terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A Prece de Kuntuzangpo - 2

Minha deidade favorita, cuja imagem me fascina, encanta, alegra, enche meu coração e mente daquilo que é inexprimível, cujo conceito mal posso apreender - e que de qualquer forma está totalmente além da percepção da consciência ordinária.
Kuntuzangpo em tibetano. Samantabhadra em sânscrito. O Buda Primordial.

Minha prece favorita.
Em breve vou postar uma nova tradução, fruto das minhas conexões benéficas no Dharma.
Que seja de benefício a todos os seres.



Chanted by Khenpo Pema Chopel Rinpoche & Ogen Lama

堪布贝玛千贝仁波切、乌金喇嘛诵

Combined English & Chinese translations from different sources:

The Prayer of Kuntuzangpo, The Primordial Buddha Samantabhadra - 
This prayer was taken from the ninth chapter of the Dzogchen Teachings of the Gongpa Zangthal the Northern Treasures discovered by the Terton Rigdzin Godem.

A Prece de Kuntuzangpo - 1

O que eu reconheço sem compreender.
Um eco, uma marca, uma semente.
Eu não lembro, mas está no continuum que hoje sou eu.



domingo, 18 de janeiro de 2015

Florescendo


Que dias, que dias!
Ouvindo, refletindo, aprendendo.
E praticando.
Nesta manhã, ensinamentos sobre a vacuidade que me proporcionaram um insight vívido, o conhecimento intelectual de repente brilhou.
E agora quero perguntar a meu lama se podemos falar em aparências da vacuidade quando não há nenhum observador para a aparência. Suponho que não.
Alan Wallace usou o exemplo da luz, que na física é entendida ou como ondas ou como partículas de fótons. Na verdade não é nenhuma coisa nem outra em termos absolutos, mas é ambas as coisas em termos relativos - relativos ao sistema utilizado para observá-la.
Enquanto ele falava, me lembrei de Samantabhadra, a vastidão do espaço, de onde todas as aparências brotam e onde todas as aparências se dissolvem.
E ele respondeu uma de minhas indagações existenciais subjacentes: por que todos nós, seres humanos, temos visões tão parecidas dos fenômenos; por exemplo, por que todos nós sentimos a solidez das paredes? Karma coletivo. O karma coletivo cria uma percepção coletiva das aparências.
Fiquei cheia de ideias - e de perguntas.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A felicidade é aqui

Vim para o Cebb nesta quinta à tarde. Vou participar de retiro com Alan Wallace sobre yoga dos sonhos. Feliz é pouco para descrever.
Jantei com Regina, minha tutora, minha protetora.
Depois vim pro quarto onde ficarei hospedada.. Me instalei. E trabalhei.
E a vida parece perfeita. Está perfeita.
No lugar perfeito. Do meu professor perfeito, Lama Padma Samten.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A & B

Comprei uma panificadora, depois da anterior ter estragado com um mês de uso e ser devolvida ao fabricante, pois simplesmente não tinha motor para fazer pão integral. Não consigo mais comer pão comprado, só gosto do meu. E fazer à mão não dá, requer um tempo de que não disponho.
A nova panificadora já está em plena atividade. Para pães e também bolos. Eu adoro fazer essas coisas, aí faço para mim e para amigos.

Meu pão integral velhusco foi reciclado no forno,
como uma brusqueta que mais parece pizza
O bolo de chocolate que levei ontem para o piquenique
já clássico depois do treino de corrida da R.A. Runners 
Almoço de ontem no Vê, meu restaurante favorito
atualmente. Minha comida favorita no momento - vegana
Cerveja de trigo maravilhosa!
Hoje sou muito mais da cerveja
artesanal que do vinho

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Tinha que ser

Filha de Oxum.
Pega o perfume e dá uma borrifadinha num lado do pescoço. No outro. Na nuca. E de novo no pescoço, na nuca, nos braços, nas costas, nas costelas. Uma dúzia de borrifadinhas. E vai perfume.
Quando me perfumo, muitas vezes lembro das Oxuns na terra nas festas de nação, quando dão frascos de perfume para elas. Seguem dançando e borrifando a si mesmas e aos participantes. A primeira vez que vi isso fiquei encantada. Depois sempre esperava esse momento da festa.
Lembro dele e da Senhora Minha Mãe quando me perfumo. E gosto de me sentir um pouco Oxum.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Pink spirit


