segunda-feira, 23 de abril de 2012

Diário pré-cirurgia - 1. A janela

Fecha-se uma porta e se abre uma janela.
Vou operar a hérnia de disco. Não há mais o que tentar. A gabapentina não funcionou, a dor é intratável, não cedeu com medicação, fisioterapia e acupuntura.
Tenho tomado tramadol ANTES de sair da cama de manhã numa tentativa - vã - de diminuir o martírio. Hoje foi de lascar. Além das costas e da perna esquerda, o pé esquerdo doía tanto que tive que fazer uns ensaios antes de conseguir apoiá-lo no chão. A dor é tamanha que provoca calor. Hoje só percebi que estava frio uns 30 minutos depois de encerrar as penosas atividades de fazer xixi, escovar os dentes, lavar o rosto (melhor dizer, dar uma molhadinha) e me vestir (com ajuda para colocar as calcinhas e as calças compridas).
Fico evitando o tramadol, pois a dose que funciona é altíssima e me deixa muito grogue. (A gabapentina já me deixa grogue o bastante. Sem falar que ambos provocaram uma constipação que me fez tomar laxante no sábado. Fora todo o resto da enooooorme lista de efeitos colaterais da dupla.)
Fiquei sabendo que teria que operar ontem, numa consulta com o médium João de Deus em Três Coroas. Fui lá esperando fazer uma cirurgia fluidica (já fiz uma pelo Templo Tupyara). Cheguei às 7h, passei pelo médium depois das 19h30min. Perguntei à entidade se eu teria que fazer uma cirurgia com os médicos da terra. "Vai operar. Mas toma o remédio antes." (O remédio é a passiflora energizada que a entidade prescreve.) Na hora senti uma dor enorme em meu peito, uma frustração e decepção tremendas. Lutei tanto, me esforcei tanto... Saí de péssimo humor. Na estrada mesmo liguei pra Maria Ignez, minha orientadora espiritual, e pedi pra vê-la logo, pra confirmar.
Aí hoje de manhã, antes de ir na Maria Ignez, liga a secretária do neurocirurgião Albert Brasil, com quem eu tinha hora marcada pra 1º de junho. "O doutor não poderá atendê-la nessa data, e gostaria de saber se a senhora poderia vir amanhã às 14h30." Claro que a senhora poderia, pode e irá!
Fui na Maria Ignez, e ela confirmou o que o médium disse. Desde que essa crise começou, eu sabia que só com milagre pra escapar de uma operação. O milagre que eu desejava não será possível. Mas muitos outros pequenos milagres já estão acontecendo.
Falei com meu neurologista maravilhoso, Francisco Rotta, agora de manhã, expliquei a quantas ando (ou não ando). E ele decidiu que está na hora de encerrar o tratamento conservador. Rotta havia estipulado um prazo de duas semanas com a dose-alvo de gabapentina. Eu tomei apenas quatro dias dessa dose (cavalar), mas não adiantaria insistir. Eu simplesmente não apresentei uma melhora suficiente para ir adiante. Tenho a mais plena confiança no Rotta. Ele é o médico da minha mãe, tornou-se meu médico no ano passado. Já havíamos conversado sobre as minhas possibilidades, e ele deixara bem claro que a gabapentina era a última chance. E que não havia qualquer garantia de sucesso. E que, se não funcionasse, eu teria que operar - e ele indicaria um médico.
Falei do neurocirurgião com quem vou consultar amanhã, e ele achou ótimo. Disse que esse médico estaria na lista dos profissionais que ele indicaria para me operar - e que nessa lista todos seriam do mesmo nível, não haveria outro nome melhor.
Cheguei ao doutor Albert Brasil por indicação do Jocemar, fisioterapeuta, marido da Dani Cecchini, também fisioterapeuta, que conheço do mundo da corrida. Jocemar foi meu salvador depois da maratona de 2009, quando tive cãibras nas duas panturrilhas. Ele me massageou por cerca de uma hora, até a crise passar. Nesse mundo tão pequeno, Jocemar e Dani também conhecem o Rotta, e também acham que estou em boas mãos.
Então é isso por hoje.
E agora aguardo a consulta de amanhã com grande entusiasmo. Já que o caminho é a cirurgia, que seja o quanto antes. Pra eu ficar recuperada o quanto antes. :)