sábado, 26 de janeiro de 2013

PODEROSA

Esse é o adjetivo mais usado para comentar minhas fotos do espetáculo. Não me vejo assim nessas fotos (provavelmente porque não me sinto assim nesse momento), mas gostei de ser vista como tal. Poderosa no meu momento de maior fragilidade. Curioso. Creio que o corpo trincadão dê essa ideia. Ou seriam meus cílios postiços de Priscilla, Queen of the Desert? Esses são poderosos mesmo. Quero usá-los de novo. Mas só em show ou numa sessão de Madam Lux. Mas Madam Lux não posso ser. O terapeuta, a ex-terapeuta e minha mentora acharam a fetlife um absurdo. E era mesmo. O tipo da parada que devo evitar. Porque, como disse meu terapeuta, eu tenho problemas com limites.
Meu terapeuta sabe das coisas - e sabe de mim. Logo que nos conhecemos, ele disse que meus limites são excessivamente amplos. Eu vou longe demais antes de concluir que chega. Por isso, nada de drogas. Bebidas também devem ser limitadas ao mínimo. Comida, treino, relacionamentos - em tudo eu vou demais ou de menos. "Você é uma mulher muito intensa. É 8 ou 80", disse ele, rindo. E começando a me nortear para o caminho o meio.
Domingo é engraçado, fala tudo rindo. Mas fala tudo. Já na segunda sessão, disse que sou uma mulher muito exigente. Com os outros e especialmente comigo. Desde então, me diz pra pegar leve e não me cobrar tanto. E dar uma chance pra certas pessoas se aproximarem antes de defenestrar. Mas eu digo pra ele que me acostumei com um nível alto. Downgrade não faço. Quase tive um chilique - na verdade, tive um chilique - quando os técnicos da Sony disseram para eu reinstalar o Windows 7 e depois instalar de novo o Windows 8 no notebook. Que dirá no pessoal. Sem chance. E a verdade é que larguei a fetlife basicamente por causa disso, só coisa fraca e falcatrua, afff. No mundo baunilha também estou inativa de momento. Não me interesso por nada. Tou no 8. Melhor que disparar pro 80 e engatar na vida louca. Só faltava... Mas isso não tem como acontecer. Eu sinto o que eu sinto.
Na última consulta, Domingo disse que eu devo olhar pro pouco que melhorei e comemorar, em vez de ficar olhando pro muito que falta - e me cobrando desempenho. "Se avançou 30%, que maravilha", disse ele. "Já está na inércia do movimento, já passou o mais difícil, que era começar. Os 70% serão mais fáceis de atingir." (Mas nem sei se já estou nos 30% mesmo, foi um valor ilustrativo.)
Domingo sempre ressalta minha consciência. Eu tenho noção. Tudo que ele aponta de falhas eu concordo prontamente. Isso me dá uma enorme vantagem - não estou naquelas de culpar os outros ou de negar meus defeitos. O outro ponto forte é minha determinação e disciplina. Ele adora o meu espírito esportivo, a minha garra pra treinar - e pra encarar as coisas que me levaram a ele.
Um dia desses ele disse que eu sou "um espécime muito bonito" para ficar triste e chorando. Amei essa. Que veio acompanhada da constatação óbvia: minha vida é maravilhosa, praticamente só coisas boas. É absurdo eu ficar arrasada por coisas do passado, que serão solucionadas com o tempo. E em tempo relativamente curto. Pois é... eu sei. Mas, quando a onda sobe, haja coragem e destreza pra surfá-la e não se espatifar. E Domingo sabe tão bem quanto eu (ou melhor) que o mar de minha mente virou um tsunami que pode levar todas as coisas maravilhosas de roldão.