terça-feira, 12 de agosto de 2008

Pavios

Desde a semana passada estou me distraindo com a confecção de velas de parafina. Começou com a compra de uma lamparina. Para abastecê-la, disseram que eu deveria usar parafina líquida. Fui numa loja de artesanato e comprei parafina gel achando que servia. Derreti a tal parafina e verti para a lamparina. Eta trapalhada! A parafina secou e voltou a ser gel, passei o maior trabalho pra derretê-la dentro da lamparina, que era a única forma de removê-la de lá.
A lamparina acabou rachando, affff - mas estou usando-a mesmo assim, depois que descobri o eco solvente, ou isoparafina, um tipo de querosene chique pra lampião, que achei numa ferragem. Por via das dúvidas, comprei outra lamparina igualzinha, azul transparente, de vidro. Existe um fluido pra parafina, mas custa os olhos da cara, vou manter o tal solvente, que não fede ao queimar. Só faltava transformar minha casa num galpão crioulo...
Enfim, como tinha 1kg de parafina gel, resolvi fazer velas. Comecei colocando dentro de vidros que eu já possuía. Um deles era um pote de sobremesa, que rachou todo quando a vela chegou ao fim. Mas depois fui atrás de mais vidros (hoje achei uns maravilhosos, que alegria!), mandei uma garrafa de cerveja e uns potes de geléia pra serrar numa vidraçaria (uns já com velas dentro...) e resolvi usar também a parafina comum (que é muuuuito mais barata) e corantes e essências aromáticas.
Agora darei velas de presente pra todos os próximos aniversariantes, porque preciso dar vazão à produção.
Tenho paixão por fogo. Desde criança me encantava vendo as chamas e brasas na lareira ou churrasqueira. Velas me fascinam, gosto de dormir à luz de velas, de tomar banho à luz de velas, especialmente quando encho a banheira. E as velas combinam com outra de minhas paixões: os vidros. Gosto de velas embutidas em vidros, mais do que expostas em castiçais.
Em minha casa, cultivo a presença dos quatro elementos intensamente: o fogo das velas, a água de minhas duas fontes (que viraram bebedores dos três gatáquilos mal-educados), o ar dos incensos (que também têm fogo) e dos aromatizadores (rechauds com vela e água) e da música também (creio eu), a terra das pedras que coleciono (e que são as bases de minhas fontes). São elementos indispensáveis na minha noção de lar.
E para mim parece muito natural fazer velas nesse momento de minha vida. A mulher de pavio curto descobriu em si, subitamente, uma paciência inesgotável. Bem, bem, talvez eu tenha economizado meu estoque de paciência todos esses anos pra poder esbanjar agora. :) Brincadeirinha boba... Mas me alegro quando consigo ter esses rasgos de bobagens.