segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Jardinagem mental

De manhã, a caminho do treino, um momento de contemplação.



Vontade de ficar sentada naquele banco.
Isso não pude fazer, mas no trajeto de volta tomei a decisão de implementar uma medida para liberar espaço na mente. Evitar distrações. E também expectativas e frustrações. Tem havido um excesso disso tudo. E o resultado é apenas cansaço e desperdício de energia.
Momento de cultivar o meu jardim interior. Limpar o terreno, remover o lixo e as ervas daninhas, afofar o solo. Nutrir e regar o que já existe e cresce. E depositar novas sementes.
Ficar mais atenta a mim mesma e menos aos estímulos externos.
Simplificar.

domingo, 30 de agosto de 2015

Cheia de luz e beleza

Sábado aconchegante.
Aniversário da filha.
Bobeira.
Descanso.
E a lua cheia soberba.
Serenata Iluminada na Redenção.


Domingo de muito trabalho.
Sossego externo e interno.
A mente se desintoxicando.
Menos conversa mental.
Menos agitação.
E ela está por aqui de novo.


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Muito amor envolvido


Que todos os seres sejam felizes.
Que todos os seres encontrem as causas da felicidade.
Que todos os seres fiquem livres do sofrimento.
Que todos os seres fiquem livres das causas do sofrimento.

Não fazia muito que eu havia enviado uma mensagem via WhatsApp dizendo "muito amor envolvido" e um amigo postou esse cartaz no Facebook. Ressoou com o que eu estava pensando, sentindo e havia conversado também recentemente, também via WhatsApp.
Não quero mais "olho por olho" na minha vida. Quero fazer o que me faz bem, quero tratar os outros como gostaria de ser tratada. Mas preciso abrir um parêntese para o meu coração mau (afffff):
Ainda não estou pronta para ser assim com azinimiga. Ah, Valesca Popozuda, grande pensadora contemporânea, pra essas é vida longa e beijinho no ombro. E indiferença olímpica, ou, quando passam da conta, o famoso "rindo muito do seu recalque" e o mais famoso ainda "Get a life".
Gente frustrada, recalcada, mal-amada, rancorosa, invejosa e patética em geral, gente que, em vez de cuidar da sua vida, cata a vida alheia, faz fofoca e intriga, se faz de coitada, se expõe ao ridículo e ao desprezo, manda energia ruim e inacreditavelmente paga pra outros fazerem isso também - pra esse pessoal ainda não estou muito disposta. Mas até esses eventualmente despertam o meu melhor. Quando olho em profundidade, e ao mesmo tempo distanciada, sinto compaixão e desejo felicidade. O problema é que ainda não consigo sustentar essa visão e escorrego pra reação neutra/hostil. Não desejo mal (não só porque sou boa, mas também por medo, porque sei que volta), mas não desejo bem e ergo uma barreira pra ficar isolada.
Se eventualmente já sinto compaixão por quem me deseja mal (e acha que eu faço o mesmo, como se eu estivesse na mesma e, mais ainda, ficasse pensando neles e, mesmo se e quando isso ocorresse, não evitasse plantar sementes ruins pelo simples fato de saber o que acontece depois), que dirá pelas pessoas que amo e quero bem ativamente. É pra essas que meu coração sempre diz: "Dê uma chance". Against all odds.
Pro orgulho tento não dar ouvidos faz tempo. Ouço a experiência lembrando que sempre pode ser aprimorada - e é preciso experiências novas. A razão realmente pode ter razão. Mas o amor e a compaixão operam milagres, e é muito melhor ter felicidade e paz do que ter razão.
"Muito amor envolvido" viralizou. Vírus do bem. Com muito amor e compaixão envolvidos dá pra curar todas as feridas e males. Essa é uma experiência interna, individual, no sentido de não envolver expectativas românticas e/ou reciprocidade. É o desejo de ver os outros felizes e de ser causa de felicidade.
Pra mim, dar uma chance não se refere a dar uma chance para algo que está "fora", para "o outro". É dar uma chance para mim mesma, para o meu coração. Para o meu amor e compaixão pelo "outro". E por mim mesma. Dar uma chance de ser uma pessoa melhor.

