sábado, 22 de outubro de 2016

Na rede

Falei ontem com Laura, minha irmã, sobre o cansaço que ando sentindo do Facebook. Ela está na mesma. Cansaço das redes sociais em geral.
O fato de eu trabalhar em casa, numa atividade totalmente solitária, com certeza estimulava minha presença nessas redes. Eram meu contato com o mundo. Agora, em outro trabalho, com uma vida social mais ativa e novos interesses, isso mudou. Eu mudei. E, desde que comecei a escrever no blog como exercício diário, sinto cada vez menos interesse pelo FB. O Instagram ainda curto. Mas bem menos que antes.
Durante um certo período, minha vida esteve bastante exposta no Facebook. E a importância deste e do Instagram no relacionamento anterior foi pontuada e questionada por minha terapeuta várias vezes desde o início do tratamento. Até agora, não consegui ter uma visão consistente do porquê disso.
De início me parecia muito natural postar fotos, fazer check-ins e curtir as coisas nas redes. Vida simples. Depois comecei a ver que essas atividades eram acompanhadas, interpretadas e comentadas por muita gente. E, pior ainda, comecei a ver que meus posts e minhas curtidas (ou o fato de não curtir) passaram a ser avaliados por mim também e revestidos de uma coisa de emitir sinais. Afffff. Que ridículo.
Meus perfis sempre foram abertos. Durante um tempo fechei por causa de fofocas e da curiosidade de gente que eu sequer conhecia. Grande coisa. Sempre tem alguém que pode acessar e mandar prints ou mostrar ou comentar o que postei. Cansei dessa palhaçada e deixei tudo aberto. Que olhem, comentem e pensem o que quiserem. (Inclusive quem me bloqueou e acessa com fake.) Só que meus perfis mudaram. Voltaram a ser um canal para mostrar coisas de que gosto e coisas que faço. Sem declarações subliminares. Ou pelo menos sem jogo, sem recado pra ninguém. E, como estou fazendo coisas fora de casa e longe do computador, menos tempo e vontade de acessar.
Bom, enquanto escrevo, percebo uma grande fragilidade em toda essa argumentação. Cada post tem conteúdos subjacentes que eu talvez nem perceba. Vou seguir nessas reflexões.
Meu espaço de manifestação virtual agora é este aqui. Que também é aberto. Mas cujo acesso é muito menor. Não é algo que pipoque na timeline de ninguém. A pessoa que vem aqui vem porque quer. Raramente faço links no Facebook. Na real, nem sei quem acessa meu blog - e como toma conhecimento dele. Sei apenas que muita gente acessou (e várias mandaram mensagens) por causa do meu relato sobre a hérnia de disco. E alguns por causa do budismo.
Escrevo num meio aberto porque evidentemente quero que outras pessoas leiam. Me parece uma atividade de crônica jornalística. Um livro. E percebi com o episódio da hérnia e dos posts budistas que às vezes meus textos podem ser úteis.
Realmente, meu blog é uma espécie de livro. E livros são escritos para atingir leitores.