segunda-feira, 20 de abril de 2015

O lema é


O Cebb é um lugar de poder. E eu recebo muitas bênçãos sempre que venho.
Ontem foi um daqueles dias mágicos.
O mais curioso é que as coisas vieram de fora. Conversando com três amigos queridos. De três cidades diferentes. Cada um deles falou coisas preciosas. Fatos que eu precisava saber, verdades que eu precisava ouvir.
Tudo à noite.
A conclusão de um processo iniciado durante o retiro de carnaval.

domingo, 19 de abril de 2015

Bodhicitta


A mente da iluminação.
A energia autossurgida, independente das aparências.
Essencial para se avançar no caminho.
Bodhicitta é a base para shamata (lucidez) e vipassana (silêncio).

Nos próximos retiros, vou tentar chegar um dia antes do começo.
No primeiro dia, estou sempre agitada demais.
No segundo, sinto sono, pois a mente enfim desgruda um pouco dos aspectos frenéticos do cotidiano e aí quase para.
Só então vem a acomodação.

sábado, 18 de abril de 2015

Pulseirismo


Na semana passada, voltei a usar minhas queridas pulseirinhas. Na verdade, as da linha Life da Vivara não são as mesmas. São novas.
Em março aconteceu algo inacreditável.
Perdi a minha pulseira mais antiga, que eu nunca tirava do pulso, com um olho grego. Não sei como pode ter acontecido. Eu lembro que estava com ela numa quarta à noite, treinando na pista. No outro dia havia desaparecido. Ou seja, o fecho abriu, e o fecho de segurança rebentou. E eu não vi nada disso acontecer. Não pude acreditar, mas foi assim mesmo. Revirei a casa, não estava. Caiu na rua.
Para completar, fui colocar a outra pulseira, com vários muranos, e na hora em que a vestia o fecho de segurança rebentou! Do nada. Não forcei, não puxei.
Pra evitar outra perda, fui na Vivara. Trocaram a pulseira toda.
Aí não resisti e comprei outra com um olho grego.
Para dar sorte. :) Até porque a pulseira anterior com certeza se extraviou levando energias densas com ela. Ainda bem.

Lucidez no cotidiano

Eu tenho muito mérito.
E cá estou de novo.
Meu professor perfeito está ensinando como cultivar e manter a lucidez no cotidiano, baseado em um roteiro de 14 conselhos pessoais.
Hoje pela manhã o Lama apresentou os 14 pontos.
Fiquei especialmente interessada em dois:
- Pacificar as relações em todas as direções.
- Desenvolver a capacidade de efetivamente ajudar os outros seres.
Tenho trabalhado muito nisso recentemente. Em certos casos, para pacificar e ajudar, o melhor é manter distância. Em outros, chamar pra conversar e colocar tudo às claras.
Não é algo apenas para relações pessoais. Vale também para o profissional.
Pra coisa funcionar, tem que ter a motivação correta. Nada melhor do que manter o sorriso, a leveza, a gentileza. Evitar clima tenso, confronto, hostilidade.
Desde que optei por manter a serenidade e não brigar, não entrar em discussões cujo resultado só seria desgaste e irritação, a vida ficou muito mais fácil em todos os aspectos.
E tudo e todos que têm energia densa, hostil, de confronto, estão se afastando naturalmente.



quinta-feira, 16 de abril de 2015

Até fartlek



Motivação é tudo.
Na hora que eu tinha que sair pro treino, desabou água.
Pensei em deixar pra amanhã.
Mas a chuva passou, e fui.
E como foi bom ter ido.
11km na pista. Destes, 6,6km de fartlek, 400m x 100m.
Eu agora gosto de tudo. Até de fartlek, que sempre detestei fazer.
O de hoje foi maravilhoso. Rápido. Sem sofrimento.
Tudo é uma questão de atitude mental.

Saí da pista elétrica. Aí fui brincar de selfie antes do banho.
E depois ainda encarei um supermercado.
Nada como uma boa dose de dopamina.
A corrida está ótima. Já a musculação... afff.

sábado, 11 de abril de 2015

Night out

Nina e Lin, parceria reativada. Alegria!






