quarta-feira, 11 de abril de 2012

Haja paciência, determinação e força

Quando tudo parecia encaminhar-se para eu ficar boa, uma nova crise. No domingo retrasado, 1º de abril, simplesmente acordei pior que nunca. Não conseguia sair da cama. Eu nunca havia sentido tanta dor da hérnia. Trata-se da famosa ciática in full force. As pessoas falam da dor de parto. A dor que senti ao parir Lízia não é sequer digna de nota perto da ciática.
Há 11 dias minha vida é basicamente infernal em termos físicos.
Sair da cama de manhã é o pior momento do dia. Tenho que virar de bruços e me arrastar para a beirada. Ponho uma perna pra fora, toco o chão, depois a outra. E aí vem o suplício maior, que é erguer o tronco. Fico um tempo arrastando a perna esquerda até conseguir andar mancando.
Ir ao banheiro e vestir as calcinhas ocupam o segundo lugar na longa lista de movimentos dolorosos. Calçar os sapatos não está classificado porque eu nunca mais consegui tocar meus pés de manhã. Então só uso sapatos de enfiar. Tênis está fora de cogitação, amarrar cadarços é impossível. Hoje preciso que Lízia tire o esmalte das unhas dos pés. Não posso ir na manicure por enquanto. Vou acabar com unhas compridas nos pés, affff.
Ontem à noite assisti um filme no sofá da sala. Eu estava cansada, resolvi deitar no sofá (e ficar sentada nele estava péssimo). Senti que não estava bom ali, mas eu queria ver o filme e não havia outro local para sentar. O resultado fez-se sentir já no meio da noite: acordei com dor e não havia posição, fiquei horas tentando me acomodar. Hoje de manhã levei mais de 15 minutos pra conseguir vestir as calcinhas e a calça (agora só uso calças folgas de malha, jeans justos e as calças de treino são inviáveis). Tentei calçar as sandálias. Depois de cinco minutos desisti e fui pra fisioterapia de chinelo de dedo.
Estava atrasada, tive que pegar um táxi. O trajeto levou menos de cinco minutos. Do mais puro sofrimento. Ao entrar no táxi, o motorista falou: "Ah, está com problema de coluna." E eu: "Sim, indo pra fisioterapia." Mal sentei, o pé esquerdo e parte da perna começaram a formigar. O terceiro colocado na lista da dor é justamente andar de carro/dirigir. Não consigo entrar em carros e ficar sentada neles é insuportável. Lotações e ônibus também não aguento. Tenho andado a pé sempre que possível. Caminhar é melhor, embora não seja agradável. E preciso tomar enorme cuidado porque a perna esquerda quase arrasta pelo chão, e volta e meia dou umas tropeçadas - que obviamente provocam um flash de dor ciático acima, até as raízes na lombar.
Eu nunca havia experimentado tamanha limitação física. Não posso carregar pesos, tenho que fazer peripécias para juntar coisas que caem no chão (e como deixo cair coisas!), escovar os dentes é uma empreitada, lavar o rosto é outra. Nunca mais pude me espreguiçar de manhã, o pior é que esse é um hábito arraigado, o movimento surge espontaneamente todas as manhãs. E eu sempre tento espreguiçar o mínimo que seja, mas na mesma hora vem a dor.
Sentar para trabalhar é desesperador e desanimador. Tenho que levantar a todo momento. Tenho dificuldade para me concentrar no texto porque a dor me distrai. Ponho almofada, tiro almofada, ponho uma mantinha, tiro a mantinha, subo e desço a cadeira.
Meus dias têm sido um teste de paciência, determinação e força. A dor provoca cansaço e prostração física e mental, estou com o semblante abatido e em alguns momentos me sinto muito desanimada, desmotivada. Mas, mesmo quando a dor me causa náusea e vertigem, quando tenho vontade de berrar, quando grito, gemo e suo, quando parece que vou ter um colapso, persistem em mim a disposição inabalável de aguentar o tranco e a certeza absoluta de que isso vai passar.