quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Dois anos hoje

Meu lama disse em um ensinamento que o passado muda. E deu como exemplo olharmos para uma foto de alguém ou algo de que gostávamos mas que tenhamos deixado de gostar. Os fatos serão os mesmos, mas a percepção será totalmente diferente. No livro de B. Alan Wallace que estou traduzindo, ele fala disso em termos de física e ciência. Loucura.
Tenho a tendência de olhar para o passado pelo melhor ângulo, valorizando as coisas positivas - isso inclui ver o que aprendi com experiências dolorosas ou desagradáveis. Assim tudo se torna mais leve e valioso.
Certas experiências são bem mais propícias para uma lembrança positiva. Recordá-las traz basicamente uma sensação agradável.
O modo como algumas coisas acontecem é extraordinário. Também é extraordinário o modo como certos fragmentos de memória mantêm-se nítidos. A cor do céu, uma peça de roupa, a sensação que se teve ao ouvir uma música, coisas que em geral passam meio batidas, mas que, em algumas circunstâncias, são registradas de modo indelével.
Tenho inúmeras dessas recordações desde a infância. Às vezes elas brotam na mente como que do nada. E sempre me surpreendo com o frescor que elas retêm.