Sobre ontem à noite, posso dizer que foi muito bom.
Estreei o novo cabelo no Ocidente com duas amigas.
Nos esbaldamos dançando. Fazia tempo. E como eu gosto!
Noite totalmente gay, perfeita pra curtir o som e o ambiente.
Tenho que retomar essas atividades noturnas dançantes. O problema é o day after. Mesmo sem beber, fico acabada. Hoje era folga da corrida. Ia na musculação. Ia...
Fui pro shopping. E visitei a mãe. :)
E até agora, 17h45, não comi nada. Tomei café com leite de manhã. E foi isso.
Um absurdo. Que anda meio corriqueiro. Não tenho fome, nem vontade de comer. Me entretenho com outras coisas (quaisquer coisas) e esqueço das refeições.
E claro que. ficando tantas horas sem comer, aí mesmo é que não sinto vontade. Já estou observando o fenômeno. E vou tratar de melhorar isso.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Haja paciência


"Abençoe-me com paciência... Nâo oportunidades para ser paciente, essas já tive aos montes e não parecem estar funcionando. A verdadeira paciência..."

"Uma forma poderosa de melhorar nossos relacionamentos é aprender a reconhecer e a soltar nossas próprias projeções inúteis. Precisamos fazer isso para que possamos ver as outras pessoas de forma mais clara e aceitá-las mais plenamente como elas são. Em outras palavras, relacionamentos saudáveis envolvem um elemento de aceitação, ou o que podemos chamar de paciência." - 

Ontem perdi a paciência. E postei aqui, pra ficar registrado. Porque a prática vacila muitas e muitas vezes todos os dias.
O que me faz perder a paciência? Milhares de coisas. O trânsito. O supermercado. Internet lenta.
A implicância, os ataques velados. Falta de sinceridade, de coragem. Quer brigar? Chama pra briga. Está com alguma coisa entalada na garganta? Desembucha. Ou, mais civilizadamente, chama pra conversa e tenta esclarecer. Em vez de ficar alfinetando e falando pelas costas. Não tenho paciência pra esses jogos e pra fofocas.
Mas, enquanto não sou abençoada com a verdadeira paciência, vou tentar utilizar as oportunidades para ser paciente e praticar direito.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Notionless

Falta de educação, de consideração, de respeito.
Barreiras morais? Não.
Do ridículo tampouco.
Sempre dá pra descer mais, não é mesmo?
Não é mau gênio. É mau caráter.

A reação? Não reagir. Ignorar.

Melhor ainda: rir. Valesca Popozuda feelings.
"Late mais alto que daqui eu não te escuto."
"Beijinho no ombro pro recalque passar longe."
E para encerrar:
"Rala, sua mandada!"

O momento por aqui é:
"Beijinho no ombro só quem tem disposição."
Os dispostos estão se distraindo, hehehehe.
Beijinho no ombro e no todo, dos pés à cabeça.
Só love, só love, só love, só love...

terça-feira, 7 de abril de 2015

Bom dia!

Não sei vocês, mas eu hoje acordei excepcionalmente bem. Risonha. Vendo a graça das coisas.
É o conjunto de fatores prévios.
O treino de ontem foi maravilhoso, curto e intenso. Tiros de 300m.
Depois do treino, uma sensação que não se manifestava há quase dois anos: a excitação sensual dos sentidos, provavelmente pela inundação de endorfina, dopamina and the whole pack. A palavra que me ocorre para isso é o inglês arousal. É muito semelhante à excitação sexual, mas sem um objeto de desejo específico. Não é sempre que acontece, não sei exatamente o que desencadeia, mas imagino que seja a combinação de esforço físico muito intenso (e das reações químicas decorrentes) com a atitude mental de satisfação pelo desempenho. Porque só acontece quando o treino ou competição me agrada, claro. Depois de correr a maratona sempre senti isso.
Conversei a respeito há muitos anos com uma amiga maratonista, e rimos muito, porque ela disse que sentia a mesma coisa; terminava uma maratona e ia voando pra casa transar com o marido.
Depois da onda de excitação, vem a lassidão. Ontem fiquei extremamente cansada, mas não foi só pelo treino. Dormi pouco e mal durante o feriadão, bebi álcool, comi coisas exóticas para os meus padrões. Desmaiei ao deitar ontem.
A noite de sono foi reparadora. Acordei revigorada. E uma sessão de 50 minutos de meditação antes mesmo de levantar aguçou a mente. E me vi sintonizada num humor para rir. Rir de mim, sorrir para a vida. Sassy mood.
Essa coisa de rir de mim e do outro é algo que muito me agradava em um relacionamento recente. Era a melhor parte da parceria - a parte de que sinto saudade. Adoro gente engraçada e bem-humorada, companheira para dizer bobagens.


