sexta-feira, 25 de março de 2016

O poder do amor

Sou a prova viva de que as pessoas mudam por amor.
Meu processo de transformação pessoal foi desencadeado pelo amor por minha filha. Lembro exatamente do momento em que a motivação se manifestou.
Foi no meu escritório, Lízia tinha cerca de um ano e três meses, estava sentadinha no bebê-conforto. Eu estava tentando trabalhar e fui assolada pela ansiedade. Era como se fosse morrer ou ficar louca. Um medo incontrolável, suor frio, paralisia. Horror. Surtos assim eram cada vez mais frequentes e intensos.
Olhei pra minha filhinha e me desesperei. E se eu morrer? E se eu ficar louca? O que vai ser dela?
Comecei a me tratar. Naquele momento, fui atrás de profissionais para me curar.
Sempre que vinha o pavor, a sensação de morrer/enlouquecer, a dúvida de que poderia um dia sair daquele estado, eu pensava que TINHA que conseguir porque eu tinha uma filha para criar.
Até hoje, quando tenho vontade de desistir, é nela que eu penso. E sigo.
Recentemente, o amor por outra pessoa deflagrou uma nova etapa em meu processo evolutivo. Não é exatamente como o amor por minha filha, em que comecei a me mover por ela e para ela, para o bem dela mais do que para o meu próprio. Dessa vez, o amor por outra pessoa me impulsionou a ser melhor para mim mesma, para que o nosso relacionamento fosse melhor, se fosse possível manter tal relacionamento, ou para que os próximos relacionamentos não fossem variações de um mesmo tema já muito conhecido.
Essa pessoa é uma mulher muito parecida com minha mãe. Estava a meu lado quando minha mãe morreu e me deu exatamente o mesmo tipo de apoio que minha mãe sempre me deu. Presença. Não me consolou, mas ficou ao meu lado e me ajudou a tratar das questões práticas. Cuidou de mim como minha mãe cuidava.
De início tive imensa dificuldade para lidar com ela e com nosso relacionamento. Parecia que tudo era errado, que nada funcionava entre nós. Eu não estava preparada para ter uma namorada. Mas a cada afastamento eu sempre queria voltar a tê-la comigo. E o desejo de ficar com ela, de fazer dar certo, de que nosso amor fosse uma experiência benéfica aumentava. Essa mulher batalhadora, bem-sucedida, líder apontou duramente para a desorganização da minha vida profissional e financeira. E me serviu de exemplo. Eu ficava observando e tentando aprender. O convívio com ela me fez perceber o quanto minha vida era absurda e desregrada. Vendo que simplesmente não sabia nem por onde começar a me organizar, fui buscar ajuda profissional. Pela primeira vez, quis elucidar aspectos da vida material e não emocional. Claro que estão interligados, mas o foco da motivação mudou.
Meu amor e nossas dificuldades de relacionamento me fizeram olhar coisas que eu queria mudar em mim, trabalhar nesses aspectos e com isso acessar conteúdos escondidos e represados. Fui fazer a minha parte para o relacionamento funcionar - e para EU funcionar melhor em tudo.
O relacionamento chegou ao fim. Minha jornada fora do cercadinho onde vivi está só começando.