terça-feira, 11 de março de 2014

Satisfação

Traduzi esse livro entre 2012-2013. Trabalho muito difícil, pesado. Mais pelas minhas circunstâncias pessoais do que pela obra em si - embora não seja um texto fácil. Bem, eu nunca acho nenhuma tradução fácil. Todas sempre exigem muita dedicação e reflexão.
Por mais simples que seja a frase, eu sempre analiso as muitas possibilidades. Das palavras à ordem em que serão colocadas. Mantenho mais fiel ao original ou adapto para uma cadência mais brasileira? Uso um termo mais formal ou informal?
Atrasei a entrega deste livro. Muito. E quando terminei não fiquei contente, achei que o livro era chato e a tradução idem.
Recebi o exemplar às vésperas do carnaval, em meio à greve dos correios. Agora estava aqui lendo trechos - e gostando. O livro é muito bom, interessante e fluido, e minha tradução está à altura. É denso, mas não é pesado. Não trava, Não exige boa vontade, tampouco paciência. Requer apenas atenção.
Desenvolvi o hábito de ler e reler minhas traduções enquanto trabalho com um olhar perverso, que só enxerga erros e coisas para ajustar. E no fim não gosta de nada.
Quando recebo o exemplar impresso, tenho uma surpresa - agradável. Eu leio e gosto. E penso: "Nossa, fui eu que fiz?".
Neste livro específico, como o olhar (auto)crítico foi especialmente cruel, a surpresa agora foi excepcionalmente agradável. É uma tradução cuidadosa e refinada. Para ficar melhor, teria que ser feita por outro tradutor.
Fiquei muito feliz com o resultado desse trabalho. O autor e o tema merecem. Esse historiador é uma voz admiravelmente sensata em meio aos extremos do Oriente Médio. Quem dera houvesse mais gente com a visão dele. No mundo inteiro.