Estou numa fase de domar a mente, seja ela um elefante ou um cavalo. :)

Essa ilustração é a reprodução de um desenho tibetano que representa nove cenas, os nove estágios do caminho de shamatha.
Há dois personagens: o homem, ou sujeito meditante, o observador; e o elefante, que representa sua mente. Para desenvolver shamatha, a mente usa duas ferramentas: a atenção e a recordação. A machadinha afiada representa a acuidade da atenção vigilante, e a corda com um gancho é a lembrança da prática. Visto que muitas distrações interrompem seu estado alerta e vigilante, o meditante deve retornar a ele por meio de lembranças constantes. A vigilância é a acuidade na base da meditação, e a recordação assegura sua continuidade. O estado de shamatha tem dois obstáculos principais: o primeiro é a agitação ou dispersão criada pela fixação em pensamentos e emoções passageiros; o segundo é o torpor ou moleza, a obtusidade mental. O torpor é representado pela cor preta do elefante, e a agitação pelo macaco. O fogo que diminui ao longo do caminho representa a energia da meditação. Conforme avançamos, a prática requer menos e menos esforço. As seis curvas ou voltas no caminho marcam seis platôs sucessivamente dominados pelas seis forças da prática: ouvir as instruções, assimilá-las, lembrar-se delas, vigilância, perseverança e hábito perfeito. Ao lado da estrada há diferentes objetos: um lenço, algumas frutas, uma concha cheia de água perfumada, pequenos címbalos e um espelho, representado os objetos dos sentidos: objetos tangíveis, sabores, odores, sons e formas visuais que distraem o meditante, que se desvia do caminho de shamata ao ir atrás deles.







(8) No oitavo estágio, o elefante anda domado com o meditante. Não há virtualmente mais nenhum preto, e a chama do esforço desapareceu. A meditação tornou-se natural e contínua.
(9) No nono estágio, mente e meditante estão completamente em repouso. São como velhos amigos acostumados a estar juntos calmamente. Os obstáculos desapareceram, e shamatha é perfeita.
As cenas seguintes, sustentadas pelo raio de luz que emana do coração do meditante, representam a evolução da prática no coração desse estágio de shamatha. A realização de shamatha é caracterizada pela experiência de alegria e radiância, ilustrada pelo meditante voando ou cavalgando sobre as costas do elefante.
A última cena refere-se às práticas combinadas de shamatha e vipashyana. A direção é invertida. Mente e meditação estão unidas; o meditante senta-se escarranchado na mente. O fogo revela uma nova energia, a da sabedoria, representada pela espada flamejante da sabedoria transcendente, que corta os dois raios negros das aflições mentais e da dualidade.
Kalu Rinpoche, Luminous Mind: The Way of the Buddha (Mente Luminosa: O Caminho do Buda)
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