri a sério antes de 2006, quando entrei num grupo de corrida e conheci minha grande amiga Filó Menin. Foi ela que me pôs a pilha de correr a sério. Eu nem sabia que se podia treinar corrida, nem sabia da existência do circuito de corridas de rua. Fui com ela na minha primeira rústica do Corpa em setembro de 2006. E depois fui com ela treinar no Cete em outubro de 2006, com um treinador. E a corrida adquiriu outro sentido e dimensão pra mim. Filó é minha madrinha na corrida.
Qual a sua maior motivação e seu maior objetivo?
Minha maior motivação é a percepção do quanto a corrida me faz bem mental e fisicamente.
Meu maior objetivo é ser uma velha coroca maratonista, hahaha! Quero chegar à velhice correndo. Quero manter a disposição, a vitalidade, o corpo em forma, funcionando bem.
Quantos dias por semana você corre?
Atualmente, estou correndo apenas 5 vezes por semana. Em breve voltarei a correr 6 vezes.
Quais os lugares onde corre?
Corro por tudo. Basicamente fico no Parcão quando vou trotar leve (40min a 50min) e na Redenção e Gasômetro quando vou rodar um volume médio (de 10km a 15km). Mas eu faço muita rua sempre, porque vou pra esses locais já correndo e volto correndo. Corro muito pela Goethe, Vasco da Gama, Sarmento Leite, aquela perimetral até o Gasômetro, toda a Beira-Rio até a Tristeza, Ipiranga. Meus trajetos habituais ficam nesse circuito. Às vezes faço toda a Nilo e o Parque Germânia, mas odeio por causa das lombas, hehehe. Mas tem que treinar lomba.
Desde que começou a correr houve momentos em que você parou? Por quê?
Ah, entre os 18 e 41 anos parava por preguiça às vezes. Porque enchia o saco.
Desde 2006 só parei por lesão ou problema de saúde. O ano de 2009 foi terrível, eu fiquei muitos e muitos dias sem correr, porque tive uma série de doenças e enfraqueci demais. Agora é que estou voltando a treinar direito.
Para você, correr está mais ligado a superação ou a entretenimento?
A superação é meu entretenimento na corrida. O que me dá prazer é ir lá e fazer o treino, cumprir a planilha. Melhorar meu desempenho e meus tempos. Eu me divirto me esbaldando.
Ser um corredor implica em participar de eventos?
Não.
O que significa correr pra você?
Corrida pra mim uma atividade física e uma atitude mental. É bem mais que um passatempo, eu dedico tempo, energia e empenho. Eu me dedico, levo a sério. E ao mesmo tempo é lúdico, é uma brincadeira. Eu corro basicamente porque gosto. Adoro me esbaldar!
Correr faz bem pro meu corpo e pra minha mente.
Na sua opinião, correr é individual ou coletivo?
Ambos. Corro sozinha na maioria das vezes, e é um momento de introspecção. Ouço música, fico atenta ao trânsito, mas fico voltada pra mim, observando o desempenho do meu corpo. E pensando muito, em todo tipo de coisa.
Mas adoro correr com amigos também. Às vezes nem corremos juntos no mesmo pace, mas corremos no mesmo local, cada um no seu tempo. Aí passamos uns pelos outros e é bom também.
Até nas competições rola uma aproximação, um contato visual, ou um aceno, ou mesmo uma saudação ou grito de incentivo, tanto entre amigos quanto com estranhos. Isso acontece direto na maratona, as pessoas se ajudam. É maravilhoso quando acontece.
Quais suas maiores referências dentro deste esporte em Porto Alegre e no Brasil?
Só tenho referências muito, muito pessoais, de meus amigos corredores. Conheço corredores de todos os tipos: atletas, homens, mulheres, jovens, meia-idade que nem eu, idosos. Admiro vários deles pela forma como treinam, me espelho na garra deles. Tem uns que correm muito, outros correm pouquinho, mas todos esses que eu admiro me encantam pela forma como encaram a corrida. Como eu, eles correm porque gostam, porque acham bom correr. Eles dão o melhor de si.
