domingo, 23 de novembro de 2008

Elogios

Meu amigo Jaime comentou aqui que eu não pareço gostar de elogios a meus atributos físicos. Ele tem razão. Em geral fico constrangida com esses comentários. Aí ele observou que um dos meios hábeis das dakinis para estimular os praticantes é justamente atraí-los pela beleza. Isso me levou a matutar sobre meu comportamento.
Acho que o principal motivo para ficar sem graça é simplesmente não ter nada a dizer a não ser obrigada. O outro motivo é que isso sempre me leva a temer a superficialidade, é como se o outro só visse a minha aparência externa. E como se eu só fosse interessante por causa disso. E, aos 44 para 45, ser apreciada apenas pela beleza física seria realmente um perigo...
Há ainda um outro fator: quando ouço esses elogios, parece que as pessoas me acham muito mais bonita do que eu realmente sou (ou me acho).
Por fim, sempre que sou elogiada por qualquer coisa, costumo ficar meio encabulada. Depois de anos de terapia, desenvolvi a auto-estima, realmente gosto muito de mim, me aceito como sou e, quando há algo que me desagrada (por dentro ou por fora), simplesmente trato de mudar. Tenho um enorme orgulho da pessoa que me tornei, porque, assim como esculpi meu corpo, reconstruí minha identidade. Mas tomo cuidado para não ficar me achando a tal por causa dessas coisas, pra não me julgar melhor que os outros.
Quando ouço elogios, talvez eu puxe o freio de mão pra não me deixar levar por ventos de orgulho, vaidade e presunção. Porque minha meta nessa vida é desenvolver um bom coração falante. Ou seja, quero expandir minha capacidade de acolhimento, quero gostar de todo mundo e ver as boas qualidades e potencialidades de todos os seres de modo eqüânime - e expressar isso em atos e palavras.
Quanto à beleza e demais qualidades que possuo, desejo que funcionem como os atributos das dakinis: que sirvam de inspiração e que possam ser causas de felicidade. E, caso algo seja motivo de inveja, que essa possa tornar-se energia positiva para uma transformação pessoal.
Por fim, como não sou uma dakini, que meus defeitos possam servir de inspiração sobre o que evitar.