* * *

Pois bem, nada como ouvir o coração. Ontem ouvi dois discursos do meu. O budista, firmemente comprometido com bodhicitta, e o não budista, por assim dizer, que reage com apego/desejo, raiva/aversão, medo e todos os demais venenos.
Não postei o texto ontem porque fiquei perturbada com minhas emoções aflitivas. Ser indiferente ou desdenhosa em relação a outros não combina com a realidade que busco construir. E deixei tudo ali em cima como um lembrete do que acontece quando não ouço o bom coração.
Conversei com minha tutora, perguntei como me desengachar de conexões cármicas negativas. Tratei diretamente da situação mais complicada, quando a outra pessoa me vê como inimiga e me deseja mal. A resposta foi metta bhavana. "Não há como uma pessoa para quem você deseja o bem lhe causar mal", disse Regina. Na verdade, o "outro", o "não eu", não causa mal. Sou eu mesma que me causo mal quando reajo mal ao que vejo como externo a mim.
Lembrei da famosa parábola budista:

O Buda estava debaixo da árvore do esclarecimento quando alguém que tinha ouvido falar que ele era uma pessoa iluminada veio para testar o seu autocontrole. Ficou em frente ao Buda e começou a xingá-lo, chamando-o de todos os nomes possíveis, e não houve nenhuma reação do Buda. Algum tempo depois essa pessoa cansou-se e foi embora, descansou um pouco, voltou e começou novamente. Abusou da família do Buda e proferiu todo insulto que pôde pensar, mas ainda assim não houve reação. Ele ficou bem cansado e então perguntou ao Buda: “Eu o estou difamando de todas as maneiras que posso pensar, e ainda assim você não diz nada?”. O Buda olhou para ele e disse: “Se alguém lhe dá um presente e você não o aceita, com quem fica esse presente?”.

Para não aceitar "presentes", metta bhavana.
Para ter muito amor envolvido de verdade, metta bhavana.
Então, para aqueles que amo, para aqueles que quero bem - e com os quais ainda assim muitas e muitas vezes entro em conflito - e para aqueles que me querem mal, proclamo de coração e com muito amor e compaixão envolvidos:

Que você seja feliz.
Que você encontre as causas da felicidade.
Que você fique livre do sofrimento.
Que você fique livre das causas do sofrimento. 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A linda de julho

Como estou no mood, lembrei de postar aqui as fotos da sakura que vi no final de tarde em que fui até a casa da Nonô Joris buscar croissants que ela distribuiu para amigos. Dia 19 de julho.
Que visitinha bem proveitosa essa.
Os croissants eram simplesmente divinos. E vi essa árvore. E ainda voltei pra casa com mudinhas de manjericão e alecrim da Nonô. As pequenas causas de grande felicidade.






Prévia de primavera

Que árvore. Flores coloridas no mesmo pé. E o perfume...
Vi esta no sábado passado, à tarde, pouco antes de cair um temporal.
Desci do carro, fotografei, cheirei, me diverti, feliz como sempre fico diante de árvores em flor.
Fiquei tanto tempo que o porteiro do prédio sofisticado veio ver o que afinal de contas eu estava fazendo ali, hahaha.
É incrível, muita gente não repara na natureza, não dá bola. Observo várias vezes que as pessoas só veem a beleza que eu estou vendo quando olham pra mim fazendo fotos de uma planta e daí voltam o olhar para o que estou fotografando. Não é à toa que as cidades são cinzentas.
E um dia desses, enquanto eu fotografava e admirava um ipê bombástico, um cara me disse: "É muita sujeira, mas é bonito". Sujeira. Ver flores e folhas na calçada como sujeira realmente é triste.





Agosto rosa

Os ipês floresceram neste ano como há muito não acontecia.
Como foi maravilhoso vê-los por toda a cidade. Fiz muitas, muitas fotos. Simples, no celular. Mas perfeitas para reviver a beleza do momento na memória cada vez que eu olhar para elas. Quando olhos as minhas muitas fotos de flores, colecionadas há anos, lembro de detalhes de quando as fiz. E lembro também de outras flores da mesma época que vi pelas ruas e não fotografei.
Tenho um jardim na minha mente.
Os ipês fizeram deste agosto um mês lindo. Memorável.
Que venha setembro com as primaveras, que já estão florescendo.