Você acha que existem diferentes tipos de praticantes do esporte? Qual perfil você seria?
Lógico que existem vários grupos de corredores. Creio que dá pra separar basicamente entre atletas, o pessoal que treina pra competir; e amadores, como eu, que treinam porque gostam de correr. Entre os amadores, muitos, como eu, também competem regularmente. Eu sou uma amadora, mas com condicionamento de atleta. Sou um híbrido, hahaha! Somos muitos dessa espécie, aliás. Somos corredores disfarçados de tradutores (eu!), dentistas, advogados, professores, juízes, empresários, militares, médicos, secretárias, bancários, motoristas, carteiros, somos de tudo, estamos por toda parte. Não vivemos da corrida, não é a nossa profissão, mas somos corredores de alma, de coração e mente.
Tem também aquele pessoal que só dá uma corridinha pra manter a saúde e/ou tentar manter o peso, que corre meio que na marra. Mas imagino que esses não se vejam como corredores.
Corredor é qualquer um que corre porque gosta de correr. Mesmo que em termos de desempenho seja uma lesma. Isso é irrelevante. A pessoa coloca o tênis e se puxa, faz o seu máximo e curte isso.
Há quanto tempo você corre? E por que começou a correr?
Comecei a correr com uns 18 anos de idade por motivos estéticos, pra manter a forma. Simplesmente me deu vontade e fui.
Como foi o início da prática? Quem lhe motivou a correr? E como você se informou?
Coloquei o tênis (que certamente não era de corrida naquelas priscas eras) e fui dar voltinhas no Parcão. Não me informei com ninguém, não conhecia ninguém que corresse. Não tinha quase ninguém correndo em Porto Alegre naquele tempo. Ficava todo mundo olhando eu passar, como se fosse coisa muito inusitada correr.
Desde que comecei a correr, nunca abandonei. Desde os 18 anos eu pratico corrida e musculação de forma constante. Eu amo atividade física.
Mas nunca corri a sério antes de 2006, quando entrei num grupo de corrida e conheci minha grande amiga Filó Menin. Foi ela que me pôs a pilha de correr a sério. Eu nem sabia que se podia treinar corrida, nem sabia da existência do circuito de corridas de rua. Fui com ela na minha primeira rústica do Corpa em setembro de 2006. E depois fui com ela treinar no Cete em outubro de 2006, com um treinador. E a corrida adquiriu outro sentido e dimensão pra mim. Filó é minha madrinha na corrida.
Qual a sua maior motivação e seu maior objetivo?
Minha maior motivação é a percepção do quanto a corrida me faz bem mental e fisicamente.
Meu maior objetivo é ser uma velha coroca maratonista, hahaha! Quero chegar à velhice correndo. Quero manter a disposição, a vitalidade, o corpo em forma, funcionando bem.
Quantos dias por semana você corre?
Atualmente, estou correndo apenas 5 vezes por semana. Em breve voltarei a correr 6 vezes.
Quais os lugares onde corre?
Corro por tudo. Basicamente fico no Parcão quando vou trotar leve (40min a 50min) e na Redenção e Gasômetro quando vou rodar um volume médio (de 10km a 15km). Mas eu faço muita rua sempre, porque vou pra esses locais já correndo e volto correndo. Corro muito pela Goethe, Vasco da Gama, Sarmento Leite, aquela perimetral até o Gasômetro, toda a Beira-Rio até a Tristeza, Ipiranga. Meus trajetos habituais ficam nesse circuito. Às vezes faço toda a Nilo e o Parque Germânia, mas odeio por causa das lombas, hehehe. Mas tem que treinar lomba.
Desde que começou a correr houve momentos em que você parou? Por quê?
Ah, entre os 18 e 41 anos parava por preguiça às vezes. Porque enchia o saco.
Desde 2006 só parei por lesão ou problema de saúde. O ano de 2009 foi terrível, eu fiquei muitos e muitos dias sem correr, porque tive uma série de doenças e enfraqueci demais. Agora é que estou voltando a treinar direito.
