quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Empoderamento na prática 5

Entre as coisas que ouvi neste ano, duas calaram fundo dolorosamente. A primeira, que eu não gostava do meu trabalho, por isso não falava dele e não trabalhava. A segunda, que eu deveria arrumar um homem para me sustentar, já que eu não era muito chegada em trabalho.
O que as pessoas falam muitas vezes revela mais sobre elas do que sobre aquelas a quem se referem. Dois exemplos pontuais dessa grande verdade.
Relacionar-me com quem tem essa opinião a meu respeito e ouvir esse tipo de coisa revela muito sobre quem eu era também. Sobre como eu me via e me manifestava no mundo. Sobre o pouco valor que eu me dava. E é isso que me interessa.
Pois é, talvez eu não falasse do meu trabalho por achar que os outros não se interessariam por ele (= por mim). E não trabalhava como poderia e deveria - e não me sustentava - porque não tinha confiança em mim e no meu talento. Além disso, vi em terapia que a tradução não tinha como ser o carro-chefe do meu sustento, porque é um trabalho que paga mal e exige um foco que eu não tinha. E, muitíssimo importante, vi que eu gosto de trabalhar com outras pessoas, fora de casa. Que preciso do contato com outros.
Fui fazer terapia em busca de empoderamento. Me empoderei toda.
Comecei assumindo ostensivamente a pansexualidade.
Mudei de trabalho.
Mudei a relação com o trabalho.
Mudei a forma de me relacionar com os outros.
Mudei.
Mudou quase tudo.
Falo muito do meu trabalho agora. E as pessoas para quem falo acham o máximo o que eu faço. Eu também acho. E é o máximo. Trabalho com cultura. Com ideias. Meu trabalho é facilitar a vida dos leitores.
Passei a escrever sobre meu trabalho também. E tenho escrito sobre tudo que me vem à cabeça porque faz parte do meu empoderamento pessoal e profissional. Escrevo porque quero expressar minhas ideias e me expressar socialmente. Me posicionar. Em tudo. E porque para escrever e editar profissionalmente eu preciso praticar a escrita e a leitura o tempo todo.
E a tradução? Gosto sim. Amo. Mas para 2017 quero que a tradução seja o que se tornou a partir de 1º de setembro deste ano: um trabalho secundário, a ser desenvolvido com mais calma.
Em 2017, quero trabalhar basicamente com edição e preparação de livros. E produção de conteúdo. Como jornalista, editora e ESCRITORA.


Dakini Tradutora.
Dakini Jornalista.
Dakini Escritora.