quarta-feira, 25 de abril de 2012

Diário pré-cirurgia - 3.1 Fechando ciclos

Hoje de manhã fiz minha última sessão de fisioterapia antes da cirurgia. Afff, vou sentir saudade do Felipe Duarte, da Núclea, que me tratou desde o início de março. Mas ele vai continuar presente em minha vida, vai me acompanhar na recuperação em atendimentos ocasionais (o grosso terei que fazer pelo plano de saúde).
Na despedida de hoje, ele reafirmou o que eu já sabia: fizemos tudo direito, o tratamento foi correto, eu me cuidei, mas meu corpo simplesmente reagiu de modo inesperado após um período de melhora constante, quando estive prestes a ser liberada para trotar. Em abril, as sessões de fisioterapia foram meus únicos momentos de prazer físico, quando eu quase não sentia dor. :) E as massagens suaves na coluna eram realmente uma delícia, um alívio.
Em breve também terei que me despedir temporariamente das aulas de dança do ventre. Ficar sem elas vai ser o mais desagradável do pós-operatório. Não parei de dançar em nenhum momento. E a dança foi o outro ponto alto de abril. Felipe ficou de cara, mas eu disse pra ele que já estava sem correr e sem fazer musculação, a dança ficaria. Com certeza não foi por causa disso que o caldo entornou. Ainda bem que não parei, senão estaria lamentando amargamente. Daqui a pouco, aliás, vou pra aula. Yessss.

Abril foi um mês e tanto. Noooooooossa. Teve de tudo.
Uma das babás da minha mãe pediu pra sair, foi uma coisa repentina, ela encontrou um amor. Já nós tivemos a felicidade de encontrar outra pessoa rapidamente, mas até isso acontecer fiquei preocupada. Pelo menos a consulta de minha mãe com o neurologista foi boa, ela está com a saúde em dia e se adaptou muito bem à alteração na medicação.
Demiti a pior empregada doméstica que já tive, uma pessoa estranhíssima de astral e incapaz de fazer qualquer tarefa direito. Era daquelas que tinha que ser pilotada - e nem assim as coisas davam certo. O pior foi que um dia ela comeu um pedaço de pizza que eu tinha jogado no lixo - onde havia areia sanitária dos gatos! Minha casa está um chiqueiro, a criatura limpava como a cara dela, eu estou sem condições de fazer serviços domésticos e sem a menor condição emocional de ir atrás de outra empregada. Isso vai ficar pra depois.
Vamos tentar achar alguém apenas pra me acompanhar assim que eu voltar do hospital. Ou acabo passando uma temporada numa clínica geriátrica...
No plano pessoal, me reaproximei de pessoas queridas, com quem tenho grande afinidade. Essa reaproximação é ainda mais valiosa agora, porque são pessoas que vão me amparar e cuidar de mim - e dessa vez não ficarei sozinha ao longo do processo de cura.
A coisa mais inesperada foi a forma como meu pedido de harmonia em minha vida foi atendido. É algo bem parecido com a solução pra crise de hérnia: o milagre que eu pedi não aconteceu, mas o problema foi solucionado e vai ficar tudo muito melhor do que estava.
Pra fechar esse mês tão movimentado, um final de semana de sossego e introspecção. Minha filha viaja amanhã, ficarei só, poderei meditar mais, assimilar as mudanças e me preparar para o que vem pela frente.