Para você, correr está mais ligado a superação ou a entretenimento?
A superação é meu entretenimento na corrida. O que me dá prazer é ir lá e fazer o treino, cumprir a planilha. Melhorar meu desempenho e meus tempos. Eu me divirto me esbaldando.
Ser um corredor implica em participar de eventos?
Não.
sábado, 13 de março de 2010
Voltando a fluir
A roda de minha vida concluiu um giro nesta semana. Foi como ajustar o foco da visão, ou ver nitidamente um novo padrão no caleidoscópio, os pedacinhos coloridos se arranjaram em nova e linda formação.
O trabalho e o treinamento, as duas coisas mais importantes da minha vida "civil" - a família e a espiritualidade não contam, porque envolvem muito mais que "eu" - voltaram a andar em frente. O movimento começou na metade de fevereiro, depois de um 2009 desastroso e um início de 2010 totalmente inauspicioso.
O trabalho vinha mal há anos. Pelo que me lembro desde 2005. Jamais me faltou trabalho, e sempre tive o bom karma de só traduzir bons livros, que me interessam por um motivo ou outro. Mas me faltava tesão pra trabalhar. Eu simplesmente não tinha vontade. Não era preguiça, era um desânimo, um cansaço anormal. Como me disse uma pessoa com um insight incrível: "Você sentava pra trabalhar, olhava pro livro e parecia que ele estava em grego." Era bem isso. Levava horas pra traduzir umas poucas linhas, tudo me dispersava. O horror, o horror. Gastava uma quantidade absurda de energia. Claro que não conseguia ter prazer no trabalho, embora tenha continuado amando o que faço mesmo nessa fase negra.
Isso mudou dias antes de meu último tombo. Eu já vinha trabalhando bem, estava engrenando - e mal podia acreditar. Aí, quando voltei do hospital suturada, fez-se a clara luz: "Agora chega, cansei disso tudo. Essa fase acaba aqui." E acabou mesmo.
E voltei a ter um prazer enorme em traduzir. Eu sento pra trabalhar, e a coisa acontece. O ritmo agora é outro. A paisagem mental é radiante!
No treino aconteceu a mesma mudança de paisagem. Quando levantei depois daquela queda, vi meu joelho rasgado e fiquei segurando a borda dilacerada no lugar, concluí: "É isso, então. Agora não falta mais nada." O tombo foi o fechamento com chave de ouro da fase da uruca.
Voltei a treinar há três semanas. Não está sendo como o trabalho. Ainda me sinto pesada, fraca, sem ritmo, termino os treinos de língua de fora - trotes de 40min, 45min, 50min, no máximo 60min a pau e corda... É tudo bem difícil, e eu ainda não me sinto plenamente à vontade: tenho medo de cair, tenho medo de estourar as hérnias de disco (elas andam se manifestando, não me deixam esquecer que existem), tenho pavor só de pensar no sofrimento que foram as corridas da metade de 2009 em diante, aquela sensação de simplesmente não conseguir fazer... Mas estou seguindo minhas planilhas à risca. E os medos estão se dissipando, e eu consigo sentir prazer pelo menos quando termino, a sensação de dever cumprido, um pequeno desafio vencido. Está sendo um dia depois do outro mesmo.
Não sei se vou conseguir voltar a correr como antes. Se vou ter vontade de competir, se vou ter condições de fazer outras maratonas. Isso me causa uma certa angústia, mas esta se desfaz diante do que realmente importa: voltar a ter prazer com a corrida, durante a corrida.
A retomada das aulas de dança me fez um bem enorme. E nesta semana voltei a fazer musculação. Como na corrida, estou fazendo pouco e cansando muito. Mas ali já existe o prazer. Embora hoje eu esteja manca depois do treino de coxa de ontem.
