quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Rosas, Lux, estrela


Minha primeira tatuagem colorida.
Minha maior tatuagem.
De certa forma, ligada à ex-namorada.
Antes de seguir na tatuagem, uma percepção curiosa: o quanto tornou-se fácil e natural para mim falar da ex. Ou melhor, escrever sobre a ex aqui. Um dos elementos sem dúvida é ter, ao longo do tempo, assumido plenamente para mim o amor por uma mulher, o desejo por ela e de viver com ela. E, encerrado o relacionamento, o olhar que, combinado à saudade, repassa momentos e aprecia com imenso afeto e gratidão a presença e a importância dessa pessoa.
Eu sempre quis que fizéssemos uma tatuagem juntas. Não conseguimos decidir o quê. Pensei na palavra "amor" em sânscrito, mas não consegui descobrir qual das inúmeras variações era adequada ao nosso amor.
Há pouco tempo, tive a ideia de fazermos uma rosa, porque é a flor de Santa Rita de Cássia, que Rita tem tatuada no braço e por quem nutre devoção. Escolhi modelos de rosa semelhantes ao que tatuei. Ela não curtiu, mas eu decidi tocar adiante.
Na última terça-feira virou realidade. Projeto e execução de Jean Etienne, "El Xixo", do Kadu Tattoo e Piercing (que conheci por intermédio de Rita há alguns anos e que fez vários outros trabalhos em mim).
Foi incrível ver o desenho tomar forma, as agulhadas de tinta se transformarem de manchinhas em uma imagem realista, com grande detalhe de tons e profundidade. Estou completamente apaixonada pelo resultado. Eu não havia imaginado que ficaria tão lindo, que eu gostaria tanto.
E por que rosas?, fiquei pensando, tendo em vista não estar mais com Rita. E a resposta veio na véspera da sessão de tatuagem, instigada por Carla. Porque rosa é a rainha das flores. É a flor mais feminina. É a flor que se dá às mocinhas, às mulheres, à esposa, à namorada, à amante, à mãe, às santas. É a flor do feminino. E o feminino adquiriu todo um novo significado em minha vida.
Por ser algo tão ligado ao feminino e à sensualidade, minhas rosas são cor-de-rosa. Não vermelhas, pois vermelho é paixão, sexualidade - e é a cor de Marte, do masculino.



Na mesma sessão, fiz uma estrelinha ao lado de "Lux".
"Lux" é minha primeira tatuagem compartilhada. Com minha amiga Carla. Minha primeira amiga gay, minha mentora no universo lésbico, por assim dizer.
No começo do mês, ela falou que estava afim de tatuar Lux, que é como me chama às vezes, por eu ser uma presença luminosa. Nossa amizade nos faz bem. Achei a ideia um barato e disse: "Bah, eu deveria tatuar Lux também!". E ela: "Vamos. Te dou de presente" . E fomos. Fiquei emocionada por uma pessoa querer fazer uma tatuagem em minha homenagem. E adorei tatuar uma palavra que uso como codinome há anos, que é a raiz de meu nome - e que sem dúvida diz muito de mim.
Ontem retribuí o gesto de reconhecimento da amizade tatuando a estrelinha. Foi totalmente espontâneo, estávamos conversando e comentei que ela tem muitas estrelas tatuadas e estrelas por tudo, "É o meu símbolo", disse Carla. Aí brotou: "Pô, então eu deveria tatuar uma estrela". E aí está ela.
Lux & Star. Let it shine.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Gratidão

Hoje foi um dia em que me senti especialmente grata. Por muitas e variadas experiências.
A mais importante foi a sensação de acolhimento e carinho de minhas amigas. Empoderamento feminino. Mulheres muito diferentes entre si, mas todas dotadas de olhar sábio e compassivo. A visão de cada uma ampliou a minha perspectiva e reforçou a nitidez do cenário.
Gratidão também pelos encontros semanais de análise do discurso no Instituto de Letras da Ufrgs. Outra experiência de ampliação de perspectivas. Um sonho tomando forma concreta - graças a uma dessas amigas incríveis, que me indicou para a coordenadora do projeto.
O técnico do meu computador, que veio em socorro rápido. O HD quebrou. Amanhã a máquina voltará consertada.
E à ex-namorada, que me deu muitas coisas e com quem vivi muitas experiências importantes de autoconhecimento.

