quinta-feira, 26 de abril de 2012

Diário pré-cirurgia - 4. Despertador da madrugada

Acordo sempre às 4h, ou, para ser mais específica, entre 4h e 4h15min. Isso acontece há muitos anos. Há épocas, como agora, que acontece todos os dias. Geralmente  consigo dormir de novo, às vezes demora e acabo pegando no sono na hora de levantar. A grande diferença é que, de momento, acordo com dor pacas. Então passei a tomar um tramadol nesse horário. Aí consigo dormir um pouco de novo, e a saída da cama é menos penosa. Enquanto não durmo, aproveito o tempo pra tentar meditar, observando a respiração (e os pensamentos que turbilhonam em minha mente, tentando não ser levada por eles).
Hoje senti mais dor que o habitual porque ontem tive que guardar um monte de coisas em casa. Os pequenos (e calculados, delicados e contidos) movimentos de abaixar e levantar acabam comigo. Não bastasse isso, tive que pegar o carro e ir buscar minha bike. E colocar uma mountain bike dentro de um Celta (e depois tirá-la dali) era algo que eu realmente preferiria não ter tido que fazer.
Depois de ter me estragado com as duas atividades de reorganização (além de lavar roupa e regar as plantas), fui curtir minha aula de dança. E como curti! Conforme havia me proposto, me esbaldei. Afinal, se tudo der certo, na semana que vem já estarei no recesso forçado. Me diverti muito, voltei pra casa faceira.
A partir de hoje vou ficar bem quieta no meu canto. :) Ou não tem tramadol que resolva.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Diário pré-cirurgia - 3.1 Fechando ciclos

Hoje de manhã fiz minha última sessão de fisioterapia antes da cirurgia. Afff, vou sentir saudade do Felipe Duarte, da Núclea, que me tratou desde o início de março. Mas ele vai continuar presente em minha vida, vai me acompanhar na recuperação em atendimentos ocasionais (o grosso terei que fazer pelo plano de saúde).
Na despedida de hoje, ele reafirmou o que eu já sabia: fizemos tudo direito, o tratamento foi correto, eu me cuidei, mas meu corpo simplesmente reagiu de modo inesperado após um período de melhora constante, quando estive prestes a ser liberada para trotar. Em abril, as sessões de fisioterapia foram meus únicos momentos de prazer físico, quando eu quase não sentia dor. :) E as massagens suaves na coluna eram realmente uma delícia, um alívio.
Em breve também terei que me despedir temporariamente das aulas de dança do ventre. Ficar sem elas vai ser o mais desagradável do pós-operatório. Não parei de dançar em nenhum momento. E a dança foi o outro ponto alto de abril. Felipe ficou de cara, mas eu disse pra ele que já estava sem correr e sem fazer musculação, a dança ficaria. Com certeza não foi por causa disso que o caldo entornou. Ainda bem que não parei, senão estaria lamentando amargamente. Daqui a pouco, aliás, vou pra aula. Yessss.

Abril foi um mês e tanto. Noooooooossa. Teve de tudo.
Uma das babás da minha mãe pediu pra sair, foi uma coisa repentina, ela encontrou um amor. Já nós tivemos a felicidade de encontrar outra pessoa rapidamente, mas até isso acontecer fiquei preocupada. Pelo menos a consulta de minha mãe com o neurologista foi boa, ela está com a saúde em dia e se adaptou muito bem à alteração na medicação.
Demiti a pior empregada doméstica que já tive, uma pessoa estranhíssima de astral e incapaz de fazer qualquer tarefa direito. Era daquelas que tinha que ser pilotada - e nem assim as coisas davam certo. O pior foi que um dia ela comeu um pedaço de pizza que eu tinha jogado no lixo - onde havia areia sanitária dos gatos! Minha casa está um chiqueiro, a criatura limpava como a cara dela, eu estou sem condições de fazer serviços domésticos e sem a menor condição emocional de ir atrás de outra empregada. Isso vai ficar pra depois.
Vamos tentar achar alguém apenas pra me acompanhar assim que eu voltar do hospital. Ou acabo passando uma temporada numa clínica geriátrica...
No plano pessoal, me reaproximei de pessoas queridas, com quem tenho grande afinidade. Essa reaproximação é ainda mais valiosa agora, porque são pessoas que vão me amparar e cuidar de mim - e dessa vez não ficarei sozinha ao longo do processo de cura.
A coisa mais inesperada foi a forma como meu pedido de harmonia em minha vida foi atendido. É algo bem parecido com a solução pra crise de hérnia: o milagre que eu pedi não aconteceu, mas o problema foi solucionado e vai ficar tudo muito melhor do que estava.
Pra fechar esse mês tão movimentado, um final de semana de sossego e introspecção. Minha filha viaja amanhã, ficarei só, poderei meditar mais, assimilar as mudanças e me preparar para o que vem pela frente.

