sábado, 30 de março de 2013

24km

1:59:19 - média de 4:58.
Não é um treino bom em termos de tempo, mas gostei por ter conseguido fazer sem pipocar e sem sofrer, sem ter aquela hora de frustração, de saco cheio, de "porra, mas pra que estou fazendo isso comigo?". Foi uma corrida boa, leve. Curti.
Saí de casa meio tensa, cheguei a sentir um frio na barriga. Estava com medo. Senti muito cansaço nessa semana, quebrei na pista na quinta-feira. Quebrar na pista é uma coisa. Quebrar no longão é outra.
Quebrar na pista faz parte, é um treino no limite (tenho um treinador que estabelece os volumes e tempos com precisão, para me fazer dar tudo, sem sobrar e sem faltar - e eu sigo a planilha à risca). Tem dias em que simplesmente não consigo chegar ao meu limite. Ok.
Porém, quebrar no longão pode ser devastador para a cabeça, para a autoconfiança. Se não consigo fechar 26km, ou mesmo 32km, 35km, como vou fazer os 42km? Na minha pior maratona, em 2008, quebrei em pelo menos dois longões, nos quais tive que voltar de táxi ao decidir parar. (Não por acaso, em abril daquele ano, a um mês da prova, minha mãe foi diagnosticada com Alzheimer.)
Agora fiquei dois anos sem correr distâncias tão longas, perdi o hábito. E a confiança. Para mim, um treino de até 24km, 25km nunca representou um desafio. É um volume tranquilo. Dá pra fazer na boa, sem stress. Como fiz hoje. Mas hoje fiz na boa porque respeitei a distância e, principalmente, respeitei minhas condições. Se forçasse para fazer na média de 4:45-4:50, não conseguiria. Se conseguisse (o que acho improvável), seria com esforço exagerado, o que também me abalaria mentalmente ("Se fiz 24km nesse ritmo e terminei morta, como poderia fazer 42km?"). E o tranco me deixaria ainda mais exausta. Optei por uma corrida conservadora, tranquila. Foi muito sensato e adequado. Fiz todo o percurso sem angústia e terminei inteira. Ainda me mantive abaixo da marca dos 5:00.
Hoje fechei um ciclo do treino pra maratona. Acabou a moleza. A partir de agora, o treino entra noutra fase. Agora é esforço mesmo. Exige mais foco. Não dá pra vacilar na dieta e no descanso. No sábado que vem, serão 26km. Vou cruzar a linha da minha zona de conforto.