sábado, 20 de agosto de 2016

O olhar e o tempo

"Impelidos pelo desejo, deixamos de apreciar e valorizar aquilo que já temos. Precisamos nos dar conta de que o tempo que temos com aqueles que nos são caros - nossos amigos, nossos parentes, nossos colegas de trabalho - é muito curto.(...) Sem saber quando iremos morrer, precisamos cultivar a apreciação das coisas que temos, enquanto as temos, em vez de ficarmos procurando defeitos em nossas experiências."
- Chagdud Tulku Rinpoche


Hoje faz um mês que minha filha foi morar em São Paulo. E que meu namoro chegou ao fim.
Tempo que passa. Vida que segue.
A ida de Lízia não me causou sofrimento. Nem saudade sinto porque ela está dentro de mim e por tudo. Não experimento sensação de ausência. A maternidade é uma experiência perfeita. Lízia é a melhor filha que eu poderia ter. Mesmo com diferenças e brigas eu sempre vejo as qualidades. E saber que ela está feliz, seguindo sua jornada, me deixa feliz. Totalmente feliz e em paz.
Já o fim do namoro... é a perfeita experiência de sofrimento. Porque eu amo e sou amada. Muito. E a separação parece artificial e fútil. Desperdício de um tempo precioso e de uma experiência que poderia se prolongar, aperfeiçoar (e nos aperfeiçoar) e trazer muita felicidade. Lamentavelmente, o olhar desviou-se da beleza e foi para os defeitos, deixou de apreciar e valorizar o que se tem (ou tinha).
Tenho consciência de que o sofrimento não é por amor, é por apego à experiência de amor. Agora é aquele processo de separar uma coisa da outra. E ter a sabedoria de conservar o amor e soltar do apego - e não o contrário.