O tempo passa, o tempo voa, meus interesses básicos seguem os mesmos, variando na intensidade e sempre crescentes na diversidade. Em um dos últimos posts estava num revival voraz de Public Enemy. Hoje decidi voltar aqui no momento em que, por puro acaso mas feliz coincidência, ouvia (e sigo ouvindo) Wu-Tang Clan, que, vergonhosamente, pouco conheço. Lacuna a ser devidamente preenchida nas próximas horas e dias. Isso se eu conseguir controlar o drive abrasador que se instalou com - e por causa de - Interview with the Vampire, a série.
Vi as duas temporadas no fim de semana, no domingo assisti à estreia da terceira. Na segunda-feira baixei o episódio com legendas pra saborear plenamente a riqueza do texto; só de ouvido não consigo. Também comecei a ler a saga de Anne Rice - e estou revoltada com os comentários desairosos de Louis a respeito de Lestat. Assim como, ao longo das duas temporadas da série, me revoltei com a renitência de Louis em se render ao amor selvagem de Lestat e, em vez disso, devotar-se a Claudia, cuja destruição me causou grande satisfação já no filme de 1994, meu primeiro contato com IWTV. Acabo de baixar o filme para reassistir hoje ou amanhã. Sábado será noite de NBA.
Mulher de pouca fé, ontem bati em retirada para o quarto e para a leitura quando Nicks perdia por 22 pontos para o Spurs. Não queria ver uma derrota, ainda mais uma derrota acachapante. Boa decisão, porque eu teria passado mal naquele final ensandecido. Não é a primeira vez, e é altamente improvável que seja a última, que desligo a TV para me poupar do sofrimento pela derrota de alguma equipe para a qual esteja torcendo. Mais intensa do que o sofrimento por algum placar é a ansiedade no clutch time. Dado o meu histórico e minhas propensões, ansiedade é algo que evito em todas as suas nuances. Como não consigo impedir que a sensação se manifeste mesmo em jogos de equipes para as quais decido torcer de modo aleatório, a tática é sair de campo.
A derrota do Philadelphia Eagles para o KCF em 2024 foi um festim diabólico de ansiedade e sofrimento. E foi a partir daquele Super Bowl que adotei a sábia estratégia. No caso de IWTV, o começo da terceira série me deixou alarmada com a possibilidade de Lestat ser destruído. Antes de dormir, pesquisei (1) se Lestat era destruído e (2) se ele e Louis enfim ficariam juntos. Foi muito satisfatório ler a cena do casamento escrita por Anne Rice para um fandom. Finais felizes, os preferidos.
Tranquilizada em meus temores, bring it on!
As artes são uma fonte de deleite, exploração e expansão sensorial desde que comecei a ler. Lembro até hoje de um dos primeiros livros que li, uma lembrança difusa, um livro de histórias das Arábias, com ilustrações desenhadas em preto e branco. Queria muito saber que livro era esse, não tenho a menor ideia. Com a mudança de casa, estou arrumando minha biblioteca - tentando arrumar, procrastinando, lutando contra a repulsa pela tarefa da qual não há escapatória - e dessa vez ia descartar os cinco livros que guardo desde a infância - Pollyanna e Pollyanna Moça, clássico água-com-açúcar de Eleanor H. Porter; Para uma Menina com uma Flor, poemas de Vinicius de Moraes, e Olhai os Lírios do Campo, romance de Erico Verissimo, ambos presentes de minha tia Tânia; e A Cabeçuda, de Emmy von Rhoden, na família desde a juventude de minha mãe, livro que achei chato e besta quando li nas priscas eras. No fim está me faltando coragem de despachar esses cinco para o sebo, então vão ficar aqui por mais um tempo. Erico pretendo reler. Foi um presente ousado de minha tia para uma menina que completava 11 anos. Lembro que fiquei desconcertada com a trama, bem diferente dos romances melosos para mocinhas que eu costumava ler.
Vou reler Olhai os Lírios do Campo quando me desvencilhar do fascínio do vampiro Lestat, ao qual estou alegre e voluntariamente entregue. Ansiosa pelo desenrolar da nova temporada, empolgada pela troca de narrador e, consequentemente, de toda a estrutura narrativa, e (ainda mais) fascinada pela atuação de Sam Reid. Esse meu absoluto encantamento foi uma deliciosa surpresa. Resolvi assistir à série sem levar a menor fé. E fui instantaneamente fisgada pelo roteiro. As adaptações ao original de Anne Rice, a começar por um Louis negro na virada do século 20, deram mais profundidade e complexidade à trama. Roteiro, atuações, figurinos, cenários, trilha sonora, efeitos especiais, tudo me agradou e conquistou. Que venham os próximos episódios e me inundem de emoções.
Que venha o jogo 5 dos playoffs da NBA. Com um final feliz.