O trabalho e o treinamento, as duas coisas mais importantes da minha vida "civil" - a família e a espiritualidade não contam, porque envolvem muito mais que "eu" - voltaram a andar em frente. O movimento começou na metade de fevereiro, depois de um 2009 desastroso e um início de 2010 totalmente inauspicioso.O trabalho vinha mal há anos. Pelo que me lembro desde 2005. Jamais me faltou trabalho, e sempre tive o bom karma de só traduzir bons livros, que me interessam por um motivo ou outro. Mas me faltava tesão pra trabalhar. Eu simplesmente não tinha vontade. Não era preguiça, era um desânimo, um cansaço anormal. Como me disse uma pessoa com um insight incrível: "Você sentava pra trabalhar, olhava pro livro e parecia que ele estava em grego." Era bem isso. Levava horas pra traduzir umas poucas linhas, tudo me dispersava. O horror, o horror. Gastava uma quantidade absurda de energia. Claro que não conseguia ter prazer no trabalho, embora tenha continuado amando o que faço mesmo nessa fase negra.
Isso mudou dias antes de meu último tombo. Eu já vinha trabalhando bem, estava engrenando - e mal podia acreditar. Aí, quando voltei do hospital suturada, fez-se a clara luz: "Agora chega, cansei disso tudo. Essa fase acaba aqui." E acabou mesmo.
E voltei a ter um prazer enorme em traduzir. Eu sento pra trabalhar, e a coisa acontece. O ritmo agora é outro. A paisagem mental é radiante!
No treino aconteceu a mesma mudança de paisagem. Quando levantei depois daquela queda, vi meu joelho rasgado e fiquei segurando a borda dilacerada no lugar, concluí: "É isso, então. Agora não falta mais nada." O tombo foi o fechamento com chave de ouro da fase da uruca.
Voltei a treinar há três semanas. Não está sendo como o trabalho. Ainda me sinto pesada, fraca, sem ritmo, termino os treinos de língua de fora - trotes de 40min, 45min, 50min, no máximo 60min a pau e corda... É tudo bem difícil, e eu ainda não me sinto plenamente à vontade: tenho medo de cair, tenho medo de estourar as hérnias de disco (elas andam se manifestando, não me deixam esquecer que existem), tenho pavor só de pensar no sofrimento que foram as corridas da metade de 2009 em diante, aquela sensação de simplesmente não conseguir fazer... Mas estou seguindo minhas planilhas à risca. E os medos estão se dissipando, e eu consigo sentir prazer pelo menos quando termino, a sensação de dever cumprido, um pequeno desafio vencido. Está sendo um dia depois do outro mesmo.
Não sei se vou conseguir voltar a correr como antes. Se vou ter vontade de competir, se vou ter condições de fazer outras maratonas. Isso me causa uma certa angústia, mas esta se desfaz diante do que realmente importa: voltar a ter prazer com a corrida, durante a corrida.
A retomada das aulas de dança me fez um bem enorme. E nesta semana voltei a fazer musculação. Como na corrida, estou fazendo pouco e cansando muito. Mas ali já existe o prazer. Embora hoje eu esteja manca depois do treino de coxa de ontem.
Fim da linha
Não sei por que, lembrei dessa letra do U2 hoje.
See the stone set in your eyes
See the thorn twist in your side.
I wait for you.
Sleight of hand and twist of fate
On a bed of nails she makes me wait
And I wait without you
With or without you
With or without you.
Through the storm, we reach the shore
You gave it all but I want more
And I'm waiting for you
With or without you
With or without you.
I can't live with or without you.
And you give yourself away
And you give yourself away
And you give, and you give
And you give yourself away.
My hands are tied, my body bruised
She´s got me with nothing to win
And nothing left to lose.
And you give yourself away
And you give yourself away
And you give, and you give
And you give yourself away.
With or without you
With or without you
I can't live
With or without you.
See the stone set in your eyes
See the thorn twist in your side.
I wait for you.
Sleight of hand and twist of fate
On a bed of nails she makes me wait
And I wait without you
With or without you
With or without you.
Through the storm, we reach the shore
You gave it all but I want more
And I'm waiting for you
With or without you
With or without you.
