segunda-feira, 24 de agosto de 2015

100.000


Minha principal prática - e praticamente a única - tem sido a acumulação de mantras.
Hoje à noite, voltando pra casa a pé, com uma lua crescente no alto, cheguei a 100.000 de uma série iniciada no final de maio. Usei este mala de quartzo verde por verde ser a cor da cura. E usei muito meu contador analógico, a ferramenta que me permitiu turbinar a recitação, pois passei a recitar enquanto corro. Troquei o iPod (que havia estragado dias antes) e as músicas pela recitação durante a corrida. E a corrida cada vez mais torna-se muito mais que um exercício físico.
A primeira série de 100.000 mantras que acumulei levou anos - literalmente. Totalmente errática.
Percebi que o motivo da procrastinação e total displicência tinha a ver com a motivação inadequada.
A seguir, acumulei 50.000 muito mais rapidamente - porque havia uma motivação importante. Essa série deveria ser de 100.000, mas suspendi porque iniciei outra, a que concluí hoje. E esta foi muito mais rápido do que eu imaginava porque desta vez eu realmente estava (e continuo) motivada.
A necessidade que sinto de gerar benefício tornou bodhicitta uma experiência muito mais vívida.
Minha série chegou ao fim com um sinal auspicioso. Um encontro totalmente inesperado no Parcão, enquanto eu corria e recitava. Mágico. Sublime. O universo mostrando que sim, que minha prática, por mais fajuta que seja, tem valor.
Eu recito enquanto corro, caminho, dirijo. Recito no supermercado, na sala de espera de consultórios, na fila. Não fico sentada recitando. Não tenho tempo (não, eu não quero deixar de correr para ficar sentada - ainda não). Minha recitação está longe de ser focada. Muitas vezes é mecânica, às vezes tão distraída que não sei se contei ou não (e sempre que fico na dúvida, conto de novo). Em algumas ocasiões é até meio de má vontade. Mas sigo recitando. Sigo dedicando os méritos. Sigo muito, muito motivada para gerar benefícios.
Amanhã já vou pra uma nova série. Com meu precioso contador analógico e este mala aqui, de pérolas e turquesas.