sábado, 20 de agosto de 2016

O olhar e o tempo

"Impelidos pelo desejo, deixamos de apreciar e valorizar aquilo que já temos. Precisamos nos dar conta de que o tempo que temos com aqueles que nos são caros - nossos amigos, nossos parentes, nossos colegas de trabalho - é muito curto.(...) Sem saber quando iremos morrer, precisamos cultivar a apreciação das coisas que temos, enquanto as temos, em vez de ficarmos procurando defeitos em nossas experiências."
- Chagdud Tulku Rinpoche


Hoje faz um mês que minha filha foi morar em São Paulo. E que meu namoro chegou ao fim.
Tempo que passa. Vida que segue.
A ida de Lízia não me causou sofrimento. Nem saudade sinto porque ela está dentro de mim e por tudo. Não experimento sensação de ausência. A maternidade é uma experiência perfeita. Lízia é a melhor filha que eu poderia ter. Mesmo com diferenças e brigas eu sempre vejo as qualidades. E saber que ela está feliz, seguindo sua jornada, me deixa feliz. Totalmente feliz e em paz.
Já o fim do namoro... é a perfeita experiência de sofrimento. Porque eu amo e sou amada. Muito. E a separação parece artificial e fútil. Desperdício de um tempo precioso e de uma experiência que poderia se prolongar, aperfeiçoar (e nos aperfeiçoar) e trazer muita felicidade. Lamentavelmente, o olhar desviou-se da beleza e foi para os defeitos, deixou de apreciar e valorizar o que se tem (ou tinha).
Tenho consciência de que o sofrimento não é por amor, é por apego à experiência de amor. Agora é aquele processo de separar uma coisa da outra. E ter a sabedoria de conservar o amor e soltar do apego - e não o contrário.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Seguindo


Muitas vezes o caminho é acidentado. Estrada de terra, buracos, curvas fechadas, pista escorregadia, caminho estreito na borda de um penhasco. A paisagem de tirar o fôlego - um vale esparramado em meio a montanhas, uma praia recôndita, uma cachoeira - vale o risco e o esforço. Tem que aproveitar a viagem, curtir todo o trajeto.
São muitos os caminhos. As estradas se bifurcam.
Que eu sempre tenha discernimento para escolher os caminhos mais bonitos. E guarde na memória todas as belas jornadas e os cenários deslumbrantes onde estive.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O demônio interior

O nome dele é ansiedade.
Manifesta-se das mais variadas formas em todos os momentos.
Astucioso, esconde-se por trás de outras sensações que ele mesmo desencadeia.
Olhar para ele faz com que se manifeste mais ativamente. Vejo que estou ansiosa e aí mesmo é que fico mais ansiosa.
"Mais rapidez e menos correria." A ansiedade provoca uma enorme correria e zero rapidez no sentido de eficiência para lidar com as situações. Um turbilhão que não leva a lugar algum. A mente salta sem parar, o corpo também se agita.
Respirar. Ficar dentro e não fora. Atrair a mente dispersa que saltita loucamente entre o passado e o futuro.
Ho'oponopono é ótimo para apaziguar.