I can't live with or without you.
And you give yourself away
And you give yourself away
And you give, and you give
And you give yourself away.
My hands are tied, my body bruised
She´s got me with nothing to win
And nothing left to lose.
And you give yourself away
And you give yourself away
And you give, and you give
And you give yourself away.
With or without you
With or without you
I can't live
With or without you.
terça-feira, 2 de março de 2010
Deixa quieto
Tem gente que gosta de viver perigosamente. Eu que me conheço não gosto mais. Bem, poderia dizer o contrário: talvez não goste porque não me conheço o suficiente.
How far can one go once the hell breaks lose? Wicked mind. Vicious behavior. Bad karma. How low can one get?
"If a man is considered guilty for what goes on in his mind, then give me the electric chair for all my future crimes."
Existem fronteiras que não se deve romper. Fronteiras das quais não se deve sequer chegar perto. Porque é como entrar na órbita de um planeta, de um buraco negro. Lei da gravidade. Poder de atração. Magnetismo.
Quanto mais luz, mais sombra. O melhor de um lado, o pior do outro. Quanto mais o melhor se aprimora, mais as possibilidades do pior se expandem. Reciprocidade e equilíbrio da natureza condicionada pela mente dual.
How far can one go once the hell breaks lose? Wicked mind. Vicious behavior. Bad karma. How low can one get?
"If a man is considered guilty for what goes on in his mind, then give me the electric chair for all my future crimes."
Existem fronteiras que não se deve romper. Fronteiras das quais não se deve sequer chegar perto. Porque é como entrar na órbita de um planeta, de um buraco negro. Lei da gravidade. Poder de atração. Magnetismo.Quanto mais luz, mais sombra. O melhor de um lado, o pior do outro. Quanto mais o melhor se aprimora, mais as possibilidades do pior se expandem. Reciprocidade e equilíbrio da natureza condicionada pela mente dual.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
???
Às vezes o que se quer não é o que se precisa. Menos ainda o que se pode ter.
Antes de avançar para esse aspecto mais etéreo, preciso definir o que eu realmente quero agora. E o que eu preciso. E o que eu posso ter.
No genérico, como todos os seres, quero ser feliz e evitar o sofrimento. Mas não sei como obter um e evitar o outro neste momento.
Embaçamento.
Antes de avançar para esse aspecto mais etéreo, preciso definir o que eu realmente quero agora. E o que eu preciso. E o que eu posso ter.
No genérico, como todos os seres, quero ser feliz e evitar o sofrimento. Mas não sei como obter um e evitar o outro neste momento.
Embaçamento.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Assim e assado
Jamais deixo de me espantar com o hábito de se valorizar as pessoas quando elas não estão por perto. Quando estão do lado, parecem enfadonhas, o convívio tem um ar de mesmice, de monotonia, até mesmo de franca chatice, encheção de saco. Aí, quando a pessoa não está junto, transforma-se em alguém interessante, cativante, aquele convívio que antes parecia tão sem graça reveste-se de encanto.
Pior é quando só se dá valor pra uma pessoa depois que ela saiu de nossa vida.
Pior é quando só se dá valor pra uma pessoa depois que ela saiu de nossa vida.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Megatombo
Havia corrido pela última vez em meados de janeiro. Não tive mais vontade, nem tempo.
Hoje saí pra trotar com meu treinador por uma hora, era pra ser um estímulo pra retomada. E realmente me animei, estou sentindo falta da atividade física, sempre tão presente em minha rotina.
Cinco minutos depois de sair de casa, caí. Curiosamente, foi o tombo menos dolorido de todos. Achei que nem tivesse me esfolado muito. Mas rasguei o joelho esquerdo numa pedra solta numa calçada da Nilo Peçanha. Caí exatamente em cima da aresta da pedra, um corte largo e fundo, que expôs todos os tecidos moles. Eu nunca tinha visto um corte assim - nem quero ver de novo.
