segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Tigresa descalça

Bronzeada.
Relaxada.
Inspirada.
Ano Novo começou de modo muito auspicioso.
Além da dedicação ao Dharma e às metas mais elevadas, a retomada da leitura. Foram-se as 383 páginas de Nascido para correr em 3 dias. Ficou a sensação de prazer com a retomada desse hábito fora do âmbito profissional.
Ficaram também informações preciosas sobre corrida. Sobre os pés e os tênis de corrida. Sobre a importância de fortalecer os pés - e andar e correr descalça. Fiquei tão animada que decidi fazer meu trajeto habitual de 8km, ida e volta pela beira-mar. Sempre faço descalça. O pé dá uma lixada, mas ok. Hoje a lixada foi excessiva. Na volta já estava quase mancando, a borda externa do calcanhar e a almofada central do pé direito ficaram supersensíveis. Saí da praia ali pelos 6km, calcei as Havaianas e voltei o restante pelo calçadão. Fiz os 8km, e toda essa dor e as bolhas na sola mostraram que, antes de correr descalça, terei que acostumar a pele do meu pé ao contato com o solo.
Corri descalça uma vez. Na Praia do Peró, em Cabo Frio. 7km de extensão, areia firme. Deslumbrante. Fui dar uma corridinha de biquíni. Não tinha ninguém na praia, só eu.
Me empolguei, a corridinha foi se alongando, alongando. Não lembro se fiz a praia inteira. Só lembro da sensação incrível de correr descalça na areia, sem vontade de parar. E da sensação terrível quando cheguei de volta e parei. Não conseguia mais caminhar. Tinha duas bolhas gigantescas na articulação e almofada de cada dedão. Fiquei andando nos calcanhares até ir embora da praia. No resto daquele dia e nos dois seguintes, só conseguia andar de meia e tênis. Ou meia e chinelo. As bolhas viraram duas feridas enormes, uma lambança. Mas segui intrépida. Ia até a beira do mar de tênis e meia, sentava na areia, tirava tudo e entrava na água, colocando os pés o mínimo possível no chão.
Já queimei a sola do pé com tênis e meia. Num dia quente. Tênis novo. Fiz uma corrida curta. Terminei com as solas vermelhas e ardidas, affff. E fiquei com is pés queimados o resto do dia. Era um Asics. Nunca me acertei com aquele tênis. Sempre me deixava as solas ardidas. Até no inverno. Passei a usar pra ir na academia. Foi minha segunda e última experiência com essa marca. Tive um Nimbus antes, logo que havia começado a treinar corrida. O tênis me deixou com todas as unhas dos dois pés roxas e fez bolhas de sangue nas duas almofadinhas. Eu nunca tinha visto nada igual. Fiquei apavorada. (Mas segui treinando, claro, com meus Adidas que nunca me fizeram isso.) Concluí rapidamente que meus pés jamais de adaptariam àquele calçado infernal, porque essa desgraceira  toda foi quase que instantânea. O tênis ficou novo e guardado até eu doar.
A pele dos meus pés é muito delicada. É ótimo porque não tenho calosidade, minha manicure mal passa a lixa. Mas tem esse grave inconveniente. Qualquer atrito gera bolhas.
Longão na chuva já me deixou com os pés em ferida nas almofadinhas por causa da meia e da palmilha encharcadas. Tomo cuidado com as meias. Nada de meia chinfrim. Mas as básicas da Adidas e Nike resolvem, que eu não vou gastar fortunas em meia.
Os treinos de maratona sempre rendem várias unhas multicores: roxas, verdes, azuladas, amareladas. Uma ou duas caem. Mas sempre depois da maratona. E sem dor.
Longões em geral e grandes volumes semanais provocam bolhas e uns calinhos de sangue nas pontas dos meus dedos. Fica horroroso, mas é basicamente indolor. A manicure tira tudo com alicate. Quando fica muito medonho, é podóloga com bisturi e tudo bem. E unhas dos pés pintadas de preto, marrom, marinho, roxo.
Talvez eu não possa correr descalça. Mas posso buscar calçados básicos, que permitam a meus pés ficarem fortes.
Ah, tenho os dedos dos pés com duas falanges apenas, e não três, como todo mundo. Descobri por acaso, quando fiz um raio X depois de um acidente. Não sei se isso prejudica minha passada - e se pode ser um motivo para eu ter um equilíbrio corporal precário e muita dificuldade de locomoção em terrenos acidentados. E pela primeira vez me ocorre procurar um especialista para me informar.