Diário pré-cirurgia - 3. Registro

Minha filha e meu ex-marido não curtem meu blog. Acham que me exponho demais, que gente baixo astral pode me causar dano. Eu não creio. Por que alguém que não gosta de mim iria gastar tempo lendo minhas coisas? E que mal poderia me fazer?
Penso o contrário: meu blog pode atrair amigos e simpatizantes (hehehe), pessoas que me querem bem e outras que simplesmente vão passar por aqui e dar uma olhadinha indiferente. Eu não escrevo para ser lida, para conquistar um público, escrevo para organizar melhor meus pensamentos e sensações. Mas acho legal que meus amigos e as pessoas que querem me conhecer venham aqui ler, porque isso aqui é a minha cara (ou cabeça).
Agora resolvi escrever um diário pré e pós cirurgia porque penso que poderá ser útil pra outros na mesma situação que eu. Quem tem crise de ciática come o pão que o diabo amassou com o rabo. Imagino que muita gente, como eu, acabe constrangida com sua própria situação. A gente sente dor o tempo inteiro, uma dor espaçosa, que ocupa o corpo e a mente. Em vários momentos não dá pra pensar em outra coisa. E é constrangedor, porque as pessoas perguntam: "Está melhor?", e a única resposta honesta seria: "Não" - isso depois de 10, 20, 30 dias de tratamento. Aí parece que a gente está fazendo onda. Então se começa a dizer umas coisas tipo: "Ah, parece que melhorei um pouquinho hoje" (claro, com o monte de analgésicos em ação a dor cede um pouco em algumas horas, e a gente fica achando que isso vai durar, que é uma melhora).
Para mim foi muito bom conversar com outras vítimas de ciática, elas sabiam bem como é a coisa de não conseguir sair da cama, nem se vestir etc. São situações comuns dessa doença, limitações nas coisas mais triviais e ridículas, não dá pra gente ficar falando disso o tempo todo, senão é só lamúria. Gostei de falar com outros e ver que eles tinham passado pelo mesmo aperto, que eu não era a única no mundo.
Também quis deixar tudo registrado para mim mesma. Eu não ocupo meu HD mental com doenças e lesões - menos ainda com a memória da dor que causaram. Vou deixar tudo anotado aqui pra mais adiante poder resgatar esses momentos. São fotografias da paisagem em que habito agora.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Diário pré-cirurgia - 2. Resolvido