Recolhida e rebocada pelo namorido direto pro hospital, pra levar oito pontos. Nessa situação, tive a felicidade de ser atendida por um cirurgião corredor, com 16 maratonas no currículo - e que há um mês completou o Desafio do Pateta na Disney, correndo a meia-maratona no sábado e a maratona no domingo. Enquanto ele me suturava, ficamos conversando sobre corridas. E eu fiquei numa boa, entretida, sem me enervar com o que estava acontecendo.
Continuo assim: calma, zero aflição. Isso, como tudo, vai passar.
A prática budista realmente funciona. :) Mesmo uma prática tão pobre quanto a minha. Meu núcleo de felicidade e tranquilidade mantém-se inabalado em meio à onda de infortúnios recentes.
Bem, além do budismo, é possível que essa estabilidade seja alimentada pelo convívio com uma pessoa que me faz basicamente feliz. E que eu amo e admiro, entre muitas coisas, pela estabilidade e dignidade com que encara situações muito difíceis.
Hoje saí pra trotar com meu treinador por uma hora, era pra ser um estímulo pra retomada. E realmente me animei, estou sentindo falta da atividade física, sempre tão presente em minha rotina.
Cinco minutos depois de sair de casa, caí. Curiosamente, foi o tombo menos dolorido de todos. Achei que nem tivesse me esfolado muito. Mas rasguei o joelho esquerdo numa pedra solta numa calçada da Nilo Peçanha. Caí exatamente em cima da aresta da pedra, um corte largo e fundo, que expôs todos os tecidos moles. Eu nunca tinha visto um corte assim - nem quero ver de novo.
Recolhida e rebocada pelo namorido direto pro hospital, pra levar oito pontos. Nessa situação, tive a felicidade de ser atendida por um cirurgião corredor, com 16 maratonas no currículo - e que há um mês completou o Desafio do Pateta na Disney, correndo a meia-maratona no sábado e a maratona no domingo. Enquanto ele me suturava, ficamos conversando sobre corridas. E eu fiquei numa boa, entretida, sem me enervar com o que estava acontecendo.
Continuo assim: calma, zero aflição. Isso, como tudo, vai passar.
A prática budista realmente funciona. :) Mesmo uma prática tão pobre quanto a minha. Meu núcleo de felicidade e tranquilidade mantém-se inabalado em meio à onda de infortúnios recentes.
Bem, além do budismo, é possível que essa estabilidade seja alimentada pelo convívio com uma pessoa que me faz basicamente feliz. E que eu amo e admiro, entre muitas coisas, pela estabilidade e dignidade com que encara situações muito difíceis.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Hard times
Hoje estou desconfortável dentro de minha pele. Falta alguma coisa. Falta espaço interno. Estou apertada em meio às carências, expectativas frustradas, falta de perspectivas, cansaço e um trabalho enorme do qual preciso dar conta. Aí bate o desânimo e a sensação de solidão.
Hora de parar, respirar, relaxar e olhar pra isso. Sensações fugazes, muito fáceis de dissipar.
No atacado, é só recordar que não passam de frutos do apego, do binômio desejo/aversão.
No varejo, posso reduzir o desconforto terminando o trabalho o quanto antes para reorganizar a rotina de modo mais saudável e prazeroso. Preciso retomar a prática budista, a prática esportiva e, acima de tudo, preciso reajustar o foco e decidir se quero mesmo manter a rota em que estou.
Marzinho agitado e enjoado esse de hoje.
Hora de parar, respirar, relaxar e olhar pra isso. Sensações fugazes, muito fáceis de dissipar.
No atacado, é só recordar que não passam de frutos do apego, do binômio desejo/aversão.
No varejo, posso reduzir o desconforto terminando o trabalho o quanto antes para reorganizar a rotina de modo mais saudável e prazeroso. Preciso retomar a prática budista, a prática esportiva e, acima de tudo, preciso reajustar o foco e decidir se quero mesmo manter a rota em que estou.