 

 

Golden days, golden nights

7 de agosto, Passo Fundo
8 de agosto, Passo Fundo
12 de agosto, Porto Alegre
14 de agosto, Capão da Canoa
18 de agosto, Porto Alegre

Registros do glorioso veranico de agosto, de uma breve primavera particular.
Os finais de tarde espetaculares estão arquivados na memória e nas fotos.
Doces lembranças no coração.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

100.000


Minha principal prática - e praticamente a única - tem sido a acumulação de mantras.
Hoje à noite, voltando pra casa a pé, com uma lua crescente no alto, cheguei a 100.000 de uma série iniciada no final de maio. Usei este mala de quartzo verde por verde ser a cor da cura. E usei muito meu contador analógico, a ferramenta que me permitiu turbinar a recitação, pois passei a recitar enquanto corro. Troquei o iPod (que havia estragado dias antes) e as músicas pela recitação durante a corrida. E a corrida cada vez mais torna-se muito mais que um exercício físico.
A primeira série de 100.000 mantras que acumulei levou anos - literalmente. Totalmente errática.
Percebi que o motivo da procrastinação e total displicência tinha a ver com a motivação inadequada.
A seguir, acumulei 50.000 muito mais rapidamente - porque havia uma motivação importante. Essa série deveria ser de 100.000, mas suspendi porque iniciei outra, a que concluí hoje. E esta foi muito mais rápido do que eu imaginava porque desta vez eu realmente estava (e continuo) motivada.
A necessidade que sinto de gerar benefício tornou bodhicitta uma experiência muito mais vívida.
Minha série chegou ao fim com um sinal auspicioso. Um encontro totalmente inesperado no Parcão, enquanto eu corria e recitava. Mágico. Sublime. O universo mostrando que sim, que minha prática, por mais fajuta que seja, tem valor.
Eu recito enquanto corro, caminho, dirijo. Recito no supermercado, na sala de espera de consultórios, na fila. Não fico sentada recitando. Não tenho tempo (não, eu não quero deixar de correr para ficar sentada - ainda não). Minha recitação está longe de ser focada. Muitas vezes é mecânica, às vezes tão distraída que não sei se contei ou não (e sempre que fico na dúvida, conto de novo). Em algumas ocasiões é até meio de má vontade. Mas sigo recitando. Sigo dedicando os méritos. Sigo muito, muito motivada para gerar benefícios.
Amanhã já vou pra uma nova série. Com meu precioso contador analógico e este mala aqui, de pérolas e turquesas.


sexta-feira, 8 de maio de 2015

O horror gelado

Nunca gostei de Dia das Mães.
Agora odeio.
Fui visitar a minha hoje.
É pra acabar.
Não sinto dor.
Não sei o que sinto.
Horror.
Quem dera eu conseguisse chorar, gemer, qualquer coisa.
Me atirar no chão.
Gritar.
Arrancar os cabelos.
Rasgar as roupas.
Espernear.
Eu não consigo manifestar nada.
Fico lá parada, assistindo o espetáculo dantesco.
O corpo cada vez mais frágil. Ela pesa menos de 40kg. Toda enrugada. Cheia de escoriações de se coçar sem parar. Agora babando. Os olhos perdidos.
E eu? Petrificada. É como se estivesse sob o efeito de uma droga que me deixa incapacitada de me mover, mas consciente. Isso deve ser o inferno gelado do budismo. Congelada no meu horror.
Eu digo que desejo que ela morra de uma vez. Mas nem isso. Porque quando penso na morte dela me dá um nervoso. Eu não estou pronta pra isso.
Eu não estou pronta pra nada.

#Dia12


Começamos cedo. Treino com Rayra e Vanessa, as minhas amigas adequadas que são alunas de corrida da Rita, que é de novo minha treinadora de musculação e está focada em acabar com meu visual sequinho pra botar uns músculos. Eu quero me manter muito magra e leve, mas musculosa, que visual lombriga não me serve. Pra isso também estou tratando do ajuste na dieta com a amiga e nutricionista Fabi Hertel.
Mas hoje é sexta-feira, e vamos dar uma saidinha.
E amanhã tem longão. E terei minha nova dieta. Fabi já avisou que será complicada e que vai me dar um livro, pois receberei muitas receitas. Tô na maior expectativa. :)
E domingo o chatíssimo Dia das Mães, afff. Mas até essa data tola será bacana e divertida, Já estamos tratando do almoço. Que certamente não estará nada adequado à dieta.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

#Dia10

A ideia da hashtag surgiu no dia 27 de abril, numa tarde maravilhosa de sol no Parcão. Foi o #Dia1. Dia de agir conforme decisão já tomada, dia da retomada do que interessa. Dar nascimento elevado.
No #Dia10, tudo lindo. A começar por meu conjunto de anéis, a novidade do #Dia7, que aconteceu por acaso, antes de sairmos pra almoçar, a partir de um episódio que provocou muitas risadas. "Não é Tiffany's, mas é Bvulgari". É um conjunto de passados no presente.



