domingo, 10 de junho de 2018

Vida corrida

Sem corrida.
Sem sentir a menor vontade.
Sem sentir a menor falta.

O que me move hoje é o treinamento funcional.
Novos desafios.
Novo olhar para o meu corpo e para as minhas aptidões físicas.


Hoje teve maratona em Porto Alegre.
E teve chuva sem parar. Tempo horroroso.
Só pensei: que maravilha não estar inscrita.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Banalização

Da vida.
Da morte.
De tudo.

Dia de olhar pro embrutecimento da humanidade.
Desumanidade.
Zero empatia.
A indiferença e o ódio pelo outro inundam o mundo real e virtual.
Frieza.
Crueldade.
 
A tristeza me sugou para uma buraco negro de estarrecimento doloroso.

Matheus Pessareli
Marielle Franco

Incontáveis milhões.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

O que é, o que é


Até menos de uma hora atrás, eu nunca soube dizer qual era meu alimento favorito. Antes de me tornar vegetariana, era carne vermelha. O horror.
Quando parei de comer carne, meu paladar despertou para tudo que eu ignorava. O reino vegetal praticamente inteiro.
Já havia cogitado que talvez meu alimento favorito fosse pão. Ou massa. Ou sorvete. Mas nunca senti firmeza nessas possibilidades. Atualmente nenhum deles é presença constante no meu cardápio. O pão é frequente só porque tenho máquina e faço eu mesma.
Então hoje ganhei rúcula e agrião orgânico de minha colega de trabalho Priscila. Enquanto lavava essas folhas aí de cima para jantar, fez-se a revelação: meu alimento favorito há décadas são as folhas verdes. Rúcula, a campeã. Agrião, nirá, mostarda, couve.
Abrindo um pouco e definindo melhor, meu alimento favorito são vegetais crus. Porque tem cenoura, beterraba, abobrinha, pepino, pimentão, alho-poró, repolho, brócolis, couve-flor. Tudo que possa virar salada.
É muita distração eu jamais ter atentado para algo tão óbvio. Postei essa foto no FB comentando a incrível descoberta e uma amiga me zoou: "Eita...os donos de restaurante com buffet de saladas, a torcida do flamengo, e 80% da população de Poa já sabiam nega". Hahaha! A mais pura verdade. Minha filha e o pai dela várias vezes pegaram no meu pé por causa dos meus pratos ao comer fora. "Não vai deixar rúcula pra mais ninguém no restaurante?" Não. Não vou. Porque eu vou comer basicamente as rúculas e umas outras folhas.
Há décadas minha preferência ao comer fora são buffets. Buffets que tenham uma grande ala de saladas. Chiques ou chinelões, têm que ter saladas. Muitas. Não que eu coma muita variedade. De modo geral, eu encho o prato (encho mesmo, tipo um morrinho) de folhas sem tempero e um pouquinho das outras coisas. O resto todo eu como com os olhos. Me encanta entrar num restaurante com uma bancada enorme de saladas coloridas. E frutas.
Folhas verdes.

sábado, 14 de abril de 2018

Superar é não desistir

Treinamento funcional. A melhor decisão.
Progresso impressionante em três meses. De bonecrão do posto a fodona do bairro peixoto.
Dobrei a carga no supino e nos agachamentos. Estou começando a fazer barra direito pela primeira vez na vida. O terra já está bem bom. O stiff precisa ser muito aprimorado, o que eu fiz por anos na musculação não é nada do que estou aprendendo agora. Os exercícios de equilíbrio, minha maior dificuldade, estão se tornando mais fáceis.
Tudo isso treinando apenas duas vezes por semana.
O grande lance é que a melhora da performance produz uma sensação física e mental espetacular. Termino os treinos muito mais pilhada do que quando chego pra fazer.
Atividade física não é e nunca foi apenas "física".


domingo, 25 de março de 2018

Dogsitting 2

Curtindo as companhias caninas - e eles me curtindo. São como os meus gatos, o tempo inteiro na volta. De momento, cochilando.
Levantei cedo pra levar pro primeiro xixi do dia. Daqui a pouco sairemos pro passeio. Aliás, tirando os passeios e a função da comida, que tem que ser dada em horários determinados (não dá pra deixar no pote), não tô notando maiores diferenças.

