sábado, 26 de janeiro de 2008

Coisas de corpo

Loraine fez um comentário ali embaixo que eu ia responder como comentário, mas concluí que ia ficar enorme. Aí abri outra postagem. Mas não me contive e também comentei, hahaha. Estou prolífica. Cheia de idéias.
Acho curioso que as pessoas em geral não tenham uma percepção aguçada do próprio corpo. E se constranjam com coisas absolutamente naturais, como a menstruação.
Um critério decisivo na minha seleção de namorados e afins é como o homem encara o período menstrual. Eu não gostaria de conviver com alguém que achasse menstruação uma coisa desagradável.
Eu havia recém-começado a sair com um cara, quando ele me convidou pra dormir na casa dele. Eu ia começar a menstruar, achei que poderia ser meio chato, basicamente por causa dos lençóis; também não sabia qual era a dele a respeito. Falei, e ele perguntou com um tom completamente casual: "E daí?", meio surpreso por eu achar que ele precisasse ser informado. Por essa e outras coisas, esse foi um namorado querido. Parceiro. Curtia o meu aspecto mesmo depois das corridas, toda suada, pegajosa e fedida. Não esperava que eu primeiro tomasse banho e me arrumasse para chegar perto de mim.
Passo parte do dia de tênis e roupas de treino. Não fico completamente desgrenhada porque prendo o cabelo e enfio um boné, mas estou sempre meio esculhambada. Ainda mais no calor, com suor e protetor solar no rosto e no corpo, uma mistura pegajosa e brilhosa.
Meus pés de momento estão com todas as unhas, mas uma delas vai cair em breve. Esteve bem roxa, agora está uma coisa assim meio bege. Volta e meia faço umas bolhas, estou com uma enorme desde a semana retrasada. A musculação provoca uns calinhos eventuais nas palmas das mãos.
Eu não me incomodo com essas coisas. Acho que faz parte, é natural. E espero que as pessoas que privam de minha intimidade entendam que o visual pós-treino faz parte do pacote.
Na academia onde faço musculação instalaram ar-condicionado. No verão, passo frio lá dentro. Além do ar, ainda ligam uns ventiladores. As pessoas não querem suar nem enquanto fazem exercício!!! Eu adoro suar, mais uma modalidade de limpeza, de desintoxicação.

O máximo possível de arrumação, no aníver de 44 anos em 22 de dezembro. E minha filha linda

Bem, bem, com tudo isso não estou querendo me passar por despreocupada com minha aparência, desleixada ou relaxada. Faz parte da minha curtição com meu corpo me arrumar. Desde que isso não signifique muita função ou gasto de tempo. Raramente demoro para escolher uma roupa. E quando isso acontece não é por ficar procurando um traje que me deixe maravilhosa, mas porque vejo que tenho um armário abarrotado de coisas, algumas das quais acabo nem usando tanto quanto acho que deveria. É roupa demais para um corpo só. Aí fico meio perdida, olhando o monte de opções e questionando o consumismo e o apego que me levam a juntar tanto pano.
Como não sei me maquiar e nunca tive interesse consistente em aprender, fiz maquiagem definitiva nos olhos, sobrancelhas e lábios. Que maravilha! Nunca mais fiquei com "cara de queijo", como minha mãe definia minha cara lavada. Além disso, acabou o perrengue de tentar passar lápis no olho. Cansei de ficar horas na frente do espelho tentando acertar o traço dos dois olhos e terminar optando pela loção demaquiante. Que frustração que era isso... Me sentia a mais inepta das mulheres. Batom comecei a usar regularmente no ano passado, para evitar rachaduras devido à exposição constante ao sol e ao vento.
Para me manter penteada, alisei o cabelo. Outra idéia genial. Meu cabelo era uma massa ondulada intratável. Se não penteava, ficava uma touceira embaraçada; penteado, parecia uma vassoura. Claro que se eu usasse creme e secador daria pra deixar direitinho, mas secar cabelo é algo fora de cogitação para mim (nem os da minha filha eu secava quando ela era menor). Ainda mais que lavo o cabelo todos os dias em função do suador. O máximo que faço é secar a franja.
Uso protetor solar como remédio. Creme no corpo, só quando a pele está quase rachando. Como a pele do meu rosto mantém-se em eterna adolescência, sujeita a acne, faço uma limpeza diária cuidadosa. Vejo isso como uma questão de higiene e cuidado básico, assim como depilar e fazer as unhas das mãos e dos pés. Não é uma questão de beleza, mas de capricho.
Enfim, curto muito o meu corpo e todos os seus ciclos. Observo como ele se comporta em cada estação, como reage a determinados treinos, dietas, alimentos, horas de sono, ritmos de trabalho, tudo. Vejo como as fases da lua influem no meu ciclo menstrual. E obviamente estou acompanhando as alterações provocadas pela idade. Mantenho a mente atenta ao agregado físico. E acolho na boa todas as coisas ligadas a ele - inclusive o envelhecimento. Como sempre digo, sinto-me muito bem, muito à vontade dentro da minha pele.