Coisa boa transformar um jantar cotidiano em um momento de comemoração.
Paz e harmonia. Sossego.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Arenas








No domingo 26 de abril fui ver o Gre-Nal na Arena.
Ontem fui no Beira-Rio. Na torcida do Inter, pois não conseguimos ingressos pra zona mista.
Estádios lindos, jogos horríveis.
Me deprimi vendo o desempenho do Grêmio. Um clube tão grande, com tanta história, com uma torcida tão apaixonada, não merece um time como o atual. 2 x 1 ficou barato. Só não foi goleada porque o adversário também não estava lá grande coisa. Não me importo tanto com a derrota, isso é do jogo. Mas falta de brio, falta de esforço é triste. Revoltante. E irritante.
Pra completar, não acreditei quando vi os pedaços das cadeiras arremessados pela gentalha que se diz torcedora gremista. Vendo aquele papelão, aquela baixaria, me deprimi com a constatação de que está longe o dia em que os estádios não terão apenas zonas mistas, mas torcidas mistas.
Em ambos os jogos, fiquei encantada com o pequeno pedaço misto e multicolorido dos estádios. Ontem, quando o Grêmio marcou, o que eu achei bacana mesmo foi a vibração daquele pessoal.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

April, 27th

A day to remember.
In the morning I've thought about this song. That I've heard for the first time in Natural Born Killers soundtrack. OMG. Since then I love not only the song, but also Patsy Cline, country music queen, along with the mighty Dolly Parton.


It's been a long and rough road, but "now I'm back where I belong and in my baby's arms I'm gonna stay".
We belong, and now we are starting from the scratch. It is not a resumption. It's a new beginning.

domingo, 26 de abril de 2015

Cansei - e soltei

Cansei de fugir.
Cansei de me fazer de louca.
Cansei de erguer barreiras e me esconder atrás delas.
Cansei de reagir às coisas de uma forma convencional baseada em julgamento.
Cansei de reagir às aparências - mais especificamente, às atitudes dos outros - a partir das minhas fixações, de isso é bom (pra mim), isso é ruim (pra mim), disso eu gosto, disso eu não gosto, quero assim, não quero assim.
Durante o último retiro, tive uma dor na cervical e uma dor de cabeça terríveis. Um dos participantes era especialista em medicina chinesa e fez algumas manipulações. Melhorei, mas não fiquei curada. A dor se concentrava nas regiões ligadas ao controle. Ela se dissipou de vez na quarta-feira, quando comecei a agir de forma menos controladora e mais compassiva.
Ao afrouxar o controle, os conteúdos que estavam represados começaram a fluir. E percebi que há muito tempo eu vinha andando no sentido contrário ao que queria, sempre reagindo, sempre jogando, aumentando as minhas complicações. Fazer isso estava drenando minha energia, ia acabar afetando a minha saúde. Minha mente não tinha paz, o tempo todo planejando como manter as defesas e validar as fixações e os julgamentos.
Soltei. Soltei tudo.
Ontem fui dançar com amigas no Ocidente, e, enquanto o corpo se soltava na música, minha mente se soltava no espaço interno que se abria. E aí tocou I Follow Rivers, que ouvi no verão de 2014, em Capão, no carro - e foi daqueles momentos eternos: senti uma leveza, uma liberdade, uma alegria por estar onde estava, como estava, com quem estava. Sempre que ouço essa música lembro daquele momento e daquela sensação.
Agora vou sair pra correr nesse domingo de sol maravilhoso. I Follow Rivers está no iPod. E eu estou sentindo algo muito parecido com o que senti daquela vez. Liberdade, alegria, felicidade. Leveza.
Eu tenho muitas expectativas, muito desejos. Sei o que quero neste momento, o que eu queria faz tempo. Fiz os movimentos que podia para as coisas tomarem um novo rumo. O rumo que deveriam ter seguido há tempo. Não sei se o rumo que eu desejo será o rumo que se manifestará. Mas tenho uma certeza: haja o que houver, vou ficar bem. Feliz e em paz. Leve. Porque dessa vez eu fiz o meu melhor. Soltei os jogos mentais, sincronizei a mente e o coração, fui honesta. Comigo, com os outros. E minha bodhicitta incipiente me motiva a agir pensando na felicidade dos outros (e na minha), e não apenas nos meus desejos e fixações.
Haja o que houver, seja como for, no próximo final de semana, feriadão, irei pra praia. Pra ver o mar, correr na areia, e ouvir I Follow Rivers sabendo que estou seguindo meu rumo.