O dia começou muito bem. Treino legal no Parcão. Musculação. Que eu já ia matar. Não fazia desde o dia 31. Inércia pode ser uma coisa terrível. Se eu começo a falhar treinos, vou perdendo o embalo, E depois não quero mais ir. Se mantenho a regularidade, estou sempre com vontade.
Aí fui visitar a sede da R.A. Runners e tomar café da máquina nova.
Voltei pra casa a pé. Cruzei de novo pelo Parcão e, como não estava correndo, pude observar vários flamboyants. Fiz umas fotinhos de um deles, mas hoje minha atenção voltou-se para as estremosas, que estão bombando. Lízia ama as estremosas - como sua bisavó. Sempre que vejo uma árvore dessas lembro de minha avó. Ela adorava estremosas e plantou uma na casa da praia em Tramandaí. Mas a estremosa sempre foi muito miúda e frágil, o clima do litoral era péssimo para ela. Não há verão em que não lembre de minha avó quando vejo as estremosas em flor. E neste verão elas estão incríveis. Para alegria de Lízia e revival de minhas memórias da infância.




domingo, 4 de janeiro de 2015

Tá ligado?

Dei sorte nos últimos dias ao fotografar essa minha dupla amada. A pouca luz ambiente e o flash acionaram os faróis do pessoal.
Eu nunca conseguia fazer foto assim porque eles piscavam na hora. Claro. Eu tentava fazer de perto, e a luz do flashn incomodava. Essas aqui foram feitas de longe, aí deu certo. E por puro acaso.


Ludox divando no tapete da sala ontem à noite. 


Lelonid ligadão em cima da mesa, de onde não sai mais, porque estou trabalhando aqui na sala temporariamente. O computador tá ligado direto no modem há mais de um mês, pra acelerar o upload de 300 giga pro OneDrive. Pelo wi-fi estava a treva, não só meu computador não navegava, como derrubava a conexão geral o tempo todo.


Esses 300 giga são basicamente de música, cerca de 30 mil arquivos.
Neste momento, faltam apenas 7.619, que somam 75 giga.
Espero ter encerrado essa megaoperação até a metade do mês.
Meu computador e meu telefone estão sincronizados em nuvens várias: OneDrive, Google e Dropbox. Acho o máximo.
O OneDrive é tudo de bom. Meu computador está todo lá. Eu acesso os arquivos e trabalho lá mesmo. Desde o início de 2013 eu uso o Office 365, a assinatura deu direito a 1 tera no OneDrive. Funciona tudo lindamente. Na verdade, só tive problemas com produtos Windows no tempo do famigerado Vista. Affff, que porcaria. Meu primeiro Sony Vaio veio com ele. Fiz upgrade do Windows 7 tão logo saiu. E a máquina, que já era boa, ficou um espetáculo.
O Vaio que uso agora veio com o Windows 7. Passei pro Windows 8 e depois 8.1. Tanto este, quanto o note antigo, que ainda funciona e uso eventualmente.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Geografia de mim

Várias vezes antes de dormir faço alguma foto. Minha ou mais comumente dos gatos. Curti essa. Associei a uma paisagem natural. Colinas, montanhas, vales, depressões.
Se tivesse disposição e habilidade, trabalharia com filtros pra aumentar as saturações de cor e deixar só os contornos.
Quem sabe uma noite dessas, antes de apagar a luz pra dormir.

Gentileza inesperada. Um amigo mandou.