Jantar com plateia assim, de olho. Ganharam uns pedacinhos de pizza..

A folga, esparramada em cima da cama.

Um ossinho matinal. Sucesso.

Aqui do meu ladinho enquanto escrevo.

sábado, 24 de março de 2018

Dogsitting 1

Que Lelonid & Ludox nem sonhem com essa trairagem, hehe.
Estamos aqui de boa. Tobby, Brunety e Valentina. Não tenho prática com cachorros, mas tô aprendendo. Pobre Tobby saiu com a guia toda torta, não atinei colocar direito.
Muito diferente de gato, mas adorável também. Bicho é tudo de bom.



sábado, 17 de março de 2018

Qual bandido?

Cansada e farta da burrice e/ou canalhice de quem diz que defensor de direitos humanos e igualdade social é defensor de bandido.
Bandido bom é bandido morto? Não concordo, mas estou disposta a aceitar - desde que comece de cima. Pelos bandidos brancos. Ricos. Poderosos. Pelos corruptos: políticos, magistrados, funcionários públicos, empresários - e especialmente policiais. Justiça sumária! Esquadrão de extermínio neles!
Ah, esses não? Então qual bandido morto é bom? Só o pobre, o preto?
Me horroriza esse ódio genocida, racista e elitista. E me estarrece vê-lo escancarado em gente que está longe - muito longe - do topo da pirâmide. Gente que está muito mais perto da base que deseja ver exterminada.
Quando gente desse tipo se proclama "cidadão de bem", me sinto ameaçada pelo inferno deles, dos cidadãos do mal.
A execução de Marielle Franco escancarou mais uma vez a fúria dessa gente. Da qual boa parte se diz cristã.


quinta-feira, 15 de março de 2018

Morri um pouco


Uma parte de mim foi sepultada com Marielle Franco.
Uma parte otimista, esperançosa.
Uma parte que acreditava na possibilidade de avanço.
Estamos afundando como nação, como sociedade. Como seres humanos.
Uma parte de mim afundou, morreu e foi sepultada como cidadã de um país entregue à corrupção, aos desmandos, à violência, à total falta de ética e de decência, à impunidade.

Chama o traficante

Quanta lucidez.
Nem é mil vezes mais honesto que os políticos, magistrados e empresários escrotos que devastam este país. Com certeza também muito mais inteligente.
Bandido por bandido, sou mais Nem.

terça-feira, 13 de março de 2018

Friend zone


Cheguei da editora, estava aqui almoçando na frente do computador - sim, péssimo, mas whatever -, me preparando para traduzir e depois escrever no romance - e refletindo sobre minhas deficiências para lidar com a vida material, especificamente em termos de dinheiro e trabalho, muito relacionado à minha incompetência para dar valor aos meus serviços. Felizmente isso está mudando. Já mudou muito. Vai mudar mais.
Passadas essas reflexões, lembrei das minhas colegas e das fotos que fizemos na sexta-feira passada, depois do almoço numa galeteria. Meu trabalho não só me dá muito prazer e satisfação pessoal, como parte dele me proporciona um ambiente incrível de convívio e sororidade.

