sexta-feira, 29 de maio de 2020

21 dias de abundância - Dia 3


Dia 3 – Mente, matéria e espírito


Afirmação do dia:
“Hoje me concentro no que quero atrair para minha vida.”

Mantra:
Sat Chit Ananda

“Sat” significa verdade, existência absoluta. “Chit” significa consciência, compreensão, entendimento. “Ananda” significa bem-aventurança, êxtase, felicidade pura. O mantra refere-se à experiência da natureza última, absoluta, da realidade.

Aqui estão as atividades de hoje:

1. Lembra da lista que você fez ontem? Para cada item listado, desenhe possíveis soluções. Seja o mais criativo possível e ponha de lado a mente julgadora. Desenhe como puder, como nos tempos de criança. Por exemplo, se precisa de mais tranquilidade, poderia desenhar um jardim; se precisa pagar uma dívida, poderia desenhar maneiras de como atrair o dinheiro e as notas necessárias; se deseja um parceiro, poderia desenhar lugares onde possa encontrá-lo ou elementos que simbolizem características dessa pessoa. Desenhe o quanto quiser. Rabisque, pinte. Não se trata de habilidades de desenho, e sim de criar sua realidade e deixá-la entrar em sua vida. Enquanto desenha e colore, sinta a satisfação de criar um equilíbrio entre suas necessidades e os meios de que dispõe para satisfazê-las. Atreva-se e divirta-se!

2. Anote a afirmação de hoje em seu diário e lembre-se dela durante o dia.

3. Realize a meditação guiada com o mantra Sat Chit Ananda. (A trilha da meditação está no áudio a seguir.)


Depois de concluir as atividades, envie uma mensagem de texto para este grupo dizendo “Dia 3 concluído”.

Alegria!

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Comida feliz


Será que meus bolinhos de arroz cabeludos, zoiudos e felizes são efeito da quarentena? Se for, é positivo. Me diverti montando esse almoço. A comida é minha. Brinco o quanto quiser.
A quarentena tem sido muito positiva para mim em vários aspectos. Talvez principalmente na alimentação. Parei de comer fora, pedir comida jamais foi um hábito, cozinhar tranqueira tampouco. Assim, minha dieta está maravilhosamente saudável. O prazer de cozinhar só aumenta, bem como a criatividade.
Hoje estou engraçadinha, aí empratei esses bolinhos. Os cabelos são dente-de-leão, uma panc amarga que eu aprecio muito, Essa está excepcional, só lavei e comi, Não sou de temperar salada. A cesta do Sandino Argolo para a CSA Porto Alegre (Comunidade que Sustenta a Agricultura) nessa semana está toda excepcional. A chuva alegrou a lavoura castigada desde o verão pela seca. Os verdes estão radiantes. Além do dente-de-leão, peguei espinafre e couve. E beterrabas com uma rama estupenda.
Vieram uns tomatinhos beeeeem verdes. Eu nunca havia experimentado, achei que fosse ruim. Esses aqui são deliciosos. Para minha surpresa, adocicados.
Bolinho de arroz é mais uma estreia da cozinha de Lúcia Brito. Fiz esses pioneiros com arroz integral (que eu cozinho apenas com água) e rama de cenoura refogada com cebola. Inicialmente comi a rama de cenoura pura, não gostei da consistência, muito fibrosa. Mas para bolinhos... uau! (Já estou sonhando com coxinhas dessa rama e casca de banana.) Não tem medida porque misturei a sobra do arroz com a sobra da rama. Ajustei o tempero com pimenta apenas. E para dar liga? Chia. Fui colocando e misturando. Deixei descansar um tempo, e a mucilagem deu conta do recado.
Depois foi só fritar na frigideira de cerâmica. Fiz duas versões - com e sem empanar. Preferi empanado. Com a minha farofa, porque não vou usar panko.
Os dois bolinhos sorridentes dão um salve pra você!

