quinta-feira, 24 de maio de 2012

Gratidão eterna

Enquanto estive doente, tive a felicidade de contar com o apoio e o carinho de muitas pessoas. Nos momentos mais tristes, desesperançados e desesperadores, sempre aparecia alguém com uma palavra de incentivo ou conforto. Todas essas pessoas manifestaram duas das mais belas qualidades humanas, empatia e generosidade. E  manifestaram também as Quatro Qualidades Incomensuráveis: amor, compaixão, alegria e equanimidade.
Os dois neurologistas que me atendem manifestam sabedoria e compaixão.
Francisco Rotta está presente na minha vida e na de minha mãe desde abril de 2008. Foi ele que diagnosticou o Mal de Alzheimer em minha mãe, e é ele quem tem cuidado dela e me orientado enquanto a doença avança inexorável e implacavelmente. É com ele que poderei contar para garantir à minha mãe o máximo de qualidade de vida e de dignidade até o fim.
Foi Rotta que me socorreu por acaso em maio do ano passado, ao me encontrar na emergência do Hospital Moinhos de Vento. Foi quando eu também me tornei paciente dele, primeiro para me recuperar do trauma em decorrência de uma punção lombar e depois para investigar um distúrbio neurológico. Hahaha, foi ele que me disse que a dor de cabeça alucinante que tenho muito raramente é enxaqueca.
No início de abril, telefonei para Francisco Rotta para pedir a indicação de um médico de coluna. Ele perguntou o que havia acontecido, expliquei que era para mim e tive a luminosa ideia de perguntar se ele tratava hérnia de disco (eu sempre o vi como neurologista de doenças degenerativas do cérebro.) Rotta disse que me atenderia, marcamos um encaixe e, depois de me examinar cuidadosamente, ele propôs um tratamento com gabapentina como última tentativa. Ele deixou claro que não havia garantia de que desse certo e que, se a gabapentina não funcionasse, só restaria a cirurgia. E, se o caso fosse cirurgia, ele indicaria um neurocirurgião. No final de fevereiro, um traumatologista havia sugerido que eu fizesse uma artrodese e, para meu completo horror, havia explicado no que consistia tal procedimento. Eu estava apavorada com a possibilidade de ter minha a coluna parafusada. Rotta me tranquilizou: ele indicaria um neurocirurgião que fizesse discectomia.
O neurocirurgião que fez a discectomia em minha coluna, Albert Brasil, foi indicado por Jocimar Müller, fisioterapeuta que também conhece o Rotta. (Todo mundo se conhece, hehehe.) E, quando Rotta decidiu suspender o tratamento com gabapentina e me encaminhar para a cirurgia, disse que Albert Brasil era um dos nomes que estaria em sua lista de neurocirurgiões. Fui consultar já confiante, e saí do primeiro encontro convencida de que estava em ótimas mãos. Em momento algum pensei em procurar outro médico. Seria com ele mesmo.
Na manhã de 3 de maio, Albert Brasil atuou em um dos momentos mais felizes da minha vida, indo a meu quarto para me tirar da cama depois da cirurgia. Antes ficara combinado que eu só sairia da cama na presença dele. Quando ele chegou eu já estava acordada em grande expectativa. Eu não sentia mais dor alguma deitada, mas não sabia como seria quando ficasse de pé.
Ele fez a manobra para eu levantar, puxando minhas pernas para fora do leito e me ajudando a erguer o tronco, e eu me sentei. Sem dor alguma no ciático. Foi totalmente incrível. A dor não estava mais lá. Tinha desaparecido. Depois eu fiquei de pé. Sem dor. E dei meus primeiros passos sem dor. Foi uma experiência extraordinária. Parecia mágica. E eu parecia uma criança assistindo um truque de mágica. Melhor ainda: protagonizando a mágica! Foi sensacional.
Discectomia é um procedimento corriqueiro na rotina de Albert Brasil. Não é um acontecimento excepcional, impactante. Mas para mim foi. Mudou a minha vida, que havia se transformado em uma experiência infernal em termos físicos. Restituiu minha saúde e minha alegria.
Sou muito afortunada por ter dois médicos tão habilidosos conduzindo meu tratamento.