sábado, 10 de março de 2018

TPB - Meditação


Hoje mais que nunca a meditação mostrou a que veio na minha vida borderline.
Vou começar do começo.
Baixei o aplicativo Headspace (https://www.headspace.com/) no dia 3 de dezembro passado, a versão gratuita, como mais uma tentativa de tornar a meditação uma prática diária. Comecei do básico mais básico - 3 minutos diários. Curti. Fiz uma assinatura mensal. Aumentei as sessões diárias para 20 minutos. Só isso.
Tenho feito as meditações temáticas, apresentadas em pacotes de 10 dias.
Hoje terminei a série de meditações sobre Aceitação. Levei 15 dias para concluir o pacote porque na metade do caminho percebi que não estava fluindo. Então recomecei.
Essa meditação consiste basicamente em se perguntar: "A quem ou a que você está resistindo?" Como toda meditação, não é para fazer nada além de observar seja o que for que apareça. Ao observar sem julgar, sem aceitar nem rejeitar as experiências, sem grudar e embarcar nelas, apenas reconhecê-las, cria-se um pequeno espaço mental de clareza. Aceita-se o fato de que a experiência existe, está passando pela mente. Essa aceitação não significa se conformar ou se submeter; pelo contrário: abre o espaço para a dissolução da experiência, para a percepção de sua vacuidade.
As minhas percepções nesses 15 dias foram impactantes. Vieram à mente resistências que eu já havia detectado no cotidiano, relacionadas a conteúdos emocionais e afetivos, ao trabalho e ao treino. Mas apareceram outras muito mais sutis e profundas.
A primeira foi a resistência à meditação em si. Depois que comecei a meditar sobre aceitação, as sessões ficaram menos prazerosas. Beeeem menos. Surgiram a falta de vontade, a má vontade e a impaciência, manifestadas antes e durante a prática. Procrastinação e um desejo de abortar a sessão em curso, uma onda de agitação mental e física.
Passei a meditar deitada - o que não é recomendado, pois induz ao embotamento mental, ao sono, ao apagão. E tudo isso aconteceu comigo ao longo desses 15 dias, é lógico.
Hoje, último dia, pelo menos resolvi meditar ao acordar. Deitada. Não que eu tenha tido vontade de meditar. O que eu tive foi a percepção de que estava vindo uma onda de instabilidade que poderia se transformar em um episódio de ansiedade e/ou depressão mais adiante. Essa onda havia brotado ontem no final da tarde, com a percepção de que me falta alguma coisa. Que coisa? Não faço ideia. Sinto apenas uma falta, uma carência. Não entender o que é isso e não saber de onde vem acarreta a instabilidade. Angústia.
A natureza subjacente dessa sensação manifestou-se na minha modesta sessão de 20 minutos desta manhã: é o vazio inerente à personalidade borderline.
Na sessão desta semana, conversei com meu psicoterapeuta sobre o que é TPB, diagnóstico, manifestação, prognóstico. Ele pontuou que uma das principais características dos borderliners é o vazio interior. As perdas e traumas que provocam a fratura da personalidade deixam os borderliners com uma sensação de vazio que tentamos preencher ou anular com os mais variados expedientes. É a esse vazio que tenho uma formidável resistência. Não quero sentir, resisto à experiência.
Ao meditar sobre a aceitação, abri um espaço mental para olhar o vazio e a resistência a ele.

O caminho budista é composto de três etapas: visão, meditação e ação. Visão é o ensinamento e a compreensão que se tem do assunto. Meditação é a contemplação do ensinamento para aprofundar a compreensão. Ação é a prática do que se aprendeu a partir da visão/meditação.
Minha prática com o auxílio do Headspace e da terapia está seguindo esse planejamento. No caso específico das meditações sobre aceitação funciona assim: eu tenho uma visão sobre resistência/aceitação; ao meditar a respeito, minha visão clareia; ao sair da meditação, devo integrar as percepções aprofundadas à minha maneira de agir, ou seja, observar quando a resistência surge, o que abre espaço para reconhecer e aceitá-la.

Que seja de benefício.

sexta-feira, 9 de março de 2018

A vida como ela é


HAHAHAHAHAHA.
É bem isso! Totalmente isso.
Não só na tradução. Na edição idem. E agora no projeto que de edição transformou-se em escrita criativa. Lúcia Brito estreando no romance como ghost-writer.
Me aguardem.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Aos poucos vai

A cerimônia de ontem do Oscar foi a primeira a que assisti atentamente em anos. E a primeira de que gostei.
Gostei de ver negros, gays e trans atuando nos filmes indicados e entre os nominados em várias categorias, gostei de ver a trans Daniela Vega, protagonista do chileno que levou o Oscar de filme em língua estrangeira, no palco para apresentar uma das canções concorrentes. Gostei dos comentários sobre o movimento Time's Up, o combate ao assédio sexual e à desigualdade no tratamento de homens brancos e os demais na sociedade em geral. Gostei do discurso de Frances McDormand, o melhor da noite. Que mulher!
Aos 90 anos, o Oscar e indústria do cinema deram um belo passo para a inclusão.
Tô só pelo Oscar 2019 por causa de Pantera Negra.

