domingo, 26 de abril de 2015

Cansei - e soltei

Cansei de fugir.
Cansei de me fazer de louca.
Cansei de erguer barreiras e me esconder atrás delas.
Cansei de reagir às coisas de uma forma convencional baseada em julgamento.
Cansei de reagir às aparências - mais especificamente, às atitudes dos outros - a partir das minhas fixações, de isso é bom (pra mim), isso é ruim (pra mim), disso eu gosto, disso eu não gosto, quero assim, não quero assim.
Durante o último retiro, tive uma dor na cervical e uma dor de cabeça terríveis. Um dos participantes era especialista em medicina chinesa e fez algumas manipulações. Melhorei, mas não fiquei curada. A dor se concentrava nas regiões ligadas ao controle. Ela se dissipou de vez na quarta-feira, quando comecei a agir de forma menos controladora e mais compassiva.
Ao afrouxar o controle, os conteúdos que estavam represados começaram a fluir. E percebi que há muito tempo eu vinha andando no sentido contrário ao que queria, sempre reagindo, sempre jogando, aumentando as minhas complicações. Fazer isso estava drenando minha energia, ia acabar afetando a minha saúde. Minha mente não tinha paz, o tempo todo planejando como manter as defesas e validar as fixações e os julgamentos.
Soltei. Soltei tudo.
Ontem fui dançar com amigas no Ocidente, e, enquanto o corpo se soltava na música, minha mente se soltava no espaço interno que se abria. E aí tocou I Follow Rivers, que ouvi no verão de 2014, em Capão, no carro - e foi daqueles momentos eternos: senti uma leveza, uma liberdade, uma alegria por estar onde estava, como estava, com quem estava. Sempre que ouço essa música lembro daquele momento e daquela sensação.
Agora vou sair pra correr nesse domingo de sol maravilhoso. I Follow Rivers está no iPod. E eu estou sentindo algo muito parecido com o que senti daquela vez. Liberdade, alegria, felicidade. Leveza.
Eu tenho muitas expectativas, muito desejos. Sei o que quero neste momento, o que eu queria faz tempo. Fiz os movimentos que podia para as coisas tomarem um novo rumo. O rumo que deveriam ter seguido há tempo. Não sei se o rumo que eu desejo será o rumo que se manifestará. Mas tenho uma certeza: haja o que houver, vou ficar bem. Feliz e em paz. Leve. Porque dessa vez eu fiz o meu melhor. Soltei os jogos mentais, sincronizei a mente e o coração, fui honesta. Comigo, com os outros. E minha bodhicitta incipiente me motiva a agir pensando na felicidade dos outros (e na minha), e não apenas nos meus desejos e fixações.
Haja o que houver, seja como for, no próximo final de semana, feriadão, irei pra praia. Pra ver o mar, correr na areia, e ouvir I Follow Rivers sabendo que estou seguindo meu rumo.


Dança comigo? Vem comigo?