Dança comigo? Vem comigo?

sábado, 25 de abril de 2015

Olhar melhor

"Se você deseja fortalecer uma relação, não tem sentido fazer coisas que irritam ou aborrecem a outra pessoa. Você pode evitar fazer algo que, sabidamente, tornará seu amigo infeliz. Não há razão para ficar o tempo todo tocando em um ponto vulnerável. Ao contrário, você deve se ater àquilo que fará seu amigo feliz." — Chagdud Tulku Rinpoche


Os ensinamentos do retiro seguem reverberando.
Lucidez no cotidiano. Bodhicitta.
Tudo a ver com as relações pessoais, profissionais, todas.
As reflexões de ontem e de hoje pela manhã centraram-se nas relações e atitudes negativas, tóxicas, e na necessidade de dar nascimento elevado ao outro (e a si mesmo, claro).
Alguns relacionamentos desenvolvem um padrão nocivo de estimular o pior dos envolvidos nas ações de corpo, fala e mente. As pessoas se aborrecem, irritam e ferem mutuamente. Não só manifestam o pior em si e nos outros, como passam a olhar a partir dessa perspectiva.
Aí lembrei dos ensinamentos do lama sobre dar nascimento elevado. Para mim, isso significa ver o outro (e a si mesmo) pelo melhor aspecto. Olhar compassivo. Bodhicitta.
Se eu fixar meu olhar nos defeitos - meus e dos outros -, vou vibrar nessa frequência. Como esperar que o outro seja bacana, se eu o considero desprezível? Como desejar que o outro seja feliz, como agir para que ele seja feliz, se estou chafurdando nas recriminações e críticas? Se fico fixada nos aspectos negativos, reforço isso nos outros e em mim.
Agora é observar esses padrões quando surgem e dissipá-los.
Soltar.
Soltar.
Soltar.
E, enquanto a prática falha e a energia oscila, o lance é me cercar de pessoas interessadas em cultivar a mesma visão e buscar situações favoráveis. Evitar o que  me leve a pensar mal, falar mal e agir mal. E aos poucos purificar a mente das mágoas.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Amor e desejo - e apego

"Compaixão é o desejo de que os seres realizem sua natureza interna e se livrem de suas complicações. Essencialmente é o desejo de que o outro supere suas dificuldades e possa melhorar. Compaixão é reconhecer no outro sua natureza estável, perfeita, luminosa, sua condição verdadeira, quebrando o encanto dos jogos mentais que estão produzindo as complicações."
— Lama Padma Samten

Neste último retiro, meu amado professor falou muito sobre compaixão, sobre gerar bodhicitta.
O efeito foi potente. Refleti muito sobre meus percalços. Depois de transitar pela aversão e pelo apego, de sofrer por desejar isso e aquilo, finalmente estou começando a manifestar uma compaixão mais consistente. Não é assim uma bodhicitta, mas é um princípio.
Ontem recebi o texto acima no www.goawake.org.
Perfeito. Complementar.
Estou tentando solucionar meus conflitos com amor e compaixão. Saindo dos jogos. Dos julgamentos. Da distribuição de culpa entre os outros e eu. Quero ser feliz e evitar o sofrimento. Os outros também. Que eu possa ajudar. Ou pelo menos não atrapalhar.
Compaixão por mim mesma e pelos outros.
Desejo e apego? Tenho. Aversão? Também. Mas estou ampliando o olhar.
E terei um longo, longo caminho.
Hoje foi o dia do desejo/apego.
Começou tudo muito bem. A mente pacífica. Amorosa e compassiva. Mas aí... aí a percepção do amor não permaneceu estabilizada, e desejo/apego instalaram-se. E veio o sofrimento. Não é bom. Mas tem um lado bom: posso ver que existe amor, que sempre existiu. Eu achava que sim, mas estava sempre misturado com aversão, gostar e não gostar. Raramente havia se manifestado de forma mais pura.
Hoje o amor veio com o desejo e a fixação, mas veio forte. E consigo vê-lo em meio às emoções perturbadoras.
E agora? Agora é praticar o desapego.
Soltar.