domingo, 4 de março de 2018

É preciso falar

Um grupo do Facebook voltado apenas para mulheres de uma determinada categoria profissional deu o start em minha atual produção de textos sobre a experiência no manejo do TPB. Uma das participantes fez um post listando os problemas de saúde mental que enfrenta e perguntou quem mais ali vivia algo parecido. O post está bombando. Somos muitas, somos muito diferentes em vários aspectos, mas somos unas na coragem/disposição para expor um quadro de problema mental.
Logo após o diagnóstico do TPB fiz um post aqui, depois uns outros poucos. A motivação é a mesma de quando escrevi há anos sobre o problema de hérnia de disco que acabou em cirurgia: ser de benefício para outros que passem por situações semelhantes. Os altos e baixos, o que funcionou e o que não funcionou, o dia a dia.
Eu gosto de ler relatos em primeira pessoa. Li alguns de borderliners, me comovi e me identifiquei. Empatia e identificação. Entender o que o outro sente e perceber que não estou sozinha. Ser uma voz que mostre o mesmo para outras pessoas.

É preciso falar de doenças mentais, de questões de gênero, de racismo, de desigualdades sociais, de feminismo e misoginia, de política, de religião. É preciso se posicionar. É preciso fazer o que se puder para construir uma sociedade melhor. Uma humanidade melhor. Por mais impossível que isso pareça tantas vezes. Se não se falar, se não se tomar atitudes, não dá para esperar as mudanças que se deseja.


Nhac!



Mais um dos melhores encontros possíveis. Nosso pequeno grupo de trabalho e agregados. O universo ampara e provê. Eu não poderia pedir um ambiente profissional melhor. Que se estendeu para o pessoal, que inclui as famílias.
Para mim é um porto seguro, uma rede de proteção. Nada de fantástico ou dramático nisso, uma simples constatação prática do quanto é importante o vínculo social e afetivo.

sábado, 3 de março de 2018

TPB - Alegorias e estratégias

Várias vezes, inclusive aqui no blog, usei as expressões "andar sobre gelo fino" e "nervos expostos" para definir minha autopercepção.
Em leituras sobre o transtorno de personalidade borderline, vi o uso de duas alegorias análogas: "andar em terreno movediço" e "queimadura de terceiro grau".
São imagens que definem perfeitamente três dos piores sintomas do TPB: a instabilidade e oscilação extrema do humor, a insegurança na vida e a intensidade exacerbada com que sentimos as coisas.
 O que eu faço para não afundar no gelo ou na areia movediça e para proteger os nervos expostos e o tecido queimado?

- Terapia e medicação. Para mim a terapia é mais importante que a medicação, talvez porque eu não tenha o transtorno em grau elevado. O fato é que eu jamais aceitaria me tratar apenas com remédio. Eu não quero suprimir os sintomas, eu quero curá-los, ou pelo menos aprender a manejá-los.

- Evito os gatilhos, as situações de perigo. Aprendi a identificar gatilhos na terapia. Antes eu ia atrás desses gatilhos muitas vezes. Aprendi a me manter longe deles.