De perto

Nunca arranco flores. Mas no sábado passado arranquei algumas de um flamboyant do Parcão, por um motivo da máxima importância (para mim).
Ao chegar em casa, fiz umas fotos e coloquei as lindas flores num vasinho como oferenda para o Buda da sala. E as fotos do Buda com as flores me encantaram, mandei pra amigos, postei aqui e nas redes sociais, apliquei de papel de parede no telefone e anexei à minha assinatura no e-mail. E sigo determinada em meu voto de atingir a iluminação em corpo de mulher, debaixo de um flamboyant.
Achei que as flores murchariam no mesmo dia. Que nada, resistiram por três ou quatro dias. Agora já estou pensando em colher mais. Algumas árvores ainda têm flores. A que mais tem me encantado fica na Vasco da Gama, passo por baixo dela correndo a caminho da Redenção e na volta.
Passei por ela hoje, mas não reparei direito. Estava muito focada no treino.
Fiz 18km. Um volume imenso atualmente.
Considerando os desempenhos recentes, imaginei que talvez ficasse na média de 5:15/5:20. Com o primeiro quilômetro a 5:40, achei que poderia ser ainda mais lento. Foda-se, pensei. Vou fazer o que der, no ritmo que der. No mínimo 14km.
Mas a partir do segundo quilômetro encaixei um pace melhor, e a média foi de 5:03, excepcional para o que corro hoje.
Cheguei em casa elétrica. Aí pensei em tomar umas cervejas comemorativas. Felizmente essa animação passou depois do banho. Hahaha! Só me faltava.
Retomando o foco na dieta depois de umas inadequações entre Natal e Ano Novo. O estrago foi mínimo. Fiz as duas festas aqui em casa, com um cardápio enxuto. O melhor é que não sinto mais vontade de comer porcarias. E não consigo mais comer a quantidade industrial que comia.
Carne (no meu caso só peixe e frango) também é cada vez mais  raro. Não desce. Não vai. No Natal e nos quatro dias seguintes comi peru assado por meu tio, muito bom. O Ano Novo foi vegetariano, e eu só exagerei nas uvas - do vinho. Mas nem toquei nas do espumante, hehehe.


Novo hábito

Antes tarde do que mais tarde. Levou 51 anos, mas enfim estou meditando diariamente. Comecei uma prática regular em novembro. E engrenei pra valer em dezembro. 
Como a mente macaco é por demais indócil, utilizo truques. Instituí a prática com sons de brainwave entrainment. Sons isocrônicos.
De início fazia sempre deitada. Mais pra relaxamento do que meditação. Dormi ou caí em afundamento mental várias vezes. Mesmo assim era bom, porque ao menos a mente desacelerava um pouco, e o corpo experimentava uma enorme tranquilidade. 
No final de dezembro comecei a fazer sessões sentadas e em silêncio. Trinta minutos. Minha tática de acostumar a mente primeiro com sons revelou-se um sucesso. As sessões sentada transcorrem sem sono e sem agitação física.
Tenho mantido uma média de duas sessões diárias de 30 minutos a cada dois dias, intercalados com uma sessão única. Alterno a prática sentada, deitada e reclinada numa poltrona. Em silêncio, com os sons isocrônicos e meditações guiadas.
É tão, mas tão incipiente que parece meditação mais no nome. Nesse estágio, observo o jorro de pensamentos, uma cascata. Tipo Foz do Iguaçu. Os instantes de desaceleração quase imperceptível são esparsos e fugazes. Mas está indo bem. E é muito bom.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

1.882

1.882km. Acumulado das corridas do ano.
Um ano totalmente irregular. De baixos e mais baixos.
Não consigo mais correr como antes. E está me parecendo que não vou conseguir. Mas isso deixou de me incomodar. Estou curtindo fazer o que estou conseguindo fazer, quando consigo fazer.
Novembro e dezembro foram meses melhores. Mais volume, uma boa regularidade. É isso que pretendo cultivar agora. A prática.
2015 começou com uma rodagem de 8km. Ontem bebi muito vinho, hoje estava meio lesada. Cheguei a pensar em não ir. Mas seria um começo de ano totalmente inadequado.
Fui ao cair da tarde. E foi bom. Bem bom.
Estou curtindo correr no fim da tarde e começo da noite. Horário de verão é uma felicidade total para mim. Saio às 19h30, 20h. Eventualmente 20h30. Temperatura boa, luminosidade boa. E correr de noite também é uma delícia. Só evito por causa dos buracos - e evidentemente do risco de assalto.
Havia um projeto de treinar para uma maratona neste ano. De momento, nem pensar. Mas quem sabe? Se o desejo crescer e meu desempenho melhorar...
Feliz 2015!

sábado, 27 de dezembro de 2014

Temporada fraca

Os flamboyants de Porto Alegre floresceram pouco neste dezembro. E alguns, como o majestoso exemplar do Parcão, o meu mais amado. simplesmente não floresceram. Tem a ver com o tempo, mas não sei qual a relação exata. Talvez o inverno muito rigoroso e chuvoso. Flamboyant é tropical.
Vi uns poucos bem floridos no Menino Deus. Os da Redenção foram modestos, assim como os outros do Parcão.
Minha amiga Euthalia Xavier, outra apaixonada por flamboyants, observou a mesma coisa entre os que ela acompanha todos os anos.
Enfim, todos os que vi estão saudáveis, com as copas lindas. Então tudo bem, Vamos esperar a florada de 2015.
Hoje fui no Parcão fotografar as poucas flores de uma ávore pequena. Estava chovendo. As flores estavam espetaculares.



quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O que serve

Se serve, serve.
Se não serve, não serve.

