terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Negão Gato e a gentileza

Ele chegou às minhas mãos hoje depois de muitos desencontros. Papier mâché. Presente da Paula Stein. Ela fez com suas alunas de artes. Falou há tempos que me daria, pois sabe que eu adoro gatos. Mas nem sabia que, além dos meus três vivaldinos e da tatuagem, tenho uma coleção de estátuas.
O objeto em si é uma graça. Curti muito as formas arredondadas, a economia de detalhes. Gato minimalista. O grande barato da arte, estimular a mente a interpretar e reconhecer o que está sendo representado. Entrei numas com meu Negão Gato, que chega no momento em que traduzo um livro sobre meditação budista.
Além do objeto em si, fiquei extremamente feliz com a outra coisa que ele representa. Essas gentilezas totalmente inesperadas me encantam, me alegram, fazer meu bom coração vibrar. Paulinha poderia dar o gato pra pessoas mais próximas, sortear entre as alunas, até jogar fora. Mas lembrou de mim.
Então, sempre que eu olhar pro Negão Gato, vou lembrar que um dia uma pessoa lembrou de mim em uma circunstância totalmente alheia ao meio em que convivemos e decidiu que me presentearia com ele. Do nada. Uma simples gentileza por saber que eu gosto de gatos.
Aplicando os termos que estou usando na tradução em um contexto diferente: que eu possa reter sempre em minha mente a recordação e o reconhecimento do significado sutil do Negão Gato.