21 dias de abundância - Dia 2


Dia 2 – A fonte de toda abundância


Afirmação do dia:
“Eu crio minha abundância pessoal a partir de uma fonte infinita.”

Mantra:
Aham Brahmasmi
“Aham” significa “Eu”. “Brahma”, nome do Deus Criador hindu, significa “Divino”, “Sagrado”. “Asmi” significa “Sou”. O mantra afirma a unidade do indivíduo com o absoluto. “Eu Sou o Absoluto”, “Eu Sou Divino”, “Eu Sou Deus”.

Aqui estão as atividades de hoje:

1. Anote em seu diário tudo de que você sente falta para viver uma existência verdadeiramente abundante (por exemplo, mais habilidade em um campo de atividade, um parceiro, autoconfiança, dinheiro para quitar dívidas, disciplina, saúde etc.). Tente perceber o maior número possível e seja o mais específico possível (para qual objetivo, em qual circunstância, onde, como, etc.). Para alguns, a lista será curta, para outros será extensa. Tanto faz, desde que seja verdadeira. Reserve um tempo para percorrer todas as áreas de sua vida nas quais você possa precisar de um pouco mais.

2. Anote a afirmação de hoje em seu diário e lembre-se dela durante o dia.

3. Realize a meditação guiada com o mantra Aham Brahmasmi. (A trilha da meditação está no áudio a seguir.)


Depois de concluir as atividades, envie uma mensagem de texto para este grupo dizendo “Dia 2 concluído”.

Alegria!


quarta-feira, 27 de maio de 2020

21 dias de abundância - Dia 1

Bom dia, pessoas queridas!
Vamos começar nossa jornada de 21 dias de abundância.
Como eu já disse antes, quero proporcionar uma experiência leve, agradável e divertida em meditação. Fiz este grupo porque a minha experiência está sendo ótima e quis compartilhar o rico presente que recebi.
O método não é meu. É do Deepak Chopra, médico indiano, autor de muitos livros que abordam espiritualidade, saúde física e mental, felicidade e sucesso a partir da milenar visão hinduísta combinada com a ciência ocidental moderna. Contudo, este grupo foi criado por mim, eu adaptei o material escrito e também vou adaptar as regras pro meu estilo e pra visão do que considero mais importante neste momento de pandemia e pandemônio.
O ideal é vocês fazerem todas as atividades propostas – e pra isso é legal ter um caderno ou bloco para usar como diário. Não é muita coisa, e tudo pode ser muito interessante. Mas cada pessoa tem os seus desafios e limitações, então sintam-se à vontade pra fazer ou não. Sinto que o fundamental é fazer as meditações guiadas. Elas são curtas, com cerca de 10 minutos. (Os áudios são mais longos porque contêm uma primeira parte de ensinamentos.)
Vamos lá!


Dia 1 – A realidade da abundância


Afirmação do dia:

“Hoje eu contemplo a abundância que me cerca.”


Mantra:

So Ham


So Ham é o mantra da respiração. Você mentaliza “So” na inspiração e “Ham” na expiração.
“So” significa “Aquele”. “Ham” significa “Eu Sou”. O mantra conecta o indivíduo com o todo, com o universo, com a realidade última. “Eu Sou Aquele.”

Aqui estão as atividades de hoje:

1. Escreva a afirmação de hoje em seu diário e lembre-se dela ao longo do dia.

2. Em seu diário, faça uma lista de 50 pessoas que influenciaram seu crescimento e desenvolvimento pessoal ao longo da vida. Pode ser artistas, pessoas que já partiram, parentes, amigos, qualquer um. Essa lista precisa ter no mínimo 50 nomes. Percorra as fase de sua vida, relembre as pessoas e o motivo da escolha conforme for escrevendo. Leve em consideração tudo que for positivo e o que você considera que o fez crescer de alguma forma. Faça com calma, lembre das coisas boas de cada um e o que acrescentou na sua vida.

