domingo, 23 de dezembro de 2012

Por dentro e para dentro

2012 foi o ano de me voltar para dentro de mim. De voltar para mim. De olhar para dentro de meu corpo e de minha alma. E meu corpo e minha alma mostraram uma total sincronicidade.
Em 2009, comecei a sofrer da hérnia de disco. Na mesma época comecei a sentir inquietações emocionais que julgava resolvidas. Ambos os distúrbios alternaram-se em fases melhores e piores. Olhando em retrospectiva, faz um sentido absoluto eu ter tido uma hérnia em L5-S1, bem na base da espinha, perto da região dos rins (ligados à água e ao medo; e notavelmente - e não por acaso - eu sempre tinha infecção urinária junto com as crises de hérnia).
A hérnia era uma somatização, ela veio depois. E teve que ser curada primeiro. Cirurgicamente.
Curada a hérnia, chegou a hora de curar a alma. A ferida que escondi cuidadosamente por quase 49 anos embaixo das mais variadas coberturas ficou exposta. Voltei a fazer terapia nesse mês. Com um homem. Indicado por minha ex-terapeuta. Nunca havia cogitado me tratar com um homem. Minha ex-terapeuta disse que seria bom, já que estava na hora de curar o trauma do abandono paterno.
Depois de três sessões, sinto-me à vontade. No último encontro, ele leu de um livro a explicação para a hérnia de disco: a impossibilidade de sair de uma situação, sentir-se aprisionado, limitado. No meu caso, sentir-se abandonada na hora de maior necessidade pela pessoa com quem eu mais contava. Hérnia é a somatização da incapacidade de se estruturar. No meu caso, de crescer. Fiquei presa ao sofrimento da criança abandonada pelo pai. E repeti a experiência em várias ocasiões. Especialmente às vésperas da cirurgia.
Passado o aniversário, vivo pelo Ano-Novo. Vai levar um tempo para eu dissipar toda dor que estava guardada no meu âmago. A ferida de minha alma supurou no dia 9, sete meses e sete dias depois da cirurgia. Estou na conta de sete nesse ano... Desde então, estou me drenando - 14 dias hoje. Essa dor primordial deve ser o equivalente emocional da dor neural que a hérnia provocava. Dor contínua.
Estou tratando da lesão emocional como tratei da física. Disciplina. Foco. Perseverança. Paciência. Determinação inabalável. Um dia depois do outro. O que desejo para 2013? Que a recuperação de minha alma seja tão veloz e completa quanto a de meu corpo.