domingo, 27 de março de 2016

Renascimento, renovação

Incrível como algumas coisas óbvias permanecem despercebidas até o instante em que se revelam. Paffff! Do nada! A iluminação com certeza é assim.
Enquanto minha mente inata e fundamental de clara luz permanece oculta sob camadas e camadas de obscurecimentos, a mente grosseira experimenta insights preciosos.
Estou assistindo The L Word ("sapa bonde", disse minha filha). No final do episódio que vi ontem, a personagem Bette fala da crise com a parceira Tina, comentando que não concordavam mais em nada, que as visões eram diferentes em tudo e que ela gostaria de estar com alguém que concordasse com ela, que gostasse das mesmas coisas, que tivesse as mesmas ideias e opiniões.
Bette uma gay convicta (na falta e preguiça de procurar termo mais adequado), o homem da casa, provedora, realizadora, profissional bem-sucedida, líder, autoritária.
Tina uma bissexual que abandonou a carreira para ser mãe, que se deixava levar e coordenar pela parceira. Insegura, dependente em todos os sentidos.
Em meio às dificuldades de relacionamento, idas e vindas, Tina vai saindo da órbita de Bette. Vai tratar da vida, especialmente da vida profissional. As diferenças acentuam-se. Existe amor, a vontade de estar junto, de construir uma família. Mas os caminhos bifurcam-se de modo inexorável.


Enquanto me percebo Tina - e desejo ser a Tina batalhadora e começo a procurar meu caminho -, o universo traz uma pessoa com vivência extremamente semelhante. Uma amiga de alma. Nos conhecemos na hora certa, brotou uma amizade suave, ela me acolheu em sua casa, deu o colo de que eu tanto precisava.
Ela me vê como uma pequena águia recém-liberta da gaiola, abrindo as asas nos primeiros voos. Minha amiga-irmã águia vai voar comigo hoje.
Vamos celebrar o renascimento, a renovação. A primavera no outono.