3. Realize a meditação guiada com o mantra So Ham. (A trilha da meditação está no áudio a seguir.)


Depois de concluir as atividades, envie uma mensagem de texto para este grupo dizendo “Dia 1 concluído”.

Alegria!

21 dias de abundância - Dia 0

Fui convidada para participar de um grupo de WhatsApp que está realizando o desafio de meditação de Deepak Chopra. Mais uma novidade da quarentena. Mais descobertas e aprendizados.
A internet tem montes de registros da atividade desses grupos. Vou registrar as atividades do meu aqui.

Olá!
Quer participar de um grupo de meditação?
Serão 21 dias com práticas curtas e pequenas tarefas para ajudar a mente a se voltar para a abundância ilimitada do universo e para as coisas que você deseja.
Vou mandar uma mensagem por dia com as instruções e um áudio para a prática. Você faz se quiser. É pra ser uma coisa leve, sem cobrança, um momento para você parar e se observar. Aqui vai um link pro grupo. Você é tão livre para entrar quanto para sair.


 Olá! Bem-vindas, pessoas queridas!
Essa quarentena está sendo um período de muitas novidades pra mim. É a primeira vez que crio um grupo de whatsapp. E a primeira vez que coordeno uma experiência de meditação em grupo. Farei isso de um jeito direto e leve. Só peço duas coisas:
- mandem mensagem aqui só pra comunicar que a tarefa do dia foi concluída;
- não mandem nenhum outro tipo de mensagem, qualquer coisa me chamem no privado. A ideia é manter esse grupo só pra prática, sem conversa, porque todo mundo está às voltas com vários grupos e conversas, o celular buzinando sem parar.
Enviarei a primeira das 21 práticas amanhã de manhã, com mais detalhes de como seguiremos.
Tô muito contente de ter vocês comigo nessa jornada. E, como eu disse no convite: sintam-se livres pra fazer o que quiserem. Se não curtir,  é só sair. A gente já tem muito compromisso inescapável e muita cobrança.
Aqui é pra ser suave.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Biomassa de banana verde

As bananas estão em alta aqui na residência. Estava com dois cachos pequenos guardados em saco de papel para amadurecer há dez dias. Por sorte não amadureceram, e tive a ideia de fazer biomassa. Achei que fosse uma coisa complicada. Que nada. Facílimo. Não tem como dar errado.
Segui as instruções do Presunto Vegetariano:
Coloquei água na panela de pressão, quando ferveu, joguei as bananas. Depois de pegar pressão, deixei cozinhar em fogo baixo por 8 minutos. Desliguei e deixei lá até as bananas ficarem mornas para descascar. Não gosto de mexer em coisa muito quente, machuca a pele. Para triturar no liquidificador, adicionei água quente. E era isso.
Limpei as cascas, retirando a camada interna e deixando só a externa, e guardei no congelador para refogar mais adiante.


segunda-feira, 18 de maio de 2020

Bolo de banana e resíduo de leite vegetal

Queria aproveitar o resíduo de leite vegetal, mas não estava a fim de biscoito. Ia fazer pão e bolo, Comecei pelo bolo. Fui juntando os ingredientes. A banana entrou por acaso e por último. Usei:
 
1 1/2x de resíduo de leite
2x de farinha de trigo integral
1 1/2x de açúcar demerara
1/2x de óleo de coco
1x de banana amassada
1cs de vinagre
1cc de bicarbonato
Canela em pó
Extrato de baunilha

Assei em forma untada e enfarinhada por uns 35 minutos.
O pão não rolou porque cismei com o odor dos resíduos congelados de outro pote e descartei. Era de leite de soja, do qual estou meio enjoada, basicamente por causa do cheiro, que me é desagradável. No bolo usei resíduo de leite de girassol. Ficou perfeito. Textura úmida e densa por causa da banana. É um bolo macio, mas encorpado. Com café ou chá é a glória.