A consulta com o neurocirurgião Albert Brasil, marcada para as 14h30min de hoje, foi antecipada para as 8h15min. Ele mesmo ligou ontem à tardinha pra pedir a alteração. Gostei. Gosto de médicos acessíveis, evito os que não são encontrados a não ser nas consultas. E fujo dos que se acham deuses.
Gostei mais ainda ao conhecê-lo. Jocemar e Rotta haviam dito que ele só propõe cirurgia depois de todos os tratamentos conservadores serem testados. Rotta me disse que eu informasse que meu tratamento com gabapentina fora conduzido por ele, e que ele considerava meu caso intratável por métodos conservadores, pra evitar uma proposta nessa linha. Falei isso, e meu novo médico riu. Mas isso foi mais no final da consulta, quando já estávamos mais descontraídos.
De início a conversa foi mais formal. Cheguei dizendo que queria operar - acompanhada do ex-marido, que fez adendos pra ressaltar que, se eu dizia que queria ser operada, era porque estava realmente mal, que, se não estava treinando, era porque estava totalmente incapacitada, que minha carga diária de treino era enorme e que minha tolerância a dor era altíssima. Tudo verdade, mas eu não falaria essas coisas. O neuro puxou o freio de mão e quis saber por que eu achava que a cirurgia resolveria. Contei minha história de altos e baixos. Ele fez perguntas pontuais e me examinou. Depois falou longamente sobre as coisas ruins que podem acontecer no pós-operatório. E foi muito reticente sobre o que eu posso esperar. Eu reafirmei a decisão de operar - porque eu e meu médico achamos que não há outro caminho. (Eduardo vinha me perguntando há semanas por que eu não operava de uma vez, ele sabia que eu jamais quis, e ontem, quando liguei pra contar que minhas chances e esperanças haviam acabado, ofereceu-se pra ir comigo nessa consulta - e foi muito bom ter companhia.)
Agora a data da cirurgia depende das tratativas do hospital com o plano de saúde. Por mim eu faria amanhã. Como eu disse na consulta, durante todo o tempo que convivi com a hérnia jamais cogitei operar, eu sabia que teria que enfrentar crises eventuais e estava conformada com isso. Eu não operava porque não queria abrir mão de meu estilo de vida. Mas faz dois meses que meu estilo de vida inexiste, e há 24 dias não tenho sequer qualidade de vida.
É provável que minha carreira de maratonista tenha acabado. Não creio que meus médicos achem sensato eu voltar a fazer maratona por melhor que seja a recuperação. Não estou interessada nisso agora. Em todo caso, se a porta da corrida for fechada, com certeza haverá várias janelas abertas.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Diário pré-cirurgia - 1. A janela

Fecha-se uma porta e se abre uma janela.
Vou operar a hérnia de disco. Não há mais o que tentar. A gabapentina não funcionou, a dor é intratável, não cedeu com medicação, fisioterapia e acupuntura.
Tenho tomado tramadol ANTES de sair da cama de manhã numa tentativa - vã - de diminuir o martírio. Hoje foi de lascar. Além das costas e da perna esquerda, o pé esquerdo doía tanto que tive que fazer uns ensaios antes de conseguir apoiá-lo no chão. A dor é tamanha que provoca calor. Hoje só percebi que estava frio uns 30 minutos depois de encerrar as penosas atividades de fazer xixi, escovar os dentes, lavar o rosto (melhor dizer, dar uma molhadinha) e me vestir (com ajuda para colocar as calcinhas e as calças compridas).
Fico evitando o tramadol, pois a dose que funciona é altíssima e me deixa muito grogue. (A gabapentina já me deixa grogue o bastante. Sem falar que ambos provocaram uma constipação que me fez tomar laxante no sábado. Fora todo o resto da enooooorme lista de efeitos colaterais da dupla.)
Fiquei sabendo que teria que operar ontem, numa consulta com o médium João de Deus em Três Coroas. Fui lá esperando fazer uma cirurgia fluidica (já fiz uma pelo Templo Tupyara). Cheguei às 7h, passei pelo médium depois das 19h30min. Perguntei à entidade se eu teria que fazer uma cirurgia com os médicos da terra. "Vai operar. Mas toma o remédio antes." (O remédio é a passiflora energizada que a entidade prescreve.) Na hora senti uma dor enorme em meu peito, uma frustração e decepção tremendas. Lutei tanto, me esforcei tanto... Saí de péssimo humor. Na estrada mesmo liguei pra Maria Ignez, minha orientadora espiritual, e pedi pra vê-la logo, pra confirmar.
Aí hoje de manhã, antes de ir na Maria Ignez, liga a secretária do neurocirurgião Albert Brasil, com quem eu tinha hora marcada pra 1º de junho. "O doutor não poderá atendê-la nessa data, e gostaria de saber se a senhora poderia vir amanhã às 14h30." Claro que a senhora poderia, pode e irá!
Fui na Maria Ignez, e ela confirmou o que o médium disse. Desde que essa crise começou, eu sabia que só com milagre pra escapar de uma operação. O milagre que eu desejava não será possível. Mas muitos outros pequenos milagres já estão acontecendo.
Falei com meu neurologista maravilhoso, Francisco Rotta, agora de manhã, expliquei a quantas ando (ou não ando). E ele decidiu que está na hora de encerrar o tratamento conservador. Rotta havia estipulado um prazo de duas semanas com a dose-alvo de gabapentina. Eu tomei apenas quatro dias dessa dose (cavalar), mas não adiantaria insistir. Eu simplesmente não apresentei uma melhora suficiente para ir adiante. Tenho a mais plena confiança no Rotta. Ele é o médico da minha mãe, tornou-se meu médico no ano passado. Já havíamos conversado sobre as minhas possibilidades, e ele deixara bem claro que a gabapentina era a última chance. E que não havia qualquer garantia de sucesso. E que, se não funcionasse, eu teria que operar - e ele indicaria um médico.
Falei do neurocirurgião com quem vou consultar amanhã, e ele achou ótimo. Disse que esse médico estaria na lista dos profissionais que ele indicaria para me operar - e que nessa lista todos seriam do mesmo nível, não haveria outro nome melhor.
Cheguei ao doutor Albert Brasil por indicação do Jocemar, fisioterapeuta, marido da Dani Cecchini, também fisioterapeuta, que conheço do mundo da corrida. Jocemar foi meu salvador depois da maratona de 2009, quando tive cãibras nas duas panturrilhas. Ele me massageou por cerca de uma hora, até a crise passar. Nesse mundo tão pequeno, Jocemar e Dani também conhecem o Rotta, e também acham que estou em boas mãos.
Então é isso por hoje.
E agora aguardo a consulta de amanhã com grande entusiasmo. Já que o caminho é a cirurgia, que seja o quanto antes. Pra eu ficar recuperada o quanto antes. :)