Se serve, me serve.
Se não serve, não me serve.

Se me serve, me serve.
Se não me serve, não me serve.

Se me serve, serve para mim.
Se não me serve, não serve para mim.

O que falta

Então é Natal.
Não estou exatamente feliz. Mas estou em paz. Observando meus sentimentos e outros fenômenos. (Tinha escrito “todos os demais fenômenos”, mas não, né? Se assim fosse eu estaria iluminada, ou quase lá. A maioria avassaladora de todas as experiências são ainda ignoradas.)
Termino este ano com uma conclusão: a única coisa que me falta é dinheiro.
A solidão e isolamento que às vezes sinto não se referem de modo algum à carência de estar com alguém. Amo a minha própria companhia, me sinto maravilhosamente bem sozinha, tenho minha filha e um círculo pessoal cada vez mais seleto — e uma vontade cada vez menor de perder tempo com quem não acrescenta. Aos 51 anos, com metade da vida transcorrida, o tempo torna-se cada vez mais precioso.
A solidão relaciona-se aos movimentos que tenho feito na vida material, profissional e financeira. E a tudo que tenho que fazer e enfrentar sozinha. Coisas extremamente desafiadoras para mim, provocam medo, preocupação, ansiedade e a sensação de solidão. As emoções negativas surgem, e, ao me perceber presa nelas, começo o esforço suave de me desvencilhar. Às vezes é rápido, às vezes nem tanto. Às vezes é demorado. Sempre aprendo um pouco mais sobre mim. E exercito a atenção.
Que 2015 seja auspicioso.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Casa nova

Fizemos a mudança hoje.
Eu não posso ter expectativas. Mas tenho.
Espero que ela possa ficar bem - seja lá o que isso signifique a essa altura.
Como sempre, tive a companhia e o auxílio logístico daquele que sempre está presente quando eu preciso de amparo.
Gratidão e amor eternos.




quinta-feira, 11 de setembro de 2014

De volta ao jornalismo






Na 37ª Expointer. Contratada para editar o site da feira. Nove dias de trabalho no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Que experiência maravilhosa!
Faz tempo que penso em voltar ao jornalismo. Essa oportunidade foi perfeita, voltei fazendo o que sempre gostei de fazer, edição de textos. E convivi com uma equipe muito, muito bacana. Foi puxado, mas foi mais ainda divertido. Um prazer.
Só lamento não ter tido mais tempo de passear pela exposição.

Meu local favorito para expedições rápidas foi o Pavilhão da Agricultura Familiar. Conheci muitos produtores, pessoas simpáticas, receptivas. Lá comprei esta cuia (e outras duas para dar de presente).

Esta é uma boa parte da equipe com que trabalhei. Mundo pequeno. Reencontrei um colega da faculdade, uma colega da Zero Hora, conheci pessoalmente um jornalista ligado a música com quem tenho muitas afinidades e também amigos e conhecidos em comum. E fiz muitos novos contatos com pessoas com as quais me identifiquei de variadas maneiras.
De volta à rotina da tradução, sozinha em meu home office, estou com saudade desse pessoal, do clima de redação, do tumulto.
O projeto agora é combinar as duas atividades.
Dakini tradutora e jornalista.