O que me fez rir de mim mesma hoje de manhã foi a infame indumentária. Pijama. Carpins pretos. E chinelo. Sentada na cozinha, tomando meu tradicional balde de café com leite e achocolatado, olhei para baixo e dei de cara com essas meias tão pretas, o chinelo cinza-claro e o pijama azul-claro. Que sexy, Lúcia Brito. Na verdade, só não gostei da (péssima) combinação. Porque do pijama velho de botões e dessas meias eu gosto, mas não juntos; o chinelo é simpático, digamos, e é confortável e é isso que me interessa. E eu sou rainha da autocomplacência em termos de vestimenta. Por que não seria?

domingo, 5 de abril de 2015

Aleluia!

Os dispostos se atraem e se distraem.
Me conheceu no Orkut. Disse que eu não adicionei. Jurei que foi porque eu não vi, porque eu sempre adiciono qualquer um nas redes sociais ("sociais", if you know what I mean). Especialmente um "qualquer um" tão singular, que se destacaria aos meus olhos anywhere, anytime.
Passaram-se anos, me reencontrou no ambiente que estabelece a nossa conexão primária. E aí foi pesquisar no Facebook até me achar. Não lembrava mais meu nome, fez trabalho de detetive e, sabe-se lá como, conseguiu me localizar. Me chamou no inbox. Como não responder a uma presença arcangélica? Oi, oi, tudo bem?, tudo bem, umas rápidas formalidades, e vem ele: "Posso te fazer uma pergunta?". "Pode." Eu esperaria qualquer coisa, menos o que ele queria confirmar. WOOOOOOOOOAAAAA! Não acreditei. Não acreditei que ele tivesse me reconhecido - e mais incrível ainda como havia me reconhecido. Quebrou a banca na primeira rodada. Conquistou crédito eterno na casa.
Isso foi em 2012, no momento em que eu estava reavaliando quem eu era, onde eu estava, o que eu queria e do que realmente eu gostava. Desde então, estamos nos atraindo e distraindo.
Conversando com ele, eu me vejo sendo eu de um jeito que eu não sou quase nunca. Com ele, eu sou eu no meu melhor, exercito uma sinceridade absoluta. Sou livre. Senhora de mim.
É divertido, é leve. E é muito sexy.
Ele não tem nenhuma conexão religiosa, não sabe nada de budismo. Achou graça quando eu disse que ele é do meu karma. Não só é do meu karma, como é uma presença benéfica, que se manifesta sempre que eu preciso lembrar de certos aspectos da minha natureza. O arcanjo me ajuda a ver quem eu sou, do que eu gosto e como eu posso ser eu. A luz que ele lança sobre mim corta meus apegos ao que não me serve e ao que gera karma negativo.
E ontem ele me mostrou que posso me manifestar livremente sem cruzar linhas éticas e morais, sem gerar karma negativo - pelo menos com ele.
Gratidão. Pela parceria e pela cumplicidade.

Vai, não vai

Ou é, ou não é.
Ou tem, ou não  tem.
Esse é.
Esse tem.
Esse sim!

sábado, 4 de abril de 2015

In the aftermath

You believe what you see, all the things that you know.
But oh, you don't know the depth of my soul.