sábado, 21 de abril de 2012

Em busca do tempo perdido

Tenho sentido uma enorme vontade de meditar esses dias. Tenho que meditar deitada por enquanto - não há cadeira em que eu aguente ficar sentada imóvel por 20 minutos. Mas estou conseguindo meditar sem dormir, mesmo com a quantidade de remédios que ando tomando. Esses remédios, aliás, provocam reações curiosas. Tem horas em que fico bem drogada. No começo ficava nervosa com com o estado de percepção difusa, mas agora já me acostumei e consigo levar a vida.
E a meditação? Bem, acredito que essa vontade de sentar tem a ver com não estar correndo há mais de dois meses. Porque eu realmente meditava correndo. :) Nada muito sistemático, nem muito profundo - mas o suficiente para eu estar sentindo falta. Quando voltar a correr, pretendo aprimorar a meditação ativa.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Refrescando a memória

Estou trabalhando na tradução de um livro de budismo da escola Theravada. Um presente do universo - e da Editora Global e da adorável Cristina Abdo -, mais um.
É a primeira vez que traduzo algo não ligado ao budismo tibetano, que é da escola Mahayana. Estou gostando muito, uma oportunidade linda de ver que os pontos em comum são muito maiores que as diferenças.
O mais maravilhoso é que se trata de um livro sobre o Caminho Óctuplo, um dos pilares do budismo. Assim, estou voltando a estudar o básico - que, como tudo mais, estudei mal e porcamente. Estou encantada de rever esses ensinamentos, ainda mais porque o livro é ótimo, leve, simples, fácil. (Que minha tradução faça justiça ao original.)
Consegui engrenar nesse trabalho no começo dessa semana. E as horas que passo envolvida com ele estão sendo um momento precioso de distração da dor e do problema na coluna. Que maneira espetacular de se distrair! :)
O mais notável é que pela primeira vez em muito tempo senti vontade de voltar a meditar. E fiz isso hoje. Agora é fazer como o autor diz, criar o hábito. Para ajudar, tenho um app no telefone, o Meditation Helper, no qual posso programar o tempo de meditação.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Sonho de consumo

Computador? TV? Carro? Joias?
Não! Uma cadeira. Na verdade, A cadeira pra quem tem um problema de coluna como o meu. Aeron Chair, da Herman Miller. Infelizmente, vai ficar no sonho. Custa R$ 5 mil.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Beleza

Essas flores foram fotografadas por meu facefriend Marcelo Volcato. Fiquei encantada. Um show de cores na minha segunda-feira cinzenta e opaca.
Hoje, além da dor, tenho que enfrentar o baixo astral e uma perigosa tendência ao coitadismo. Afff.
Nunca havia ficado doente dessa forma, nem por tanto tempo. Nunca havia sofrido tamanha limitação. Meu corpo funcionava maravilhosamente. A incapacitação provocou um abalo moral.
Oh, sim, eu penso nas pessoas que têm problemas sérios de saúde, em especial doenças degenerativas de nervos e músculos e, nessa linha, no fim das contas as minhas provações e privações são insignificantes. Mas para mim são enormemente perturbadoras. E fim.

