sábado, 28 de abril de 2012

Diário pré-cirurgia - 6.1 Grandes expectativas

"De onde menos se espera não vem nada mesmo."
Adoro essa frase. Procuro lembrar dela quando me (a)pego colocando expectativas irreais e/ou infundadas em cima de situações ou pessoas. Esse raciocínio singelo tem me poupado de decepções e "surpresas" que de surpreendente não tinham nada - a não ser um olhar surpreendentemente equivocado de minha parte. Algumas expectativas são como esperar laranjas de uma macieira.
Tento sempre não tecer grandes expectativas a respeito de nada, pois esse é um caminho direto para a infelicidade. A mania de esperar que coisas e pessoas manifestem-se de acordo com os nossos desejos é uma roubada. Mesmo quando tudo parece ser exatamente como achamos que seja, pode dar um enguiço.
Por exemplo, eu tinha certeza de que não precisaria operar minha hérnia. Achei que essa crise fosse passar e que, mantendo uma rotina de exercícios de estabilização da coluna, poderia levar uma vida plenamente funcional, sofrendo apenas pequenas crises eventuais (eu já não nutria a expectativa irreal de me livrar das crises para sempre).
Quando veio a crise dentro da crise, percebi que minha situação havia ficado muito mais difícil. Eu soube que só um milagre evitaria uma operação. E aí tentei obter um milagre com medicação, fisioterapia, acupuntura e cirurgia fluidica. (Sim, sou budista, mas gosto do espiritismo, respeito todas as religiões e acredito na canalização da energia de diversas maneiras para vários fins. E rezo a Ave Maria com a naturalidade com que recito mantras. - E também sou pragmática: se quero alguma coisa, vou à luta; não fico sentada esperando que caia do céu.)
Minhas expectativas foram liquidadas domingo passado na Casa Dom Inácio de Loyola, quando a entidade que atuava pelo médium João de Deus disse que eu teria que operar fisicamente. Como eu estava esperando um milagre (por meio de outra cirurgia fluidica), caiu a baia (expressão utilizada por minha filha querida). No dia seguinte, o neurologista pulverizou a baia caída. E o milagre pulverizado voltou para o lugar de onde havia brotado - o reino das expectativas.
Bem, não ter expectativas é uma coisa, manter-se otimista e motivada é outra. Quando caiu a ficha de que a possibilidade de ficar curada sem cirurgia já era, tive um momento de tristeza, derrotismo,  pessimismo e "oh céus, oh dor" (muita dor nesse caso), mas na mesma hora tratei de me reorganizar. O fato de não ter ficado boa como eu queria não significa que eu não vá ficar boa.
Então, agora vou pra cirurgia otimista e motivada. Minha motivação para fazer a cirurgia é ficar curada, sem a dor que sinto há quase um mês. Mas não estou nutrindo outras expectativas, tipo voltar a fazer isso e aquilo dentro de um determinado tempo - ou sair do hospital saltitante.
O médico explicou tudo que pode dar errado, mas é lógico que não vou ficar pensando nisso. Seria pessimismo e derrotismo. E fazer uma cirurgia com a expectativa de que não dê certo seria absurdo.
Creio que agora esteja no caminho do meio.