sábado, 16 de maio de 2020

Banana frita

Pelo visto só eu não sabia que dava para fazer banana frita. Só conhecia banana à milanesa, que me desperta mixed feelings. Banana de modo geral é um caso complexo. Não é sempre que tenho vontade de comer, e não serve qualquer banana. Tem que ser firme e pouco madura. Mesmo para amassar com aveia ou para fazer batida. Tenho horror de banana madura, o cheiro e a textura me causam repulsa.
Essa banana da foto eu não conhecia. É banana rosa, ou da terra ou São Tomé. Ganhei do meu agricultor da CSA (Comunidade que Sustenta a Agricultura), Sandino Argolo, que disse que ela ficava boa frita. E como! Fritei uma com óleo de girassol, a outra com óleo de coco e coloquei canela em pó. Maravilhoso pro lanche ou café da manhã.
Na próxima vou ousar. Vou temperar com sal, pimenta e gengibre. Pra acompanhamento no almoço.


terça-feira, 12 de maio de 2020

Quarentener - treino & cia.



Hoje fiz o primeiro treino na BPro desde 17 de março, quando as academias de Porto Alegre foram fechadas para conter a pandemia do novo coronavirus. Esqueci de fazer foto com o querido professor Henrique Bayer, um dos companheiros matinais da era pré-covid-19. Lamentável não ter registrado a alegria sorridente que transbordou pelos olhos. Farei isso no próximo treino.
Foi bárbaro pegar uma barra e puxar um terra depois de tanto tempo. Também foi doloroso ver a perda de força. Nada de surpreendente, porém. O importante é que estou treinando em casa direitinho. Meu retorno à academia será tranquilo, o corpo vai se reajustar às cargas e ao esforço sem levar um choque. Enfim, não fiz foto na academia, mas gravei o tradicional videozinho pra postar.



E eu que lute, né? No treino, na cozinha, no trabalho, na vida. Porque meus dois companheiros de quarentena só querem moleza. Ração premium, caixa de areia limpa, cafuné. Merecem muito. Merecem tudo. As melhores companhias para esse momento.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Rama de rabanete



Na semana passada, recebi em minha cesta da CSA (Comunidade que Sustenta a Agricultura) os rabanetes mais bonitos que já vi. A rama também estava lindíssima. Lavei e guardei em pote fechado na geladeira. Hoje foi o dia de refogá-las.
Como tempero, usei apenas alho-poró, que coloquei na wok junto com os talos. A folha do rabanete tem um talinho robusto mesmo na parte em que já há folha. Então fui picando e colocando em etapas na wok. A parte superior das folhas foi por último.
Nunca havia comido rama de rabanete, adorei o sabor e a textura. Tão bom quanto couve pra acompanhar feijão com farofa. :)

domingo, 10 de maio de 2020

Conexões verdes



Doei babosas. Ganhei mel (um dos melhores que já comi), mudas de ora pro nobis e manjericão, folhas delas, mais alecrim e capim-cidró. Isso tudo de uma só pessoa. A troca começou com uma doação de scoby e kombucha, além de dicas para fermentar. Conversa vai, conversa vem, descobrimos a afinidade no interesse por agricultura orgânica.
Neste momento, uma tradutora que mora em Londres está me enviando a apostila de um curso de raw food que fez lá. Estávamos conversando sobre caxi em um post do meu fb.
Aprendi a fazer farofa com a mulher do meu ex-marido. Eu e ela trocamos receitas e comidas que preparamos. Eu dei mudas das babosas pra ela, ganhei um alecrim. Ela aderiu à CSA, eu pego a minha cesta e a dela.
Outra amiga me mandou foto agora de manhã avisando que ia fazer um creme de abóbora com gengibre e leite de coco. Ela se apaixonou pela combinação de abóbora e gengibre quando tomamos uma sopa que fiz no inverno do ano passado.
Juntas somos mais fortes.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Ramas e talos