Digo isso pra mim mesma.
E hoje, ao amanhecer desse sábado glorioso de outono, fui um pouco mais fundo in the depth of my mind.
E entendi o que me intrigava há meses em um relacionamento que eu percebia ser perturbadoramente parecido com o que mantive com minha mãe. O que eu tenho que aprender com isso? O que eu tenho que aprender com isso? Fiz essa pergunta centenas de vezes. Só que procurando a resposta no lugar errado. Eu olhava para fora. Eu via perfeitamente a interação. Mas não via o que existia em mim.
Hoje eu vi.
Vi como eu me comportava com minha mãe, reagindo à frieza dela. Percebi como eu repetia o padrão, geralmente de forma velada, sempre de modo inconsciente. Eu nunca havia realmente percebido.
Eu sabia que magoava e frustrava as pessoas próximas. Não nas coisas importantes, mas naquelas centenas de pequenas coisas que compõem o dia a dia. Um ex-namorado certa vez pontuou isso muito claramente (e eu entendi racionalmente, mas não consegui absorver). Eu me esforçava para não ser implicante e do contra. Mas era algo que irrompia em palavras e atitudes súbitas. Padrão. Resposta reflexa. Não agir assim era um esforço, eu tinha que me policiar para ser compassiva, e isso me irritava. E quando eu me irritava ficava ainda pior.
Tão mais fácil encontrar autojustificativas para o que, no fim das contas, era crueldade. Tão mais fácil olhar para os defeitos dos outros do que para os próprios. Esconder ou projetar.
O conhecimento liberta.
Soltei mais um nó.
Fiquei mais livre e mais leve.
Há uma reação emocional e física imediata: uma enorme alegria e contentamento pacíficos, uma vontade de sair festejando, riso e lágrimas. o afrouxamento do diafragma, a mudança na respiração.
Insight não é passe de mágica. Agora vem o processo de integrar isso.
Minha mãe nunca conseguiu demonstrar amor por mim, Nem eu por ela. Ela jamais disse: "Eu te amo" para mim. Nem eu para ela (enquanto ela era lúcida). Nosso relacionamento era tão frio e complicado que eu nunca soube se ela me amava (e tenho certeza de que ela se questionava sobre o meu amor por ela). Muito sinceramente, eu nunca consegui sentir amor entre nós. Meus terapeutas sempre garantiram que sim, que existia.
Fosse como fosse, minha mãe sempre cuidou de mim enquanto teve lucidez, Sempre. Sou grata a ela de modo incondicional. E tenho certeza de que muitas das minhas melhores qualidades floresceram pelo exemplo dela. Sou semelhante a ela por fora e por dentro.
Minha hostilidade em relação à mãe cessou em 2008, quando comecei a cuidar dela. Ver a deterioração da mente de minha mãe me abrandou. E acaba de me ocorrer que a doença dela tem sido um ensinamento para mim.
Minha mãe não sabe mais quem eu sou. Mas continua me ensinando. E me ajudando a ser uma pessoa melhor. E provavelmente existe muito mais dentro de mim além da sensação de gratidão e de dever em relação a ela.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Dissolução

Uma tristeza dolorosa, deprimente.
Saudade.
Um aperto no peito.
Mas um processo pacífico. Sem turbulência.
Irreversível.
Plena aceitação.
Lucidez sobre a inviabilidade e a necessidade de dissolução.
Desapego gradativo.
Inexorável.

"What is and what should never be."
O grande problema, como sempre, são as possibilidades especulativas turbinadas pela dupla desejo/apego. "What could have been." It could have been this and that, but it wasn't.
Além do que poderia ter sido, a memória seletiva focada nas (poucas) coisas boas. Obliteração das (muitas e muitas) coisas (muito, muito) nocivas.
Melhor assim. Muito melhor a tristeza pelo fim de coisas boas do que raiva do que era ruim.

Processo totalmente interno. Pessoal e intransferível.
Nada a fazer. Nada a dizer. Simplesmente soltar.
E não é soltar o que está fora. É o que está dentro.
AH
AH
AH


You believe what you see, all the things that you know.
But oh, you don't know the depth of my soul."

Para o despertar

"Sem saber quando iremos morrer, precisamos cultivar apreciação e aceitação das coisas que temos, enquanto as temos, em vez de ficarmos procurando defeitos em nossas experiências e buscarmos, incessantemente, preencher nossos desejos. "
— Chagdud Tulku Rinpoche.

"Curiosamente, todos os seres que estão em situações de sofrimento têm todos os argumentos para justificar suas ações equivocadas e não mudar. Quando a pessoa faz uma ação equivocada, não se dá conta e pensa que aquilo é bom, que trará benefícios para ela. É o veneno da ignorância atuando. A pessoa não percebe que está construindo um longo carma de sofrimento para si mesma."
— Lama Padma Samten.