Marzinho agitado e enjoado esse de hoje.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Ondulação
Para tudo a alegoria do mar e das ondas. Sempre.Entrou o swell, as ondas vieram em sequência. Algumas foram surfadas, outras foram ultrapassadas remando forte. Uma delas estourou em cima da cabeça, deu um caldo, uma sessão de máquina de lavar.
Felizmente entre o tombo e a chegada da onda rainha houve um breve espaço para voltar à tona, respirar e se preparar para fluir com a massa d'água gigantesca.
Que eu possa ver sempre a diferença entre a natureza do mar e das ondas. E que tenha a habilidade para me manter flutuando.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Melhor assim
Não falar o que se sente e pensa por temer reações negativas é uma covardia abjeta. Fui muito covarde e medrosa por muitos anos - e isso não me ajudou em nada, as coisas que eu queria jamais aconteceram quando me calei e me submeti. Hoje sei que, se tivesse tido coragem há anos, as coisas teriam sido diferentes para melhor. Talvez não fossem do jeito que eu queria, provavelmente jamais seriam porque havia um erro estrutural, mas é certo que eu não teria passado pelo que passei depois. (Aqui tem o velho lance de sempre, de achar que "melhor" é aquilo que queremos, só aquilo, a ideia fixa teimosa, a visão estreita, que impede que se veja miríades de possibilidades "melhores", as incontáveis paisagens possíveis.)Agora eu estava seguindo pelo mesmo caminho, de não falar para evitar desgastes e brigas. No passado, quando me cansei do que me incomodava, meti os pés pelas mãos. Dessa vez me saí muito melhor. A forma como falei talvez não tenha sido a mais adequada, mas não falei esperando alguma mudança, não esperava sequer concordância. Não queria impor o meu ponto de vista, queria apenas me expressar.
Achei que causaria um desconforto, imaginei que pudesse enfrentar uma reação forte, mas não esperava nada tão explosivo. The hell broke loose, mas isso não me causa dor, nem ansiedade. Muito menos revolta. Não me ofendo, não me irrito e não me preocupo. Enfim, parece que estou aprendendo a me posicionar melhor: vivo a minha realidade e a manifesto sem tentar empurrá-la para os outros. Não estou disputando poder, só deixo claro como eu vejo e o que sinto, não me escondo atrás do silêncio covarde.
As paisagens podem se estilhaçar em milhares de pedaços. Eu permaneço inteira.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Eau de parfum
Gosto deles intensos, bem fortes e encorpados. Doces e condimentados. Penetrantes, envolventes, inebriantes. Meus perfumes.Eau de parfum, é claro. Nada de eau de toilette.
Meu favorito é Jungle, by Kenzo. Trouxe um da viagem. Adoro dormir com ele, o aroma paira ao meu redor.
Gosto de perfumes que impregnam a pele e a roupa, que eu sinto ao longo de todo dia ou noite. Que funcionam como uma assinatura olfativa, que anunciam minha presença ou a reforçam.
Ontem estava jantando com minha enteada, e ela de repente começou a me cheirar. "É aquele perfume da viagem, né?" Ela estava comigo quando comprei num shopping de Orlando. Eu e ela cheiramos dezenas de perfumes em lojas e free-shops, ela gostou do Jungle.
Ainda ontem, mais tarde, o pai dela comentou: "Esse perfume combina contigo." Yeah, indeed. Ele não estava junto quando comprei, ainda bem que gostou, porque Jungle é daquelas fragrâncias que simplesmente não tem como ignorar.
Pra minha filha, eu e Frances escolhemos CH da lista que Lízia havia enviado. Ela disse que queria J'adore, de Dior, mas nunca havia cheirado, era só porque adorou a propaganda com Charlize Theron. Hehehe, a loira deve ter se identificado. Mas o perfume não tinha nada a ver com uma menina. Melhor o de Carolina Herrera.
Hoje fiquei sabendo da existência de Unidentified Fragrance Object, um lançamento rarefeito de Kenzo, mil unidades a US$ 188. Afff...
sábado, 5 de dezembro de 2009
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