Se nunca comeu, tem que experimentar. Se já comeu e não gostou, pode ser que tenha sido mal preparado. Foi o que aconteceu comigo. A primeira vez que fiz ramas de beterraba não gostei muito, os talos ficam duros e um tanto amargos. Os talos de espinafre colocoquei numa sopa de liquidificador e ficou ruim, mas consertei acrescentando batatas.
Hoje comprovei que rama de beterraba e talo de espinafre podem ficar uma delícia. Piquei os dois tipos de talo, bastante alho e um pedaço de gengibre. Refoguei bem, deixando os talos macios. Adicionei as folhas de beterraba picadas, dei um susto nelas e finalizei com sal. Prontinhio pra comer. Combina com arroz (dá pra fazer um risoto, aliás), massa, tortilha, grãomelete. E, é claro, FA RO FA.
Assim:

Ou assim:



Caxi e jiló


Caxi eu nem sabia que existia. Jiló nunca havia comido por causa da má fama. Comprei ambos na Feira Ecológica do Menino Deus, na banca do Jalo, membro da CSA - Comunidade que Sustenta a Agricultura. Eu participo da CSA, mas "meu" agricultor é o Sandino Argolo.
Já que é pra ousar, vamos ousar. Resolvi fazer os dois juntos. Dourei bem uma cebola grande. Depois coloquei o caxi, que é um misto de abóbora com batata. Tampei a frigideira e deixei cozinhar. Acrescentei os jilós (eu tinha 4, vermelhos, lindos). Por último os tomates. Temperei com sal e páprica picante.
Jiló sem dúvida não é pra qualquer paladar. O amargor é intenso, Puro eu não comeria, mas assim, com o caxi, que é suave e adocicado, fica ótimo.


Outro  caxi eu fiz refogado apenas com cebola. Pensei em refogar as folhas de espinafre junto, mas estavam lindas demais, seria um desperdício de nutrientes.
Tinha inhames cozidos na geladeira, Nessa fase de experimentações e descobertas, fiz minha primeira maionese de inhame. Bati no liquidificador com óleo, suco de limão, sal e pimenta. Ficou gostosa, mas não espetacular. Na próxima usarei azeite. Também pretendo experimentar com nutritional yeast. E mostarda.

Natureza viva

Jaboticabas, manjericão e carambolas que ganhei.
Folhas da minha babosa.
Cesta da semana da CSA. Tomate, alho-poró, maracujá,
abacate, berinjela, cebolinha, espinafre e rabanete.
Os rabanetes mais lindos que já vi.
Filhotinhas de babosa.
Ramas de rabanete e de beterraba que peguei na feira.

Tanta coisa boa que nem sei o que comer primeiro.
Ando numa fase de descobertas. Comi jaboticada pela primeira vez. Gostei.
Será a primeira vez que comerei rama de rabanete.

Farofe-se

Fiz uma farofa básica hoje.
Comecei fritando uma cabeça de alho grande em quantidade generosa de óleo. Não medi, mas essa frigideira é de 28cm. Gosto do alho bem frito, ele fica crocante.
A seguir, acrescentei 500g de farinha de mandioca. E aí é mexer quase sem parar enquanto a farinha doura.
Finalizei com cebolinha e sal.





A farofa está pronta para comer assim. (E eu gosto pura.) Mas vou usá-la para outras preparações também. Como farofa de espinafre, que fiz no começo da semana. Simplesmente dei uma refogada rapidíssima em folhas de espinafre e depois acrescentei uma farofa já pronta. Ficou assim:


terça-feira, 28 de abril de 2020

A redenção do feijão

Minha vida não mudaria se eu continuasse não gostando de cheesecake. Mas não gostar de feijão sempre foi limitador. Quando criança, feijão com arroz se tornou uma experiência traumática. Assim como canja de galinha. O problema não era o gosto, descobri depois de adulta. Eram os ingredientes.
Minha avó e mãe colocavam pedaços de porco no feijão. Eu tinha horror daqueles troços repugnantes, ossos, cartilagens, gordura. Tenho gravada na mente a imagem repulsiva de um pedaço de orelha de porco sendo pinçado da terrina por uma delas em um almoço, com uns pelinhos visíveis. Eu detestava feijão com arroz. Ficava de castigo na mesa até comer a combinação insuportável. Na verdade, ficava lá sentada e não comia até ser liberada da tortura.
A canja era outro espetáculo dantesco, com pés e pescoços de galinha que eram saboreados pelos outros enquanto eu só tinha vontade de sair correndo e não ter que ver aquela chupação de ossinhos. O aspecto do caldo, com aquelas manchas de gordura em meio à água também não me entusiasmava nada, nada a comer. Só descobri que canja podia ser muito, muito diferente - e uma delícia - com quase 40 anos, em uma casa de religião de matriz africama. Eu disse pra mãe-de-santo que não gostava de canja, ela disse que eu tinha que experimentar a dela. Por Oxum! Que canja. Sem bolotas de gordura, só carne de galinha bem desfiadinha, arroz e tempero verde. As melhores canjas de comi na vida foram nas casas de santo. Foi onde descobri a canjica branca e amarela também. Outro manjar. Vou veganizar as canjicas neste inverno.
Feijão eu tentei voltar a comer depois dos 18 anos. Feijão preto não. Tentei o azuki e outros. Até comia, mas por obrigação. Não gostava. E não sabia fazer. Nem me interessava em aprender. Larguei de mão e fiquei só na lentilha, que amo.
Nesta quarentena, sabe a deusa por que, senti vontade de comer feijão preto. Até hoje não senti vontade de comer feijão nem vinte vezes no total. Comprei feijão preto orgânico em minha primeira ida à Feira Ecológica do Menino Deus. Pesquisei como fazer, consultei as amigas e fiz meu primeiro feijão em mais de dez anos. Ficou gostoso, mas aguado.
Fiz de novo na semana passada. E agora posso me considerar mestra no feijão preto. Ficou perfeito. Feijão me deixava estufada e com gases, o que era mais um motivo pro ranço. Meus feijões não causaram nada disso. Molho de 12 horas, trocando a água na metade do tempo pra eliminar bem os fitatos, resolve esse problema. Depois é só cozinhar na panela de pressão com folhas de louro. Sal eu só coloco depois de pronto.
Do feijão para a feijoada vegetariana foi pra já. Fiz ontem. Refoguei bem uma cebola com bastante óleo, depois adicionei tofu defumado e linguiça calabresa de soja e refoguei também. Adicionei ao feijão com cebolinha, mais inhame e batata-doce cozidos. Era o que eu tinha em casa, Resultado divino.


Enquanto narrava a saga redentora do feijão lembrei que tudo na verdade começou com vontade de comer farofa. Adoro farofa. E não sei de muita coisa que combine com farofa além de feijão. (Na real, não sei de nenhuma outra coisa. Já comi com peru, mas não é tão bom.) Bom, fiquei com tanta vontade de comer farofa que veio a vontade de comer feijão. Só que senti que farofa pronta não era exatamente o que me agradaria. Muito tempero químico, muito conservante, eu sinto o gosto artificial. Concluí que estava na hora de aprender a fazer farofa. Foi exatamente como no caso do feijão. A primeira ficou meio sem graça. Mas as duas seguintes ficaram um espetáculo.
Minha filha achou estranho, mas tô curtindo farofa de gengibre. Coloco montes de dentes de alho pra refogar, depois acrescento uma generosa quantidade de gengibre picadinho. E então a farinha de mandioca, fico mexendo até dourar bem. Depois de pronta acrescento o sal.
Hoje vou fazer mais farofa pra acompanhar a feijoada. Arroz não. Feijão com arroz ainda não. Talvez daqui a pouco ou mais adiante.

Cheesecake redimida


Nunca gostei de cheesecake - isso é um eufemismo. Sempre falo que, quando for síndica universal, vou banir a cheesecake do planeta. Doce sem graça e pouco doce. Mas o banimento não se aplicará à minha cheesecake com queijo de castanhas.
Só fiz duas até agora. A receita da base ainda está em desenvolvimento. Fiz a primeira com cacau, e esta da foto com canela. Gostei mais com canela.