Goawake é um app gratuito que envia citações diárias do Lama Padma Samten e de Chagdud Tulku Rinpoche. Instalei no meu telefone neste verão e passei a compartilhar as mensagens que recebo no Facebook. Minha singela contribuição para disseminar o Dharma e para fazer da minha rede social algo mais que um registro de atividades mundanas.
O que eu não imaginava é que essa ferramenta fosse me proporcionar tantos insights. O maior deles é perceber que, sim, eu estou avançando no caminho. Que já tenho internalizada em mim uma sólida compreensão dos ensinamentos. Não é um mero conhecimento intelectual. Percebo isso sem orgulho, sem vaidade, mas com uma imensa alegria. Porque eu prefiro olhar para o que tenho do que para o que não tenho, para o que falta. Em todas as situações.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

FemDom


Manda quem pode. Obedece quem quer, quem gosta, quem tem vontade.
Jogo consensual. Com regras muito claras, previamente combinadas. Com limites.
Tem que haver afinidade e química.
50 tons de cinza? Nunca pensei.
Nunca pensei em satisfazer vontades que não as minhas.
Nunca pensei tampouco em forçar alguém às minhas vontades.
Eu faço o que quero. Cada um faz o que quer.
Se há convergência no querer, ótimo. Se não há. ótimo também.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

E se?


O reino das possibilidades. Infinitas possibilidades.
E se eu tivesse dito sim? O que teria acontecido?
E se, e se, e se...
Existe uma qualidade de magia em pinçar qualquer instante do tempo, absolutamente qualquer um, e pensar: "E se?"
E se eu tivesse feito isso e aquilo? E se tal coisa tivesse sido de tal jeito? E se aquela pessoa tivesse feito tal coisa e não o que fez?
"E se?" pode ser um problemão. Tira do presente, joga pro passado e impulsiona pra devaneios sobre um futuro inexistente. Uma distração e tanto na vastidão do samsara. Em geral só serve pra gerar mais aflição, críticas a si mesmo e aos outros, acusações, coitadismo. Na versão mais suave, pensamentos melancólicos. Nas gradações mais intensas, tristeza, depressão, arrependimento, raiva, ódio.
"E se?" também pode gerar de alívio a grande alegria ao se perceber que, caso as coisas tivessem tomado outro rumo, o resultado poderia ser negativo. Ainda assim, especulação.
Acredito que possa haver algum valor de aprendizado em "E se?" quando se consegue fazer uma análise para tentar descobrir o que funciona e o que não funciona. Porque as experiências passadas com certeza produzem lições para o futuro. E é possível antever os resultados de certas atitudes.
Mas de modo geral "E se?" abre uma Caixa de Pandora. E se eu tivesse dito sim? Poderia ter sido maravilhoso se o resultado fosse tal e tal. Poderia ter sido horroroso se o resultado fosse tal e tal. 
Se, se, se... Não acaba nunca. Enquanto isso, o presente vai passando sem que se preste atenção.

A ideia agora é permanecer no presente. Isenta de "E se?". Refletir sobre o que me trouxe até aqui. E sobre quais as melhores atitudes para seguir pela trilha que desejo. Observar as possibilidades que estão se apresentando. Fluir com leveza. Soltar. Relaxar.
AH

terça-feira, 31 de março de 2015

Demorou, mas já é

Tudo começa na mente.
Minha mente foi extremamente beneficiada pelos retiros de janeiro e fevereiro, com Alan Wallace e Lama Padma Samten.
E é a isso que atribuo todas as mudanças que fiz desde então.
Os retiros propiciaram clareza. E geraram mérito para a remoção de obstáculos.
E bota remoção de obstáculos nisso: tudo que estava emperrado e estagnado andou (o movimento foi bastante doloroso em alguns momentos), tudo que era tóxico se dissipou.
Movimento.
Abertura.
Luz.
Ar fresco.

Mas teve algo ainda mais essencial que os retiros. A base interna.
Um pouco antes dos retiros, eu havia consolidado a prática da meditação diária.
E é isso que está mudando tudo pra mim. A meditação desencadeou uma onda luminosa que se expande por tudo.
O efeito mais notável é o foco, a organização.
Minha vida estava frenética e caótica. Muita correria e pouca rapidez. Dispersão geral.
A modesta prática meditativa está ajudando a diminuir o tumulto. É uma coisa tão pequena, mas tão espetacular.
Os efeitos são mais visíveis no trabalho e nos treinos.

