quinta-feira, 31 de março de 2016

Que droga

A mente é capaz das mais incríveis artimanhas para buscar a felicidade e fugir do sofrimento. Meu coração partido está proporcionando uma produção e exibição formidável de truques da mente para tentar fugir do inevitável: a dor da separação.
Inicialmente, houve dores das quais a mente não fugiu. A separação permitiu acessar sofrimento muito, muito antigo, que veio à tona e foi lindamente liberado. Foi um esvaziamento. Essa liberação permitiu que eu me preenchesse de amor, gratidão, reconhecimento. Permitiu uma pacificação incrível.
Mas uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.
Extravasar a dor do abandono infantil e da perda da mãe não é a mesma coisa que dissipar a dor pelo fim de um namoro. Minha mente tentou juntar tudo no mesmo balaio e liquidar a fatura. Não deu certo.
E hoje foi o dia de ver que meu coração está partido. E que a mente estava tentando driblar a dor que isso causa. Tentando adiar. Prendendo-se a esperanças, expectativas e espera totalmente infundadas. Algumas de minhas ações foram literalmente uma droga: produziram uma breve sensação de prazer e depois agravaram a ânsia.
A conclusão foi simples: chega de drogas (inclusive de clonazepam).
Hora da desintoxicação. Day 1.