Luz no fim do túnel

A dor segue em lento recuo. Mas a minha tolerância está recuando mais depressa agora. Estou no limite. Todo dia de manhã, quando começa a luta pra sair da cama, penso que talvez fosse melhor operar de uma vez.
Na manhã de hoje, a caminho da fisioterapia, conversei com o neurologista. Na sexta-feira ele havia ajustado a dose diária de gabapentina, hoje fez novo ajuste e deixou mais um marcado para a quinta-feira, quando chegarei à dose-alvo. Tomarei essa dose por duas semanas, e aí saberemos se o tratamento realmente vai funcionar ou se a dor é intratável, restando apenas a cirurgia. A minha melhora indica reação ao tratamento, e meu médico disse que "há luz no fim do túnel".
Eu só espero que o túnel não seja longo demais.

Hoje me senti melhor ao longo da caminhada até a fisioterapia. Ainda arrasto a perna esquerda, mas me pareceu que estou mancando menos, estou conseguindo me manter mais reta. Na volta, o porteiro do meu prédio comentou: "Está mais firme, né?" Ele também notou a melhora. :)

sábado, 14 de abril de 2012

Raios de luz

Ontem encontrei duas pessoas extremamente desagradáveis. Uma por necessidade, outra por acaso. Depois desses encontros, quando voltava a pé para casa com minha filha - porque andar a pé é melhor do que de carro, não suporto a dor que sinto ao sentar em bancos de carros, e dirigir nem se fala -, passamos pela frente da clínica do "Doutor Sorriso".
O porteiro da clínica, que ontem descobri que se chama Luís Carlos, é meu amigo de "oi" há anos. Eu sempre passo pela frente da clínica correndo, e um dia começamos a nos cumprimentar. Eu gosto dele, ele gosta de mim. Encontrá-lo quando estou começando a corrida ou quando estou voltando dela é sempre um momento feliz, ele é como eu, sorri de verdade, com os olhos e o coração, um sorriso grande, generoso, luminoso, acolhedor.
Claro que ele percebeu que eu não passo correndo por lá faz tempo, e perguntou se eu não estava treinando. Eu disse que não, contei que estou muito mal da coluna. Eu e Lízia seguíamos andando enquanto rolava esse pequeno diálogo. Aí ele me chamou. Voltei, e ele pediu meu nome, disse que iria rezar por mim. Ele contou que é membro da Igreja Universal há dez anos e falou que ele e a esposa rezarão por mim todas as noites, e que irá levar meu nome para a caixinha de orações da igreja. Momentos como esse, pessoas como ele fazem meu coração transbordar de felicidade e gratidão. E me dão força, renovam o meu ânimo. O universo se manifesta e me mostra que não estou sozinha.
À noite, enquanto me preparava para a cirurgia fluídica pelo Templo Espírita Tupyara, recebi um sms de minha amiga Marcia Lima, corredora e religiosa como eu, que tem as mesmas hérnias que eu, L5-S1 e L4-L5, e que já fez essa cirurgia e me recomendou que fizesse. Ela está em Floripa, ia correr a Volta à Ilha hoje. Mas manteve a conexão comigo e participou da corrente.
Outras três pessoas queridas também estavam conectadas à corrente: Carla, babá da minha mãe (que também já fez uma cirurgia pelo Tupyara), minha irmã de coração Luciana (que vou encontrar hoje à tarde pra conversar sobre a Casa Dom Inácio de Loyola e o médium João de Deus, que vou encontrar no final de semana que vem) e meu fisioterapeuta, que iria pra SP com a esposa, mas, ao se despedir de mim na sessão de ontem, disse que rezaria e mandaria energias. Não sei se meu cunhado, que tem rezado por mim (assim como meu amigo Jaume), e minha irmã lembraram.
Assim, o aparente escore de 2x2 na verdade foi uma vitória esmagadora da luz. As duas coisas boas neutralizaram as duas desagradáveis e me preencheram de felicidade, alegria, força e determinação. Na hora da cirurgia eu estava fisicamente sozinha, mas no plano espiritual estava cercada de boas companhias.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Haja paciência, determinação e força

