quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

108.000

Hoje!
No final da tarde, a caminho da academia, antes de sair pra correr, terminei a acumulação de mantras iniciada na metade de 2013.

Om Gate Gate Paragate Parasamgate Bodhi Svaha
"Atravesse, atravesse, atravesse para o outro lado, atravesse plenamente até a iluminação."
O mantra da Prajnaparamita, a essência do Sutra do Coração.


Foi uma atividade bastante lenta e errática. Inconstante como a minha prática budista até o final do ano passado. Mas, assim como a minha prática, tem uma qualidade que, na falta de palavra melhor, posso definir como fé genuína. Minha fé não tem nada a ver com uma crença cega, com a aceitação de coisas que me dizem e leio e que eu saio por aí repetindo como um papagaio. Tenho fé porque ouço, leio e depois reflito, analiso, exercito e vejo que funciona.
Minha prática budista me faz bem e me faz ser melhor. Funciona. Budismo de resultado, que seja.
A recitação do mantra supremo serve para acalmar minha mente. Para diminuir a cascata incessante de pensamentos - a maioria deles totalmente desnecessários ou francamente prejudiciais, num espectro que vai da simples tolice à grossa estupidez perniciosa.
Fiz a maior parte das 108 mil repetições caminhando pela rua ou dirigindo. Na verdade, o número foi maior, porque, sempre que me atrapalhava na contagem, não somava. Antes a mais do que a menos.
Já vou começar nova acumulação. Dessa vez mais focada.

Em virtude da acumulação, descobri também que, quando a mente fica por demais descontrolada ou obsessiva, quando gruda numa ideia e não larga de jeito nenhum, repetindo, repetindo, repetindo, basta começar a recitar que o surto perde a força.
Um dia desses estava na cozinha, arrumando coisas e lavando louça, e a mente agarrou-se em objetos que só causam aflição. Com uns poucos mantras a função estava encerrada. A mente desgrudou, acalmou-se e ficou mais presente no presente.