- Prática esportiva. Há décadas a atividade física é um fator crucial para a manutenção da minha saúde mental/emocional (além da física). Tenho que treinar. Muito. Sempre. Não é opcional. Quando a manifestação do TPB se exacerba, sempre vem a falta de vontade de treinar. Recentemente tive um longo período, longo mesmo para os meus padrões, de desânimo, má vontade e total falta de vontade em relação aos treinos, iniciado em 2013. (Não por acaso, o ano em que internei minha mãe na derrocada final do Alzheimer no primeiro semestre e meu treinador, que havia me reabilitado depois da cirurgia de hérnia de disco e me ajudado a voltar a correr bem, deixou de atuar no segundo semestre. Para a borderliner aqui, dois eventos devastadores.)
Foi (e continua sendo) difícil retomar. No ano passado encontrei um treinador cuja paciência e persistência estão contribuindo de forma decisiva para que eu volte a gostar de correr e, mesmo antes disso (ou quando o gostar inexiste), treine com regularidade e cumpra a planilha, ainda que aos trancos e barrancos, ainda que eu esteja uma lesma.
No início deste ano, tive outra ideia magnífica para alavancar a prática esportiva: migrei da musculação sozinha em academia (que simplesmente tornou-se insuportável) para o treinamento funcional assistido, com horário marcado. A borderliner aqui sente-se cuidada pelos vários professores em sala, que corrigem tudo, estão atentos a tudo e parabenizam pelos pequenos progressos (cuidado e validação, temas tão sensíveis para borderliners). Além disso, o horário marcado (e a grana que eu gasto) me força a sair de casa mesmo quando não estou a fim.
Cada treino, cada corrida, por mais sofridos que sejam, por maior que tenha sido a má vontade prévia, me proporcionam gratificação. Me sinto bem fisica e emocionalmente, satisfeita comigo mesma por ter superado a minha tendência para a autossabotagem.

- Meditação tem ajudado muito. A meditação da atenção plena, mindfulness, estimula a permanência no momento presente e a observação aberta do que acontece. Comecei a meditar há três meses, quase nada, mas já consigo trazer a atenção plena para o cotidiano em alguns segundos. Quanto mais presente me mantiver no presente, menos estarei nas ruminações sobre o passado ou nas preocupações sobre o futuro, que para os borderliners têm uma intensidade excepcional. Mantendo-me no presente, posso usar essa intensidade intrínseca para ficar muitíssimo feliz com coisas prosaicas. O trabalho do dia bem feito, um treino bem feito, atividades culinárias, a observação da paisagem, o céu, as flores, as árvores.

https://photorator.com/photo/8084/cracked-ice-lake-baikal-russia-photo-by-daniel-korzhonov
Que seja de benefício.


sexta-feira, 2 de março de 2018

TPB - Validação e libertação

Estar doente nunca é bom. Mal-estar leve ou sofrimento agudo, desgaste físico, mental e emocional, o esforço para a recuperação, tudo contribui para a experiência em geral ser muito desagradável. No caso das doenças físicas todo mundo entende isso. Mas quando a doença é mental...
"Não é nada."
"Desencana."
"Faz alguma coisa para se distrair."
"Para de pensar nisso."
"Já passou."
Ninguém diz uma coisa dessas pra um diabético. Mas para um doente mental...
Além de sofrer com a doença, você sofre com a invalidação constante do seu sofrimento. Sempre tem alguém para insinuar de mil maneiras (ou dizer explicitamente) que você está nessa porque quer, porque não se esforça para mudar.
O mais triste, perverso e danoso é a autoinvalidação.
Antes do diagnóstico de TPB, eu mesma achava que eu "não tinha nada", que as oscilações, o vazio, o medo doentio de abandono e todas as outras manifestações eram algo que eu poderia não ter se eu me tratasse e me esforçasse. Bem, eu me tratava. Se não melhorava, então só podia ser porque não me esforçava o bastante.
Não era nada disso.
O sofrimento que o transtorno de personalidade borderline me causa às vezes parece mais suportável do que a invalidação dos sintomas da doença. O diagnóstico me libertou da invalidação. O que os outros pensam e falam - exceto meu psicoterapeuta - não me afeta mais, não me invalida mais. Eu não me invalido mais.
Livre da invalidação, ciente de que é uma doença que talvez nem tenha cura, concentro meu foco e energia no tratamento e no manejo cotidiano. É como diabetes: seguir o tratamento e se cuidar não significa que a cura esteja garantida. Mas é possível viver com grande qualidade, sem sintomas. Sem crises.

Imagem encontrada em https://wakeup-world.com/2016/01/30/the-other-side-the-spiritual-gift-of-borderline-personality-disorder/

quinta-feira, 1 de março de 2018

Us 3

O melhor verão. As melhores lembranças.
Foram-se anéis, brincos, colar, pulseira - e uma parte de mim. E ficou comigo uma parte dela.