Quando tudo parecia encaminhar-se para eu ficar boa, uma nova crise. No domingo retrasado, 1º de abril, simplesmente acordei pior que nunca. Não conseguia sair da cama. Eu nunca havia sentido tanta dor da hérnia. Trata-se da famosa ciática in full force. As pessoas falam da dor de parto. A dor que senti ao parir Lízia não é sequer digna de nota perto da ciática.
Há 11 dias minha vida é basicamente infernal em termos físicos.
Sair da cama de manhã é o pior momento do dia. Tenho que virar de bruços e me arrastar para a beirada. Ponho uma perna pra fora, toco o chão, depois a outra. E aí vem o suplício maior, que é erguer o tronco. Fico um tempo arrastando a perna esquerda até conseguir andar mancando.
Ir ao banheiro e vestir as calcinhas ocupam o segundo lugar na longa lista de movimentos dolorosos. Calçar os sapatos não está classificado porque eu nunca mais consegui tocar meus pés de manhã. Então só uso sapatos de enfiar. Tênis está fora de cogitação, amarrar cadarços é impossível. Hoje preciso que Lízia tire o esmalte das unhas dos pés. Não posso ir na manicure por enquanto. Vou acabar com unhas compridas nos pés, affff.
Ontem à noite assisti um filme no sofá da sala. Eu estava cansada, resolvi deitar no sofá (e ficar sentada nele estava péssimo). Senti que não estava bom ali, mas eu queria ver o filme e não havia outro local para sentar. O resultado fez-se sentir já no meio da noite: acordei com dor e não havia posição, fiquei horas tentando me acomodar. Hoje de manhã levei mais de 15 minutos pra conseguir vestir as calcinhas e a calça (agora só uso calças folgas de malha, jeans justos e as calças de treino são inviáveis). Tentei calçar as sandálias. Depois de cinco minutos desisti e fui pra fisioterapia de chinelo de dedo.
Estava atrasada, tive que pegar um táxi. O trajeto levou menos de cinco minutos. Do mais puro sofrimento. Ao entrar no táxi, o motorista falou: "Ah, está com problema de coluna." E eu: "Sim, indo pra fisioterapia." Mal sentei, o pé esquerdo e parte da perna começaram a formigar. O terceiro colocado na lista da dor é justamente andar de carro/dirigir. Não consigo entrar em carros e ficar sentada neles é insuportável. Lotações e ônibus também não aguento. Tenho andado a pé sempre que possível. Caminhar é melhor, embora não seja agradável. E preciso tomar enorme cuidado porque a perna esquerda quase arrasta pelo chão, e volta e meia dou umas tropeçadas - que obviamente provocam um flash de dor ciático acima, até as raízes na lombar.
Eu nunca havia experimentado tamanha limitação física. Não posso carregar pesos, tenho que fazer peripécias para juntar coisas que caem no chão (e como deixo cair coisas!), escovar os dentes é uma empreitada, lavar o rosto é outra. Nunca mais pude me espreguiçar de manhã, o pior é que esse é um hábito arraigado, o movimento surge espontaneamente todas as manhãs. E eu sempre tento espreguiçar o mínimo que seja, mas na mesma hora vem a dor.
Sentar para trabalhar é desesperador e desanimador. Tenho que levantar a todo momento. Tenho dificuldade para me concentrar no texto porque a dor me distrai. Ponho almofada, tiro almofada, ponho uma mantinha, tiro a mantinha, subo e desço a cadeira.
Meus dias têm sido um teste de paciência, determinação e força. A dor provoca cansaço e prostração física e mental, estou com o semblante abatido e em alguns momentos me sinto muito desanimada, desmotivada. Mas, mesmo quando a dor me causa náusea e vertigem, quando tenho vontade de berrar, quando grito, gemo e suo, quando parece que vou ter um colapso, persistem em mim a disposição inabalável de aguentar o tranco e a certeza absoluta de que isso vai passar.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Dor


A terceira crise da hérnia de disco teve início oficialmente em 19 de fevereiro. Foi quando eu percebi que a dor que sentia desde o final de setembro era mesmo um pinçamento da raiz do ciático no lado esquerdo. Não corro desde aquele dia. E fiquei 15 dias sem treino algum até voltar à musculação no dia 5 de março.