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Inked


Ao organizar as fotos de minhas tatuagens para postar no Instagram, percebi pela primeira vez a harmonia do conjunto. Incrível, pois foram feitas sem levar isso em consideração.
"Sabedoria" e "Compaixão" nos pulsos e o Mani nos braços, em grafia indiana e tibetana, foram os únicos conjuntos. E nesse conjunto houve uma harmonização anos depois, quando acrescentei os olhos do Buda para equilibrar com a flor de lótus.
Olhar esse mosaico me encantou.
Caso finalmente a flor de flamboyant venha para a pele, meu conjunto será reconfigurado. A flor ainda não foi tatuada provavelmente por isso.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Correndo atrás



Tá difícil, afff. Mas tá indo. Muito aborrecida com o peso atual. Há uns quatro anos não ficava tão pesada e gorda. A meta principal é baixar. E aí ver o que acontece com a corrida, que estava uma bosta muito antes. Na real, a corrida está melhorando mesmo com os quilos extras.
O sobrepeso veio no rastro de uma medicação, suspensa por suspeita de haver provocado alterações na função hepática.
Bem, tudo tem um lado positivo. O desejo de voltar à forma ajuda a manter o foco no treino. Mesmo com frio, chuva, vento, o que for.
Por enquanto, ainda saio de casa pra treinar meio de má vontade. Mas o treino em si já estou curtindo. Quero voltar à forma e resgatar o entusiasmo que sentia ao sair pra treinar.

terça-feira, 26 de julho de 2016

O que tenho para dar

Cada um é o que é e dá o que pode.
Esses são meus presentes. Representam o melhor e o mais essencial de mim. Meu coração.
Como é bom sentir o desejo de compartilhar o que se tem de mais precioso. Melhor ainda fazê-lo.


Infelizmente não é só isso que existe em mim. Em alguns momentos manifestam-se qualidades bem menos nobres. Como a raiva. Nem sempre dá para conter. Quando não consigo, tento ao menos não fazer algo estúpido demais. Extravasar em objetos, não em pessoas. Rasgar, quebrar, deletar, jogar fora. De preferência, de boca fechada. De modo geral, não tenho cometido atrocidades, e no fim esses arroubos são uma boa limpeza. Junto com a energia irada, descarto objetos desnecessários ou inconvenientes. Abrir espaço.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Dia 2

O novo ímpeto para definir a qualidade da mudança de vida deflagrada com a partida de Lízia entrou em ação ontem mesmo. A mente e o coração ficaram mais leves e pacificados, e o trabalho rendeu. O corpo também foi integrado e reagiu com uma disposição que andava em falta.
Me pesei. 59,7kg. Horrível. Hora de correr atrás. Inclusive literalmente.
Aproveitei o solzinho fajuto e corri 6km no Parcão em três pernas de 2km. E consegui manter um pace alucinante para o atual momento: 5:01 - 5:00 - 5:04. A média nas raras corridas dos últimos meses fica em 5:15 - 5:25.
Depois de duas semanas ausentes, fui à academia.
Ia dar o dia por encerrado, mas fui chamada para patinar com um Rollerblade. E lá fui eu. E foi bom! Caí só uma vez nessa terceira experiência com roller. Patinar é um desafio extremo. Meu equilíbrio é muito ruim e isso me deixa desajeitada e medrosa sobre rodas. Ímpeto para melhorar a qualidade da experiência.


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Dia 1

A partida de Lízia vinha mexendo comigo há tempos. Na última semana foi difícil. Na véspera fiquei atordoada, mas tive uma sessão de terapia cujos insights acabaram me trazendo paz na tarde de hoje, depois de Lízia já estar em São Paulo, feliz e bem instalada na casa dos dindos.
Lízia mudou minha vida ao nascer. E está mudando minha vida de novo ao sair de nossa casa. Pela primeira vez vou morar sozinha. Tão importante quanto isto é, que pela primeira vez também, não estou sentindo o afastamento físico e a distância como abandono. Eu estava sofrendo com a mesma reação infantil e inconsciente de sempre. Sentindo como, se ao ir para outra cidade, Lízia estivesse me deixando aqui abandonada, deixando para trás tudo que sou, tudo que somos e temos juntas. Pela primeira vez consegui ver que essa visão é distorcida, que isso não existe em lugar algum a não ser em minha mente - nem vou comentar o princípio budista de que a realidade de cada um é a visão criada em sua mente.
Lízia estará comigo e eu estarei com ela para sempre. Eu estarei com ela mesmo depois de morrer. Nosso vínculo e nosso amor permaneceriam mesmo que ela tivesse ido para outro planeta.
Para a maioria das pessoas, essa percepção é tão óbvia que parece ridículo ficar pensando nisso. Mas para mim nunca foi assim. O afastamento - e especialmente as separações e rompimentos - pareciam o fim de tudo.
No momento em que consegui sentir a percepção de que eu e Lízia seguimos juntas como sempre - e para sempre -, veio a paz, a tranquilidade, o alívio. E também um novo ímpeto.
Minha vida mudou com a chegada de minha filha preciosa. E mudou com sua partida.
A qualidade dessa mudança depende de mim.
Minha vida mudou para melhor quando Lízia nasceu.
E hoje senti que vai mudar para melhor de novo a partir de agora.
Já começou.

