sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Ciclos

Ontem saí pra um fartlek. Fiz tudo, sabe-se lá como. Foi daqueles dias (e daqueles treinos) que deu vontade de chorar. Todo meu corpo sentiu o esforço. Apenas 1h05min, mas terminei na capa da gaita. Voltei da Redenção caminhando. Ao cruzar para o Parcão, tive que dar uma corridinha porque o sinal ia abrir. Que sufoco! Simplesmente não tinha mais perna pra nada. E o que sobrava do resto do corpo acabei no treino de bíceps e tríceps.
Às 22h30min caí dura na cama. Nas duas noites anteriores eu havia dormido às 2h e bebido umas cervejas, o que certamente contribuiu para a canseira.
Hoje acordei bem, mas logo depois comecei a me sentir exausta de novo. E veio uma vertigem, um mal-estar, passei a manhã bem zonza – e ainda tive a idéia de fuçar no jardim. Comprei dois bougainvilles e quatro mudas de gerânio. Já tinha outros dois bougainvilles e vários gerânios, mas quero bombar a área aberta de flores. Sou doida por plantas com flores, o que me levou a eliminar uma palmeira medonha que tinha aqui. Meti um biquíni e fiquei arrancando a tal palmeira do vaso no maior sol. Bah, que suador. A tal palmeira saiu do vaso – mas porque quebrei o vaso. A dita cuja só foi removida pelo porteiro, munido de uma picareta.
Enfim, o surto de jardinagem me mandou para a oitava galáxia, fiquei spaced-out. Já estava meio preocupada quando percebi que a tontura toda era apenas o começo da menstruação. Meu ciclo é completamente regular, eu sabia que o fluxo estava chegando, mas havia esquecido. Quando falei pro meu ginecologista, ele quase riu, mas sei exatamente o momento em que meu sangramento vai ter início. Sempre tenho uma vertigem forte, e logo depois o sangue começa a descer. E aí todo o mal-estar desaparece na mesma hora. Nunca conheci nenhuma mulher que tenha esse tipo de aviso da chegada do fluxo menstrual.
Minha tpm fica mais ou menos restrita a essa indisposição momentânea. Também é comum eu não conseguir dormir nas duas noites anteriores ao início da menstruação; são noites em que me remexo na cama o tempo inteiro - aliás, isso aconteceu ontem, embora eu estivesse exausta. Em certos meses dá uma vontade maluca de comer doce. Aí como na boa, sem culpa.
Desde que me separei, meu humor não desanda. Bem, hoje fiquei meio azeda. Saí pra correr no fim da tarde. Estava cansada, me sentindo lerda e pesada. Mas fui numa boa até o vento me pegar de frente. Aí o humor foi abalado. Detesto vento. Sempre detestei, desde criança. Deve ser o trauma dos veraneios em Tramandaí, com o nordestão correndo solto, a areia pinicando nas canelas e irritando os olhos, o frio ao sair d'água, arrepiada como galinha depenada. Posso correr com sol de rachar, chuvarada, calor boçal, até frio, mas vento me estraga o humor, fico uma capivara.
Hoje fiquei especialmente indignada porque esse verão está fraco. Adoro calorão. Aí, não só não está fazendo calor, como ainda tem um vento frio! Pronto, lá se foi a paciência.
Saí pra jantar com minha filha, ainda mal-humorada e descontente. E caindo aos pedaços. Mas depois passou.
Algumas mulheres detestam menstruar. Eu sempre gostei. Sempre vi esse momento como uma oportunidade de limpeza, de descartar tudo que não quero mais. Um ciclo chega ao fim, outro tem início. O samsara do meu corpo. A impermanência, a mudança constante. E a cada novo ciclo a possibilidade de avançar no caminho.