sábado, 28 de abril de 2012

Diário pré-cirurgia - 6. Foco

Minha recém-retomada prática de meditação está se mostrando preciosa nesse momento de turbulência. Quando fico agitada, dispersa ou sonolenta demais, paro tudo e deito por 20 minutos - ainda não dá pra ficar sentada. Enfoco a respiração e deixo rolar.
Em algumas ocasiões, derrapo pra um apagão - é muita medicação pesada, que provoca um torpor, eu não durmo, fico num estado alterado. Meu corpo fica frouxo, e a mente obnubilada desliza por pensamentos - ou tropeça neles -, é como se tentasse olhar para eles através de uma neblina espessa, a mente capta apenas vislumbres, às vezes mais nítidos, às vezes menos. Observo a mente perdida no nevoeiro. Mesmo nessa chapação, várias vezes consigo retomar o foco na respiração. Quando levanto a mente está mais alerta, e o corpo também.
Nas ocasiões em que estou menos drogada experimento uma acomodação mental mais nítida. Embora pareça haver muito mais pensamentos, a mente fica menos perdida.
Hoje pela manhã, em vez do foco na respiração, centrei a mente nos pensamentos que estavam causando agitação. Lembrei das técnicas que usei em terapia, de observar e soltar. Funcionou. Desapeguei das ideias repetitivas.
Tenho meditado pelo menos uma vez por dia, tento manter a prática matinal e antes de dormir.
Ontem consertei meus malas. Esse da foto, de quartzo verde, caiu no chão há tempos (foi derrubado por um dos gatos junto com muitas outras coisas de minha mesa de trabalho), e uma de suas contas quebrou. Como ele tinha um arremate com as mesma contas, desmanchei e remontei. Outros estavam frouxos e apertei, não gosto de espaço entre as contas.
Ando sempre com um mala na bolsa, mas não os utilizava há muito, muito tempo. Retomei a recitação domingo passado, na Casa Dom Inácio de Loyola.
Agora, quando tenho uns surtos de ideia fixa e não vou meditar, puxo a mente para a recitação do Mani, com ou sem mala.