Na sessão de terapia de ontem, Letícia perguntou o que eu gostaria de mudar em meu relacionamento com Lízia. Não soube o que responder. Comentei apenas que gostaria de que fôssemos mais próximas.
Hoje entendi por que não soube o que responder. Não gostaria de mudar nada. Fui e sou a melhor mãe que pude e posso, Lízia é a melhor filha que eu poderia ter. Eu não gostaria de  mudar nada no sentido de mudança radical, de sermos diferentes. O que eu gostaria de fazer é o que fiz nesses vinte anos: mudar apenas para ser cada vez melhor.
E a mudança física de Lízia abre a possibilidade para ficarmos mais próximas.

Home alone

Minha filha começa hoje uma nova e incrível etapa de vida. Foi morar em outra cidade, vai seguir a faculdade e a carreira lá.
Aqui em nossa casa, agora só minha (e de Lelonid e Ludox), começo também uma nova etapa de vida. Pela primeira vez vou morar sozinha.
Morei com minha mãe. Morei com meu ex-marido. Morei com ele e com Lízia. Morei com Lízia.
Nunca morei sozinha.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Mourning

Fentanyl.
The more the time, the more the sadness.
It's like missing a dearly beloved friend, someone who has always been there. You never expect these things to happen.
Sometimes the loved one was more present, and there were times one barely remembered their existence. And then suddenly that lifetime friend is no longer there.
And then you miss them intensely, acutely, painfully, bitterly, hopelessly.
But the genius leaves a legacy behind. And one can rejoice with it. And celebrate their life and achievement.


sexta-feira, 13 de maio de 2016

Tchau, querido


O tempo fechou. O mar cresceu, cresceu, cresceu. Veio a tempestade. E a onda.
Uma tremenda liberação de energia. Uma manifestação da força essencial.
Vi de onde a energia tempestuosa brotava e por que estava se avolumando, escapando apenas pela roedura dos dedos. Flavia, minha melhor amiga (que conheci pela internet, como tantas pessoas tão queridas e/ou importantes na minha vida) fez a analogia perfeita: rebentei o cercadinho. Já era.
Foi-se o medo de perder o (falso) ambiente seguro, de sair da zona de (falso) conforto. Na verdade o medo estava presente, mas a coragem e o amor-próprio falaram MUITO mais alto dessa vez. Acabaram-se a paciência e a complacência. A segurança que eu tinha era a de caminhar sobre gelo cada vez mais fino. E o conforto era fazer isso com pouca roupa e sapato com solado gasto.

Fiz uma declaração dos valores que me norteiam e do meu valor pessoal.
A line in the sand. (Expressão idiomática. Não adianta usar o Google Translator, como costuma fazer quando escrevo em inglês, viu?)
Terapia não funciona, neh non? Vai vendo.
Na terça conversamos sobre a raiva e a agressividade. Ontem, sobre um possível padrão de querer juntar os pedaços depois que as coisas estão destroçadas, perdidas.
E aí deu pro cercadinho, que já estava bem avariado. Do qual eu já saí, mas ficava por perto - e, pelo visto, remendando aqui e ali, tentando conservar. Desapeguei. Tchau, querido!
Foi um momento um pouco turbulento. Mas necessário. Como disse Laura, minha irmã de sangue e alma, tudo acontece na hora certa, do jeito certo. Flaviana (outra amiga que o universo trouxe pela internet) comemorou comigo as transformações que viu ocorrerem em menos de dois meses.

