quarta-feira, 1 de maio de 2013

Essa sou eu










Nunca havia cruzado uma linha de chegada fazendo festa. Mas dessa vez eu estava tão feliz, tão alegre, tão transbordante que resolvi me esbaldar. Que bom que o fotógrafo do Foco Radical estava ali e capturou esses instantes.
E que bom que pude comprar essas fotos hoje e postá-las aqui. Há um ano, a essa hora, eu estava indo para a Santa Casa com meu ex-marido, que tratou da minha internação pra cirurgia da hérnia. Eduardo me acompanhou na reta final pré-cirurgia. Desde o momento em que telefonei pra ele após o neuro clínico encerrar o tratamento conservador. Eu estava caminhando pela rua, voltando pra casa não lembro de onde. Eu preferia andar a pé do que dirigir ou ter que entrar em um carro e sentar.
"Acabou, Eduardo. O Rotta disse que não tem mais o que fazer. O remédio não funcionou. Eu tenho que operar." Eu estava quase chorando. "Amanhã vou num neurocirurgião pra ver se ele pode me operar logo."
"Quer que eu vá contigo na consulta?", perguntou Eduardo. Achei tão engraçado no primeiro momento. Ir junto na consulta pra quê? Ainda bem que aceitei e que ele foi. Não foi um momento feliz. Ouvimos do médico todas as possibilidades de resultado - e até então eu não havia cogitado que simplesmente pudesse não dar certo e a dor não cessar. No exame clínico, Eduardo e o médico ficaram espantados com a minha limitação física. Porque socialmente eu jamais aparentei estar tão incapacitada, eu tentava caminhar e me mover do modo mais normal possível.
Enfim, há um ano Eduardo tratou da minha internação, ele e Lízia me deixaram no quarto, e logo depois minha superamiga Filó foi me ver. Naquele dia eu senti muita dor - pela última vez -, pois fiquei sem tomar remédios até o meio da tarde. Eu já estava surtando, só perguntava pros médicos e enfermeiras que iam me examinar quando me dariam alguma coisa pra dor. No final do dia enfim teve início o banquete químico. Aí foi a orgia das pílulas e intravenosos até eu ter alta.
E agora estou aqui, confortavelmente sentada na Embody (porque sentar em assento ruim é a treva, eu sinto dor), recordando tudo isso, olhando essas fotos de domingo que me mostram no meu melhor, com os olhos marejados, emocionada. Foi um ano e tanto esse que passou.