· ½ xícara de óleo de coco
· 2 colheres (sopa) de linhaça triturada diluída em 8 colheres (sopa) de água
· ½ xícara de açúcar demerara
· ½ xícara de cacau em pó (ou canela a gosto)
· 1 colher (chá) de extrato de baunilha
· 1 xícara de aveia
· 1 xícara de farinha de arroz
· 1 colher (sopa) de gergelim
· 1 pitada de sal
Misture todos os ingredientes secos, depois os molhados. Modele em forma untada com óleo de coco e polvilhada com farinha de arroz. Asse.

Essa massa ficou bem crocante, tipo biscoito, comi pegando com a mão. Afinal, tô aqui em casa sozinha e adoro comer com a mão.
Não coloquei fermento. Farei outra com fermento e menor tempo de forno. Quero chegar a uma base mais macia, pra ficar mais convencional. E poder servir sem que as pessoas tenham medo de que um pedaço voe do prato delas ao tentarem partir ou que a base se quebre toda. (Essa não quebrou quando parti as três fatias que comi. Eu ia só experimentar, gostei tanto que repeti e finalizei com uma tirinha fininha. Tudo sem a base se espatifar.)
Fiz o creme de queijo com um queijo de castanhas de caju e do Pará fermentado com rejuvelac, batido com tâmaras. A cobertura é de cranberries com passas de uva cozidas com pouca água. Isso foi tudo a olho.
Na próxima vou anotar as quantidades. E adoçar a base com tâmaras, para ter uma torta 100% funcional. O queijo de castanhas é vivo, então não asso. Coloco as coberturas após a base esfriar.

domingo, 26 de abril de 2020

Na lida e na luta

Tentando vencer a letargia, a vontade de ficar sentada, fazendo nada.
A semana que passou foi devagar. Não sinto falta da rua, tô de boas em casa. O problema é não sentir vontade de fazer coisa alguma.
Por sorte sempre existem motivos de força maior que me empurram. Dessa vez, foi o aniversário da enteada do ex-marido (ah, esses relacionamentos múltiplos), 19 anos. Pensei em fazer uma cheesecake de castanhas. Ainda bem que fui me informar, fiquei sabendo que ela não é de doces, mas adora pão. Mudei o presente pro meu já clássico e famoso pão de sementes. Ficou perfeito (comi aquele pequenino ali, que fiz pra justamente conferir o resultado.
Como me recuso a usar o forno para fazer uma coisa só, tive que superar a inação e assar biscoitos de resíduo de leite. Enfim cheguei a uma receita de base, muito mais simples do que imaginava. Essa fornada ficou perfeita, perfeita. Assar biscoito em forno doméstico não me parece coisa fácil. Fiz na quinta-feira. Na sexta achei que eles poderiam secar mais. Então acendi o forno e coloquei todos lá de novo. Junto com a base de cheesecake que tive que fazer. Isso é história pro próximo post.

Biscoito de resíduo de leite vegeta



A base desses biscoitos é 1 xícara de resíduo de leite vegetal (qualquer um, nesses tem amendoim e soja) e 1 xícara de farinha de arroz ou de aveia. A quantidade de óleo não medi, eu coloquei o suficiente para a massa ficar úmida e maleável. Sal e gergelim completaram a receita. Adicionei orégano em uma parte da massa, ficou delicioso também. Dá para colocar alho, cebolinha ou cebola em pó/secos, pápricas, pimentas, noz-moscada, grãos de mostarda, zahtar... Dá para experimentar de tudo. Eu asso em forma forrada com papel manteiga, pincelo óleo e polvilho farinha de arroz ou de aveia. Espalho uma camada fina da massa, faço cortes com uma faca e levo ao forno.