A relação com o trabalho mudou. Toda ela.
Voltei a ser produtiva. Depois de anos da mais completa desorganização, acabaram-se os atrasos.
Não foi fácil. E tive dois grandes revezes antes de conseguir chegar ao ponto em que estou hoje, agora, no último dia de março.
As duas últimas semanas foram extremamente difíceis. Me vi sem perspectivas. Tive um momento de pânico. O que vou fazer agora? Regina, minha tutora, me tranquilizou: "Você tem muito mérito. Encare como férias, tire férias. Logo vai surgir algo".
Nem cheguei a ter férias. Mas desacelerei, descansei.
Me dediquei à finalização de um trabalho e fui buscar novos. Continuo buscando. E o primeiro já apareceu. E não poderia ser melhor.
Uma tradução budista. Um livro maravilhoso, de uma grande personalidade do Dharma, para uma editora com a qual tenho uma conexão de dakini. É uma nova modalidade de parceria.

Na corrida:
91km em janeiro
108km em fevereiro
226km em março

Em um mês, mais do que a soma dos dois anteriores.
Motivação é tudo.
Finalmente recuperei o prazer e o foco perdidos lááááá na sensacional maratona de 2013, que só não foi melhor porque o processo descendente começou um mês antes.
O que aconteceu comigo pra parar de correr direito não sei.
Mas sei o que aconteceu pra eu voltar: decidi resolutamente que voltaria. (Já havia decidido várias vezes, mas sempre fracassava, sucumbindo à confusão samsárica e me desorganizando. Simplesmente a vontade não resistia às pressões.)
No dia em que fui conversar com Leo Ribas na Sogipa, cheguei lá com o propósito de retomar o treino, de seguir a planilha. De fazer a coisa direito. E sem cobrar de mim mesma nada além disso: treinar direito, seguir a planilha. Abandonei as expectativas de voltar a correr como antes. E não estou pensando em competir.
Antes eu tinha ideias semelhantes, mas elas não eram claras o bastante. Eram inconsistentes. Desfocadas.
A mente clareou, o corpo começa a reagir. E está sendo 

E tem mais.
A interação social.
Um amigo muito querido morreu aos 44 anos, e isso me fez lembrar da importância de manter contato com as pessoas de quem se gosta.
Fui em busca de velhos e novos amigos.

Desintoxicada. Purificada. Leve. Focada.
Muito mais está por vir.

sábado, 28 de março de 2015

Acareação

Ele disse, ela disse...
Para acabar com o disse-me-disse, nada mais fácil do que perguntar diretamente.
Nada como exercitar o saudável e cada vez mais incomum hábito de falar a verdade francamente: "Eu fiz, eu disse, não fiz, não disse". E perguntar sem rodeios: "O que você falou? Você disse isso e isso? Você fez ou não fez?".
No fim de uma sessão de sinceridade, constata-se que a mentira tem pernas minúsculas quando se decide falar e ouvir a verdade. E se descobre quem falseou onde.
Aí é fazer a faxina e botar a vida em ordem.

Os estágios da putice

Primeiro, um puta choque.
Depois, uma puta raiva.
A seguir, uma puta tristeza.
Para resumir: uma puta decepção.

No fim, um puta alívio.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Bom dia!


Sexta-feira, sua linda!
O céu amanheceu cor de rato, esfriou, tem um ventinho. Friorenta que sou, já me puxei numa manga longa pra treinar daqui a pouco mais.
Antes, o tradicional balde de café com leite e achocolatado.
Semana cheia chegando ao fim. Conclusão de um trabalho. Encerramento de uma outra parceria profissional que desde o início tinha uma qualidade de instabilidade. Troca de treino de musculação, reajustado para a retomada da corrida, que, aliás, segue lindamente.
A transição do verão para o outono, a virada de ano astrológico trouxeram enormes mudanças.
Até no guarda-roupa, já que essa combinação de vermelho e branco nunca foi a favorita, hehehe. Gremistas entenderão.
A reviravolta no trabalho causa insegurança, mas ao mesmo tempo alívio. E a certeza de que, como tudo, é para melhor.