quarta-feira, 8 de março de 2017

Aparências

Mensagem do Lama Samten para as mulheres.

Os Budas surgem das mais variadas formas.
Sempre são a manifestação lúcida e mágica de Samantabadra/Samantabadri.
Que maravilha!!!
Sempre foi assim, sempre seguirá sendo assim.
O Buda no corpo Nirmanakaia é inseparável da mandala de Samantabadra/Samantabadri, o que descreve sua perfeição.
Sua aparência corresponde à aparência dos seres que ele busca beneficiar. Sua essência manifesta essa aparência como meio hábil para poder ser visto, ouvido, tocado e lembrado pelos seres em sofrimento, e assim poder exercer sua presença e irradiar seus benefícios.
Nesse dia meu voto é que cada mulher possa reconhecer sua essência como inseparável do espaço infinito e lúcido - Samantabadra/Samantabadri - que se manifesta não dual com cada aparência e seu observador. E que cada aspecto de sua existência feminina - seja externo, interno ou secreto - brilhe como o arco-íris luminoso que surge magicamente no espaço, leve e encantador, para benefício de incontáveis seres em todas as direções, além do tempo.


O Buda não tem gênero.
Nesse mundo dual de aparências, vejo-me como uma Dakini, uma representação feminina do conceito da iluminação. E pretendo atingir a iluminação em corpo de mulher. Debaixo de um flamboyant. Ou quem sabe como um homem trans. Ou uma mulher trans. Qual a diferença? Para um Buda, nenhuma.
São as mentes condicionadas - e preconceituosas e misóginas - que precisam aprender isso e evoluir. Inclusive e principalmente no budismo. Não tem ordenação completa para mulher? Tô fora. Um monge noviço tem prioridade sobre uma monja sênior? Tô fora.
Proclama que a iluminação só pode ser atingida em corpo masculino? Tá por fora e eu tô fora pra sempre. 
Como poderia a mente clara e desperta, inata e fundamental de clara luz, além da dualidade e da não dualidade, inexprimível em palavras e conceitos, precisar de um corpo de homem para se manifestar?
Já está mais do que na hora dos tulkus começarem a vir em corpo de mulher. Só acho.