Pão de sementes

 


200g (2 ¼ de xícaras) de aveia ou farinha de aveia ou farinha de arroz
150g (1 xícara) de sementes de girassol
100g (1 xícara) de castanhas (ou outra oleaginosa) grosseiramente picadas
60g (1/3 de xícara) de sementes de linhaça
60g (1/3 de xícara) de semente de abóbora sem casca
60g (1/3 de xícara) de gergelim branco
30g (¼ de xícara) de semente de chia
30g (1/3 de xícara) de linhaça moída (ou psyllium)
Sal a gosto
¼ de xícara de óleo
2 ½ xícaras de água.
Misture bem todos os ingredientes secos.
Adicione os líquidos e mexa bem.
Deixe descansar em temperatura ambiente por 2 a 12 horas.
Coloque a massa em 2 formas de pão pequenas forradas com papel manteiga.
Ajeite com uma espátula para dar formato.
Pré-aqueça o forno a 200 graus e asse até dourar.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Grãomelete


Receita fácil, rápida e saborosa. Combina com mil coisas.
A base é a seguinte:
  • 1 xícara de farinha de grão-de-bico
  • 2 xícaras de água
  • 2 colheres (sopa) de linhaça
  • sal
  • 1 colher (chá) de fermento
  • temperos a gosto (alho, cebola, salsa, cebolinha, pimentas, açafrão, cúrcuma, curry, pápricas, alecrim)
Bato primeiro a linhaça no liquidificador. Depois acrescento os demais ingredientes. O fermento eu deixo por último, só dou uma misturada rápida.
Unto a frigideira de cerâmica com óleo, coloco a massa (a quantidade depende do tamanho da frigideira, ali na foto dá pra ter uma ideia da espessura e deixo cozinhar com a tampa. Viro quando a parte de baixo está dourada.

Sempre faço duas receitas e guardo na geladeira para ir consumindo. Dessa vez, com folhas variadas (espinafre, rúcula, rúcula dente-de-leão), rabanete e coentro.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Dia de feira


Quarta-feira é o dia de abastecer a casa. A pandemia deu o empurrão de que eu precisava para aderir à CSA - Comunidade que Sustenta a Agricultura. Busquei minha primeira cesta no dia 1º de abril, na maravilhosa Feira Ecológica do Menino Deus. O distanciamento social estava começando. É possível receber a cesta em casa, mas eu queria conhecer meu coagricultor e quem sabe comprar mais algumas coisas. Sábias decisões. Primeiro, aderir à CSA. Segundo, buscar a cesta.
Hoje foi minha quarta ida à feira. Considero o ambiente seguro. Ao ar livre e espaçoso, bem mais agradável que a Feira Ecológica do Bom Fim. E mais bem frequentado que a média dos locais, já que a maioria das pessoas estava de máscara.


O que tem aqui: avocado, maracujá, couve, inhame, tomate, limão, aipo, rúcula, cebolinha, batata-doce, rabanete, coentro, jiló, caxi e rúcula dente-de-leão. E uma garrafa de caldo de cana. (No liquidificador, a massa de grãomelete que comerei no jantar.)
Hoje foi dia de novidades. Não conhecia o coentro fresco nem a rúcula dente-de-leão. Nunca comi nem preparei caxi ou jiló. Nesta semana vou experimentar.
Minha atividade culinária e minha dieta foram afetadas de modo muito positivo pela pandemia. (O que é um conforto em meio à tragédia. Tenho cultivado a prática de olhar para as pequenas coisas boas do cotidiano, em especial tudo que estou fazendo nesse período. É o antídoto para as más notícias.) Desde agosto passado eu vinha cozinhando cada vez mais. E consumindo cada vez menos produtos de origem animal e processados. Com o distanciamento social e sem restaurantes para ir, a cozinha se tornou ainda mais atraente. Com a CSA, mais colorida, variada e orgânica. E politizada. CSA é agricultura familiar. A agricultura que produz alimentos de verdade. Sem veneno e sem exploração.