quarta-feira, 22 de abril de 2015

22 de abril, 7 anos

Crystal clear memory.
Eu estava no CETE, o dia estava cinzento. Como hoje.
Antes eu havia levado a mãe pra primeira consulta com o neurologista a quem confiaria a saúde dela a partir daquele momento. Eu havia ficado horrorizada com o desempenho dela no Minimental. Na frente dela não falamos muito.
Mas não aguentei. Deixei a mãe na casa dela, onde morava sozinha, independente.
Fui pro CETE treinar. E de lá telefonei pro médico.
"Estou muito preocupada com a minha mãe", eu disse.
"Eu também", respondeu Francisco Rotta. E, quando ele falou isso, tão sincero, tão direto, fiquei surpresa com a franqueza, mas não com o significado.
Eu já sabia que era Alzheimer. Meus sensores haviam disparado quando ela voltou da praia.
Rotta disse que faríamos os exames para excluir outras possibilidades, mas que ele realmente achava que era.
No dia 28 de março passado, Rotta foi ver a mãe na clínica. É com ele que eu converso quando me angustio ou me desespero. É para ele que eu tenho perguntado o que esperar, o que fazer e como fazer ao longo desses longos anos.
Rotta achou que minha mãe está muito bem dentro da sua condição. E está mesmo. Eu sei, Eu sinto. Ele também avaliou que ela não sofre mais.
E me disse o que eu já sei: que ela não está mais ali. Foi uma conversa muito interessante e reconfortante. Expliquei meu ponto de vista como budista, de que a consciência grosseira de minha mãe está se dissolvendo na consciência substrato, alayavijnana. É isso que acontece na morte. No meu entendimento, Alzheimer é uma espécie de bardo da morte com o corpo ainda funcionando. (Tenho que perguntar sobre isso para o meu lama.) Rotta comentou que o que define morte hoje é a cessação da atividade cerebral. Pelo ponto de vista da ciência, minha mãe está morrendo aos poucos, à medida que o cérebro dela se deteriora. Para ele, minha visão está ok.
Enfim, não é mais minha mãe. A consciência daquela que foi minha mãe já se dissolveu. Ela não lembra mais de quem ela foi. Ela tem uma percepção momento a momento de si mesma e de todos os fenômenos que percebe. Ela percebe cada vez menos a si mesma e o mundo externo.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Nostalgia

Prática budista mais ou menos tem (muitas) armadilhas.
Vou pro Cebb e desintoxico. E aí o olhar muda.
E aquelas coisas que parecem tão sérias (e horríveis) no cotidiano perdem a solidez (que na verdade não têm). E aí a aversão se desfaz, e brota um perigoso abrandamento. Perigoso porque me deixa vulnerável a subestimar experiências negativas - e repeti-las com a motivação de fazer melhor, de corrigir o que não deu certo. Embora a motivação em princípio seja boa, a aversão dá lugar ao apego. E isso é muito parecido com trocar o seis pela meia dúzia. Antes achava ruim pela aversão, agora acho que pode ser bom pelo apego. Sofrimento certo.
Que dificuldade soltar as fixações, cultivar bodhicitta, achar o Caminho do Meio.
Todas as aparências são vazias. As qualidades positivas ou negativas são imputadas. Ok, ok. No nível absoluto, a talidade, um só sabor, a mente livre e desobstruída criando aparências e jogando com elas. Mas no nível condicionado certas ações causam sofrimento grosseiro. Para mim e para outros.
De volta à minha casa, com a missão de reduzir as fixações. Desenvolver um olhar amoroso e compassivo genuíno, desapegado.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O lema é


O Cebb é um lugar de poder. E eu recebo muitas bênçãos sempre que venho.
Ontem foi um daqueles dias mágicos.
O mais curioso é que as coisas vieram de fora. Conversando com três amigos queridos. De três cidades diferentes. Cada um deles falou coisas preciosas. Fatos que eu precisava saber, verdades que eu precisava ouvir.
Tudo à noite.
A conclusão de um processo iniciado durante o retiro de carnaval.

domingo, 19 de abril de 2015

Bodhicitta


A mente da iluminação.
A energia autossurgida, independente das aparências.
Essencial para se avançar no caminho.
Bodhicitta é a base para shamata (lucidez) e vipassana (silêncio).

Nos próximos retiros, vou tentar chegar um dia antes do começo.
No primeiro dia, estou sempre agitada demais.
No segundo, sinto sono, pois a mente enfim desgruda um pouco dos aspectos frenéticos do cotidiano e aí quase para.
Só então vem a acomodação.