domingo, 3 de agosto de 2014

Resgate


Que final de semana incrível. Quanta, mas quanta gratidão.
Depois de meses de relutância em ir à clínica, fui ontem e hoje. Estava indo raramente. Muito raramente. Atopetada de trabalho, muito envolvida com muitas coisas. E acima de tudo sem vontade de encarar a piora constante da mãe.
Ontem cheguei lá, ela me viu e me chamou com sinais. Ela praticamente não fala mais. Não lembra mais as palavras. E também não consegue articular os sons. Mas ela ainda sabe quem eu sou. Ela não consegue mais dizer meu nome. Mas ela me reconhece. Eu vi nos olhos dela. Vi ontem e vi hoje.
Eu vejo uma outra coisa nos olhos dela. Que é a coisa que me manteve relutante e esquiva. Que é o que me causa uma sensação que não sei definir. Desespero é o mais próximo. Mas não é exato. Impotência. Desassossego. Angústia. Aflição. Martírio. Suplício. Agonia. Sofrimento puro e absoluto. Horror. Tudo isso serve para definir essa sensação, que não é quente, nem fria, nem agita, nem paralisa. Ou quem sabe provoca tudo isso ao mesmo tempo, em tamanha intensidade e de tal forma misturado que se torna insondável.
Vi isso ontem. Vi hoje de novo. Mas o que aconteceu foi que não sucumbi mais à minha sensação de horror por só me restar assistir o avanço da doença. Eu vi os lampejos de sofrimento nos olhos de minha mãe, os estilhaços de lucidez em meio à demência, mas não afundei no meu turbilhão emocional. Fiquei calma. Sentada com ela.
Ontem estava passando um filme na TV. Ela ficava olhando pra tela. Eu estava de frente pra mãe, de costas para a TV. Ouvi a mulher dizer para o homem do filme: "Mas até que você é bonito". E aí em seguida minha mãe disse: "Não é bonito não". Naquela fração ela conseguiu ver, ouvir, entender e emitir um comentário.
Hoje sentamos no pátio. Fiquei ao lado dela, conversando pelo whatsapp com um amigo cuja irmã sofre de demência e está em desintegração mental acelarada, cada vez mais agressiva e exigente. Minha mãe observava a tela do smartphone.
Coloquei a mão esquerda na perna dela. De repente ela me deu a mão. E ali ficamos de mãos dadas.
Eu não tento mais conversar com ela. Não há mais necessidade. Falo umas poucas coisas, às vezes ela entende, às vezes não. Se ela está mais conectada, falo mais um pouco. Senão ficamos em silêncio. E apenas fico ali. Presente. No presente. A presença.
Aprendi a relaxar na situação. Simplesmente estar. O meu sofrimento cessou.
Se correr o bicho pega.
Se ficar o bicho come.
Se meditar o bicho some.
Sumiu.



Foi o fim de semana de resgatar minha mãe. De resgatar o feminino. O arquétipo da mãe. A imagem da mãe projetada em outra mulher. A repetição de meu relacionamento com minha mãe.
Um insight impressionante.
A mudança mental e emocional refletida no corpo.
Soma.


sábado, 19 de julho de 2014

Paz mental

Chimarrão.
Música.
Trabalho em andamento.
Gatos brincando.
Sábado.
Presente no presente.

Aqueles momentos que fazem diferença. Quando os altos e baixos, as coisas que estão difíceis, o que falta fazer e ter, o passado e o futuro se dissolvem na tranquilidade de estar no agora.