Tenho dor todos os dias, praticamente o tempo todo. Dói mais, dói menos, mas dói. Uma dor difusa, a chamada dor nervosa. A maior parte das vezes é no glúteo esquerdo, uma dor muito interna, que irradia pela perna, pela lateral externa, até o joelho. No verão tive surtos de dor no pé esquerdo, uma dor aguda, como se o pé estivesse torcido. Dói no meio da noite, acordo e não consigo me ajeitar na cama, cada movimento machuca.
Dói muito de manhã. Sair da cama é especialmente doloroso, bem como sentar na privada. O pior é colocar calcinha e meias. No fim de semana, tive que pedir pra colocarem a calcinha pelo pé esquerdo.
A pior posição é sentada. Houve dias em que mal consegui trabalhar porque não conseguia ficar sentada. E no momento em que levanto essa dor mais forte intensifica-se, e é como se um espeto cravado em algum ponto indefinível no lado esquerdo das minhas costas e glúteo penetrasse mais fundo.
A dor resiste à medicação. Tomei tramal, codaten, cizax e fiz duas injeções de diprospan. Agora estou usando lyrica, torcendo para que atue na inflamação do ciático e amplie os efeitos da fisioterapia.
A fisioterapia e a musculação são as melhores horas desses meus dias. É quando menos sinto dor. Os exercícios e alongamentos aliviam a dor, em alguns momentos ela some e sinto apenas uma pressão na cinta lombar. Esse efeito analgésico prolonga-se por algumas horas na maioria das vezes. É uma bênção.
Meu pior dia foi domingo passado. Foi o dia em que não fiz nenhum exercício, resolvi dar uma folga. Não foi uma boa ideia. Na segunda-feira levantei péssima, mas a sessão de fisioterapia foi maravilhosa.
Vai levar tempo até eu ficar assintomática outra vez. Cometi um erro terrível ao ignorar os avisos de meu corpo de que a hérnia estava pinçando o ciático. E pior ainda foi relaxar totalmente na musculação e no reforço lombar. Não posso de forma alguma priorizar a corrida em detrimento da musculação. Não posso optar sempre pela corrida quando só tenho tempo para um treino. Tenho que manter a musculação no mínimo três vezes por semana. E o reforço da musculatura abdominal, pélvica e lombar tem que ser feito diariamente. Cinco minutos bastam em dias muito apertados. Em 15 minutos eu faço uma sessão bem boa. Isso é pro resto da vida. Para evitar crises como essa.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Satori

Existem coisas que mudam nossas vidas e que aos olhos de outros podem parecer totalmente triviais, irrelevantes, indiferentes ou mesmo desprezíveis. Essas coisas têm o poder de gerar instantes de perfeição.
Hoje tive a felicidade de viver mais um desses momentos.
Vi no Facebook que monja Coen pratica corrida! Li um texto dela sobre seus primeiros 5km, acompanhado da foto acima. Para mim, que sempre sinto uma ponta de culpa por me dedicar tanto à corrida e aos esportes em vez de sentar e meditar, foi uma liberação.
Mais emocionante ainda foi descobrir depois um texto de monja Coen sobre maratona, traçando um paralelo entre o esforço dessa prova e o esforço da prática meditativa.
Antes desse texto, eu li um outro no site de monja Coen - http://www.monjacoen.com.br/textos-budistas/textos-diversos/176-aquele-que-corre - sobre a corrida como meditação. Foi a primeira vez que vi outra pessoa, no caso o monge Yo Ho Ryo Kei (Napoleão Xavier Gontijo Coelho), falando sobre o que eu, na minha modestíssima prática budista, tento fazer na corrida.
Poucas vezes em minha vida senti tanta felicidade quanto ao ler esses textos.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Feliz Ano Novo

2012 começa para mim com uma clareza inédita. Consegui estabelecer minhas prioridades numa das últimas noites de 2011. São elas: trabalho, treino, filha e mãe. A ordem básica é mais ou menos essa; se eu não cuidar de mim, não vou poder cuidar delas.
Agora é manter o foco no básico e me organizar, porque aí dá tempo pra tudo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Divo Divino