Laura, Flavia e Flaviana. Quis citar as três hoje porque são mulheres que me empoderam como mulher. Reforçam minha autoconfiança, estimulam meu amor-próprio, alegram-se com minhas conquistas (por ínfimas que sejam), celebram comigo. Me dão força quando eu fraquejo, me consolam quando eu desanimo, me estimulam a ir em frente nessa incrível jornada de redescoberta.
Há muitos anos, uma outra mulher, outra terapeuta, Kátia, me disse que a raiva encobre o medo. Agora, com Letícia, estou examinando essas camadas. Ontem, consegui aproveitar a raiva e a agressividade de modo positivo, gerando autorrespeito, dignidade. O medo diminuiu, a coragem e a autoconfiança aumentaram.
Gratidão a Rita, cuja presença proporciona oportunidades para meu crescimento emocional, moral, espiritual, profissional e financeiro. Mestra que o universo enviou para esse aprendizado crucial.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Grrrr

Raiva.  Agressividade.
De onde vêm? Para onde vão?
Foram as perguntas de ontem. E temas de reflexão desde então.
No início dessa semana, sonhei com um mar alto, grosso, sombrio e ameaçador. Em estado de vigília, percebi a sensibilidade ao comportamento alheio. Impaciência e irritação com coisas que não são minhas. E comigo mesma, por me perceber sucumbindo a essas emoções e, mais que isso, me colocando em situações onde fico vulnerável à intromissão alheia. No físico, alergia e roedura dos dedos exacerbadas.
Agora, a meta é canalizar essa energia para ações construtivas e positivas. O que certamente vai requerer maior compreensão do processo. Enquanto isso, sigo me observando e me mantendo reservada, evitando ações e palavras impulsivas. Focada no trabalho, cada vez mais empolgante.


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Fui!

Foi ontem que eu fui. Dia 3.
Agora, na pausa pra fazer um café solúvel e seguir no Egito, vim postar essa foto só pra deixar registrado.
Eita! Depois de um tempão de elucubrações e umas poucas iniciativas abortadas, finalmente calhou de dar.
E foi bom. Bem mais que bom. Leve, divertido, intenso. Melhor do que o imaginado, mas conforme o esperado.
O carma tem coisas muito interessantes.
No meio da tarde agradável de ontem, lembrei que na véspera, dia 2, completaram-se quatro anos da cirurgia da hérnia de disco. Posso dizer que a comemoração de ontem fez jus ao trabalho do cirurgião.
E agora de volta ao Egito, que tem muito mais por vir. E muito mais para eu ir.



terça-feira, 3 de maio de 2016

Que venham!

São pessoas assim que fazem diferença.
Além de querer tê-las por perto, quero ser assim também.
Ontem, três dessas incentivadoras apareceram por acaso depois de uns tempos sem falarmos. Foi daqueles momentos em que o universo mostra nitidamente que está ouvindo e atendendo os pedidos.
Empoderamento.

Gently weeping

The more the time, the more the pain.
Dearly beloved, Deeply missed.


Adoro essa música. Adoro essa versão, que era uma das poucas coisas disponíveis de Prince antes do lamentável 21/04. E hoje, que era ontem, mas agora agora já é hoje, topei com esse vídeo de novo.
Estou ouvindo sem parar. E fiquei pasma ao perceber o quanto a vibe muda quando Prince começa a solar. Eu não estava vendo, estava apenas ouvindo. E senti a mudança.
Vendo eu já tinha sacado desde a primeira vez. A música vem vindo normalzinha, morninha, pra mim sem graça. E aos 3:27... BUUUMMMM!
É um senta lá acachapante. Prince é tão melhor, tão maior. Majestade.
Desde sua morte, estou muito voltada para seu talento como guitarrista. Meu ex-marido, que sabe o tamanho de Prince em minha vida, surtou quando confessei que nunca tinha dado o devido valor às habilidades dele na guitarra. Acontece que o que mais me tantalizava em Prince era a safadeza. A franqueza sexual envolta em rendas e babados, extravasando pelas roupas justas, desfilando de salto alto, dançando sugestivamente, gemendo e gritando em falsete. Como aqui:



