segunda-feira, 16 de março de 2015

PerCorrer o Caminho do Meio


Depois de um janeiro e fevereiro turbulentos, março está engrenando bem.
Uma sensaçãozinha que eu sentia nos joelhos desde outubro, talvez um pouco antes, acabou se transformando em desconforto após os dois retiros budistas, com horas sentada no chão de pernas cruzadas. E, na última semana de fevereiro, o joelho direito realmente doeu.
Feita a ressonância, consultado um especialista, e eis que descubro que tenho condromalácia de grau 2 para 3 nos dois joelhos. O que fazer? Tomar medicação de uso contínuo, cuidar o amortecimento dos tênis, correr em piso macio sempre que possível, caprichar no reforço muscular e no ALONGAMENTO. O médico afirmou que minha lesão é da corrida, falou que não iria me dizer para parar de correr, mas é claro que tem a possibilidade de isso se tornar obrigatório. O que pode acontecer é a dor se tornar crônica e intensa. Aí deu.
Espero que não aconteça no futuro imediato. Aos 51 anos, não preciso pensar na carreira de corredora a longo prazo. Na real, da forma como cada vez mais vejo a existência, não há motivo para pensar em nada a longo prazo. O que evidentemente não significa viver como se o mundo fosse acabar amanhã. É uma sintonia fina para ficar no presente, no agora. No presente, no agora, vou cuidar pra não destroçar meus joelhos, pra me manter saudável. E, de momento presente em momento presente, o tempo avança.
No momento presente, no agora, estou bem. A dor passou, as sensações nos joelhos são muito leves.
Estou treinando bem desde o início do mês. Curtindo muito o trabalho do Leonardo Ribas, do PerCorrer. A primeira metade do mês foi com planilhas semanais. Cheguei lá, expliquei a situação toda, e ele propôs um trabalho de base. Começar muito de leve, pra ver como meus joelhos reagiriam - e o resto de mim, que estava totalmente fora de forma. Os joelhos, os trabalhos, os retiros, o cansaço e, acima de tudo, a falta de vontade e o desinteresse (alimentados pelos anteriormente citados) haviam transformado meus treinos num tédio, uma atitividade burocrática e exaustiva que eu executava sem prazer.
O primeiro treino de pista, no dia 4, foi memorável. 4x 800m. Totalmente insegura, desacostumada. E já no primeiro tiro começou uma chuva que se transformou num aguaceiro furioso. E eu lá correndo (tentando), encharcando o corpo e lavando a alma. Que estreia! O quinto tiro foi suspenso porque a água já estava bem acima do tornozelo numa curva da pista. Sorte minha, eu já estava morta.
Aquela chuvarada foi um banho de descarga. Voltei pra casa leve, animada. Cada treino depois daquele está sendo um pouquinho melhor, um pouquinho mais fácil. E, com os joelhos bem e os trabalhos encaminhados. menos cansada, com vontade e interesse, os treinos tornam-se estimulantes e prazerosos. O de hoje foi especialmente bom.
Para manter a coisa andando sem solavancos, por enquanto é só treinar por treinar. Leo perguntou quais eram meus objetivos. Eu disse que não tinha nenhum, que queria apenas treinar e ver o que acontecia. E que esperava dele o que sempre espero do treinador: que pense e planeje por mim, Vejo o treinador como um especialista que pode me orientar e preparar para um desafio dentro da minha capacidade (ou seja, a voz do bom senso). Mas - hehehe, sempre tem um "mas" - vi a movimentação do PerCorrer pra maratona, e perguntei se ele achava que eu poderia fazer. Claro que não. Não que eu não soubesse, mas a ideia de jerico brotou assim mesmo - e já foi extirpada.
Pra voltar a fazer uma maratona, tenho que estar bem não só de corpo, mas de cabeça. E Leo acha que, se eu inventasse uma maratona agora, o que ia dar mais problema era a cabeça. Concordo. Essa periga levar mais tempo pra entrar em forma. Daí a imprtância de ficar no treino "sem compromisso". Sem forçar. Pra terminar o treino feliz e satisfeita como terminei hoje, com vontade de fazer o próximo.