sábado, 7 de junho de 2014

Os valores que não têm preço

A honra, a palavra dada, o compromisso firmado, a parceria. A amizade, o carinho, a vontade de fazer o outro feliz sem esperar nada. O respeito e as homenagens a quem merece. A solidariedade no sofrimento. Várias coisas me fizeram refletir hoje sobre esses valores que não têm preço.
Sabadão. Noite. A pessoa chegou de 18km de corrida. Distância que não fazia desde 31 de agosto passado; fiz 20km naquele sábado, e desde então o máximo havia sido 16km, em poucas oportunidades. O que mostra o quão pouco tenho corrido, o quanto perdi o embalo - e explica a fraqueza atual.
Simplesmente não consigo mais desenvolver velocidade. Tem a idade. A menopausa. O stress bombástico. E tem a falta de foco no treino. Desde a maratona do ano passado eu larguei de mão. Aí não vai.
Só que agora tenho um objetivo. E um objetivo muito bom, pois não é pessoal. Me comprometi a acompanhar uma amiga em seu treino pra uma maratona. Não vou fazer a prova, só vou treinar junto. A ideia era eu dar ritmo; porém, como estou uma lesma, farei apenas a parceria de sair junto e fazer a mesma distância e os mesmos tiros de pista, mas cada uma na sua velocidade. Promessa é dívida. Aí não tem fazer corpo mole ou largar de mão. Não é uma maratona minha, não é um sonho meu. Não posso abortar a missão. Palavra dada é palavra cumprida.
Cheguei, tomei banho, meti o pijama e ia fazer uma massa, com o Led Zeppelin bombando - porque a revisão de estilo de Robert Plant: A Life me deixou em surto de novo -, quando toca o interfone. Atendo e ninguém fala nada. E fica tocando. Fui olhar na janela, certa de que não era comigo. Era! Era a Adriana Schnell. O interfone não está funcionando porque algum vizinho deixou fora do gancho, affff. E a Adri, só pra variar, não estava com o celular (quando está também não adianta muito, porque ela deixa no silencioso, então não atende). E lá estava ela no portão, com um prato da lasanha vegana que ela tinha postado no FB, e eu tinha ficado elogiando e cobiçando. Ela veio trazer um pedaço pra mim. Pra mim!
O que dizer de uma amiga assim? Como agradecer? Como expressar a felicidade que se transborda, a alegria que se irradia? Ter amigos como a Adri faz de mim uma pessoa melhor. Porque pessoas do bem me contagiam. Aí meu bom coração bate mais alto, mais rápido, mais forte. Eu entro na corrente do bem. De querer bem, de desejar o bem e fazer o bem (de preferência sem diferenciar ninguém, mas isso é mais teórico do que prático).

E a lasanha? Uma delícia. Uma das melhores lasanhas que já comi na vida. E com certeza a mais saudável. Comida vegana bem preparada é simplesmente dos deuses. Menos é mais. Caminho do meio. Equilíbrio.
Então, enquanto eu aquecia a lasanha e jantava, concluí que precisava registrar esse momento aqui. Porque é um daqueles momentos em que eu vejo o que me interessa com muita lucidez.

Este sábado começou muito triste com a notícia da morte de Fernandão, ídolo do Internacional. Como gremista, eu detestava o Fernandão e o que ele representa. Detestava, mas não muito. Eu torço pelo Grêmio, mas não torço contra o Inter, tenho amigos colorados demais para isso e sou totalmente adepta do "que vença o melhor", eu aprecio e reconheço a superioridade dos que vencem por seus méritos e talentos. Ao saber da morte trágica e tão absurdamente prematura, fui tomada por uma imensa tristeza. Meu bom coração solidarizou-se com a família, com a torcida colorada e lamentou sincera e profundamente a morte de um grande atleta, um vitorioso e, acima de tudo, um homem de caráter, uma pessoa do bem. Uma pessoa tão luminosa que, na morte, gera uma onda de paz, de solidariedade, de empatia, de bons sentimentos. Eu e muitos, muitos gremistas estamos tristes, chocados, de luto e totalmente solidários com a dor dos colorados. Somos um na perda, na dor, no luto.
Todos que lamentam a morte de Fernandão tornam-se pessoas um pouco melhores, porque o coração abranda, a mente sai do eu-meu-pra-mim e volta-se para o outro, desejando que Fernandão descanse em paz e que sua família possa ficar bem. Homenageamos o morto para que ele saiba mais uma vez o quanto era amado e respeitado. E nos lamentamos e nos consolamos mutuamente, nos aproximamos uns dos outros para trocar energias reconfortantes. Agimos de coração, movidos pelo que temos de melhor em nós: a bondade amorosa, o desejo desinteressado pela felicidade de todos, que costuma ser soterrado pelos venenos da ignorância, do apego e do desejo/aversão, por tudo que nos separa e nos diminui e amesquinha.


Antes da corrida e da lasanha, teve a visita a minha mãe. Que está bem no que pode estar bem. O Ângelo, fisioterapeuta da clínica, estava lá, e conversamos sobre o jogo de vôlei que ele organizou com as moradoras. Minha mãe foi um dos destaques. Apesar do avanço devastador da doença, ela mostrou coordenação motora e mental na atividade. Ouvir o relato dele foi tão bom. E ouvir os planos dele, de um profissional comprometido e um ser humano bondoso, que levava minha mãe para comer pãezinhos numa lanchonete perto da clínica, foi ouvir uma canção do bom coração sobre os valores que não têm preço.