quinta-feira, 28 de abril de 2016

Baby you're a star

A morte de Prince há uma semana deflagrou uma inundação do YouTube.
E finalmente posso assistir de novo a apresentação no Rock in Rio 1991.
Eu estava lá!
Foi a única vez que vi Prince ao vivo. E que show! Que show!
Aos 32 anos, Prince reinava absoluto no palco. Artista consumado.
Faz 25 anos.
O som de Prince não envelheceu.



sexta-feira, 22 de abril de 2016

The beautiful one


21/04/2016
Um dos dias mais tristes de minha vida. Uma das piores notícias que já recebi. Menos mal que fiquei sabendo por minha preciosa filha, que me ligou e disse: "Mâmi, aconteceu uma coisa muito ruim".
É daqueles acontecimentos que lembrarei pra sempre de onde estava no momento em que soube.
O pior de tudo foi a surpresa. Prince estava incrivelmente inteiro, aparentava muito menos idade. Eu tinha certeza de que ele viveria muitos e muitos anos.
A tristeza e o vazio são iguais ao que sentiria com a morte de um amigo chegado. Como disse Marcelo, um amigo imaginário real.
Prince é meu artista favorito. A importância dele em minha vida só é comparável à de Robert Plant.
Lembro da primeira vez que vi e ouvi Prince. Foi no Fantástico, que exibiu o clipe de "When Doves Cry". Não gostei - e nem lembro por quê. Creio que achei brega, porque eu ainda era mais ligada em rock. Me livrei da impressão totalmente errônea graças ao meu professor de aeróbica Beto Teixeira, que tocava muito Prince nas aulas.
A paixão e o amor por Prince e pela atividade física surgiram mais ou menos juntos e seguiram juntos. Nas dezenas de anos em que que corri ouvindo música, Prince sempre esteve no setlist. (Esse hábito só deixou de existir no ano passado, pois meu iPod estragou, e comecei a recitar um mantra enquanto corro, usando a corrida como uma meditação ativa e um momento para acumular mérito em benefício de outros.)
Minha vida mudou pela primeira vez numa sala de cinema, quando assisti The Song Remains the Same e descobri que um homem podia ter a aparência e a voz de Robert Plant e que havia uma música feroz, selvagem e apaixonada como a do Led Zeppelin.
E foi numa sala de cinema que minha vida mudou de novo anos depois, quando assisti Purple Rain e concluí o que permanece até hoje: Prince é o artista mais fascinante que conheci. Um dos músicos mais talentosos da humanidade.
Prince me fascinou igualmente como pessoa. Híbrido. Múltiplo e muito além do convencional. Para mim, o homem mais bonito e mais sexy. Meu padrão de beleza e minhas preferências nunca mais foram as mesmas depois de Prince com seus saltos altos, delineador, penteados e figurinos provocantes mesmo quando coberto da cabeça aos pés.

The beautiful one.
The one and only.
The continental, the main thing.
Dearly beloved.

Que alegria e bênção ser contemporânea de Prince. Que incrível privilégio tê-lo assistido ao vivo, ainda que apenas uma vez. Que felicidade ter consciência de seu talento. Que prazer poder ouvir seu legado.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Inaceitável


Certas coisas não são direito de opinião. Homofobia, misoginia, machismo, racismo, defesa de ditaduras, apologia da tortura, ameaça à democracia. Comigo não.
Fiquei chocada ao ver amigos que curtiram a página desse lixo, dessa aberração. E fiquei magoada. Para mim foi um bofetão. Me senti pessoalmente agredida.


Para que esperar a gentileza? Eu mesma tratei de me excluir. Porque magoada fiquei. Mas não preciso acabar ressentida.