quarta-feira, 25 de abril de 2012

Diário pré-cirurgia - 3. Registro

Minha filha e meu ex-marido não curtem meu blog. Acham que me exponho demais, que gente baixo astral pode me causar dano. Eu não creio. Por que alguém que não gosta de mim iria gastar tempo lendo minhas coisas? E que mal poderia me fazer?
Penso o contrário: meu blog pode atrair amigos e simpatizantes (hehehe), pessoas que me querem bem e outras que simplesmente vão passar por aqui e dar uma olhadinha indiferente. Eu não escrevo para ser lida, para conquistar um público, escrevo para organizar melhor meus pensamentos e sensações. Mas acho legal que meus amigos e as pessoas que querem me conhecer venham aqui ler, porque isso aqui é a minha cara (ou cabeça).
Agora resolvi escrever um diário pré e pós cirurgia porque penso que poderá ser útil pra outros na mesma situação que eu. Quem tem crise de ciática come o pão que o diabo amassou com o rabo. Imagino que muita gente, como eu, acabe constrangida com sua própria situação. A gente sente dor o tempo inteiro, uma dor espaçosa, que ocupa o corpo e a mente. Em vários momentos não dá pra pensar em outra coisa. E é constrangedor, porque as pessoas perguntam: "Está melhor?", e a única resposta honesta seria: "Não" - isso depois de 10, 20, 30 dias de tratamento. Aí parece que a gente está fazendo onda. Então se começa a dizer umas coisas tipo: "Ah, parece que melhorei um pouquinho hoje" (claro, com o monte de analgésicos em ação a dor cede um pouco em algumas horas, e a gente fica achando que isso vai durar, que é uma melhora).
Para mim foi muito bom conversar com outras vítimas de ciática, elas sabiam bem como é a coisa de não conseguir sair da cama, nem se vestir etc. São situações comuns dessa doença, limitações nas coisas mais triviais e ridículas, não dá pra gente ficar falando disso o tempo todo, senão é só lamúria. Gostei de falar com outros e ver que eles tinham passado pelo mesmo aperto, que eu não era a única no mundo.
Também quis deixar tudo registrado para mim mesma. Eu não ocupo meu HD mental com doenças e lesões - menos ainda com a memória da dor que causaram. Vou deixar tudo anotado aqui pra mais adiante poder resgatar esses momentos. São fotografias da paisagem em que habito agora.