Amo, amo, amo.
E hoje eu tou bandida e não consigo não pensar: com tanto ladrão de oxigênio, por que ele?E esse vídeo é de matar.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A xícara e o oceano

Depois de observar o ressentimento alheio, hoje estou observando o meu.
No caso, é apego ao aspecto negativo de um fenômeno. Tenho vontade de falar com uma pessoa unicamente para poder dizer-lhe umas verdades - as minhas, é claro, hahaha!
Olhar pra isso tem, entretanto, um aspecto positivo. Estou vendo meu eu mesquinho e autocentrado em atividade - e uma outra parte de mim acha graça disso. O eu autocentrado não gosta de nada disso; não gosta de não poder se manifestar em uma conversa inútil e gosta menos ainda de que achem graça dele. Mas ele é menor. Isso é fato.
Assim, a experiência que à primeira vista surge como desagradável, logo adquire um aspecto divertido. E torna-se leve, simples, fácil de lidar.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Silêncio de ouro

Hoje de manhã, enquanto montava a lasanha do almoço, fiquei mais uma vez muito satisfeita comigo. Em meio ao turbilhão dos últimos dias, não tive acessos de raiva ou perda de controle. O que realmente me deixou feliz foi ver que não tive que me controlar pra segurar a língua nem mesmo quando sofri um ataque verbal do mais baixo nível. Não tive que pensar "não vou dizer isso e aquilo", eu simplesmente não tive a menor vontade de retrucar. Ocorreram-me algumas coisas extremamente maldosas para dizer, mas não veio um impulso de raiva que me levasse a manifestá-las. Olhei meus pensamentos, e me pareceram totalmente tolos, um exercício mental inútil que não seria de benefício para ninguém. A pessoa que me agrediu apenas sentiria ainda mais raiva de mim, e eu cometeria uma ação não virtuosa.
Tudo isso numa fração de segundos.

Agora, passada a tormenta, vejo outros desdobramentos positivos de manter a boca fechada. Lembrei do vaso emborcado das alegorias budistas - o ouvinte que não aprende simplesmente porque está fechado, não é receptivo, rejeita o ensinamento. Na vidinha ordinária também tem vaso emborcado quando rejeitamos o que nos dizem sem concedermos sequer o benefício da dúvida. Fui agredida por um vaso emborcado; não há nada que eu possa dizer para a pessoa, ela rejeita categoricamente tudo que eu penso, sinto e faço. Em resumo, rejeita tudo que eu sou. Quanto mais eu falar, pior vai ficar. Nesses casos a sabedoria consiste em fazer o que eu fiz: ficar calada.

Bem simples

Deitei cedo e acordei cedo.
Fiz um chimas e vou trabalhar um pouco antes de descer pra montar a lasanha do almoço e sair pra uma corrida leve. O treino é bastante leve nessa e nas próximas três semanas - maravilha. O ciclo passado foi pesado demais.
Tou aqui sentada à mesa de trabalho observando a manhã maravilhosa. Como eu gosto desse tempo e dessa época! E em breve o verão, que eu adoro.
Meus gatinhos também estão curtindo, sentados ao sol no parapeito.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Depleção

A virada do mês foi estrondosa.
A segunda-feira começou com problemas pessoais, de saúde e de relações de trabalho já pela manhã. Me incomodei tanto, mas tanto, que à tarde, depois de um remédio pra enxaqueca, comi um pouco de chocolate - na falta de algo pra me alegrar.
Pra encerrar o dia e o mês, mais um desacerto em nível pessoal à noite.
Mas nada jamais abala minha convicção de que as mudanças são para o bem e para melhor. O primeiro dia de novembro chega ao final com a crise na relação trabalhista solucionada a contento para todas as partes. O problema de saúde passou. E a crise pessoal me fez olhar para mim mesma e minhas expectativas com humildade e serenidade.
Estou meio desanimada, a turbulência me fez gastar muita energia e algumas coisas me entristeceram. Estou meio murcha. Mas em paz. A tensão dissipou-se, estou relaxando.
Os ventos da primavera levaram embora situações e pessoas que não acrescentavam mais nada e trouxeram novas possibilidades promissoras. Amanhã terei um dia com minha família minúscula, com as duas pessoas que merecem e precisam de minha atenção e cuidado.