quarta-feira, 30 de março de 2016

Esperas, esperanças

Saí do cercadinho. Mas será que o cercadinho saiu de mim? Ainda não completamente.
Me peguei em flagrante. E que flagrante! Na tampinha! Com boca na botija. Com a mão na cumbuca!
Primeiro vi que queria retomar o relacionamento. Compreensível. Leva um tempo para superar.
Mas hoje veio a percepção que não é ok: eu estava esperando a retomada. Ou seja, continuava esperando a volta de quem foi embora. Não me sinto mais abandonada como criança, vejo o rompimento como ele é, sem misturar com os traumas da infância. Mas continuava esperando o retorno. Dissolvi um padrão, o outro persistiu.
Ver isso não foi nada agradável. Mas esperava o quê? Que todos os velhos padrões mudassem da noite para o dia? Esperança ainda mais descabida do que esperar a volta de ex que está noutra e em outro relacionamento. Que me removeu por completo de sua vida. Que muito acertadamente me deletou para desapegar e evitar deslizes nostálgicos. Que fechou os canais de comunicação.
E o aspecto das "comunicações" contém a percepção realmente perturbadora. Não é só esperar. Eu estava indo atrás. E ir atrás é o que alimenta a espera e a esperança de retorno. Cria confusão em minha mente. Confusão que minha mente quer criar, é óbvio. Qualquer mínimo contato, qualquer resposta educada ou protocolar atiça a fogueira do apego-desejo-esperança-espera.
Meu padrão de comportamento causa perturbação e sofrimento para mim e demais envolvidos. Gera turbulência. Eu fico estagnada e atrapalho um relacionamento. Crio uma sombra na minha vida e na vida de outras pessoas. Isso não é amor. Isso é apego.
Amor é o desejo de que o outro seja feliz.